- há 3 semanas
Como esse transtorno, cada vez mais comum, pode ser tratado
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00:00O brasileiro é a população mais ansiosa do mundo e esse caso do safadão mostra que isso não tem relação
00:08com dinheiro, com realização profissional, com sucesso, nada disso.
00:13Mas uma coisa serve para todo mundo, a hora de saber colocar um freio para que as coisas não piorem.
00:20Vamos bater um papo então aqui no nosso estúdio com ela, a psicóloga Gisélia Freitas.
00:25Obrigada pela sua participação e a Paula também está aqui com a gente hoje.
00:29Sejam bem-vindas, você também se identifica com toda essa situação que a gente viu acontecendo ali com o safadão?
00:37Sim, identifico. Identifico porque a ansiedade ela te trava, a ansiedade você sofre antes de acontecer, então você não sabe
00:46se vai acontecer, mas aquilo ali você já cria um bloqueio.
00:49Qual foi o ápice para você das suas crises de ansiedade, Paula?
00:53Foi o que eu passei com a minha filha, foi meu parto prematuro.
00:57Isso me criou um bloqueio em relação a qualquer coisa relacionada ao hospital.
01:02A criança passando mal, a criança doente, mas isso aí foi o que começou a ansiedade.
01:08O gatilho, né?
01:09O gatilho da ansiedade.
01:10Eu já era uma pessoa ansiosa, muito ansiosa.
01:13Ansiosa como?
01:14Se eu tivesse um evento no fim de semana, aquilo ali já me causava uma agitação.
01:20Só que hoje essa ansiedade, essa agitação, quando chega no dia do evento, às vezes me bloqueia, me desanima.
01:26Mas não, eu não vou porque é muita correria, aquilo ali já me dá uma sensação ruim, às vezes.
01:32Eu tenho que trabalhar a minha...
01:33Inverte a situação.
01:34Eu tenho que trabalhar a minha mente.
01:36Não, isso é da ansiedade, isso é do meu pensamento, é minha mente me sabotando, não vai acontecer nada ruim,
01:42porque tem essa questão também do acontecimento ruim.
01:45Quem sofre crise de ansiedade pensa sempre que vai acontecer alguma coisa ruim.
01:48Eu tenho duas crianças, eu vou sair para um local muito agitado.
01:52Ah, mas se aconteceu alguma coisa com os meus filhos, esse local é seguro?
01:56Ah, não, não vou, é perigoso.
01:57Ah, eu vou andar de carro, a estrada é perigosa.
01:59Ah, não vou.
02:00Aí você acaba se sabotando, né?
02:01Sim.
02:02Gisele, até que ponto a ansiedade é considerada algo bacana, positivo, e quando passa desse limite,
02:10faz para a gente essa diferenciação?
02:13Claro, temática importante, né?
02:15Setembro amarelo, mês para cuidar aí da saúde emocional.
02:19Todo mundo é ansioso, todo mundo tem um grau de ansiedade.
02:23Agora, quando existe uma preocupação, um medo, frequente, contínuo, em excesso, aí já começa a virar patológico.
02:33Aí já é uma crise psíquica, já está acometida realmente de um distúrbio relacionado à saúde emocional,
02:40quando você já não tem controle com isso.
02:41E tem uma série de sintomas preocupantes, que todo mundo tem um pouquinho,
02:45mas quando você tem isso de forma exagerada e contínua, tem que procurar ajuda.
02:51Irritabilidade, falta de sono, palpitações em excesso, respiração acelerada.
03:00Então, são transtornos que mostram que você já está no nível patológico de ansiedade.
03:05E isso, a pessoa precisa procurar ajuda, dificilmente vai embora sozinha, né?
03:11Porque a tendência, às vezes, é só piorar.
03:14E esses acontecimentos, pode ser por um motivo específico, ou pode ser um transtorno de ansiedade generalizado,
03:21por vários motivos.
03:22Relacionado ao trabalho, medo de perder o emprego, medo com os filhos, né?
03:26Já numa idade aí de sair adolescente.
03:28Medo de ser mãe, medo com a família, medo da sociedade, medo de não ter amigos, medo de não casar.
03:34Tem sempre um motivo por trás?
03:36Igual no caso da Paula, teve um gatilho, que a partir desse momento, evidenciou essa ansiedade nela.
03:43Sempre tem um marco, Gisele?
03:45Às vezes tem.
03:46Às vezes, a pessoa, ela desencadeia devido a uma situação estressante que aconteceu.
03:52Um desemprego, uma morte, uma doença, algo que desencadeia uma série de outras preocupações relacionadas a isso e não volta.
04:01É muito comum ficar ansioso para resolver algo.
04:04Agora, quando aquilo é contínuo, em excesso, ele já vira realmente um problema patológico.
04:10E aí, quando você começou a relatar para a sua família o que você estava sentindo, teve gente que não
04:14levou a sério?
04:15Não, meu marido.
04:16Ah, mas por que você fica pensando?
04:18Eu falei, eu não controlo.
04:20Ah, mas sua mente é muito agitada.
04:21Para de pensar.
04:22Eu falei, eu não consigo.
04:23A mente é muito turbulenta.
04:25Só que no meu caso, eu não preciso, às vezes, de um acontecimento específico ali na hora, a situação do
04:31caos, para me gerar fisicamente reações.
04:34Às vezes, eu estou em casa deitada e, de repente, eu começo a sentir aquela sensação do corpo com calafrios,
04:42o coração acelerar.
04:43Aí vem os sentimentos de tristeza, aí vem o medo, e se eu morrer, como é que vai ficar meus
04:49filhos?
04:50Aí vai gerando aquela sensação de pânico.
04:52Você tem vivido assim desde o nascimento da sua filha?
04:54Desde o que eu passei com o parto da minha filha.
04:57E foi um parto prematuro?
04:58Foi um parto prematuro.
04:59E isso te desestabilizou?
05:00Sim, porque até então estava tudo bem e, de repente, eu tive a notícia.
05:04Olha, se eu tirar sua filha hoje, ela pode morrer.
05:08Se eu tirar daqui a dois dias, você pode morrer.
05:11Meu marido quase que teve que escolher, entre aspas, né?
05:14Então, isso gerou uma sensação de muito pânico desde então, tanto para mim quanto para ele.
05:18Esse é um exemplo do gatilho que eu te falei, de uma situação de estresse que ela vivenciou e a
05:24chavinha dela não voltou, muitas vezes, para o lugar.
05:26Às vezes, a pessoa passa para aquela situação, né, Roberta, estressante, que cria aquela ansiedade, mas passa.
05:33Então, isso está contínuo, não voltou.
05:35É o fato de procurar ajuda, sim.
05:37Tem várias técnicas para ajudar isso, né?
05:39Não só terapêutica.
05:39Se não tratar, Gisele, o que pode acontecer?
05:41Esse quadro pode piorar?
05:43Pode, pode chegar a um processo depressivo.
05:46Aí tem síndrome do pânico, ela já está relatando questões relacionadas à síndrome do pânico.
05:50Aí pode dar outros gatilhos também de ordem psíquica, né?
05:54Pode atrair, pode ficar cometida de outras problemáticas também.
05:58E, voltando, muitas vezes começa por um processo de ansiedade, não é tratado, só vai piorando.
06:04É o que leva, às vezes, muitas pessoas também ao número que só tem crescido de suicídio.
06:07Porque cresceu em 11,8 de 2021 a 2022.
06:12Então, por isso que a gente tem que identificar antes e tratar na hora certa.
06:17Como que foi o seu tratamento?
06:18Você tem feito esse acompanhamento, Paula?
06:19Na UTI, eu faço acompanhamento.
06:21Desde o psicólogo, eu faço.
06:22Tem quanto tempo já do nascimento da sua filha para cá?
06:24Minha filha tem 4 anos.
06:254 anos.
06:25Desde que ela estava na UTI, eu já fazia acompanhamento.
06:27Para poder assimilar tudo o que estava acontecendo.
06:30Se eu não fosse esse acompanhamento, eu acho que eu não teria conseguido.
06:33E aí eu toquei no ponto, né?
06:35Que, às vezes, a família, os amigos, não leva a sério.
06:38Acham que, ah, você está exagerando.
06:42Gente, isso acontece também no mundo dos famosos.
06:44Acontece aqui com a gente.
06:46Outra famosa foi a atriz Mel Maia.
06:48Ela desabafou recentemente sobre as crises de ansiedade que teriam piorado muito nos últimos dias,
06:55depois que o namoro dela acabou.
06:57Mel já havia falado sobre o problema em outra ocasião,
07:00que estava bem no trabalho quando abria a porta de casa.
07:04Aí, minha gente, aí já viu.
07:05Viam as crises, né?
07:06No começo desse ano, outra aí também foi a cantora Anitta,
07:10que também decidiu dar uma pausa na carreira para cuidar da saúde mental.
07:14Quem diria, hein?
07:15Anitta, pensa.
07:17A artista tirou um período sabático para lidar com as crises de ansiedade.
07:22Outro que a gente também comentou aqui no programa foi o sertanejo Cauã,
07:26que faz dupla com o Matheus.
07:28Lembra dele?
07:29Ele virou notícia, gente.
07:30Depois que ele pegou o microfone e jogou no chão e deixou o palco,
07:33abandonou o palco durante um show por conta de uma crise de ansiedade.
07:38Outro famoso também, que não esconde os problemas que enfrenta,
07:42como a depressão e a ansiedade, é o Whindersson Nunes.
07:46Ele também deu uma pausa na carreira para cuidar da saúde, né?
07:49E abandonou as redes sociais durante esse período.
07:54Você, Paulo, o que você descobriu nesse processo,
07:57nesses quatro anos, que te ajuda?
07:59O que te faz bem?
08:01A gente viu ali, o Whindersson saiu das redes sociais, né?
08:04Para dar uma respirada.
08:06O que também tem contribuído para você?
08:08A atividade física.
08:10Quando eu tive o último episódio, que eu senti fisicamente,
08:14eu acordei cedo e fui fazer uma caminhada no parque.
08:17Eu comecei a olhar mais para mim nesse sentido.
08:20Aí eu comecei a me sentir melhor.
08:21Porque eu estou no meio que eu estou com duas crianças pequenas,
08:25eu estou o tempo todo ali em casa.
08:27Então a mente está só voltada para aquilo.
08:28E o alívio?
08:29É imediato?
08:31É o alívio.
08:31É uma sensação libertadora.
08:33Quando você faz atividade física diante de uma crise de ansiedade,
08:37vem um alívio imediato.
08:39Vem.
08:40O que explica isso, Gisele?
08:41Isso é legal, né?
08:42Ela colocar o que deu certo para ela.
08:45Muitos procuram ajuda psiquiatra para aumentar o nível de serotonina,
08:50que é uma redução muito grande desse neurotransmissor
08:53quando você está em crise de ansiedade.
08:55A atividade física ajuda a aumentar esse nível.
08:58Boas relações também ajudam.
09:00E técnica de meditação tem dado ótimos resultados.
09:03Sabe por quê?
09:04Porque quando você começa a meditar, controlar a sua respiração,
09:09que está sempre acelerada, você começa a dominar mais o seu cérebro.
09:13A parar de ter esse medo futuro de algo que você não tem controle,
09:16de algo que você não tem domínio.
09:18E muitas vezes é um medo subjetivo, é um medo irreal.
09:20E você começa a focar no aqui e agora, no presente.
09:23A atividade física faz com que o seu cérebro concentre no seu corpo,
09:26na atividade e aquilo te tira da preocupação futura e se concentra no aqui e agora.
09:32A Maria Glória falou, não é frescura, é muito triste.
09:36Eu não consigo dormir sem medicamento.
09:38A Letícia Pimenta também fala, tem gente que acha que é frescura.
09:42Bom, a gente vai ver agora o depoimento da Priscila.
09:46Ela também sofre de ansiedade.
09:47Ela mandou um vídeo contando como que é viver com essas crises.
09:51Olha só.
09:52Eu sou diagnosticada com crise de ansiedade.
09:55Não é uma coisa, assim, muito fácil de lidar.
09:58É muito difícil.
10:00Tanto para mim, tanto para quem convive comigo, né?
10:04É muito difícil.
10:08São, assim, momentos que eu posso dizer, assim, horrorosos, horríveis as crises são.
10:14Faça o tratamento, faça acompanhamento.
10:16Muitas vezes tem que fazer troca do medicamento que não está dando certo.
10:22Mas é necessário fazer o tratamento.
10:24Também não posso esquecer de frisar, né?
10:26As inúmeras e lojas que a gente passa sempre a dormir, insônia.
10:32É bem puxado, bem puxado mesmo.
10:36Então, eu convivo com isso.
10:39É um transtorno, né?
10:41Tem que cuidar, tem que tratar, tem que seguir a risca dos tratamentos.
10:48Obrigada, Pri, pela sua participação aqui com a gente, viu?
10:51Olha só também o depoimento da Miriam.
10:53Ela diz, boa tarde.
10:55Estou me vendo no depoimento dessa moça falando aqui da Paula.
10:58Olha, gente, filhos prematuros, depois disso eu vivo com medo e ansiosa.
11:04Agora, às vezes, a família, os amigos, na tentativa também de ajudar, supondo que você está ali numa crise, Paula.
11:10Aí você fecha o quarto, você fica ali debaixo do edredom, introspectiva na sua.
11:15E a família fala, não, vão sair, vão para a rua, abrem a janela, abrem a cortina, escancara.
11:20Isso te ajuda ou te atrapalha?
11:23Atrapalha, porque a crise, ela vem junto com uma irritabilidade, o desejo de ficar sozinho.
11:29Até que passa aquele sentimento ruim.
11:31Você não está se sentindo bem, você está angustiado, você não vai querer ter contato com ninguém, você não quer
11:34conversar com ninguém.
11:36Mas quem está do lado de cá fica com medo disso evoluir.
11:41Por isso que, às vezes, a gente quer ajudar, nem que seja dessa forma, Gisele.
11:45É legal estar perto, né?
11:47Sempre é bom estar perto, principalmente pessoas que a gente ama e que gostam da gente.
11:51Mas o principal remédio é a escuta, a ferramenta da escuta.
11:55Escuta, ouve, é aquela capacidade empática de entender.
12:00É muito sério quando a gente discute aqui essas questões mimimi, frescura, principalmente quando vem da ala feminina, né?
12:08Ah, essa falta de roupa para lavar, já escutei tanto isso nos bastidores.
12:11E quando fala que é homem, existe aquele machismo ainda, né?
12:13Ah, o homem não tem frescura, né?
12:15Esse homem é Nutella.
12:16Só que, e isso é verdade, o Brasil está em número um em nível de ansiedade.
12:20E quando vai para a depressão, é número um também da América Latina.
12:23Não é o país do carnaval, do futebol, do oba-oba, da caipirinha.
12:27O que é que acontece que a nossa população está adoecendo?
12:30E essa escuta tem que ser diagnosticada o quanto antes.
12:35Perfeito, gente. Obrigada pela participação de vocês.
12:38Paula, aproveita sua filha nos bastidores, dá muito beijo, muito abraço nela.
12:41Se inspira nela, tá bom?
12:43Toda vez que bater aquela crise, olha para ela, vê o sorrisinho da filha, né?
12:47Sim, com certeza.
12:47Isso é, reenergiza, gente.