- há 4 semanas
Nos últimos 4 anos, a inadimplência cresceu 33% entre pessoas com mais de 60 anos. Esse número, só para ter uma ideia, é 14 vezes maior que entre pessoas com mais de 25 anos. São mais de 3 milhões de idosos inadimplentes. Para essa conversa, economista Ricardo Paixão e o psicólogo Alexandre Brito explicam os riscos para a vida social e financeira se manter nessa situação.
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NotíciasTranscrição
00:00Falando em dívidas, agora a gente faz um alerta importante que mexe com a família toda.
00:06A inadimplência entre os idosos nunca foi tão grande.
00:10Nos últimos quatro anos, a inadimplência cresceu 33% entre pessoas com mais de 60 anos.
00:17Esse número, só pra gente ter uma ideia, é 14 vezes maior do que entre pessoas com mais de 25
00:24anos.
00:25São mais de 3 milhões de idosos que se tornaram inadimplentes.
00:30E a média das dívidas é de 4.360 reais, segundo dados do Serasa.
00:36Esse mesmo levantamento mostra que a principal dívida dos idosos é com o básico, gente.
00:43São contas de água, de luz, gás. Elas totalizam quase 40% do total em dívidas.
00:49Depois, estão bancos e cartões de crédito e, em terceiro lugar, as financeiras.
00:56Eu disse que esse assunto mexe com a família toda, né?
00:59Porque o idoso não consegue pagar as contas, os filhos precisam ajudar, às vezes até o neto.
01:06Numa fase da vida que o idoso trabalhou toda a vida pra descansar, não é? Pra poder relaxar.
01:12Bem, bora bater um papo sobre esse assunto aqui no estúdio, gente?
01:15Nós recebemos o economista Ricardo Paixão, o psicólogo Alexandre Brito,
01:20que vai falar sobre como isso afeta a saúde emocional das pessoas, do idoso principalmente,
01:26e a Bernadette Sales, de 70 anos, nossa amiga aqui que tá sempre conosco,
01:32vai contar pra gente como que é a realidade na casa dela.
01:36Bernadette, a senhora tava me contando que hoje as coisas estão tão caras
01:40que a aposentadoria não dá pra comprar praticamente nada, né? Boa tarde.
01:45Boa tarde, Lucas.
01:46Segura mais pertinho do...
01:48Boa tarde, Lucas. Boa tarde a todos.
01:51É uma... não dá pra nada.
01:54É muito pouco, não dá pra nada.
01:56A gente tem que fazer marabalismo.
02:00Como é que tá a realidade na sua casa?
02:03Tá controlada, vamos dizer, né?
02:06Mas assim, a gente vive no limite, né?
02:08Não pode sair fora daquele orçamento, porque a gente gasta com remédio, né, também.
02:15Tanto eu como meu marido, nós tomamos remédio.
02:17Ele trabalha, ele é caminhoneiro.
02:20Mas a gente vive no aperto.
02:22Não pode sair fora daquela... daquela linha, né?
02:26Se vier um gasto extra...
02:28Extra.
02:29É... mês passado, nós tivemos um gasto extra com carro, porque carro é outra família.
02:36Nossa.
02:36Mas a gente precisa.
02:37A gente costuma falar que carro é o filho.
02:39Mas a gente precisa, Lucas.
02:41E o que aconteceu com o carro da senhora?
02:43A gente precisa de ir no médico, a gente precisa de ir no supermercado.
02:46Não, claro.
02:47Aí o carro... nós tivemos que trocar...
02:51Umas peças queimam que eu agora não sei dizer o nome.
02:54Não tem problema.
02:55É.
02:56E aí veio o gasto a mais.
02:57Aí veio o gasto a mais.
02:58Agora nós estamos apertados.
03:01Apertado.
03:01Não pode gastar mais nada.
03:03Apertado.
03:04Agora...
03:04Só Deus sabe.
03:05A senhora recebe ajuda de alguém da família financeiramente?
03:08Recebo.
03:08Quem te ajuda?
03:08Minhas filhas.
03:09Ai, que bom.
03:10Meus filhos me ajudam.
03:11Aí eu não posso reclamar.
03:11Imagina quantos idosos que não tem, às vezes, né?
03:13Se eu tiver num aperto, eu tenho a quem recorrer.
03:15Ai, que maravilha.
03:17Tenho a quem recorrer.
03:18E aí, se...
03:19Não dá pra, por exemplo, comprar um presentinho pro neto, pra neta, não dá pra fazer um passeio
03:25diferente?
03:26Não.
03:26Não sobra, né?
03:27O passeio mais longe que eu vou é a Aracruz, que eu tenho um filho lá.
03:32Aham.
03:32É o mais longe que eu vou.
03:34Não dá pra ir mais.
03:34E assim mesmo não dá pra ir todo mês, tá?
03:36Já ficou com alguma conta atrasada?
03:39Já.
03:40Quais?
03:43Quais contas?
03:44Cartão de crédito.
03:45Ixi.
03:45Essa é uma armadilha danada.
03:48Ricardo Pachão, economista, aqui com a gente.
03:51A maioria dos endividados é impressionante como os idosos, em especial, estão devendo
03:57no empréstimo consignado, né?
04:00Que é aquele que tira direto da aposentadoria, os empréstimos feitos em financeiras e também
04:06o cartão de crédito, não é?
04:08É.
04:09Boa tarde, Lucas.
04:10Boa tarde.
04:10Boa tarde a todos.
04:11Boa tarde.
04:11Realmente, o cartão de crédito, ele exerce o que nós costumamos chamar de ilusão monetária.
04:18Traduzindo.
04:18Na verdade, quando você vai consumir, você perde meio que a noção de quanto você está
04:22gastando.
04:23Você parcela e aquilo ali você acha que sempre aquela compra que você está fazendo
04:27a mais vai caber no seu orçamento.
04:28Quando você recebe a fatura, você toma um susto, porque ela está num valor muito alto,
04:32muita gente tem um limite exagerado, um pouco alto, e acaba se complicando, né?
04:37Essa questão, né, que a convidada estava colocando aqui é bem pertinente, que boa parte dos
04:42idosos, eles são o objeto de algumas instituições financeiras, até porque elas recebem o benefício
04:49regular, né, e aí as instituições financeiras procuram esse alvo para que oferecer o empréstimo
04:55consignado, que é uma modalidade de uma linha de crédito, onde você vai ter, como você
04:59bem explicou, você vai ter o desconto direto lá na folha de pagamento, e a inadimplência
05:03é praticamente zero, né?
05:06Então, a instituição financeira está garantida, vai oferecer isso para aquela pessoa mais
05:11idosa, que muitas das vezes já está com o orçamento bastante apertado devido a uma
05:15série de fatores, a inflação acumulada ao longo do tempo, ela é maior do que o reajuste
05:20do benefício, né, do salário como um todo, e do benefício desse idoso, ele não acompanha,
05:26e isso faz com que ele tenha uma perda de poder de compra, cada mês ele compra cada vez
05:30menos, né, e vai precisar se utilizar mais o cartão de crédito para poder comprar o básico.
05:35A gente viu aí anteriormente, falando que conta de luz, conta de água, o básico está
05:39realmente complicando cada vez mais as pessoas para estar com o seu orçamento em dia.
05:43É, porque, Bernadette, como é que está o tamanho da aposentadoria?
05:47Desse tamanzinho assim, né, não dá para comprar nada.
05:49E eu ainda fiz empréstimo.
05:52Fez empréstimo, está devendo, mas foi o consignado ou foi numa financeira?
05:55É na caixa, não, fiz na caixa mesmo.
05:58Foi no banco, né?
05:59Foi no banco, na caixa onde eu recebo, aí vem descontado.
06:02Uma coisa, não sei se já aconteceu com a senhora, já te ligaram oferecendo empréstimo?
06:06Nossa, o Deus!
06:07Demais, né?
06:07Deixa eu contar uma experiência que foi comigo mesmo.
06:10Foi comigo.
06:11Muitas e muitas vezes.
06:12Uma moça do banco me ligou e falou assim, Lucas, seu Lucas, não sei o quê, você tem
06:17algum sonho?
06:18Falei, como assim eu tenho um sonho?
06:20É, o senhor quer comprar um carro, financiar uma casa, fazer uma viagem?
06:24Falei, olha, sonho eu tenho, claro.
06:27Ah, é porque nós temos um crédito disponibilizado aqui para você?
06:30Falei, não, calma, minha senhora.
06:32Começou falando qual era o meu sonho, olha a abordagem deles.
06:35Qual era o meu sonho, falando que esse empréstimo seria muito fácil, estava disponível, era só
06:41dar o ok que entrava na conta, mas não explicava os juros, as formas de pagamento.
06:47Ricardo, essa abordagem que essas financeiras, que os bancos fazem com a população, com
06:53os clientes, principalmente os idosos, é desleal, não é?
06:57É, na verdade eu costumo dizer que eles exercem uma espécie de uma sedução.
07:01O comércio, no geral, também as instituições financeiras, né, ficam seduzindo.
07:06Como você bem relatou, o seu exemplo realmente é ilustrativo, porque eles seduzem para que
07:11a gente pegue um empréstimo a mais, para que a gente vai consumir aquele bem que talvez
07:15a gente nem esteja precisando e talvez não seja nem uma prioridade nossa.
07:19A gente possa ter, na maioria das vezes, a gente tem outras prioridades que a gente,
07:24né, aquela sedução acaba convencendo a gente de consumir aquilo ali, né?
07:29É claro que a gente tem liberdade no mercado, essas instituições têm também o direito
07:33de estar exercendo essa sedução e cabe a nós, consumidores, estar avaliando isso.
07:38E aí a preocupação maior vai para os idosos, que muitas das vezes, né, não tem aquele
07:42apoio, não tem aquela palavra, né, num filho próximo e tal, para poder tentar ajudar.
07:47Porque realmente esse exercício de sedução é direcionado muitas vezes aos idosos, que
07:53é muito sensível, às vezes o neto pede um videogame, pede uma bicicleta, ele já está
07:58com o orçamento apertado, mas quer realizar o sonho do neto ou de um ente querido e acaba
08:03comprando aquele bem sem muito critério, sem muita avaliação e isso vai comprometer
08:08cada vez mais, né?
08:09Cabe a nós, é claro, estar de olho, né, tentando buscar, tentando atribuir prioridades
08:14no consumo, tentando estar olhando o orçamento e se porventura eu não tenho conhecimento técnico
08:19para isso, tenho que buscar ajuda de especialista, né?
08:21Ou eu procuro um especialista, ou eu procuro um filho, um parente, um conhecido, alguém próximo
08:26que eu confio para poder me orientar para eu não cair nessa armadilha.
08:31É, Bernadette, eu não sei a senhora, mas eu, já aconteceu de eu pegar um dinheiro
08:35emprestado, comprar um negócio, eu fico assim, sem dormir, eu fico pensando o tempo
08:40todo enquanto não pagar.
08:42Como é que é com a senhora?
08:44A gente fica.
08:46Eu, é porque eu sou uma pessoa evangélica, né, eu tenho muita fé em Deus, eu me controlo
08:52muito com as coisas, mas se você não tem uma fé ali firmada em Deus, você fica doido.
08:57Mas dá para perder até o sono?
08:58Dá para perder o sono.
09:00Mas eu, como eu estava te falando, eu fiz um empréstimo na Caixa, mas eu fiz, se
09:04no banco já é difícil, eu fiz consciente, eu fiz porque eu precisava de fazer um serviço
09:10na minha casa.
09:11Se no banco já é difícil, agora eu ligo uma pessoa e diz, você tem direito a 20 mil.
09:17E aí?
09:18Não, eu falo, na hora, não quero, não quero.
09:20Mas não está precisando de dinheiro, não.
09:21Eu falei, não, não estou precisando de nada, não.
09:24É isso aí, Bernadette, fez certinho.
09:26E vamos para o nosso momento da terapia com o Alexandre?
09:29Porque assim, Alexandre, ninguém fica devendo porque quer.
09:33Porque quer.
09:34E ninguém fica bem com isso.
09:36Não.
09:36Quais são os impactos emocionais de uma pessoa que está devendo, principalmente no idoso,
09:41que deveria estar curtindo a vida nesse momento?
09:43A gente vê que quando acontece essa situação de inadimplência, de dívidas e algo que você
09:50não consegue, de alguma forma, pagar essa dívida e tem todas essas dificuldades financeiras,
09:57afeta diretamente a saúde emocional, a saúde mental é afetada diretamente.
10:02Como a frustração.
10:03A frustração é quando você tem um sonho, uma esperança, um desejo e você não alcança.
10:07Você tem, por exemplo, uma expectativa de a sua vida quando você envelhecer e você
10:14não alcança, você tem a frustração.
10:15A irrealização também é outra consequência, porque você às vezes pensou em uma vida que
10:20ela não se realizou naquela etapa ali.
10:23Uma outra consequência também é a impotência.
10:27Você sente que você não consegue resolver mais aquele problema e que te leva a um outro
10:32problema, que é a dependência.
10:33A impotência te leva à dependência, então você começa a precisar do outro para você,
10:40de alguma forma, sustentar a vida que você leva e você também fazer coisas por você,
10:45que os mimos, você não tem que abrir mão dos mimos de comprar coisas que às vezes
10:50são inúteis e que fazem bem para a sua saúde mental.
10:53Então, às vezes você fica com essa dificuldade, às vezes você quer comprar algo para alguém,
10:57para você mesmo.
10:58Então, isso faz com que você tenha esse problema, que pode te levar a uma dependência e uma
11:05frustração, que é algo que pode afetar diretamente, inclusive, imunidade, relações
11:10interpessoais, a relação familiar, que problemas financeiros atrapalham a vida familiar também.
11:15Com certeza.
11:16Deixa eu chamar mais uma pessoa para a nossa conversa.
11:19Pela internet está a Ana Carolina.
11:22Ela precisa ajudar a mãe ou então as contas não fecham.
11:26Então, é isso, Ana?
11:27Boa tarde para você.
11:29Boa tarde.
11:30Boa tarde a todos que estão ouvindo.
11:32É desse jeito mesmo, Lucas.
11:35Como é que você faz na sua casa?
11:38Então, lá em casa mora eu, meu filho e minha mãe.
11:41Ela tem Alzheimer, né?
11:42Há 17 anos.
11:46E recebe a aposentadoria dela e do meu pai, que é de um salário mínimo cada uma.
11:51Mas mal paga o plano de saúde, né?
11:54Porque eu não posso abrir mão do plano de saúde devido aos problemas de saúde dela.
11:58Que não é só o Alzheimer, né?
12:00É problema de coração, etc.
12:02E aí, o que ela ganha, como não paga nem a despesa do plano de saúde, tem a questão
12:08do cuidador, tem a questão de medicamentos, que hoje eu gasto em torno de R$ 1.800 só
12:15de medicamentos por um ano, tem a fralda, que é R$ 57 a cada dois dias, você entendeu?
12:24Então, o custo hoje de uma pessoa idosa, de um programa de saúde, é muito alto.
12:30Passa essa D, eu não consigo custear isso, mas é muito difícil.
12:34Com certeza, eu fico aqui imaginando, você deve fazer um malabarismo para as contas
12:39fecharem no fim do mês, não é, Ana?
12:43Quando fecha, né?
12:44Já aconteceu de você deixar um boleto para pagar no mês seguinte e ficou com alguma
12:52dívida?
12:53Todo mês!
12:55Nossa!
12:58Todo mês!
12:59Ainda hoje, no meu plano de saúde, eu estou dois meses atrasado, porque tudo mesmo é muito
13:05mal, entendeu?
13:06Pois é, quem nunca...
13:08E como é que fica a sua cabeça no meio disso tudo, sabendo que você tem que cuidar da
13:11sua mãe, sabendo que você precisa pagar as suas contas da sua família, como é que
13:15fica o seu mental?
13:18Olha, eu faço tratamento psiquiátrico, devido a vários fatores, porque o Alzheimer já
13:24é muito difícil de lidar com a pessoa com o Alzheimer.
13:28E essa responsabilidade em cima da pessoa que tem um dependente, porque querendo ou não,
13:37minha mãe virou uma dependente minha, como se ela fosse minha filha, é muito grande.
13:43Então, é uma responsabilidade muito grande.
13:45E eu aprendi a lidar com isso, mas não é fácil, não.
13:50Imagino, imagino, Ana.
13:52Aproveitar que o Alexandre está aqui com a gente no estúdio.
13:55Alexandre, como é que faz, numa situação como essa, para não pirar?
14:00Por quê?
14:01Quem cuida já é uma responsabilidade a mais e ainda tem aquele receio de não conseguir
14:06pagar tudo.
14:07Como é que faz?
14:08É, porque quem é que cuida de quem está cuidando também, porque realmente, quando
14:12você cuida de alguém que está adoecido, você quase sempre adoece também ou vai ter
14:17alguns sintomas de estresse ou de dificuldade nessa relação com a doença do outro, porque
14:21isso também envolve várias questões pessoais.
14:25É importante que a gente entenda que nós não somos perfeitos, completos nesse sentido.
14:31A gente pode e deve pedir ajuda.
14:33A gente precisa saber os nossos limites.
14:35E você, sabendo o seu limite, você consegue colocar ele para você mesmo e pedir ajuda.
14:41E quando você pede ajuda, você pode pedir ajuda para a sua rede de apoio, amigos, familiares.
14:45Pode pedir ajuda para profissionais, pessoas que podem contribuir ali com a sua vida financeira
14:50ou com a sua saúde mental.
14:52Então, pedir ajuda, Lucas, é um dos passos fundamentais.
14:56É importante que você também organize a dinâmica da casa, você organize junto com a
15:02família, as despesas, que vocês consigam mais ou menos ter conhecimento da vida que leva
15:09e saber exatamente como ela é levada, os custos dessa vida que se leva, tentar planejar.
15:15Então, tudo isso é fundamental, porque afeta diretamente, como a gente falou, a saúde
15:19mental.
15:20Então, ter apoio da família e também pedir ajuda, além da organização pessoal, é essencial.
15:26Aí, Ana, prestou atenção nas dicas?
15:28Tem que cuidar também da própria saúde mental, porque senão a gente pira numa situação
15:33dessa.
15:35É, eu tento fazer isso sempre, né?
15:38Inclusive, ultimamente, eu abracei, estou cuidando do meu lado espiritual, que é o que
15:45eu amo muito e está me ajudando bastante.
15:48Mas não é fácil, não.
15:50A gente passando por tudo isso, não é fácil.
15:54Hoje em dia, a gente trabalha para pagar a conta, né?
15:57Então, quando você fica sem pagar uma conta, igual eu até chorei, não sei se
16:01percebeu.
16:02Porque hoje, para mim, hoje, por incrível que pareça, a gente está falando de uma
16:06situação que eu estou vivendo hoje.
16:08Hoje, eu estou com um monte de conta atrasada, com dinheiro na rua de cliente, não recebo.
16:14E aí, você fica com a cabeça mil, mas não tem o que fazer.
16:17Então, não adianta desesperar, né?
16:19É trabalhar para poder pagar.
16:21Essa é a mais pura verdade.
16:23Mas, se cuidar, isso a gente tem que fazer sempre, né?
16:26Em qualquer situação, mas não é fácil, não.
16:29Ó, tem muitos comentários aqui nas redes sociais, eu estou tentando filtrar aqui.
16:33E tem gente falando, inclusive, que muitos pais, muitos idosos ficam endividados por causa
16:40dos filhos.
16:41De fato, isso acontece.
16:42Mas, como a Ana, é um exemplo disso, de que é o contrário, né?
16:47Muitos filhos, como os filhos da Bernadette também, ajudam para complementar a renda, para
16:53complementar o orçamento.
16:56Olha só alguns comentários.
16:57Gente, a Marina Penista diz, olha, não está fácil para ninguém, é dívidas de arrepiar
17:02os cabelos.
17:03Não dá para comprar nada.
17:06A Jana Oliveira, boa tarde, Lucas.
17:09Eu recebo várias ligações de financeiras e cartões de crédito sem solicitar.
17:13Eu quebro todos e jogo fora para não cair na tentação.
17:17A Maricilda, dívidas são horríveis, acabam com a pessoa.
17:21Eu fiz dívida por causa de uma amiga.
17:23Tive que pagar para não ficar com o nome sujo.
17:26É tenso, viu?
17:27Ter que confiar na pessoa e sair mal.
17:30É verdade.
17:30Não dá para...
17:31Ó, Maricilda, não dá para me prestar dinheiro, não.
17:33Não tem jeito.
17:34O Gilberto Marcelino, esses empréstimos são uma verdadeira dor de cabeça, pode ter
17:40certeza.
17:41E acontece também de quando a pessoa aposentada, Ricardo, eu quero até essa dúvida aqui de
17:47uma telespectadora.
17:49Já aconteceu de descontar na aposentadoria a associação beneficente sem ela pedir.
17:56Isso acontece mesmo?
17:58O que a pessoa pode fazer para se resguardar?
18:00Bom, pode acontecer um desconto que não estava previsto, que não foi autorizado, mas aí
18:06tem que estar buscando, primeiro, a entidade que concede o benefício.
18:10Porque todo desconto que é feito aquilo ali é mediante uma solicitação e uma autorização.
18:15Então tem que procurar imediatamente, se for o INSS ou se for uma outra entidade, um
18:20órgão público, procurar o órgão público que concede o benefício ao aposentado, se
18:24for o caso, para verificar a legalidade daquilo ali.
18:27Por isso que é importante estar acompanhando sempre aquele contra-cheque.
18:31Eu chamo de contra-cheque, tem gente que dá outro nome, mas sempre aquele contra-cheque
18:35mensal que as pessoas têm, está olhando aquilo ali para ver se não tem algum desconto.
18:39Pode ser um erro da entidade pagadora, pode ser que entrou aquilo ali no nome e tal, e
18:45depois isso aí vai ser feito ressarcimento e tal.
18:47Mas sempre a pessoa está observando aquilo ali para ver se não tem esse desconto.
18:52Não é muito tão comum assim, mas pode acontecer.
18:55Ou seja, conheço alguns casos de pessoas que teve desconto indevido no seu contra-cheque,
19:00procurou os seus direitos e depois foi ressarcido tranquilamente.
19:03Mas é uma dor de cabeça, naquele momento, você contando com aquele valor que realmente
19:07é para poder tentar com os relatos que foram dados até aqui.
19:11Para você tentar realmente administrar uma situação realmente muito complicada e você
19:16ter um desconto extra ali é realmente uma situação muito difícil.
19:19Então estar de olho naquilo ali e buscar a fonte pagadora para poder tentar equacionar isso.
19:23Verdade.
19:24Muita gente reclamando de telefonemas oferecendo descontos, empréstimos aí sem pedir.
19:32Eu mesmo já recebia, Bernadette, acho que todo mundo já recebeu esse tipo de telefonema.
19:39Que induz a pessoa mesmo a aceitar o empréstimo sem ela querer.
19:44Ela sabe que não precisa, né?
19:45A Tatiana Danube diz, olha, eu estou nesse modelo, estou quase surtando.
19:52Ô Bernadette, me conta agora, a senhora tem um empréstimo, tem as suas contas, a ajuda das suas filhas.
19:58Como é que a senhora vai fazer agora e daqui para frente para poder manter o orçamento em dia
20:03e não ficar sem perder o sono, né? Com dívidas.
20:06É, o meu marido trabalha, graças a Deus, né? Ele é empregado.
20:11É, o meu marido trabalha, ele é empregado, graças a Deus.
20:14A casa, nós não pagamos aluguel.
20:16Ah, que bom. Isso já é um...
20:17Graças a Deus.
20:18Nossa, já é um alívio.
20:19É, a casa que nós mora, nós não pagamos aluguel.
20:22Então não está sobrando.
20:25Não está sobrando?
20:26Não, sobrando não está.
20:27Mas está dando para pagar?
20:28Mas está dando. Até o mês passado deu para pagar.
20:32Não.
20:32Espero que vai dar.
20:35Vamos viver um mês de cada vez, né, Bernadette?
20:37Pois é.
20:39Você acha que isso seria um segredo, Alexandre?
20:41Vamos viver um mês de cada vez, sem abusar, tranquilo.
20:45Viver no limite ali, mas não pode ultrapassar.
20:48Sim.
20:50É sempre importante algum planejamento que tente prever algumas situações que podem fugir ao controle, né?
20:59Ter alguma pequena reserva.
21:01E isso tudo é essencial à contribuição de toda a família.
21:05Todo mundo que mora em casa tem que participar desse pensamento, né?
21:09Dessa ideia de que nós temos um certo limite, de que nós podemos ir até um certo ponto.
21:15E que para ir além do certo limite, a gente pode ir, desde que planeje, que a gente consiga ver
21:21os recursos que estão à nossa disposição, né?
21:24Disponíveis para que consiga chegar a esse ponto.
21:27Então, é fundamental que, sim, pense talvez por mês, mas também tendo ali a participação de toda a família.
21:35Deixa eu agradecer a Ana que esteve conosco esse tempo todo conectada pela internet.
21:41E obrigado, Ana, pela sua disponibilidade, por acompanhar a nossa conversa.
21:46E olha, a dica, viva um mês de cada vez e vai dar tudo certo, viu?
21:51Um beijo para você.
21:52Obrigado pela participação.
21:54Obrigada, Lucas.
21:55Obrigada a todos vocês aí.
21:57Uma boa tarde.
21:58Uma boa tarde.
21:59Olha, a Vânia Souza está comentando aqui nas redes sociais, Ricardo.
22:03Coloquei algumas financeiras na justiça porque ligavam para o meu pai falando que ele tinha um retorno de dinheiro para
22:09sacar,
22:10e ele sacava e gerava uns parcelamentos no salário.
22:13Olha só a história que a pessoa criou para o aposentado pegar o empréstimo.
22:19Dizer que era um dinheiro que ele tinha que receber e que iria depois ter que pagar em parcelas.
22:26Qual a dica que você dá para os idosos e para os pais, as pessoas que estão na família, para
22:32não cair em golpes assim como esse?
22:34Então, acho que a primeira medida, acho que tem uma diferença entre o marketing, de você tentar vender um produto,
22:41uma linha de crédito ou alguma outra coisa,
22:44e o abuso, que a gente vê casos aí que as pessoas ligam de uma forma constante, sempre ligando para
22:51aquela pessoa e tal.
22:52Então, acho que a primeira providência, ou um filho ou uma pessoa próxima, é bloquear o telefone.
22:57Em alguns casos, até procurar autoridade policial e denunciar que pode ser golpes.
23:03Aquela questão de você pegar e falar que você tem um dinheiro, mas você tem que antes depositar um determinado
23:09valor
23:09para poder conseguir retirar aquele dinheiro todo, com certeza isso aí está mais provável para ser um golpe.
23:16Então, ficar de olho nessas questões.
23:18Eu, muitas das vezes, recebo também muitos telefonemas oferecendo cartão e tal.
23:22Se eu receber duas, três vezes, eu já bloqueio aquele telefone para evitar que isso fique.
23:27Eu não tenho necessidade disso nesse momento, não quero.
23:30Então, eu vou bloquear aquele telefone para evitar que isso fique constantemente.
23:35Então, as pessoas têm que estar de olho nisso, que às vezes pode ser um golpe, pode ser alguma quadrilha
23:39que consegue dados indevidos do idoso ou de qualquer outra pessoa e vai tentar aplicar o golpe naquela pessoa.
23:48As pessoas mais sensíveis, que às vezes tem um filho, tem um neto e tal, vê aquela possibilidade, não pensa
23:53muito, não usa muito a racionalidade.
23:55Você vai pelo emocional.
23:56E aí é a hora que você cai naquele golpe, você transfere aquele dinheiro e quando você vai ver, você
24:00já tomou um prejuízo.
24:02Sem condições nenhuma, você tomou um prejuízo que vai dar uma dor de cabeça muito maior.
24:06É isso aí.
24:07Ricardo Pachão, economista, Alexandre Brito, psicólogo e a Bernadette, aposentada.
24:12Obrigado pelo bate-papo de hoje aqui no Falece.
24:13Obrigada a você.
24:14Viu?
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