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O celular é disparado o objeto mais roubado ou furtado pelos criminosos. Em 2023, quase 12 mil celulares foram levados no ES. No estúdio, o especialista Raphael Pereira dá dicas para não ser algo dos criminosos.

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Transcrição
00:00Gente, presta atenção, o celular é disparado, disparado o objeto mais roubado ou furtado pelos criminosos.
00:08E nós buscamos no site da Secretaria de Segurança Pública aqui do Estado, dados sobre esse assunto,
00:14esse ano, mais de 7.700 pessoas foram roubadas ou furtadas nas ruas do Espírito Santo.
00:22Quase 12 mil celulares foram levados pelos criminosos.
00:28E a gente está em julho ainda, hein?
00:30No ano passado, o número é ainda mais assustador.
00:3437.500 aparelhos foram furtados ou roubados pelos bandidos.
00:39Aí a gente para para pensar que a gente sabe, né?
00:42Qualquer atitude, igual a gente viu nessa reportagem ali do homem andando na rua com o celular,
00:47a gente não pode dar mole para bandido.
00:50A gente não pode.
00:51E a gente sabe, vamos admitir, que volta e meia a gente se distrai, né?
00:56E aí que eles aproveitam para agir.
00:58É nessas horas, tá?
01:00Então a gente vai aprender agora algumas dicas de como evitar ser alvo desses criminosos.
01:05Participa comigo que é muito importante, hein?
01:07Liga para a família para acompanhar também o Fale Espírito Santo.
01:10Aqui no nosso estúdio eu recebo o Rafael Pereira, que ele é especialista em segurança.
01:14Muito obrigada, Rafael, pela sua participação.
01:16Boa tarde.
01:18E a Larissa Lobo, que ela é psicóloga, mas antes dela ser psicóloga, ela também já foi vítima de bandidos,
01:26não é verdade, Larissa?
01:27Sim, correto.
01:27O que aconteceu com você?
01:29No meu caso, não foi na rua, foi no transporte público.
01:32Eu era bem jovem, estagiária, indo, estudava, antes de ser psicóloga, literalmente.
01:38E eu fui abordada por um rapaz, aparentemente, por quanto ele foi certeiro em mim, ele já estava vigiando,
01:45porque ele sabia onde eu tinha guardado o celular, ele apontou para o bolso da bolsa onde estava o celular.
01:49Então o que eu imagino?
01:50Que antes de eu entrar no ônibus, pela rua, ele já estava vigiando e sabia que eu estava com o
01:55celular.
01:55Então ele me abordou já dentro do Transcall e não teve muito o que fazer, né?
02:01Eu estava ali, não tinha para onde correr, não tinha como pedir ajuda.
02:03O ônibus estava cheio?
02:04Estava.
02:06Mesmo assim, ele não se inibiu?
02:08Não, mesmo assim, no meio de todo mundo, na frente de todo mundo, como se nada estivesse acontecendo,
02:13pegou meu celular, apontou para o bolso onde estava, não tive muita reação, ele apontou para o bolso onde estava,
02:18pegou o celular e foi muito, muito rápido, porque ele foi, inclusive, perto de um lugar onde tinha a ponta.
02:24Então ele provavelmente já conhecia a região e sabia que o ônibus ia parar logo ali.
02:27Rafael, geralmente é assim que acontece?
02:29Eles já estão observando a possível vítima há um bom tempo já?
02:33Boa tarde, mais uma vez.
02:34Boa tarde, é um prazer.
02:36Bom, a dinâmica é muito variável nesse tipo de crime contra o patrimônio, especialmente os aparelhos celulares hoje,
02:43por não se restringirem a serem meros comunicadores.
02:48Hoje o aparelho celular, ele é o seu banco, ele é o seu cartão de crédito.
02:51Seu alvo de fotografia.
02:53Alvo de fotografia, é o seu instrumento de trabalho.
02:55Tem gente que hoje trabalha exclusivamente pelo aparelho.
02:58Então, em razão dessa facilidade, da mobilidade desse bem, dessa coisa móvel,
03:04e pela facilidade de você repassar ela para um outro criminoso,
03:10porque você tem a dinâmica dos criminosos que perseguem a vítima quando há uma encomenda de algum modelo específico,
03:17mas nós temos aqueles que também agem na oportunidade, no oportunismo.
03:21observam ali aquela facilidade, seja pela natureza ou a qualidade da vítima,
03:26mulheres sozinhas, idosos ou crianças, ou seja, é pelo ambiente em si.
03:31Então, em razão dessa facilidade de você obter esse bem e o transporte, o deslocamento dele ser muito fácil também,
03:40então isso aumenta muito os números.
03:41Mas talvez o ponto mais sensível, Roberta, desses números elevados é se há a ação desses criminosos em furto e
03:49roubo,
03:50há quem adquira isso, há quem encomende, há quem adquire.
03:54Então, existe toda uma cadeia, eu posso dizer até uma verdadeira associação criminosa,
03:59uma organização criminosa por trás disso, que vai receber esse produto,
04:03que vai receptar esse produto e repassar peças ou o próprio aparelho.
04:07Então, o crime em si, ele é só uma parte dessa triste realidade.
04:13Existe o outro lado também, que é quem vai adquirir esse produto.
04:17E às vezes, você é responsável e nem imagina, né?
04:21Você está adquirindo esse produto, tem gente que até adquire, digamos, inocentemente,
04:26ah, não, tem um aparelho aqui, aí não cobra nota fiscal do colega,
04:30que eu vi de outro colega que repassou, e, na verdade, você está alimentando essa cadeia.
04:36É importante lembrar, Roberto, esse ponto que você colocou aqui,
04:38o crime de receptação, ele prevê a modalidade culposa também.
04:42Ou seja, não somente aquela pessoa que sabe que é adquirir,
04:46mas se você também agir de forma negligente, ou seja, você não sabe que aquilo é um produto de roubo,
04:52mas o indivíduo o que lhe oferece?
04:53Não lhe dá nota fiscal, o preço daquele aparelho é muito distante do preço de mercado,
04:59você acaba se colocando numa situação de risco de praticar o crime de receptação também.
05:03Então, todo cuidado é pouco.
05:05Perfeito. Vamos fazer o seguinte?
05:07Vou conversar agora, vou incluir aqui nesse bate-papo.
05:09A gente vai bater um papo com o Pedro Henrique.
05:12Em março de 2021, ele reagiu a um assalto e até hoje, gente, ele carrega traumas.
05:18Boa tarde, Pedro Henrique.
05:19Conta pra gente o que aconteceu.
05:22Boa tarde, tudo bem?
05:23Tudo jóia.
05:24Então, eu estava na porta da igreja da ciclovilha de Alvorada, do espaço Novo Tepan, que hoje não existe mais.
05:32Eu estava na porta que a gente estava fazendo arrecadação de alimento.
05:35Eu estava esperando a pessoa abrir a porta, o portão, para a gente poder fazer arrecadação de alimento na época
05:41da pandemia.
05:41Então, eu estava sentado ouvindo uma música no celular, pelo fone de ouvido.
05:46Eu acabei não ouvindo, vendo a pessoa vindo em direção.
05:52Eu só sei que vem dois indivíduos.
05:54Eu paro na minha frente, de moto, um desceu.
05:57Eu peguei, levantei e não tive a maior intenção.
06:01Peguei, assim, foi espontâneo.
06:03Peguei e joguei dentro da igreja, né?
06:06E aí, quando eu joguei dentro da igreja, eu acabei tomando tiro no meio do peito.
06:11Fiquei, mais ou menos, uns sete dias dentro do hospital.
06:16Quase morri, né?
06:17Que foi quase perto do coração.
06:20E eu acabei correndo alguns metros para tentar escapar, mas mesmo assim acertou o tiro.
06:27Eu não tinha visto, só que quando eu só fui, quando eu levantei, vi que eu estava muito ofegante.
06:33Porque eu acabei sentindo no meu peito um furo.
06:37Aí, quando eu levanto a camisa, meu barrigo estava cheio de sangue.
06:40E, realmente, igual você falou, é muito traumatizante, né?
06:45Você viveu, que eu nunca tinha vivido isso, muito menos tomado um tiro no meio do peito.
06:50E hoje, quando você relembra tudo isso que aconteceu, Pedro, de que forma que isso te deixa alerta
06:58para situações que podem voltar, podem vir a acontecer de novo, infelizmente?
07:05Eu falo que eu ainda evito passar de alguns lugares que eu sei que é perigoso, que eu conheço.
07:12Principalmente lá na região onde o que aconteceu comigo, eu evito passar muito naqueles lugares, né?
07:19Nesse tipo de lugares.
07:20Porque o trauma é maior.
07:22Porque você vê uma moto, você já fica assustado, entendeu?
07:26Você vê uma pessoa estranha, totalmente estranha, vem passando em sua direção, também você fica assustado.
07:32Ou você...
07:33Às vezes, nem uma pessoa na moto, não.
07:35Quando você vê duas pessoas de longe, você não reconhece, você já fica assustado.
07:39Porque tem duas pessoas na moto.
07:41E quando eu vejo, realmente eu fico apavorado com isso.
07:45Deixa eu aproveitar esse seu relato e trazer esse assunto aqui para o estúdio, que a gente
07:51está aqui com a psicóloga, a Larissa Lobo.
07:53Você falou o quanto você ficou traumatizado, ou seja, o que aconteceu em 2021 com ele e até
07:59hoje ele carrega essas sequelas mentais, físicas também, né Larissa?
08:05Mas isso é natural.
08:07Nós temos uma área do cérebro específica, inclusive para o medo aprendido, que é o medo
08:11oriundo das experiências traumáticas.
08:13A gente tem um mecanismo de defesa, um mecanismo de proteção, que inclusive é uma herança
08:18evolutiva da gente, adquirimos enquanto espécie e isso se perpetua.
08:23E a tendência é que esse medo aprendido, que esse mecanismo de defesa, haja de forma a
08:29tentar evitar as chances daquela situação de risco acontecer novamente.
08:33Então, esse comportamento de evitar, de sentir medo, de se lembrar, de ter reações
08:38fisiológicas desconfortáveis, é o seu organismo tentando te proteger para diminuir.
08:43Então, aí as chances daquele episódio traumático tornar a acontecer.
08:46Agora, tem pessoas que diante dessas situações depois paralisam, né?
08:50Na situação do Pedro, por exemplo, ele que ficou entre a vida e a morte, levou um tiro
08:55no peito.
08:56Então, tem gente que depois não consegue nem retomar as atividades.
09:00Existe um prazo para que isso acenda um alerta de que essa pessoa precisa buscar ajuda, Larissa?
09:06Não tem um prazo delimitado.
09:08Passou um mês do episódio, é de acordo com a implicação daquilo na vida social, na
09:14vida diária da pessoa, né?
09:15Se tem afetado muito o emocional, se ela tem tido momentos de desregulação emocional,
09:20que são ondas emocionais muito intensas.
09:23Se tem atrapalhado a atividade laboral da pessoa, se tem atrapalhado a vida social da
09:28pessoa.
09:28Então, se aquela ocorrência tem implicações em outras áreas da vida.
09:32Então, você começa a ter prejuízo, é um sinal de alerta independente do tempo
09:36da ocorrência.
09:37Perfeito.
09:38Larissa, você relatou o seu caso no ônibus.
09:41O Pedro relatou pra gente agora ali na pracinha, né?
09:43Na frente de uma igreja.
09:45E os bandidos também estão fazendo arrastões nos pontos de ônibus pra roubar.
09:52Principalmente, a gente chama a sua atenção pra roubar celulares.
09:56E nesta sexta-feira de madrugada, criminosos fizeram a limpa, a limpa, em um grupo de
10:02moradores de Bela Vista, viu, gente?
10:04A gente vai ao vivo agora com a Suela Araújo, que é ela que vai trazer detalhes dessa
10:08história pra gente.
10:12Ei, Roberto, boa tarde pra você, boa tarde aí pro pessoal de casa.
10:16Cinco horas da manhã, muita gente saindo de casa pra começar mais um dia, no trabalho,
10:22na escola.
10:24Compromissos aí que fazem parte da rotina.
10:26Mas hoje, várias pessoas foram surpreendidas e tiveram essa rotina interrompida por uma
10:33ação criminosa.
10:34Três homens chegaram em três motos e então espalharam o medo, o terror, nos moradores
10:40do bairro Jardim Bela Vista, que fica no município da Serra.
10:44As pessoas contaram que estavam no ponto esperando a chegada dos coletivos quando foram surpreendidas
10:50por esses criminosos que chegaram e, de forma violenta, renderam os passageiros que aguardavam
10:57o coletivo.
10:58Não só esses passageiros, mas também motoristas que passavam em veículos pela via também
11:04se tornaram vítimas.
11:06Algumas pessoas tentaram correr e, durante essa fuga, acabaram caindo e se machucaram.
11:13Como é o caso de uma diarista, que agora tem ferimentos pelo rosto, pelo corpo, depois
11:19dessa queda.
11:20Ela contou que estava no ponto ao lado do marido, aguardando a chegada do ônibus, quando
11:25um carro passou avisando que os criminosos estavam agindo ali naquele trecho.
11:31Ela correu para um lado, o marido para o outro.
11:33Ela conseguiu escapar da ação dos bandidos, mas, durante a fuga, acabou caindo perto de
11:39uma escadaria e desmaiou.
11:41O marido dela, muito desesperado, se tornou uma vítima porque teve a bolsa levada pelos
11:46criminosos, um celular que ele comprou há poucos dias também foi levado e ainda a
11:51preocupação porque ele não sabia sobre o paradeiro da esposa que tinha corrido em
11:57direção oposta.
11:58Depois, ele percebeu que a mulher estava desacordada no chão, ficou ainda mais desesperado.
12:04Algumas vítimas procuraram a polícia civil depois do ocorrido, mas a polícia ainda não
12:09contabilizou, não falou quantas vítimas de fato foram rendidas e assaltadas na madrugada
12:15de hoje, pelo menos seis pessoas procuraram a polícia e registraram um boletim de ocorrência.
12:21Eu citei aí o caso dessa diarista que está muito machucada fisicamente e também assustada
12:27psicologicamente depois de tudo que aconteceu.
12:29E a gente vai conferir agora um trechinho da entrevista, um relato narrado por ela contando
12:35como tudo aconteceu, Roberta.
12:40Eu e meu esposo, chegamos ao ponto, passou um carro e falou assim, corre que é assalto.
12:48E nisso a minha reação foi correr, foi correr, não sei o destino que meu esposo tomou, quando
12:54eu já estava aqui, lavando meu rosto, foi lá que ele chegou, chamou pelo meu nome e falou
13:01me empresta o seu cartão que eu estou indo na empresa da Baixa no Crachá.
13:04Celulares, os pertences que estavam na bolsa, não sei se ele levou documentos, mas provavelmente
13:10deve ter perdido tudo, tudo.
13:12Aí o celular dele tinha acabado de ser comprado.
13:14Sentimentos de revolta, entendeu?
13:17Porque a gente, os trabalhadores, está de madrugada para conquistar o pão de cada dia,
13:21para não deixar nossos filhos, entendeu?
13:24Trazer o pão de cada dia para nossos filhos, para comprar mantimentos para dentro de casa
13:28e acontecer isso.
13:32Roberto, a polícia disse que segue investigando essa situação e também investigando um outro
13:38crime que pode ter acontecido um pouquinho antes em um bairro aqui da Serra, já que
13:44esses criminosos teriam, antes de cometer esse arrastão aí, teriam roubado a moto de um
13:50eletricista no bairro Lagoa de Jacaraípe, que fica no município da Serra.
13:55Nas duas situações, a resposta da polícia foi a mesma, que segue investigando a situação
13:59e que nenhum suspeito foi letido.
14:01Tá certo, Sônia.
14:02Obrigada pelas suas informações, viu?
14:04É triste, né?
14:05A gente se colocar no lugar do outro.
14:07A gente ouvia esse relato dessa mulher, gente.
14:09O marido tinha acabado de comprar um aparelho e você simplesmente entregar na mão do bandido,
14:16na mão do criminoso.
14:17Mas a gente sabe que, diante das situações, reagir nunca.
14:20Então, Rafael Pereira, eu queria que você comentasse primeiramente, antes de dar as dicas
14:26para a gente prevenir esses casos, como que os bandidos estão audaciosos, né?
14:33Eles estão agindo em bando, abordando até veículos que estão passando ali na avenida.
14:38Suelen, contou agora para a gente.
14:39Sim, isso reflete uma mudança no modo operante desses criminosos.
14:43Não há local mais que impeça esse tipo de cultura criminosa.
14:49Eles estão, em razão dessa mudança de comportamento e agindo nos mais variados locais,
14:57eles mudam também o grau e o nível de violência.
15:00Então, ao se colocarem expostos à segurança pública, eles agem com mais violência.
15:07Então, fica a dica aí de que essa mudança do modo operante desses criminosos,
15:12hoje mais agressivos, não estão preocupados nem com o horário, com o local,
15:18com o quantitativo de pessoas que estão ali naquele local.
15:22O que buscam somente é a subtração do bem móvel alheio.
15:26Isso demonstra, então, a necessidade também de se preocupar ainda mais com o comportamento,
15:32com a prevenção, né?
15:33Infelizmente, se a gente é de segurança pública, eu sempre digo isso aqui,
15:36não há nenhuma conduta que seja totalmente eficaz, mas a gente trabalha sempre com uma mitigação,
15:41com uma redução de danos, com alguns comportamentos.
15:44Agora, Larissa, o Pedro, que está participando com a gente por ligação de vídeo,
15:48falou desse sentimento de revolta.
15:50Essa senhora agora, que a Suelen chamou, a entrevista dela, ela também usou essa palavra.
15:56Como que a gente pode trabalhar esse sentimento para que a gente não consiga reagir,
16:05para que a gente consiga ter o controle das emoções diante dessas horas?
16:09Então, é uma dúvida muito comum essa, porque a gente sabe que a reação,
16:13ela coloca a pessoa gravemente em risco.
16:15O problema é que a gente está falando de uma situação de uma adrenalina extrema,
16:20e o organismo começa a secretar adrenalina através das glândulas adrenais,
16:24e a gente tem uma resposta muito de reflexo, entende?
16:28O que a gente pode fazer para diminuir as chances de ter uma reação que nos coloque em risco
16:34é se preparar emocionalmente para sair.
16:36Embora seja triste, que a gente tenha que se preparar emocionalmente para sair,
16:41sabendo que eu estou correndo risco,
16:43mas é a única forma de você se lembrar que você não pode reagir,
16:47que você não pode ter movimentos muito bruscos, por quê?
16:50São pessoas, como a testemunha mesmo disse, foi uma reação muito de reflexo da parte dele,
16:56ele entrou em adrenalina e teve a reação de jogar o celular para dentro da igreja.
17:01O que é uma reação, né?
17:02É uma reação.
17:03Uma vez eu estava entrando no carro, eu achei que eu fosse ser abordada por um suspeito,
17:08acelerei, eu falei assim, meu Deus, sem querer eu reagir, né?
17:12Às vezes a gente não espera, então é possível a gente trabalhar isso?
17:15Sim, exatamente, vou sair de casa, não ficar saindo distraído, né?
17:19Saio de casa prestando atenção no ambiente, prestando atenção para onde você está indo,
17:24em que você está fazendo, tentando manter a calma de forma consciente.
17:29Ter essa calma mais distraído no modo automático é muito mais difícil,
17:34porque a gente realmente não vai ter controle disso.
17:37Se a gente criar a ilusão, perdão, se a gente criar a ilusão de que a gente vai ter um
17:40pleno controle,
17:41a pessoa pode criar, inclusive, um sentimento de culpa por ter tido alguma reação inesperada.
17:45Agora a gente vai voltar a falar com o Pedro.
17:48Rafael, presta atenção nessa pergunta que eu vou fazer para ele,
17:50que me chamou muita atenção no relato que ele já deu para a gente.
17:55Pedro, você estava com fone de ouvido, né?
17:58No momento em que você foi abordado.
18:01Exatamente, estava de fone de ouvido na hora.
18:03Estava distraído?
18:04Eu estava escutando louvor na hora, só que eu não vi a moto, não vi ninguém passando.
18:11Eu estava literalmente distraído.
18:13Eu estava olhando para baixo, assim, quando eu levantei a pessoa já estava em cima de mim, já.
18:18Ou seja, se ele estava ali já te rodeando, observando todos os seus passos,
18:23você nem, tchum, nem estava se dando conta.
18:26Eu não sei se ele já estava vindo num caminho que ele percebeu que eu estava distraído, alguma coisa, entendeu?
18:35E acabou acontecendo isso, porque eu tinha acabado de sentar na enfeite da igreja.
18:40Não tinha nem muito minuto quando isso aconteceu.
18:42Quando eu sentei, né, que eu sabia que a pessoa ia demorar a chegar um pouquinho,
18:48eu sentei, aí acabou acontecendo isso.
18:50Acabei mexendo no celular, escutando a música, olhei para baixo,
18:53mas quando eu olhei para cima já estava em cima de mim.
18:56Certo. Deixa eu repercutir esse aspecto aqui com o Rafael Pereira, que é especialista em segurança.
19:02E a gente sabe o quanto que nós andamos distraídos na rua.
19:07Está aí mais uma ferramenta que ajuda a gente a se distrair, né, Rafael?
19:10Isso. A percepção ambiental fica prejudicada.
19:13Você não consegue, então, prevenir qualquer ação, né, que esteja na iminência de ocorrer.
19:20E essa não percepção, ela acaba gerando uma situação inusitada que pode levar a uma situação reflexiva
19:29e ser interpretada pelos criminosos como uma reação.
19:33E aí ocorreu um desdobramento talvez muito mais grave daquela situação que não só a mera subtração da coisa móvel.
19:39Mas aí, como foi no caso relatado pelo Pedro ali também, né,
19:43uma reação agressiva ali, quase que um latrocínio, né?
19:48E então, quando você não tem essa percepção ambiental,
19:53seja por uma distração de um fone de ouvido,
19:55ou então está até olhando o próprio aparelho,
19:57ou fazendo alguma coisa, conversando com alguém, digitando, né,
20:01você perde a percepção ao seu redor
20:05e pode uma situação como essa lhe trazer uma reação, né,
20:10e essa reação ser, algumas vezes, infelizmente, né, muito graves, né,
20:15e levar até o óbito.
20:16E olha só, a gente foi até as ruas
20:18para saber como que nós capixavas,
20:20como que a gente tem feito para se prevenir dos assaltos.
20:23E aí você presta atenção que já já
20:25o Rafael Pereira vai dizer se é a forma correta ou não.
20:27Vamos ver.
20:52A minha reação foi não ter reação, né,
20:55porque, primeiramente, eu sou mulher,
20:56então já há um perigo nisso, né,
21:00enquanto mulher dentro da sociedade.
21:03E vale ressaltar que o assaltante, ele pode estar armado.
21:07A senhora já foi assaltada?
21:10Graças a Deus, não.
21:13Mas tem medo?
21:14Não, medo todo mundo tem, né,
21:17mas fazer o quê?
21:18A gente tem que correr o risco e pedir a proteção divina, né.
21:22A senhora tenta ter alguns cuidados na rua
21:25para evitar que seja assaltado?
21:27É, seguro minha bolsa direitinho, né,
21:29para a gente, né.
21:31Tenta segurar a bolsa assim, é?
21:33É, tem que segurar.
21:34Mas, por exemplo, a bolsa da senhora está um pouquinho para trás.
21:38Um bandido pode muito bem querer levar,
21:40tem mais facilidade, a senhora não acha?
21:42É verdade, é verdade.
21:43Quais são os cuidados que você procura ter para evitar que seja assaltado?
21:47Vai, deixa as coisas aqui na bolsa, bota sempre aqui na frente, né,
21:51e sempre estou olhando para os lados.
21:53Então, a bolsa para frente...
21:54Sim, bolsa para frente, só sai com o necessário,
21:58e como diz o outro, sempre olha para os lados,
22:00para ver se tem alguém atrás, alguma coisa assim.
22:03Então, agora, presta atenção, olha aqui,
22:05olha aqui para a tela do Fala Espírito Santo, é isso aí.
22:08Porque nesse exato momento, o Rafael Pereira vai falar para a gente
22:11como que nós podemos nos comportar na rua de uma forma mais segura, Rafael.
22:17Onde que a gente está errando?
22:18Onde que a gente pode melhorar?
22:19É, Roberta, postura, percepção, né,
22:22e algumas condutas preventivas.
22:25Então, a postura, né, onde você está andando,
22:27você demonstrar que você está atento ao seu redor,
22:31você não deixar transparecer uma desatenção,
22:34inibe, por incrível que pareça, inibe muitas condutas.
22:37Porque o criminoso, e esse tipo de criminoso,
22:40isso a grande maioria dos casos, são indivíduos covardes, né,
22:43são indivíduos que não têm qualquer apreço
22:47pela incolumidade humana, pelo patrimônio alheio, né.
22:52Então, quando você demonstra uma postura de atenção,
22:55uma postura centrada naquilo que você está fazendo,
22:59a percepção do seu ambiente,
23:01você, sem perceber, você evita muitas condutas.
23:06É claro que aqueles mais agressivos,
23:08aqueles indivíduos que já estão no crime há algum tempo,
23:11que já têm uma certa experiência criminosa,
23:13ou, em casos mais graves, sobre o efeito de drogas, né,
23:17outras substâncias de efeitos análogos,
23:19que acabam tornando a capacidade cognitiva daquele indivíduo
23:23bastante alterada, né,
23:25e eles vão agir.
23:27Então, nesse tipo de situação,
23:29quando você evita demonstrar o seu bem,
23:31seja o celular, seja...
23:33E não só o celular, o foco hoje é o celular,
23:35mas o indivíduo pode querer também uma joia,
23:38a sua bolsa, um relógio, né.
23:40Então, quando você evita demonstrar isso em via pública, né,
23:43é um absurdo a gente ter que viver numa sociedade,
23:45claro, em que você não pode utilizar o seu patrimônio, né,
23:48a sua propriedade, mas...
23:50Algo que você ainda está pagando, né, muitas das vezes.
23:52Em que muitas vezes está pagando,
23:53mas também não dá para a gente trabalhar com aquilo
23:55que se chama de síndrome de Alice, né,
23:57dentro da criminologia.
23:58Não dá para você achar que você vive num país das maravilhas.
24:00Não há, né, não há.
24:02E isso é nacional e até internacional.
24:05A violência é algo da sociedade,
24:08é algo das relações sociais,
24:10então a gente tem que trabalhar com ela da melhor forma possível.
24:14Nesse tipo de crime, evitar essa exposição,
24:17ter a postura, ter atenção.
24:19E caso ocorra, naquelas situações em que ocorrem,
24:22evitar sempre a reação,
24:24porque nenhum patrimônio, né,
24:26a gente sabe muito bem disso,
24:27ele vai valer ali, né,
24:29uma lesão corporal,
24:31ou até um homicídio,
24:32ou até um latrocínio, né.
24:34Então, atenção, postura,
24:36mitigam muito esse tipo de ocorrência.
24:38Agora, infelizmente,
24:39nada em segurança pública é 100% eficaz.
24:43Perfeito.
24:43Agora, você foi falando aí, né,
24:45dos cuidados que a gente tem que ter,
24:46e mesmo ciente,
24:48porque muitos de nós sabemos dessas dicas, né,
24:50andar com a bolsa pra frente,
24:52o zíper também pro seu lado e não pra trás,
24:54a mochila no ônibus coloca pra frente também.
24:57Você já vê aqui vários outros momentos dando essas dicas.
25:00Só que mesmo assim,
25:01a gente sempre tem um momento de descuido, né.
25:03A gente vai relembrar agora um caso que aconteceu em Cariacica,
25:06poucos dias.
25:07Esse assalto foi flagrado pelas câmeras de segurança.
25:10Um motoqueiro atacou e assaltou uma jovem em Bela Aurora.
25:15Esse assalto foi logo no começo da noite.
25:18A vítima caminhava ali, distraída, mexendo no celular.
25:21Olha aí, observa que a rua tá parada, né, tá deserta.
25:24Só ela ali na rua, olha isso.
25:26E aí passa um homem de moto.
25:28Ele anda um pouco,
25:30você vai ver que...
25:31Só que ele volta, olha ali, ó.
25:32Passou, ele vai voltar, tá vendo?
25:34Ele voltou atrás dela.
25:35A mulher tava sozinha na rua deserta.
25:37E imediatamente ele vai pra cima dela.
25:39Pega o celular ali, ó.
25:40Ele tá fazendo a abordagem.
25:41Pegou o celular, ó.
25:42E picou a mula, tá vendo?
25:44Essa moça, gente,
25:46ainda estava pagando as prestações do celular.
25:49Eu conversei hoje com o pai dela rapidamente.
25:53O pai dela conseguiu resgatar o aparelho.
25:56Nem sempre a gente consegue,
25:58mas existe um caminho que a gente pode tentar,
26:02como forma preventiva,
26:04já deixar, assim, programado no nosso aparelho.
26:07Tem, digamos, uma regra?
26:10É, até a tecnologia hoje, né,
26:12os meios digitais, aplicativos,
26:13eles trazem essa possibilidade, né?
26:15Inclusive, os próprios aparelhos,
26:18todo aparelho celular,
26:19ele tem uma, vamos chamar,
26:21uma identidade própria,
26:22chamada e-mail, né?
26:23Então, quando você sofre um furto, um roubo,
26:26a primeira orientação é procurar a polícia civil,
26:30fazer um registro dessa ocorrência
26:32e, através do próprio sistema da polícia, né,
26:34da segurança pública estatal,
26:36você consegue, muitas vezes,
26:38primeiro, é bloquear esse aparelho,
26:39ou seja, torná-lo ele inutilizável, né,
26:43é no eventual repasso,
26:45uma receptação desse aparelho.
26:46E os aplicativos, né,
26:48todo hoje,
26:50todo celular,
26:52todo sistema operacional,
26:54ele traz essa possibilidade
26:56de você ter os localizadores, né?
26:58Esse é feito via GPS.
27:00Então, você aliando a tecnologia
27:02com as condutas
27:03e com a comunicação ao Estado,
27:06porque o Estado não é onipresente, né, Roberta?
27:08Não basta só botar a culpa no Estado
27:10ou na polícia, né?
27:11A polícia precisa ser informada.
27:12Então, se você sofreu o crime,
27:14faça a ocorrência,
27:15leve,
27:16é importante que você tenha
27:17esse número de e-mail,
27:18ele vem na caixa do seu aparelho também, né,
27:20e informe sua polícia,
27:22porque através dessa identificação
27:25personalíssima do aparelho,
27:26você consegue, muitas vezes,
27:28recuperá-lo,
27:29ou, na pior das hipóteses,
27:31torná-lo, pelo menos, inacessível
27:33para uma eventual receptação.
27:35Olha só os comentários
27:36que a gente recebe aqui
27:37no nosso Facebook.
27:37O Gilberto Marcelino fala,
27:39me livrei de um assalto
27:40dentro do ônibus,
27:41roubaram os celulares de todos,
27:42menos o meu,
27:43ele falou que vinha da igreja.
27:46Catélia,
27:47Catleia Rocha fala,
27:48eu já fui assaltada duas vezes,
27:50quando vejo uma moto
27:52vindo na minha direção,
27:53fico apavorado,
27:53com muito medo.
27:54Hoje,
27:55eu abordei um senhor,
27:56mas ele preferiu não aparecer
27:57nessa entrevista
27:58que eu fui até as ruas,
27:59ele foi assaltado oito vezes.
28:01Imagina o trauma, Larissa,
28:03que isso vai causando
28:04na vida da pessoa.
28:05Ou banaliza ou traumatiza,
28:07qual é o lado que...
28:08A tendência é traumatizar.
28:09É traumatizar, né?
28:10A tendência é traumatizar
28:11pela repetição,
28:12é como se justamente
28:13essa área que é responsável
28:15pelo medo apreendido,
28:16ela fosse frequentemente lesionada,
28:18frequentemente lesionada.
28:19Então, ela passa...
28:21A gente tem uma parte
28:22do cérebro responsável
28:23pelas emoções,
28:24sistema límpico,
28:24e a gente tem a amígdala
28:25responsável pela detecção,
28:26pela geração
28:27e pela manutenção
28:28das emoções.
28:29Então, ela passa a ficar
28:30muito mais sensível
28:32a qualquer estímulo
28:34meramente semelhante
28:35àquele que causou o trauma.
28:36Entende?
28:37Então, se antes ele tinha
28:37um pouco de medo
28:38de sair na rua escura,
28:39ele passa a ter muito mais medo.
28:41Se ele tinha um pouco de medo
28:42de ir a locais muito movimentados,
28:44ele passa a ter muito mais medo
28:45daquilo.
28:45Então, a tendência
28:46desse indivíduo,
28:47da mente dele,
28:48do sistema neurológico mesmo dele,
28:50é de se tornar cada vez
28:51mais sentido,
28:52sensível em relação àquilo.
28:54E até para tratar,
28:55para trabalhar,
28:55a gente tem um pouco mais
28:56de trabalho também,
28:57porque sensibiliza,
28:58muito traumatiza.
28:59A chance é muito mais
29:01traumatizado
29:01que ele banalizar
29:02e deixar para lá.
29:03Olha, só para a gente finalizar,
29:05a Bia mostra aqui também
29:06a indignação.
29:07Ela fala,
29:07é muito triste
29:08quando vão audiência
29:09de custódia
29:10e vão soltos,
29:11volta e rouba
29:13despreocupados.
29:14A gente sabe
29:14que essa é a realidade.
29:16Cada vez mais
29:17a gente trancada em casa
29:18e os bandidos soltos.
29:20É triste demais.
29:21Obrigada pela sua participação,
29:22Rafael Pereira.
29:23Obrigada,
29:24Larissa Lobo.
29:24Deixa eu mandar um beijo
29:25também para o Pedro Henrique
29:26que participou com a gente.
29:27Espero que esteja
29:28cada dia
29:29melhor e mais confiante
29:31e mais resguardado também,
29:33né, Pedro Henrique?
29:34Obrigada pela sua participação,
29:35viu?
29:36Eu que agradeço
29:37para vocês.

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