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Administrar o que ver e o tempo de uso são alguns dos cuidados que os pais devem tomar para que as telas não se tornem um problema dentro de casa. Mães compartilham suas experiências e a psicóloga Elza Leite destaca como regras podem ajudar nesse controle.

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Transcrição
00:00Como é difícil, né? A gente não ceder o pedido das crianças, porque isso aqui é uma comodidade.
00:05Mas é preciso, até mesmo porque já parou pra pensar, depois das férias, que a gente vai precisar retirar a
00:11tela,
00:12pelo menos tentar reduzir de volta, e aí a gente se encontra numa situação muito difícil.
00:17Vamos bater um papo sobre esse assunto?
00:19Aqui no nosso estúdio, eu recebo a Mayara, Mayara Barcelos, que ela tem uma filha de 5 anos.
00:25Já, já ela vai contar a história que vem enfrentando, na verdade, enfrentou com a filhinha, né?
00:31Conseguiu reverter.
00:32Mas a gente antes apresenta aqui também a Elza Leite, que é psicóloga.
00:36Boa tarde, seja bem-vinda, viu? Sejam bem-vindas.
00:39Mayara, conta pra gente o que você passou um tempo atrás com a sua pequena. Boa tarde.
00:45Boa tarde, boa tarde, Roberta. Obrigada pelo convite.
00:48Então, no início, foi um pouco turbulento, porque a gente foi deixando, né? Aquele negócio.
00:58Eu nunca vou deixar a minha filha pegar o celular. Aquele famoso, a minha filha nunca vai fazer isso.
01:07Quando a gente se deu conta, a minha filha já estava há muito tempo ali no celular.
01:11E ela usava um meio de distração mesmo. Até pra gente usar fazeres de casa, né?
01:18Eu deixava ela com o celular e não controlava.
01:22Quanto tempo, mais ou menos, por dia ela passava ali nas telas?
01:27Roberta, ela ficava assim, de quando ela acordava até no horário de ir pra escola.
01:33Então, a parte da manhã.
01:35E a partir da tarde, quando ela chegava da escola, a primeira coisa que ela procurava era o celular.
01:41E nisso, ela tinha qual idade?
01:43Ela estava 3, 4 anos.
01:47E aí, quando ela completou 5 anos, o seu alerta?
01:51Foi. Com 5 anos agora, ela começou a ter comportamentos diferentes.
01:55Ela começou a ficar uma criança nervosa, agitada, agressiva.
02:01E eu me dei conta e falei, não, chega.
02:05O celular, ele tem que ser a última opção.
02:08E preferencialmente que os filhos não tenham o celular em casa.
02:13Mayara, eu te agradeço imensamente por você estar fazendo um relato tão real.
02:16Um relato em que muitas mães, às vezes, demoram.
02:20Muitos pais, vamos botar a culpa só nas mães não, tá?
02:22A gente está falando da família, os pais principalmente.
02:25Chama o maridão aí pra sala também, tá?
02:28Porque, às vezes, a gente demora a se dar conta.
02:31E aí, chegando no período das férias, é muito mais cômodo, né?
02:34Até porque a gente não tira férias nem sempre junto com as crianças.
02:37E está o tempo inteiro entregando o celular.
02:39Então, obrigada pela sua realidade.
02:41E daqui a pouquinho, você vai contar pra gente como é que você fez
02:43pra conseguir reduzir esse tempo dela nas telas.
02:46Mas, Elza, até que os pais percebam e reconheçam, isso é um processo também, né?
02:52Na maioria das vezes, Roberta, a gente só vai se dar conta quando os prejuízos começarem a aparecer.
02:59Aparece na escola, aparece na socialização, aparece na família.
03:04Quanto mais celular, quanto mais tela essas crianças utilizam, mais essa família está desconectada.
03:12É um sintoma de desconexão familiar.
03:16Por quê?
03:16Muitas vezes, por conta da nossa atividade, na maioria das vezes, os pais, os dois trabalham fora,
03:22têm pouca rede de apoio.
03:24Eles usam o celular, as telas em geral, como a babá da criança, pra ocupar o tempo da criança.
03:31E a criança vai se perdendo naquele mundo ali.
03:34A criança, ela não consegue perceber o mundo ao redor dela.
03:37Então, ela fica com comprometimento na parte estudantil, com dificuldade de aprender.
03:42Ela fica imediatista, porque num passe de mágica ali, eu tenho prazer imediato.
03:47Eu tenho um sistema de recompensa imediato que não vai exigir muita coisa de mim.
03:52A criança fica com comprometimento na parte da socialização.
03:55Por quê?
03:56Porque ela não sabe se comunicar com as pessoas.
03:59Ela não consegue observar o comportamento alheio, a dor alheia.
04:04Essas crianças ficam ali com comprometimento visual, da visão, da coluna cervical.
04:11Então, são vários fatores, são vários prejuízos, sem contar com a comunicação dentro de casa,
04:17que fica cada vez mais distante.
04:19O filho fica com muita dificuldade de obedecer, de olhar, de ouvir o pai e a mãe.
04:25Então, a gente precisa estar muito atento, porque o risco é enorme.
04:29E aí tem a parte também dos perigos, né?
04:31Das pessoas por trás das telas, que estão buscando aquela oportunidade pra fazer mal aos nossos filhos.
04:37E, Maiara, você também estava refém do celular?
04:42Você se percebeu em algum momento assim?
04:44Talvez, porque os especialistas falam muito, né?
04:47Será que às vezes eles não estão imitando os pais, a família?
04:51Você já se pegou assim?
04:52Sim, foi o grande...
04:54Na verdade, pra ela, acabava sendo uma referência, né?
04:58Porque os filhos são um reflexo dos pais.
05:01E ela falava, chegou um momento...
05:03E eu deixava um pouco isso de lado e não prestava atenção.
05:08Até que eu comecei a observar, mas ela falava,
05:12meu pai e minha mãe não estão me dando atenção.
05:14Então, assim, ela começou a ver.
05:16Então, eu conversei com meu marido, é importantíssimo você ter uma rede de apoio.
05:20Os avós hoje, eles vêm com aquele...
05:23Não, por deixar, deixa, deixa.
05:25Então, assim, eu conversei muito com a minha sogra, com o meu sogro,
05:29em relação ao celular.
05:30Graças a Deus, eles me apoiaram bastante.
05:33E, principalmente, o meu marido.
05:35É importante você ter uma pessoa ali do seu lado,
05:38pra poder segurar a peteca, não deixar a peteca cair.
05:43Então, com a minha filha, justamente foi o fato de eu ficar bastante no celular,
05:49que fez com que ela também ficasse.
05:52É tanto que ela falava,
05:54mãe, você tá no celular, por que eu não posso ficar?
05:57Entendeu?
05:57Então, eu passei a explicar pra ela que eu estava trabalhando,
06:01que era o meu meio de trabalho.
06:03Mas, assim, hoje eu tenho mais tempo com ela.
06:06E o celular lá em casa é uma coisa que, atualmente,
06:11ela utiliza pouquíssimo comparado ao que ela usava.
06:16É tanto que celular, hoje, ela não tem mais celular.
06:19Então, quer dizer, ela tinha um aparelho dela e hoje você tomou?
06:22Eu tomei o aparelho dela.
06:23E como é que você fez pra conseguir isso?
06:25Então, primeiro eu comecei mesmo com...
06:30Na verdade, eu falei que o celular ia consertar,
06:33ia levar pra conserto, que tava com a tela quebrada e tal.
06:36E aí, coloquei na cabeça dela que eu ia levar pra consertar.
06:41Depois, ela já é esperta, ela começou a me perguntar,
06:44e aí, mãe, cadê o celular?
06:46Já consertou? Como é que tá?
06:48Aí, eu passei pra falar pra ela,
06:50o seu comportamento, ele não tá legal,
06:53porque começou a refletir também no comportamento dela.
06:57E, devido a isso, eu cheguei num ponto que eu falei,
07:03quando você melhorar o comportamento,
07:06a gente volta com o celular,
07:08mas os desenhos são escolhidos por mim e seu pai.
07:12E, a princípio, hoje, ela não tem pego o celular e deu uma pausa.
07:17A gente usou a estratégia da televisão.
07:20A gente coloca a televisão em curto tempo, tá?
07:23Até porque a criança, ela não tem paciência
07:25de ficar muito tempo ali na televisão.
07:27No celular, hoje, eles não têm...
07:31Eles ficam dispersos, por exemplo, no...
07:36Não sei se eu posso falar.
07:37É, nos vídeos, nos curtinhos.
07:39É, entendeu?
07:40Nos meios de acesso ali das redes sociais.
07:44Então, assim, o próprio Instagram, ela vinha,
07:47ela entrava, ela mexia, ela via os vídeos.
07:51Hoje, a tecnologia, eles mostram tudo, né?
07:54Então, eu falei, não, vou colocar um limite.
07:57E, graças a Deus, a gente, em casa, tem conseguido
08:00e ela tem melhorado bastante, até mesmo o sono.
08:04Olha aí quantos impactos isso pode trazer na vida de uma criança.
08:09Agora, Elza, com a chegada das férias escolares,
08:12ainda mais que a Júlia, né, tá friozinho,
08:14se fosse o verão, a gente falava assim,
08:15leva a criançada pra praia,
08:17pega a tia que talvez tira a férias junto e tal.
08:19Aí, a gente pergunta, com eles ainda mais dentro de casa,
08:23no friozinho, trancado no quarto,
08:24e aí acaba usando ainda mais o celular.
08:27Mas não é pra usar mais,
08:28a gente tá vivendo um período que é já pra retirar.
08:32Como é que a gente pode fazer isso na prática?
08:34Os pais precisam dar oportunidade pra os filhos
08:39terem acesso às atividades que são contra, né?
08:42Que vão contra essa coisa da tela, da televisão, do tablet, enfim.
08:46Então, por exemplo, é uma ótima oportunidade
08:48da gente apresentar pros nossos filhos
08:51as brincadeiras que a gente fazia lá atrás,
08:53na nossa época, quando a gente não tinha celular
08:55e quem tinha televisão, que é mais antigo,
08:59tinha que ter uma situação muito boa pra ter.
09:01Então, a gente pode brincar,
09:04promovendo alguma atividade física, né,
09:06queimada, fazer piquenique,
09:08a gente pode chamar essa criança
09:10pra participar de alguma atividade dentro de casa.
09:12Por exemplo, vamos fazer uma pipoca juntos?
09:14Vai lá, pega o milho, pega o sal,
09:16pega o óleo, pega a manteiga
09:18e chama a criança ali pra perto.
09:20Vamos fazer uma receita de bolo,
09:22hoje a gente vai tomar um café juntos.
09:24Coloca a criança também
09:25pra fazer atividades e ser participante do lar.
09:28Tem muita coisa que precisa ser feita aí de casa,
09:30afinal, aquela criancinha não é visita ali dentro,
09:33ela mora lá e ela vai precisar ter responsabilidade.
09:36Arrumar a própria cama, tirar o lixo,
09:37tirar a roupa do varal, cuidar dos animais.
09:39E pra eles tudo isso é diversão, né?
09:40É diversão.
09:42Cuidar dos animais.
09:43Então, você pode botar a criança pra ser participante
09:46do processo que tem dentro de casa.
09:48Por quê?
09:48Porque ela tem que entender que ela vai ter responsabilidades.
09:51Então, tem uma série de coisas que a gente pode promover
09:54junto dos nossos filhos.
09:56Leitura, jogos,
09:58e a gente pode ir escapando cada vez mais.
10:00E o tempo vai passar.
10:01Agora, os pais que trabalham, a gente se pergunta,
10:03porque, ah, nem todo mundo, como a gente já disse aqui,
10:06tira a férias junto com as crianças.
10:07Os pais precisam ir pra rua garantir o pão de cada dia.
10:10Aí as crianças ficam, às vezes, com os avós.
10:12Aí pro avô e pra avó é mais fácil fazer o quê?
10:15Toma.
10:16É, eu acho que aí é um trabalho de conscientização.
10:20Chamar o avô e avô, conversar e explicar sobre os perigos,
10:24os riscos em várias instâncias que a tecnologia está trazendo
10:28para as crianças.
10:29Trazer a consciência e pedir que, por favor,
10:33coloque atividades que fujam dessas atividades de telas
10:37para essas crianças fazer combinados com a pessoa
10:40que é a sua rede de apoio.
10:42Trazendo consciência do quanto aquilo é necessário
10:44e do quanto aquilo é importante.
10:46Porque avô e avó, vamos lá, vamos brincar de pique-esconde.
10:48Nem sempre os avós têm esse pique mais.
10:50Sim.
10:51Literalmente, né?
10:52Mas, por exemplo, a gente tem paleta,
10:53a gente tem peteca, já usa mais o corpo.
10:57Mas a gente tem dominó, a gente tem jogo de dama,
11:00jogo de xadrez, que ajuda muito na questão cognitiva também.
11:04A gente tem bolinha de gude, tem pipa que o menino pode soltar
11:07dentro do quintal sem cerol.
11:09Tem várias coisas que dá pra fazer.
11:10É só voltar lá atrás no que a gente fazia,
11:13brincar de boneca, brincar de carrinho, ler.
11:17Tem muita coisa.
11:18Pintar.
11:19A gente não pode deixar de exercitar a mente.
11:21Agora o pai e a mãe.
11:22Porque até pra buscar na memória tá difícil.
11:24Exatamente.
11:25Mas o pai e a mãe têm que dar o acesso pra criança.
11:28Comprar o livro, comprar a tinta,
11:31oferecer oportunidade pra ela.
11:32Não adianta mandar.
11:33E outra, faz junto, mostra como é que faz,
11:36porque isso é tempo de qualidade que você tá dedicando ao seu filho.
11:40O tempo que a gente passa com a nossa família não é tempo gasto,
11:43é um tempo de investimento.
11:45E hoje isso tá faltando.
11:46Chega do trabalho, bota na cabeça,
11:48ó, meu filho tá de férias, é o tempo dele comigo.
11:51É minha oportunidade de me aproximar da minha criança,
11:54de conhecer o meu filho.
11:56Inclusive de conhecer, Roberta, o que ele gosta de fazer online.
11:59Que a gente geralmente não sabe.
12:01O que é muito importante a gente saber do conteúdo também que eles estão buscando.
12:04A gente vai ver agora o depoimento da Daniela,
12:06que ela tem no celular uma ferramenta de trabalho,
12:10mas com os filhos o uso das telas é sempre com limites.
12:15Olha só.
12:16Aqui eu tenho dois filhos, né?
12:19Eu tenho um de 12 anos e tenho uma menor de 6 anos.
12:23Porém, desde que o meu filho era pequenininho,
12:26eu sempre eduquei a ele que computador e celular são materiais de trabalho.
12:33Até porque eu vivo no computador,
12:35eu utilizo muito celular pra trabalhar.
12:37Então, desde pequenininho eu dava essa separação sobre a ferramenta.
12:43E com o meu mais velho eu comecei a colocar limites de horário de uso.
12:50Hoje, mesmo ele com 12 anos de idade,
12:53eu tenho uma conta do Family Trink, do Google,
12:56onde todos os aplicativos que ele baixa eu fico sabendo.
13:00E aí eu consigo aí regular essa utilização do celular.
13:04Também defino horários pra ele poder estar utilizando
13:08e quais os aplicativos que ele tem utilizado.
13:11Já a menor, ela não tem celular,
13:14ela não tem o acesso ao celular,
13:17não tem acesso a computador, a tablet,
13:20a nenhum tipo desses aparelhos eletrônicos.
13:24Ela já me questionou quando ela teria o celular
13:28e ela, assim como foi com o irmão,
13:31aos 10 anos de idade,
13:32ela vai poder ter o próprio celular.
13:36Isso, só vou antecipar mesmo,
13:38se houver necessidade.
13:40E não me arrependo nem um pouquinho
13:42em não deixá-los aí usar o celular de qualquer forma.
13:47Obrigada, Dani, pela sua participação.
13:49A gente vai ver agora o depoimento da Samanda.
13:51Ela aposta na criatividade.
13:53Olha aí, Elza, pra entreter os filhos.
13:58A gente, né, das férias, faz todas as mães tremecerem, né?
14:04Mas aqui em casa a gente tá já programando algumas atividades,
14:08até pra evitar um pouco, né,
14:10a utilização das telas por um longo período.
14:12Claro que não tem como não usar.
14:16Mas pra tentar minimizar isso aqui em casa,
14:19a gente já tem alguns quebra-cabeças pra faixa etária delas,
14:24comprei alguns livros também, que é pra estimular.
14:27E fora isso, é inventar brincadeira pra todos os dias das férias.
14:34Pela sua participação.
14:35Mãe, olha que interessante.
14:36Ela ressaltou aí o quebra-cabeça.
14:39Porque quando a gente fala de criança,
14:41a gente ainda consegue, né, assim,
14:43ah, não, vem cá, vamos fazer isso, vamos fazer um bolo.
14:45Agora, às vezes, vai chamar o adolescente.
14:47Quem tem filho adolescente não consegue fácil, assim, tirar o celular, não.
14:51E aí, Elza?
14:53É a palavra-chave.
14:56Limite do tempo e do que assiste.
14:58E aí você tem que estabelecer com o adolescente
15:01combinados com as regras e as consequências
15:06caso essas regras não sejam cumpridas
15:08e elas têm que ser muito claras.
15:10Geralmente, eu dou a dica assim, ó,
15:13você tem de tanto a tanto pra utilizar o celular ou o computador
15:16e a gente vai colocar o seu celular pra despertar.
15:20Você me entregando, no outro dia, você vai poder brincar do mesmo jeito,
15:23você vai poder jogar a mesma quantidade.
15:25Você, violando a regra, você vai ter uma consequência dobrada.
15:31Então, você vai ficar tantas horas dobradas sem poder utilizar.
15:35E é incrível como que funciona, né?
15:37A gente vai entrar numa batalha, isso é fato.
15:40Mas, olha, eu prefiro lidar com uma batalha dentro de casa,
15:45sabendo que aquilo dali tem por motivação proteger várias áreas do meu filho,
15:50do que ficar com medo de perder o amor dele, de frustrar ele.
15:54Porque a frustração, gente, ela faz parte do processo educacional.
15:58Se eu não aprender a me frustrar dentro de casa, ouvindo não, tendo limite,
16:05quando eu chegar lá fora, eu vou apanhar da vida, literalmente apanhar da vida,
16:11principalmente quando eu for pro mercado de trabalho.
16:13É o comentário aqui da Cida, os filhos têm que entender que quem manda são os pais, né?
16:18A gente que coloca o limite dentro de casa.
16:20E aí você precisou, inclusive, você tomou uma decisão que interferiu até na sua vida profissional.
16:27Conta pra gente, mãe.
16:28Sim, na verdade, com o nascimento dela, houve ali a mudança também na minha profissão.
16:38Eu experimentei outras atividades e acabou que eu voltei pra minha área,
16:46que eu sempre fui muito apaixonada, que é a área da estética.
16:49E nesse período, esse é o primeiro ano que eu acompanho ela.
16:55Eu montei meu espaço em anexo com a minha casa.
17:00E então, lá eu atendo na parte da tarde, eu faço os meus horários e consigo dar atenção a ela.
17:09Mas o que eu falei também é muito importante, Roberta, quando você tem uma rede de apoio.
17:15Inclusive, eu e meu esposo, a gente trabalha ali de acordo com ela.
17:20Por exemplo, a gente divide muito as tarefas.
17:22Ele chega do trabalho, por eu já ter ficado o dia com ela, ele vai dar atenção a ela.
17:28Depois, ele também faz a parte dele, porque ele também tem uma vida, né?
17:33Então, é tudo dividido.
17:35Ele vai pra academia, ele tem a rotina dele, mas ele chega e ele vai dar atenção a ela.
17:40Ou seja, a criança não chega e fica sozinha mais no ambiente com o celular.
17:44Sempre tem alguém fazendo companhia, distraindo a criança, o que é muito importante.
17:48A gente vai ver agora um depoimento da Nanda Coutinho.
17:51Ela mandou um vídeo pra gente, inclusive, pedindo ajuda.
17:54Presta atenção, Elza Leite, hein?
17:56Vamos ver o relato dessa mãe.
18:00Na verdade, fazer o apelo, pedir um socorro como mãe de adolescente.
18:05Eu acredito que muitas mães estão também com esse mesmo pensamento.
18:09Gente, se os nossos filhos, na época de escola, que eles têm atividades de casa, que eles têm que estudar
18:16pra prova,
18:18já tá difícil com relação ao celular, imagina nessas férias.
18:21Aqui em casa eu tenho dois adolescentes, né?
18:23E uma de quatro anos, e eu não posso falar de nenhum, que todos os três, com relação ao celular,
18:30é uma luta.
18:32Principalmente o menino, porque o menino tem essa coisa do jogo.
18:36E, assim, é uma coisa que segura muito a mente da criança, que trava muito a mente da criança.
18:42A criança fica respondona, a criança fica agressiva, a criança quer dormir até meio-dia, uma hora da tarde.
18:50Então, nas férias, como que vai ser? Vai dormir o dia inteiro, né?
18:53Porque as crianças não querem brincar, as crianças não querem interagir, as crianças não querem conversar.
18:57E é só celular, celular, celular.
18:58Então, quem tiver uma dica, gente, se a doutora ou o doutor que tiver presente, tiver uma dica pra dar
19:09pra gente,
19:10por favor, nos ajude, porque a gente não aguenta mais, não aguenta mais competir a atenção com o celular.
19:19É difícil pra quem tem filho ou adolescente, né?
19:24Competir a atenção com o celular.
19:26Ela falou que os filhos já não querem mais, a filha já não quer mais, Elza.
19:31Roberta, quando a coisa tá extrema, é hora de a gente procurar ajuda profissional.
19:36Por quê?
19:38A dependência das telas é muito real e ela é comparada à dependência química, por quê?
19:45O córtex pré-frontal do adolescente não dá maduro.
19:48Então, ele tem pouco estímulo no ambiente e ele tem muito estímulo e produção de dopamina, que é o hormônio
19:56que traz recompensa, traz prazer.
19:59E ele vai buscar só aquilo que traz imediatamente aquele prazer.
20:02Então, ele não consegue compreender o que o pai e a mãe muitas vezes estão falando.
20:08Então, a gente tem que entrar terapeuticamente com esses pais, resgatando a autoridade, se ver que ela tá insegura do
20:15que ela vai fazer, do que ela pode fazer.
20:18A sensação que essa mãe me passa é que ela está impotente, sabe?
20:23Então, a gente precisa realmente fazer um acompanhamento psicológico com essa criança, com esses pais, pra estimular novamente a comunicação
20:32dessa família.
20:33Trazer os alertas pra esse adolescente, compreendendo também o porquê ele ficou tanto tempo nos jogos e o que que
20:40isso desenvolveu nas emoções dele.
20:42E tentar resgatar, tentar restaurar vários processos familiares.
20:48Ou seja, tem que buscar ajuda.
20:49Quando chega num ponto desse, tem que buscar ajuda.
20:51Sozinho é difícil.
20:52É por isso que a gente tá aqui fazendo essa alerta, pra não deixar chegar a esse ponto.
20:57E olha só que interessante o relato da psiquiatra, a doutora Fernanda Mapa, porque ela mandou um vídeo pra gente
21:03fazendo um alerta sobre os danos que as telas podem trazer para as crianças.
21:07Tem muitos pais procurando profissionais da saúde em busca de algum diagnóstico no filho.
21:14Sendo que, na verdade, o problema tá justamente aqui, ó, no excesso de tela.
21:19Vamos ver.
21:21É complicado dizer que a criança não vai ter acesso a eletrônico.
21:26O que a gente tá falando é com relação à quantidade de tempo e ao conteúdo que é acessado.
21:32Porque crianças que usam eletrônicos, né, tem muito contato com tela, elas acabam deixando de viver atividades, vivenciar atividades ao
21:41ar livre, convivendo com outras crianças, entendendo a importância, por exemplo, do seguimento de regras, que são determinadas por brincadeiras
21:50ao ar livre, em relação... e ficam muito fixadas em telas.
21:53Então, a gente precisa entender que as telas são uma realidade da vida de todo mundo, mas que a gente
22:00precisa desse controle por parte dos pais.
22:03Não tem sido incomum a busca, a busca por profissionais da saúde, justamente acreditando que a criança tem algum diagnóstico,
22:11seja autismo, seja TDAH, sejam transformos de ansiedade, até mesmo depressão.
22:16Quando, na verdade, o que a gente consegue entender é que muitos desses casos estariam relacionados a um uso excessivo
22:23de eletrônico, uso excessivo de telas.
22:25Na adolescência, o que a gente percebe também é um isolamento cada vez maior.
22:31O adolescente, por si só, ele já tem como característica essa vivência de mais isolamento, essa vivência conhecida como geração
22:41do quarto, em que eles realmente buscam ficar mais isolados dentro de casa.
22:46E com o uso de eletrônicos, telas e tablets e rede social e celular, principalmente, eles acabam ficando cada vez
22:55mais isolados, com menos habilidade social e tendo cada vez menos capacidade de resolução de problemas também.
23:04Obrigada, doutora Fernanda Mapa, pela sua contribuição com a gente.
23:07E a Mayara contou aqui para a gente nos bastidores que ela chegou a esse ponto, procurar ajuda de um
23:14profissional da área da saúde mental, porque o comportamento da sua filha estava te deixando levar a pensar que havia
23:24algum diagnóstico por trás disso?
23:26Sim, hoje aumentou muito os casos do autismo, TDAH, enfim.
23:34Então, em algum momento, eu até cogitei a possibilidade dela ter, inclusive porque eu ouvia muitas pessoas até próximas de
23:43mim, dentro da minha família, comentando.
23:46E aí eu falei, então vou procurar um diagnóstico, quanto na verdade o problema era o celular, entendeu?
23:54Então, assim, posso dizer claramente que o celular, ele é uma ferramenta que se você não souber usar, ele traz
24:03vários danos.
24:04Então, em um momento, até quando eu cheguei a fazer o comentário lá no programa passado, o meu problema era
24:14que, naquele momento, a minha vontade era de sumir,
24:18porque eu falei assim, eu não estou dando conta da minha filha.
24:20Então, assim, graças a Deus, a gente conseguiu reverter.
24:25Agora sim, a gente vai fazer um acompanhamento nela, mas é mais para poder ela entender que a gente tirou
24:30o celular,
24:31que é preciso, mas não porque a gente tem que levar no profissional, porque é o primeiro caso.
24:39Primeiro, eu acho que você tem que analisar aquilo ali, óbvio, pedir ajuda se realmente você não tem mais a
24:47estrutura, né?
24:48Mas, naquele primeiro momento ali, eu imaginei, pensei na possibilidade dela ter.
24:55Mas, assim, independente de qualquer coisa, a gente está conseguindo reverter o caso dela, né?
25:01E ela hoje, ela não fica igual ela ficava antes no celular.
25:06Então, como é que você está se preparando agora para esse período das férias com ela?
25:10Então, é a primeira férias do meu marido com a gente.
25:15Então, ele também vai estar de férias.
25:19Então, eu acredito que vai ajudar bastante.
25:22A gente faz programação, Roberta.
25:24Eu sempre levei ela para passeios, sempre saímos.
25:29A gente não fica ali preso em casa também,
25:31porque, às vezes, com o cansaço do dia a dia, a gente acaba não...
25:38A criança também, ela fica com o tédio de ficar dentro de casa.
25:42Sim, porque ela fica ansiosa no período de festa, trancada em casa.
25:44Então, nesse momento agora, a gente vai fazer programação com ela, vai sair, vai passear.
25:50E lembrando que não tem só passeio caro.
25:53Tem coisas que a gente pode fazer, que a gente pode colocar custo, baixo custo.
25:59Um piquenique, hoje a gente tem em Vitória vários meios de passeio.
26:04Então, a gente tem a Pedra da Cebola, aqui o Parque Moscoso.
26:08Então, gente, é usar a criatividade.
26:10Teve aqui um comentário, acho que foi da Vera Lúcia, que falou até de skate,
26:15levar os netos para brincar de skate, bicicleta, ainda mais se tratando dessa adolescência.
26:20É isso aí que eles gostam.
26:22A gente sabe também que a gente está falando aí de brinquedos mais caros também, né?
26:26Usar um patins, um skate, uma bicicleta também não é tão barato.
26:29Mas um passeio, acho que para um adolescente já é um convite bacana.
26:33É maravilhoso.
26:34Eles cortam.
26:35Gente, um karaokê, botar esses meninos para cantar.
26:37A gente pode descobrir vários talentos na criança quando você deixa ela exercer a criatividade.
26:42O tédio, o ócio, também produz criatividade.
26:46Porque a criança, gente, ela tem a capacidade de inventar as coisas.
26:52A gente fica tentando, às vezes, esforçar o menino a fazer as coisas e ele já está cheio de ideias
26:57mirabolantes ali para colocar em prática.
26:59Deixa o seu menino praticar aquilo que a mente dele, a cabecinha dele criou.
27:05É interessante isso, você me fez lembrar o comportamento da Maite.
27:08Quando eu percebo que ela está há muito tempo, na casa a gente tem a regrinha de uma hora só.
27:12E aí eu falo, me dá, tá bom o tempo.
27:15Ela falou, vou fazer o quê?
27:15Estou em tédio.
27:16Eu falei assim, vai ser criativa.
27:17Eu falo para ela, vai brincar de boneca, vai ser criativa.
27:21E a gente precisa também estimular, deixar com que eles tenham esse espaço de pensar, o que eu vou fazer.
27:26Aí dá dois minutos, eu abro a porta do quarto e ela está lá brincando de boneca.
27:30Exatamente.
27:30É por aí então.
27:32E a gente também estimular.
27:33A criança é muito criativa.
27:35Criança, quando tem a oportunidade, ela mesma se desenvolve.
27:38Sabe?
27:39Ela mesma desenvolve as atividades lúdicas dela.
27:41Aí a gente pode entrar junto.
27:43Sabe?
27:44Começou a fazer o faz de conta, entra no faz de conta dela.
27:47E sabe o que eu percebo também, só para a gente finalizar o assunto?
27:50Às vezes, na casa do vizinho, o filho do vizinho também está ali, no celular.
27:55Na casa do lado, no apartamento de cima, o filho do vizinho também está ali no celular.
27:59Junta essa criançada toda, junta esses adolescentes e promove uma brincadeira, estimula isso entre eles.
28:06Perfeito.
28:06Festa do pijama, traz o coleguinha para dormir na sua casa, faz uma tarde com algumas atividades recreativas, coloca uma
28:14coisinha gostosa para esses meninos comerem, é sucesso total.
28:17Dá trabalho?
28:18Claro que dá trabalho, mas é tão compensador, mas ainda para eles, eles vão tomando gosto.
28:23Mas é a oportunidade de conhecer o seu filho e os amigos do seu filho.
28:27Só tem benefício.
28:27A oportunidade é só para a criança, não, é nossa também.
28:29Perfeito.
28:30Maiora, obrigada mais uma vez.
28:32Amei, ela abriu o coração e falou a real.
28:34Sem ser aquela coisa, ah, minha filha é perfeita.
28:36Não, a gente também erra, mas a gente pode acertar.
28:39E que bom que você e seu marido conseguiram, estão aí ajustando as peças.
28:43Muito legal o seu depoimento.
28:44Eu que agradeço.
28:45Tá?
28:45Volte sempre.
28:46Eu que agradeço.
28:47Obrigada, Elza.
28:48Muita gente elogiando aqui.
28:49Obrigada.

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