00:00Agora vamos falar de uma polêmica lá em Vila Velha, hein?
00:02Mães protestam contra a mudança da oferta de serviços do Centro de Atendimento Psicossocial Infanto-Juvenil de Itapuã.
00:11Vai sair de Itapuã para Jabé-Té.
00:14As mães ficaram no veneno.
00:15Deixa eu chamar o repórter Gabriel Cavallini para trazer mais detalhes sobre este protesto lá em Itapuã.
00:22Conta para a gente, Gabriel.
00:26É isso mesmo, Du. A gente está aqui em frente ao CAPSE, que fica aqui em Itapuã.
00:32Dá para perceber, inclusive, que ele está decorado de uma forma diferente, minimamente dizendo, né?
00:37Essa faixa mais escura, que é a faixa preta que passa aqui por cima, ela estava um pouco virada agora,
00:43mas ela estava dizendo luto, CAPSE e Itapuã.
00:45Temos ali outras faixas, também, outros cartazes pedindo para que não seja fechado exatamente essa unidade aqui do CAPSE.
00:53O que acontece é que a Prefeitura pretende remanejar essa unidade aqui para o bairro Jabé-Té, que fica...
01:01Essa unidade ficaria a cerca de 14 quilômetros desse local.
01:04E aí muitas mães estão na bronca com essa mudança, porque realmente ficaria uma situação um pouco mais difícil
01:10para que elas conseguissem levar os filhos, as crianças, adolescentes, até esses locais para que tivessem ali o atendimento psicossocial.
01:19Uma dessas mães é a Flávia, inclusive o filho dela.
01:22O Brian estava aqui agora há pouco, esperando uma van para ir para a escola.
01:26Flávia, conta para a gente.
01:27Você mora aqui pertinho do CAPSE.
01:29Ficaria muito mais difícil para você levar o Brian até Jabé-Té para ele ser atendido, né?
01:34Bom dia.
01:34Bom dia.
01:36Realmente, eu sou deficiente visual.
01:38Para levá-lo é bem mais difícil.
01:42E outra, para contê-lo dentro do ônibus, entendeu?
01:46Para mim vai ser bem mais, assim, difícil.
01:52É verdade.
01:53Seria complicado.
01:54Você tinha contado que muitas vezes, quando você vai com o Brian para o ônibus,
01:57o Brian precisa ficar sentado para pelo menos ficar menos assustado, né?
02:02Digamos assim, com a situação e muitas vezes as pessoas não entendem ali no coletivo, né?
02:06É, eles põem aqueles negocinhos de...
02:10Fone de ouvido.
02:11Fone de ouvido para escutar música e ficam reclamando que a gente põe o nosso filho em pé,
02:19querendo botar para sentar, porque simplesmente eles estão ali sentadinhos e ele não querendo levantar.
02:28E outra coisa que você tinha me contado, que chamou a atenção, é como que o Brian melhorou na escola
02:34depois que ele começou a ter o atendimento aqui no CAPS, né?
02:37Realmente.
02:38Ele começou o atendimento, ele começou com a psicóloga, ele começou com a psiquiatra
02:44e depois que ele começou com isso tudo, eu tenho orgulho de falar.
02:49Ele tirou zero em matemática, três em ciências e ele...
02:53E agora, como é que está?
02:54Nove em tudo.
02:56Pois é, uma melhora muito significativa mesmo, até para mostrar, Dudu, como que é importante
03:01ter esse acompanhamento.
03:03Aqui nós estamos com outra manhã, é a Jusciélia.
03:05Jusciélia.
03:06Jusciélia, bom dia, desculpa ter errado seu nome.
03:08Jusciélia, conta para a gente.
03:10A senhora é ali da região da Grande Terra Vermelha, ou seja, essa mudança para a senhora
03:15seria até benéfica, só que teria, na sua opinião, uma sobrecarga ali de Jabaité
03:21e também fica difícil para crianças de outros locais irem até lá?
03:24Eu sou moradora da região 5, só que tem um problema que a gente não fomos consultados
03:28sobre essa mudança.
03:29Nós não somos contra a abertura do CAPES em Jabaité, nós somos a favor e a manutenção
03:34desse central.
03:35Por quê?
03:36A gente tem o prefeiteria que levar em consideração que nós moramos numa área que tem barreiras
03:41invisíveis.
03:42São crianças de determinado bairro que não podem acessar a Terra Vermelha ou Jabaité.
03:45E como se as crianças ficariam sem entendimento?
03:48As crianças do IAS que teve problema com criminalidade, como que serão atendidas lá dentro?
03:53Essa é uma pergunta que o prefeito não responde, a gente não pode consultar sobre isso.
03:56Aqui atende filhos de mulheres de vítimas de violência, aqui atende tudo aqui.
04:00Então, assim, teria que ter dois CAPES para poder manejar o tamanho de Vila Velha.
04:03E é uma sobrecarga terrível para os funcionários.
04:05Nós temos uma psiquiatra infantil para toda a Vila Velha e ele fala em aumentar 200% do atendimento,
04:11a não ser que a psiquiatra fique lá 24 horas.
04:14É verdade.
04:15Só para explicar essa questão das barreiras invisíveis que ela está falando, Edu, é
04:19questão relacionada mesmo ao tráfico.
04:21Muitas vezes moradores de uma região têm dificuldade para acessar outras regiões justamente
04:26por conta de rivalidades que envolvem ali esses grupos nos respectivos bairros.
04:32Explica para a gente agora em relação a essa mudança.
04:36Vocês conseguiram, junto com o Ministério Público, um prazo um pouco maior para que essa
04:40situação seja discutida e explicada ali ao Ministério Público.
04:44Seria no próximo dia 7, né?
04:47E aí, vocês vão ter uma reunião para falar sobre esse assunto, é isso?
04:49Sim, teve uma ação, uma medida cautelar, que impediu temporariamente que o CAPES saia daqui.
04:57Então, estão aguardando até o dia 7 para que a Defensoria e o Ministério Público ouçam
05:02as partes para poder ver o que vai ser decidido.
05:04Mas, simplesmente, nessa incerteza, o que acontece?
05:07Muitas crianças estão tendo surto e ficando doentes por causa da incerteza, porque a gente
05:11não sabe que hoje elas serão atendidas e se amanhã não serão.
05:15Então, assim, em Vila Velha falta CAPES.
05:17E as pessoas têm que entender, a sociedade tem que entender que o meu filho em surto, ele
05:21coloca em risco o filho da outra.
05:24É verdade, muito obrigado.
05:25Eu estou aqui também com a Graciela Araújo, ela também tem crianças que fazem esse,
05:31que precisam desse atendimento.
05:32Conta para a gente, você é de Cobilândia, vem para cá, situação ficaria mais complicada
05:36se essa mudança para Jabaité for confirmada.
05:39Ficaria.
05:40E a gente não está, a gente não está, como é que fala, indicando que eles vestem
05:45o CAPES de Jabaité.
05:46A gente quer que eles continuem o Jabaité, mas também que continuem a região 1, porque
05:51são muitas demandas de crianças, adolescentes, não tem?
05:54E o CAPES, a gente precisa muito do CAPES, porque os profissionais são muito carinhosos
05:59com nossos filhos, não tem?
06:00Porque os filhos da gente, tipo assim, eles são bem acolhidos aqui, entendeu?
06:06Então, tipo assim, e outra coisa, eles são acostumados com as pessoas.
06:09Então, a criança que é especial, ninguém entende.
06:12Se você pegar e pôr criança com outra pessoa, já é estranho.
06:18Então, eles já têm aquele vínculo, aquele amor com as pessoas, entendeu?
06:21E graças a Deus, aqui o pessoal cuida do nosso filho direitinho.
06:24E nós precisamos de terapia, a gente que tem filho especial, porque hoje em dia não
06:27é fácil, não tem?
06:28Eu faço terapia, não é fácil uma mãe cuidar de três crianças especial.
06:32Deus que me dá força, entendeu?
06:34Para seguir em frente.
06:35Então, nós estamos só reivindicando que eles abrem o CAPES, continuem o CAPES na região
06:391 e continuem já vai ter, porque há muitas crianças, muitas demandas que precisam,
06:43entendeu?
06:44Do CAPES.