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  • há 3 semanas
18 milhões de brasileiros sofrem com a ansiedade

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Transcrição
00:00Presta atenção, porque nos últimos dias a gente começou a reparar, a observar que vários famosos assumiram publicamente que sofrem
00:09com as crises de ansiedade.
00:12O ator João Guilherme, que é filho do cantor Leonardo, ele usou as redes sociais para fazer um grande desabafo
00:18com os fãs.
00:19João revelou que está tendo crises de ansiedade e decidiu que vai procurar um tratamento.
00:25Ele começou a fazer terapia porque os pensamentos de angústia, foi assim que ele disse, estavam surgindo, gente, com muita
00:33frequência.
00:33E isso segundo ele, tá?
00:36Outro também que assumiu foi o irmão do João Guilherme, o cantor Zé Felipe.
00:41Ele também enfrenta crises de ansiedade.
00:44Inclusive, olha só, uma dessas crises foi durante um show.
00:48Ele saiu do palco porque não estava se sentindo bem.
00:51Outra também que declarou publicamente o desafio de viver uma crise de ansiedade foi a Angélica.
00:59Tá vendo ela aí na tela?
01:00Então, o gatilho era por estresse, né?
01:03Por conta do trabalho.
01:05Ela contou que sentia palpitações, dava aquelas sensações de medo de algumas coisas.
01:11Ao sair, ficar sozinha também em alguns lugares.
01:15A Angélica disse que era incontrolável.
01:18Outra famosa, olha aí, gente, a digital influência, a Rafa Kalima, ela também admitiu que tem crises de ansiedade.
01:25E com o tempo, essas crises passaram a desencadear episódios de pânico.
01:31Por isso que a gente tá aqui chamando a sua atenção.
01:33A Rafa ainda disse, abre aspas, é um ato de muita coragem a gente conseguir encarar essa doença.
01:39Porque somos julgados, nem sei em que momento da vida isso foi colocado com tanto tabu e preconceito.
01:47Fecha aspas.
01:48A gente falou dos famosos, né?
01:50Mas entre famosos e anônimos, eu tenho certeza que você conhece alguém.
01:54Hoje, o Brasil tem 18 milhões de pessoas que sofrem com a ansiedade.
02:00A gente sabe, né?
02:01Que tentar equilibrar a vida pessoal, a vida profissional, as nossas rotinas diárias, isso faz com que a gente perca
02:10o equilíbrio.
02:10E quando adoece a cabeça, também adoece o corpo.
02:14E a gente vai falar sobre isso, vamos bater um papo sobre esse assunto.
02:18É necessário.
02:20Aqui a gente recebe a psicóloga Satina Pimenta.
02:23Muito obrigada, Satina, pela sua participação aqui com a gente.
02:27A gente que agradece.
02:30E também a Paula Vieira.
02:32Paula, muito obrigada também por vir aqui compartilhar um pouquinho da sua vida com a gente.
02:38Conta em que momento que você começou a perceber que tinha algo estranho.
02:45Eu sempre fui uma pessoa muito ansiosa.
02:47Isso que a maioria das pessoas falam, não é?
02:49Mas após o parto da minha filha.
02:52Eu tive um parto de 30 semanas, um parto prematuro.
02:55E o médico falou que seriam dois meses, pelo menos, dela não tinha.
03:01Dali, eu já não consegui lidar mais com a situação.
03:04Aí eu comecei a ter as crises que foram não só no psicológico, foi para o físico.
03:09A falta de ar, a fadiga, a sensação de pânico.
03:12Para mim, a todo momento, qualquer momento, eu receberia uma ligação ruim.
03:16Independente dela estar bem.
03:18Para mim, em qualquer momento, o telefone ia tocar e eu ia perder a minha filha.
03:22Esses foram os sintomas que começaram a...
03:25Começaram ali.
03:26Começaram ali.
03:27Mas, de lá para cá, eu tenho crises...
03:30Não vou dizer sempre, mas às vezes vem da mesma forma.
03:35Com a sensação de fadiga, de falta de ar, de palpitação, de que eu vou receber uma ligação ruim de
03:40alguma coisa.
03:42Que pode acontecer o pior a qualquer momento.
03:44E eu estou fazendo o tratamento agora.
03:47Sátina, muito interessante a fala que ela trouxe logo no início, né?
03:50Que ela disse assim, eu sempre fui uma pessoa ansiosa.
03:53A gente sabe que a ansiedade é comum, faz parte do ser humano.
03:57Mas, em que momento, como é que a gente diferencia que é uma ansiedade gostosa,
04:02que cria uma expectativa para determinada situação ou evento que vai acontecer na vida ou não?
04:08Isso já começa a trazer um sinal de alerta.
04:11Maravilha.
04:12Então, acho que a primeira fala é a mais importante.
04:14A ansiedade é algo comum.
04:16Ela faz parte da gente e a gente precisa tê-la.
04:19O que é a ansiedade?
04:20A ansiedade é aquele sentimento de angústia ou de desconforto ao pensar sobre algo que pode vir a acontecer.
04:30Ela é futura.
04:31Diferente do medo que é daqui a agora.
04:33Quando que isso é um problema para a gente?
04:36Tudo que é demais na vida é ruim.
04:40Amar demais, tudo que é demais é ruim.
04:42A ansiedade também é ruim.
04:44Quando é que ela se torna algo que a gente precisa tomar conta?
04:48Quando ela ultrapassa o limite daquele desconforto para um medo.
04:55medo, um pavor, um pânico de algo, certo?
05:00Então, por exemplo, eu tenho...
05:03Vou pegar o exemplo dela.
05:05Eu estou com a minha filha Naltin e aí eu preciso de informações sobre ela,
05:10mas todas as vezes eu acho que vai vir uma informação ruim.
05:13E por causa disso eu não saio do lado do telefone de jeito nenhum.
05:16Eu não como, eu não durmo, porque se acontecer alguma coisa eu vou estar do lado desse telefone.
05:22Entende?
05:23Então, a gente tem algo...
05:24Paralisa.
05:25Isso.
05:26Aí a gente tem algo que modifica o nosso cotidiano, a nossa rotina, a nossa forma de viver e que
05:34nos atrapalha.
05:35Nos tira liberdade.
05:37Eu acho que essa é a palavra mais sensata para dizer aqui.
05:40Ela, de alguma forma, tira a nossa liberdade de agir, de pensar e de ser.
05:46Então, a ansiedade, ela vai ser muito ruim neste ponto, que é ultrapassar.
05:51E Paula, você chegou a perceber isso em você, que isso estava te paralisando?
05:57A determinada situação você não fazia, algo que estava programado, opa, do nada, não, estou com medo.
06:03O que que acontecia?
06:04Sim, eu não soube identificar ali, ah, isso é uma crise de ansiedade.
06:09Na hora que deu ali, na hora eu não soube.
06:11Depois eu fui analisar que realmente eu precisava de um acompanhamento e um tratamento.
06:16E o médico chegou a falar, se você não tratar essa ansiedade, você vai desenvolver síndrome do pânico.
06:22Eu não conseguia ficar em casa sozinha.
06:25É o que ela falou, para mim o telefone ia tocar a qualquer momento e seria sinal de que eu
06:30perderia minha filha.
06:31E nesse período que eu tive minha filha no hospital, devido a essas crises, eu também fui parar na UTI.
06:36Porque a minha pressão desestabilizou, não consegui estabilizar e eu também fui parar na UTI, devido a uma crise muito
06:43forte que me deu.
06:45Aí eu fiquei, minha filha em um hospital e eu em outro, com uma crise forte.
06:49O corpo responde?
06:50Responde.
06:51E aí você viu que você precisava sim de um tratamento?
06:53Sim, precisava sim de um tratamento mais rigoroso, com medicação, que eu fiz um tratamento com medicação por um tempo,
07:00para eu conseguir lidar com aquilo tudo.
07:01Mesmo minha filha em casa, para mim ainda iria acontecer o pior.
07:05Mesmo com ela em casa?
07:06Mesmo com ela em casa, eu não conseguia me tranquilizar.
07:09Isso mostra que você estava precisando mesmo de ajuda?
07:11Sim, era um pânico que me dava.
07:13Eu olhava para ela e eu achava, vai acontecer alguma coisa.
07:16Vamos fazer o seguinte, vamos convidar a psiquiatra, a doutora Letícia Mameri, para ela participar aqui com a gente,
07:21que ela vai explicar, né?
07:23Ela está aqui contando, doutora, primeiramente, boa tarde, seja bem-vinda mais uma vez ao Fale Espírito Santo.
07:28Ela está aqui contando que precisou de ajuda.
07:30O que a pessoa pode fazer durante uma crise de ansiedade?
07:34Como que ela busca essa ajuda?
07:37Boa tarde, gente.
07:39Boa tarde, Albertinho.
07:40Muito obrigada.
07:41Boa tarde aos telespectadores, as colegas que estão aí com você, né, Roberto?
07:49Então, durante a crise, é muito complicado, porque quando a crise começa, poucas coisas a gente consegue fazer para reverter,
08:02que não seja medicação, né?
08:04A gente tem algumas técnicas de respiração, que ajudam e aí a terapia, ela consegue ajudar as pessoas a lidarem
08:17nesse momento de crise, né?
08:19O que fazer.
08:20E nós temos algumas medicações que a gente utiliza nesses casos, quando as crises começam.
08:29O ideal é que a gente faça o tratamento do transtorno ansioso, né?
08:36Que quando a ansiedade, ela vira doença, a gente já está falando de um transtorno.
08:40Então, o ideal é que a gente faça o tratamento para que essas crises não aconteçam.
08:47Então, no início, pode ser que eventualmente ainda tenha uma crise ou outra, e aí vai ser usado essas medicações
08:55que eu citei, que a gente usa em caso de crise.
08:59E devagar, essas crises vão parando de acontecer, é porque a gente está fazendo um tratamento.
09:05Eu falo que, assim, de forma bem simplista, tá, gente?
09:09Que uma crise de ansiedade é meio que um curto circuito que o cérebro dá.
09:14Então, a gente precisa, quando a gente já tem a doença instalada, a gente precisa, muitas vezes, de medicações para
09:22ajudar a reverter esse curto circuito
09:24e fazer com que o cérebro, ele produza os neurotransmissores necessários da forma correta e, além da medicação, fazer uma
09:37série de outras coisas
09:39para ajudar o corpo a controlar esse curto circuito, terapia, atividade física, uma alimentação adequada, um hobby, ter uma rede
09:49de apoio, ter um trabalho que te dá satisfação, né?
09:53E por aí vai.
09:54Agora, uma dúvida é, quem tem alguém na família que está passando por esse momento, a gente fica naquela dúvida.
10:01Como que a gente pode ajudar? O que atrapalha e o que ajuda, doutora?
10:06Acho que o que mais atrapalha é o estigma, né? O preconceito.
10:12É você achar que aquela pessoa que está tendo a crise, ela consegue não ter.
10:19Gente, a sensação é péssima.
10:21Quem já teve, sabe como é e, com certeza absoluta, ninguém quer passar por isso.
10:28Então, pode ter certeza que se a pessoa conseguisse controlar as crises, ela não teria.
10:36Então, muitas vezes, as pessoas não contam e não pedem ajuda por medo desses mitos, desses preconceitos.
10:47E muitas pessoas se questionam, nossa, mas eu tenho de tudo, minha vida está boa.
10:52Igual você citou, né? No início, os artistas, a gente pode pensar, nossa, mas eles têm tudo, eles têm dinheiro,
10:59eles têm fama, eles têm tudo.
11:01Por quê? Gente, não tem nada a ver uma coisa com a outra.
11:05É uma doença.
11:07Assim como o artista tem problema de coração, de tireoide, na pele, no estômago, com qualquer outro ser humano,
11:14eles vão ter problema também no cérebro.
11:17O cérebro é um órgão como qualquer outro órgão.
11:20Então, o que a gente pode fazer para ajudar, a primeira coisa é não atrapalhar.
11:26E não atrapalha quem tenta entender.
11:32E acho que isso, Roberto, é o primeiro grande ponto, né?
11:37Eu tentar entender que aquilo ali realmente é uma doença, que aquela pessoa precisa de tratamento médico,
11:45assim como ela precisaria de tratamento médico para qualquer outro problema de saúde, né?
11:51Por que as outras partes do corpo podem adoecer e o cérebro não pode adoecer?
11:56Doutora, continuou com a gente?
11:58Já, já eu quero te fazer mais uma pergunta, mas eu só quero repercutir essa ajuda que a família precisa
12:04oferecer aqui no estúdio.
12:06Só um minutinho, doutora Letícia.
12:07Tá bem.
12:08Sátina, vamos lá, vamos pensar no caso aqui da Paula, que estava passando por essa fase.
12:14Aí, às vezes, a mãe fala, não, vamos sair, abre a janela, abre a cortina, vamos para a pracinha, vamos
12:18caminhar, vamos fazer aquilo.
12:20Nessas horas, essas atitudes da família, por mais que, ah, não, eu sei que ela está passando por essa fase
12:26difícil,
12:27isso pode ajudar ou pode atrapalhar?
12:31Então, depende, né?
12:32É, eu acho que o que a gente não pode fazer, e aí foi o que a doutora falou de
12:37forma muito bacana,
12:39é fingir que aquilo ali não está acontecendo.
12:41Então, eu acho que a melhor coisa que a gente precisa fazer é, vem aqui, conversa comigo.
12:46Como é que eu posso te ajudar?
12:48Me diz o que você está sentindo.
12:50Você acha que eu fazendo o que eu posso ficar do seu lado e a gente conseguir passar por isso
12:54junto?
12:55Esse junto é sensacional, né?
12:57Ele é o mais necessário de todos.
12:59Porque quando a gente está com a crise de ansiedade, eu falo, gente, porque eu também já tive,
13:03porque eu sou também deste mundo bagunçado, né?
13:06Não é fato de eu ser psicóloga que isso não pode me afetar.
13:09Quando a gente está nesse momento, tudo que a gente quer é que o nosso corpo pare de sentir aquilo
13:14tudo,
13:15que a nossa cabeça diminua aquele frenesi e que as coisas fiquem calmas.
13:22Então, se a gente agita, abre a janela, vamos lá comigo, vamos embora, eu, hein?
13:26Deixa de besteira.
13:29Não.
13:30O que eu quero é ficar aqui, realmente, e eu quero que isso passe.
13:33Quando passar, eu vou andar com você na praia, eu vou admirar o sol, eu vou fazer tudo.
13:38Mas eu preciso que primeiro passe.
13:41E é o acolhimento, é o carinho, é a atenção, é o estar junto que vai fazer com que isso
13:47aconteça.
13:48Você teve esse tipo de apoio, Paula?
13:50Eu tive, mas em partes, meu marido, ele me entendia.
13:57Só quem não passa por isso, não sabe o que é.
14:00Não é simplesmente, olha, o dia está bonito, vamos sair.
14:03Você não sente vontade, você não quer sair.
14:06E ainda assim, você ia ou não?
14:08Ia, mas a minha cabeça não ficava bem.
14:12Não ficava bem.
14:13Aí eu passei a guardar, eu passei a não contar.
14:16O que eu passava ali na Altinha, as angústias, o medo.
14:20Em um desses momentos, eu tive uma crise que eu fui novamente para ir no hospital.
14:23A minha pressão não estabilizava, medicação nenhuma.
14:26Até que o médico falou, eu falei, doutor, me dá um calmante.
14:30Aí ele me deu um calmante forte, que pra mim eu apaguei.
14:33Meu marido falou, não, você não apagou, por que você não dormiu?
14:36Eu falei, eu dormi.
14:36Ele, não, você não dormiu.
14:37Você ficou falando o tempo todo, tudo que estava acontecendo com a nossa filha na Altinha.
14:42Mesmo depois de ser medicada?
14:44A medicação me fez jogar pra fora.
14:46O que eu não falei pra ele, que eu guardei, a medicação me fez jogar pra fora.
14:50Só que pra mim eu estava dormindo, mas eu não estava.
14:52Eu estava naquele momento sob a medicação, mas jogando pra fora tudo aquilo que estava me fazendo sentir mal.
14:58Deixa eu voltar a falar com a doutora Letícia, porque a gente fica se perguntando, né?
15:01Até quanto tempo pode durar uma crise?
15:03Tem algum estudo que fale sobre isso, doutora?
15:09Normalmente as crises, elas não são longas, tá?
15:13A questão é que a angústia e o sofrimento são tão impactantes pra quem sente,
15:18que a sensação é que a crise, ela é interminável.
15:22E muitas vezes, essas crises, elas dão uma sensação de morte, né?
15:29Uma sensação muito ruim.
15:31Então, a pessoa tem a certeza de que ela está morrendo,
15:37que está acontecendo alguma coisa ali muito complicada.
15:42Então, às vezes, é uma coisa que...
15:47Travou a nossa conexão com a doutora Letícia, mas olha aqui.
15:50No nosso Facebook, o que tem de telespectador desabafando sobre esse assunto,
15:57a Luana Assunção fala, Roberta, boa tarde, eu tenho crise de ansiedade há três anos
16:01e já parei no hospital por perder todo o movimento do corpo.
16:08Sátina, três anos a pessoa convivendo com isso.
16:11É claro que não são três anos, né?
16:13Não são 365 dias vezes três seguidos.
16:16A gente está falando de períodos que a pessoa tem crise.
16:19Pessoas que enfrentam dessa forma o transtorno,
16:23que tipo de ajuda que elas precisam?
16:25É, medicamentoso e terapêutico.
16:28Medicamentoso por quê?
16:29Porque a gente precisa estabilizar o corpo para a mente conseguir pensar
16:34o que é que gera a ansiedade.
16:37Porque a gente não tem ansiedade com tudo.
16:39A gente tem os gatilhos que levam àquela crise.
16:43Então, desculpa novamente, mas no caso a questão da UTIM,
16:46que pode também se transformar em outras coisas depois.
16:50Mas, normalmente, a gente tem um gatilho.
16:51E aí, com o medicamento, a terapia.
16:54Porque é na terapia, junto com o psicólogo,
16:56que a gente vai conseguir entender quais são os movimentos
16:59que me levam a ter aquela ansiedade exacerbada.
17:03E aí, eu posso trabalhar a lógica da luta e da fuga.
17:07Ou eu vou lutar contra aquele objeto, situação,
17:10o que está ali e me gera ansiedade,
17:13ou eu vou fugir dela.
17:14Então, eu tenho ansiedade quando eu vou me apresentar
17:19aqui no Fala Espírito Santo.
17:21Quando você me ligar, eu vou falar,
17:23não, Roberta, eu não vou não, obrigada.
17:25Porque eu já sei que aquilo dali vai me gerar
17:27a angústia, a ansiedade.
17:30Vai ser para sempre?
17:31Não.
17:31Na terapia, eu posso trabalhar sobre isso.
17:34Ah, não, mas eu quero, né, estar ali,
17:36eu quero estar junto com a Roberta naquele momento.
17:39Como é que eu posso trabalhar isso?
17:40Aí, na terapia, a gente vai trabalhando devagarzinho
17:43para tentar entender esses gatilhos,
17:45lutar contra esses gatilhos
17:46para que eu possa estar aqui.
17:49Então, é medicamento e terapia.
17:52Só que, às vezes, eu sei, a gente sabe
17:54que as pessoas demoram também a assumir isso.
17:59A falar, não, eu preciso de ajuda.
18:01Você demorou?
18:02Não.
18:04Eu não demorei, porque se eu não tratasse,
18:07o cardiologista me falou isso,
18:09você não tratar, você vai desenvolver síndrome do pânico.
18:12E vai ser bem pior para você.
18:13Então, eu tive que procurar ajuda quase que imediato.
18:16Porque você também já chegou num ponto
18:18que já estava nesse sinal de alerta, né?
18:20Sim, já estava no estado de alerta
18:22que eu não estava conseguindo viver.
18:23Eu não estava vivendo.
18:24Eu precisava, eu gritei por socorro.
18:27Deixa eu voltar a falar com a doutora Letícia
18:29para saber se tem muitos casos
18:30que as pessoas demoram a aceitar essa ajuda,
18:34a aceitar que ela está enfrentando
18:37uma crise de ansiedade, doutora.
18:41Demora muito.
18:42Só você pensar, Betta,
18:44que a gente tem cerca de 82% a 85% das pessoas
18:48no nosso país com transtorno ansioso, né?
18:52Inclusive as crianças.
18:53Então, é um percentual muito alto.
18:56E não são todas essas pessoas que procuram ajuda.
19:01Agora, uma coisa interessante,
19:04que foi até colocada, a questão assim,
19:07se você não tentar evoluir para tal coisa, né?
19:12Na verdade, assim, não é exatamente dessa forma,
19:15mas não deixa de ser,
19:17porque as doenças psiquiátricas,
19:19a gente já sabe hoje, elas cronificam.
19:22Igual quando a gente tem uma pressão alta,
19:24se você não tratar o coração de lata,
19:27e aí você cria uma outra doença muito pior,
19:31às vezes até irreversível,
19:34os transtornos psiquiátricos também.
19:36Então, muitas pessoas não procuram ajuda,
19:40porque elas ficam esperando,
19:41vai passar, não, eu acho que vai passar,
19:43não, eu não quero tomar remédia.
19:45Aí vem uma série de outros mitos e preconceitos
19:48em relação às medicações.
19:50Tem medicações muito mais seguras,
19:53psiquiátricas, do que a tipirona, por exemplo,
19:56que é proibida nos Estados Unidos.
19:58Nos Estados Unidos, não se usa tipirona,
19:59é que a gente usa tipirona para tudo.
20:02Então, tem muitos mitos envolvidos
20:05que fazem com que as pessoas demorem a procurar ajuda.
20:09E aí, quando procura, muitas vezes,
20:11a gente precisa usar uma dose maior de medicação,
20:14às vezes a medicação não faz efeito,
20:16como deveria fazer,
20:18porque a gente já está pegando uma pessoa
20:21para tratar que já está com o quadro bem mais avançado.
20:25Isso, sem contar o sofrimento pessoal
20:29e as perdas que já podem ter acontecido.
20:32Tem muita gente que perde o emprego
20:35porque está doente
20:37e não está conseguindo performar,
20:39não está conseguindo produzir,
20:40não está conseguindo fazer as coisas.
20:41Mas, ao invés de se reconhecer doente,
20:44ele deixa genuamente porque fala que se ele for,
20:46ele vai perder o emprego.
20:48Mas aí, ele perde o emprego porque ele não foi.
20:50se tratar.
20:52Vai virando uma bola de neve, né, doutora?
20:55E vai virando uma bola de neve.
20:56Exatamente, uma bola de neve.
20:58Tá certo.
20:59Doutora, muito obrigada pela sua participação,
21:01a sua contribuição com esse assunto muito importante.
21:04Um abraço para você.
21:05Eu quero agradecer.
21:06Um beijo, tchauzinho.
21:09Sátira, para a gente encerrar,
21:11à medida que a pessoa vai pensando,
21:13não, mas isso vai passar, isso vai passar.
21:15São noites de sono em claro?
21:17Sim.
21:18Passou muita noite em sono?
21:19Muitas.
21:20Acordada?
21:20Não consegui dormir, só a base de remédio.
21:22Só a base, e olhe lá, né?
21:23E olhe lá.
21:24E isso vai trazendo cada vez mais consequências
21:26para a vida dessa pessoa, né?
21:28Uma noite de sono perdida,
21:30imagina isso acumulado.
21:32Então, aí você trouxe uma noite de sono
21:34e a gente está pensando em indivíduo.
21:35Mas pensa nesse indivíduo e suas redes.
21:38Seu relacionamento, afetivo amoroso,
21:41seus filhos, seu trabalho.
21:43Meu trabalho, afeta tudo na vida.
21:46É algo que vai generalizar ali.
21:49E aí, olha que interessante.
21:51Eu tenho uma ansiedade relacionada a X coisa.
21:54Não cuido dessa ansiedade.
21:56Essa ansiedade, ela aumenta.
21:58Eu afeto o meu relacionamento amoroso.
22:00Eu tenho mais um problema.
22:01Eu afeto os meus filhos.
22:02Tenho mais um problema.
22:03Além da ansiedade, hein?
22:05Mais um problema.
22:05Eu perco o meu emprego.
22:07Mais um problema.
22:08Entende?
22:10Então, a gente acaba gerando uma rede.
22:12Fato é, gente, saúde mental é algo muito importante.
22:15Para de achar que só o joelho que machucou,
22:17que é importante, a gente tem que ir no médico.
22:19Isso é preconceito.
22:20Se você não cuidar da sua saúde mental,
22:22o seu corpo vai falar e você vai ficar pior.
22:24No corpo, na mente e nas suas relações.
22:27Tá certo, Sátina.
22:28Obrigada pela sua participação.
22:29Paula, tá melhor?
22:31Melhor.
22:32Melhor.
22:32Um dia de cada vez.
22:34Sim, exatamente.
22:35Um dia de cada vez.
22:36Um dia de cada vez.

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