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  • há 3 semanas
Segundo a Organização Mundial da Saúde 15,7% da população idosa é submetida a algum tipo de violência.

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Transcrição
00:00Na fase da vida que a gente mais precisa ser cuidado, protegido, não é fácil, né?
00:08Ter que enfrentar toda essa violência, ficam marcas profundas nesses idosos.
00:13E é esse assunto de agora aqui no Fala Espírito Santo.
00:16Participa com a gente porque aqui no nosso estúdio eu recebo a psicóloga Daniela Sampaio.
00:21Dani, obrigada pela sua participação, uma boa tarde, viu?
00:24E a gente também recebe a Nilzete Beggen, que vai contar uma história muito triste que a avó dela já
00:31passou, né, Nilzete?
00:32Boa tarde, obrigada pela sua presença, fique à vontade, seja bem-vinda, viu?
00:38O que aconteceu com a sua avó?
00:39A minha avó, ela sofreu um derrame, né?
00:43E aí ela tinha muita dificuldade de se alimentar e ela ficava com a filha dela na própria casa dela.
00:50E aí a filha dela começou a fazer vários tipos de agressões, na hora da alimentação, na hora do banho,
00:58com palavras.
01:01E a gente não sabia muito, né?
01:04Quando a gente ia visitar ela, a gente só via ela chorando e ela não conseguia relatar de fato o
01:09que estava acontecendo com ela.
01:11E a gente via alguns hematomas, assim, no corpo dela e ela dizia que era por conta que ela esbarrou
01:18em algum lugar.
01:18E aí a gente percebeu com o tempo, com os vizinhos comentando, de que ela estava ficando muito sozinha, que
01:26estava ficando muito tempo sem se alimentar,
01:29devido à dificuldade que ela tinha de não mais caminhar, de não mais se locomover.
01:34E ela, então, ela tentava, assim, ela também foi cometida de um derrame, ela tinha dificuldade também de se alimentar.
01:42Então, o alimento que era preparado para ela não era adequado.
01:46E a própria filha dela obrigava ela a comer esse tipo de alimento, mesmo com dificuldade, assim, de uma forma
01:54agressiva, né?
01:58E chegou ao ponto, então, da vizinhança saber disso.
02:02De todos, de todos, todo mundo saber, inclusive os vizinhos, né?
02:06Falaram por que que tal pessoa, assim, não pega para cuidar.
02:10Mas aí, igual você está relatando, né?
02:14A questão financeira, que às vezes o idoso, ele tem uma certa condição financeira melhor.
02:21Então, às vezes, algum da família prefere ficar para desfrutar mais do bem-estar, do dinheiro do idoso,
02:28dizendo, entre aspas, que está cuidando.
02:31Mas, na verdade, não estão, né?
02:33Na verdade, estão maltratando, né?
02:36E a gente sabe que isso, infelizmente, é uma realidade, né, Dani?
02:41Obrigada pela sua participação. Boa tarde.
02:43Obrigada a você, Roberta. Boa tarde.
02:45Interessante o que você traz, principalmente por conta dos sinais, né?
02:49Eles são difíceis mesmo, né?
02:51Primeiro porque a gente não quer acreditar, visto que está vindo de um familiar.
02:55Eu imagino que as pessoas dessa história que você conta, a gente não quer acreditar mesmo, né?
03:01E esses sinais são importantes, né, Roberta?
03:03Assim, para a sociedade como um todo, para que a gente tenha, de fato, atenção.
03:07Porque eles são muito sutis.
03:09São sinais que a gente acredita, a gente quer acreditar que realmente possa ter esbarrado,
03:14que ela não quer comer porque não quer.
03:16Mas, de fato, a gente precisa estar atento a isso, enquanto familiar, enquanto sociedade.
03:21Nós somos uma sociedade que está envelhecendo, né?
03:23Há pouco tempo, as pesquisas mostravam que a gente era conhecido como o país dos jovens,
03:27mas esses jovens envelheceram, que bom, né?
03:30Que bom que envelheceu.
03:31E se a gente tiver sorte, a gente também vai chegar lá.
03:33Mas que a gente fique atento a esses sinais, sabe?
03:35O idoso que, às vezes, gostava de participar de almoço de família e agora não quer ir mais.
03:40Aquele idoso que conversava mais e está ficando mais quieto.
03:43Que a gente perceba, e se for necessário, que a gente peque pelo excesso.
03:47Então, se ele não está falando, mas ainda assim tem mais pessoas que estão percebendo essa mudança nesse idoso,
03:53que a gente tente retirar ele dessa situação para que não chegue a um caso ainda pior.
03:57A sua avó, em algum momento, chegou a assumir, a conseguir relatar isso para vocês?
04:02Ou ela tentava fingir que estava tudo bem?
04:06Ela sempre chorava, assim, ela também tinha muita dificuldade na fala.
04:11E ela mostrava, assim, no olhar, a insatisfação.
04:17Mas, assim, a gente sabia, a gente percebia pela tristeza dela.
04:23E a gente acha, assim, que os nossos idosos, nossos pais, nossos avós,
04:29eles têm que ser tratados com muito carinho, com muito amor, porque eles cuidaram da gente, né?
04:34E se Deus quiser também, com a fala dela, nós vamos chegar lá, né?
04:40E nós vamos também depender que as pessoas, que nossos filhos, nossos netos cuidem da gente.
04:45Que a gente consiga, né? Concluir o ciclo da vida e de forma digna.
04:50E olha só, nós pedimos para a Secretaria de Segurança Pública o número de violência contra idosos aqui no Estado.
04:56No ano passado, foram registradas 1.797 ocorrências envolvendo lesão corporal, maus tratos,
05:05crimes contra o estatuto e também outras ocorrências.
05:09Em 2022, foram 1.689 ocorrências.
05:13E em 2023, tá? Olha aí, presta atenção.
05:18Já foram registradas 286 ocorrências até o momento, viu?
05:25E a gente vai conversar agora pela internet com a delegada Milena Girelli,
05:30que é responsável pela Delegacia do Idoso.
05:33Doutora, obrigada pela sua participação.
05:35Uma boa tarde.
05:36Em quais situações, né? Como que esses idosos chegam à delegacia?
05:41E por que é tão difícil para ele denunciar? Boa tarde.
05:47Oi, boa tarde, Roberta.
05:49Obrigada pelo carinho do convite.
05:51Eu acho muito importante a divulgação de vocês nesses casos.
05:55Porque, como dito anteriormente, as pessoas que machucam são as pessoas que mais te amam, né?
06:02Por isso que é muito difícil as denúncias.
06:06Por isso que é tão difícil, às vezes, em delegacia, os pais, né?
06:09Os idosos acabam mudando a versão dos fatos para proteger o seu agressor.
06:15E eles chegam bem fragilizados, doutora?
06:19Bastante.
06:20As pessoas que conseguem, né, denunciar.
06:23É, a verdade é que muitas vezes, nas denúncias, elas não vêm do próprio idoso.
06:27Vêm de terceiros, né?
06:29Por isso que eu acho tão importante as pessoas estarem mais atentas com as pessoas idosas.
06:36É o vizinho, é um amigo, de uma forma geral, até mesmo outros profissionais, né, que atendem esse idoso,
06:46para ver realmente essa mudança de temperamento, de atitudes que acontecem muito.
06:51Porque dificilmente o idoso vem à delegacia.
06:55Em várias casas, a gente não está sendo assim.
06:57Você trouxe uma informação que nos chamou a atenção, doutora.
07:01Que quando eles chegam até a delegacia, seja por uma denúncia de algum vizinho,
07:07ou nos casos raros, né, que eles vão por vontade própria, eles mudam a versão.
07:15Ou seja, eles preferem mentir nessas horas para proteger quem essas pessoas amam, né?
07:21E aí eu quero até trazer isso para a Dani.
07:23Olha só o que o amor nessas horas acaba falando mais alto,
07:27mesmo que ele não sinta essa reciprocidade, né, Dani?
07:32Eu acho que essa é a parte mais triste, sabe, Roberta?
07:34Porque quando eu trabalhei, né, com pessoa idosa, é muito comum realmente a gente perceber isso.
07:39Porque eles não querem assumir para eles mesmos, assim, né,
07:42que ele sofreu essa violência de uma pessoa que ele entregou tanto amor
07:45e que, naturalmente, a gente espera receber isso de volta.
07:48Mas olha que interessante.
07:49Eu já atendi um caso que o filho falou assim,
07:53eu sei que eu estou passando dos limites,
07:56eu sei que eu estou sem paciência, mas eu não sei o que fazer.
07:59Eu não tenho paciência, não tenho.
08:01E eu sei que eu não estou dizendo que eu estou certo.
08:03Ele falava assim para mim, eu não estou dizendo que eu estou certo.
08:05Mas eu não tenho paciência.
08:06Eu chego lá, eu tenho que fazer tudo, eu tenho que colocar tudo na mão.
08:08Eu trabalhei o dia inteiro, cheguei cansado.
08:11Visto isso, Roberta, o que a gente pode fazer?
08:13Criar estratégias.
08:14Pelo menos, assim, a prefeitura, ela tem programa, sabe,
08:18para o idoso ficar lá e, enfim, estar com outras pessoas idosas.
08:22Tem vários programas, pelo menos aqui, que funcionam muito bem.
08:25Imagino que em outros lugares devam ter também.
08:26A gente já até divulgou o SAD e o SEAD,
08:28que é para justamente não deixar fragilizar a estrutura que dá apoio
08:34à família que está ali cuidando do idoso.
08:38A gente já falou sobre isso aqui no programa.
08:39Isso, exatamente.
08:40E tem serviço de convivência, sabe, que tem natação,
08:43que tem, enfim, tem piscina, tem hidroginástica,
08:45para que esse idoso também possa estar com os pares, né,
08:48para que ele possa conversar com as pessoas que têm assunto parecido com o deles.
08:51Porque, veja bem, ele chega em casa, o neto, o filho está falando sobre rede social,
08:54ele não sabe conversar sobre isso.
08:56E aí ele fica fora e aí, por vezes, o filho fala,
08:58não fala nada não, que você não sabe sobre isso mesmo.
09:00E aí isso é uma violência psicológica também, né?
09:03Então, a gente tem que ter atenção a isso.
09:05Se você reconhece que realmente você é essa pessoa que não tem essa paciência,
09:09é claro que paciência é um exercício, a gente consegue exercitar e melhorar.
09:12Mas, se ainda assim, procure outra estratégia,
09:14não deixe esse idoso em casa o dia todo, não.
09:16E olha só, nós mostramos, na semana passada,
09:20o caso de uma outra mãe, também idosa,
09:23que apanhou do filho por causa de dinheiro.
09:26Foi a terceira vez que ela denunciou o jovem,
09:28de 28 anos, para a polícia.
09:31Ela já tinha uma medida protetiva contra ele,
09:34por violência doméstica,
09:35e, infelizmente, aconteceu de novo.
09:39O rapaz é usuário de drogas,
09:41já vendeu tudo que a mãe tinha em casa, gente.
09:43Vendeu os móveis,
09:45vendeu eletrodomésticos.
09:46A idosa disse para a nossa reportagem
09:48que já não sabe mais o que fazer
09:51para se proteger
09:52das agressões do filho.
09:55E a gente recebeu aqui,
09:58de uma telespectadora,
09:59um relato muito triste.
10:01Acabei de receber a história dela.
10:03Ela diz que quer falar
10:04sobre essa mãe que foi machucada
10:06por dentro e por fora do filho.
10:08Ela tem 62 anos,
10:10tem dois filhos,
10:12um é alcoólatra
10:13e o outro é usuário também,
10:15acredito, de drogas, é isso mesmo.
10:17E ela disse que ele a maltrata,
10:21que ele a machuca verbalmente,
10:23fisicamente,
10:24inclusive já fez vários boletins
10:26de ocorrência contra ele.
10:29Já procurou ajuda para a internação
10:32e ninguém ajuda.
10:33Ela até está pedindo ajuda
10:35dessa delegacia.
10:37Então, diante desses casos,
10:39doutora, explica para a gente
10:40como é que funciona
10:41a medida protetiva para idoso.
10:45Roberta, eu quero até esclarecer também
10:48que hoje a delegacia,
10:50a gente atende aqui a grande vitória.
10:52E hoje, além do âmbito jurídico,
10:55nós temos assistente social.
10:56Então, muitas vezes,
10:58são casos sociais
10:59que a gente verifica, por exemplo,
11:01como dito anteriormente.
11:03Os pais, muitas vezes,
11:04não querem que o agressor,
11:06que é o filho, é o neto,
11:08seja preso
11:08e relata para a gente
11:09essas situações de droga,
11:11de uso abusivo de álcool também,
11:13que provoca as agressões.
11:15Então, a gente também,
11:16além, lógico,
11:17se cometeu o crime,
11:18a pessoa vai responder
11:19pelo crime que cometeu.
11:20Mas, muitas vezes,
11:21não é só isso que a família quer.
11:24Ela quer que essa pessoa
11:25se recupere.
11:26Então, hoje,
11:27a gente tem esse trabalho
11:28de assistência social
11:29junto com outras instituições
11:31para a gente estar realmente
11:32resolvendo esse problema familiar.
11:35E, muitas vezes,
11:36não adianta nada
11:36indiciar o agressor,
11:38ele ser detido,
11:40mas ele vai sair,
11:41muitas vezes,
11:42não parou de usar droga
11:45ou álcool
11:45e vai continuar a agressão.
11:47Então, assim,
11:48hoje, a gente também
11:48está indo para esse caminho
11:50de tentar ajudar
11:51a família como um todo.
11:52Igual a psicóloga falou,
11:55a verdade é que, às vezes,
11:57a família não está preparada
11:58para cuidar do idoso.
12:00Então, tem uma sobrecarga
12:01e a gente tem que estar
12:02atento também para isso,
12:04para verificar, muitas vezes,
12:05que a situação
12:06que, no primeiro momento,
12:07a gente enxerga como um crime
12:09pode ser mesmo
12:10falta de informação
12:11que precisa ser olhado
12:12com um certo carinho,
12:13com um certo cuidado,
12:14para a gente realmente
12:15resolver a vida do idoso
12:17e da sua família também,
12:18porque a gente não quer
12:19que o idoso
12:20saia do âmbito familiar também,
12:22que é muito prejudicial para ele.
12:24E o que é orientado, doutor?
12:26O que é indicado
12:26nesses casos
12:27e que está sendo recorrente?
12:29Igual esse relato
12:30que a gente acabou
12:31de receber ao vivo
12:32aqui no programa,
12:33que essa mãe também
12:34já procurou ajuda
12:35da delegacia
12:36e, ainda assim,
12:37o filho parte para cima dela.
12:38O que é orientado
12:39nesses casos?
12:41Aí a gente vai ver
12:42caso a caso
12:43se esse filho
12:43é usuário de droga,
12:44de álcool.
12:45Nesses casos,
12:46a gente vai estar
12:48mandando
12:49para o Ministério Público
12:50um pedido de internação também
12:52para a gente tentar
12:53realmente resolver
12:55a saúde
12:56desse cidadão
12:58que também está doente, né?
13:00Então, a gente tem que lembrar
13:01também que tem essa situação.
13:03É uma pessoa doente, né?
13:04É usuária de droga,
13:06é usuário de álcool.
13:07Então,
13:07é tentar a internação.
13:09E, doutora,
13:10a gente sabe...
13:10Pode concluir, perdão.
13:14Mas as coisas não são rápidas.
13:16Por isso que eu preciso
13:16tanto que venham
13:18à delegacia,
13:19que tenham testemunhas,
13:20porque, muitas vezes,
13:21o meu idoso,
13:22a minha vítima,
13:23ela vai se calar.
13:24Se eu não tiver testemunhas,
13:26se eu não tiver os vizinhos
13:28ou outras pessoas
13:28que acompanhem esse idoso,
13:31que venham à delegacia,
13:33mesmo que seja anonimamente,
13:35para a gente ter mais informações,
13:38a minha vítima,
13:39ela vai se calar na delegacia.
13:41Muito importante isso
13:42que você acabou de pontuar, doutora,
13:44de ter testemunhas.
13:46E aí, a gente se pergunta
13:47o que serve como prova?
13:50Às vezes, a gente sabe,
13:52ok, o celular,
13:53ou então uma câmera,
13:54mas se a pessoa não tem isso,
13:56o que serve mais como prova?
14:00É o relato mesmo da testemunha,
14:02do que está havendo,
14:04das agressões verbais,
14:05que costumam, às vezes,
14:06ser muito constantes,
14:07de agressões físicas,
14:09do abandono realmente,
14:11de ver aquele idoso
14:12que sempre está sozinho,
14:13que os filhos nunca visitam,
14:14ou se não, aquela situação
14:16de saber que o idoso,
14:17ele tem uma renda,
14:19mas que sempre está faltando
14:22alimentação ou medicamento para ele,
14:24que nunca é levado no hospital também.
14:27Então, assim, às vezes,
14:28é o olhar carinhoso realmente
14:31para o seu próximo.
14:32É verificar que aquele idoso,
14:34é o dia a dia realmente daquele idoso,
14:35do seu vizinho, por exemplo,
14:38é ir lá ver,
14:40verificar se tem realmente
14:41pessoas que cuidam,
14:42se tem cuidador,
14:45é tentar trazer para a gente
14:47todos os elementos,
14:47porque o que acontece,
14:49quando a gente tem uma denúncia,
14:50a primeira coisa que eu faço
14:51é encaminhar uma equipe
14:53no local para verificar
14:54se esse fato realmente
14:55é verdadeiro ou não,
14:56porque, infelizmente,
14:58é uma coisa que ainda acontece muito,
15:00que é extremamente prejudicial,
15:02e eu fico assustada
15:06e fico com raiva disso,
15:08são as denúncias anônimas falsas.
15:12Pessoas que perdem tempo
15:14de estar ligando para a polícia,
15:17de estar fazendo uma denúncia
15:18de situações falsas.
15:20A gente já tem pouca efetiva,
15:22a gente atende a grande vitória,
15:24muitas vezes você perde tempo
15:27tentando verificar
15:28uma situação falsa,
15:30e quem realmente precisa
15:31está ali com pouco tempo de vida.
15:34Mas, doutora,
15:35olha só,
15:35se a vizinhança tem dúvidas,
15:38a gente está falando de falsa,
15:39agora não,
15:39porque falsa,
15:40isso é crime,
15:41viu, gente?
15:41Isso é de matar.
15:43Mas e se a vizinhança tem dúvidas,
15:45doutora?
15:45Qual é a atitude?
15:48Não, mesmo assim,
15:49na dúvida,
15:49é para procurar a polícia,
15:51é para a gente verificar,
15:53porque realmente o civil
15:54não é, né,
15:55tem preocupação,
15:56tem medo de se envolver e tudo,
15:57denuncia,
15:58a gente vai verificar.
15:59O que é melhor
16:00é pecar pelo excesso
16:02do que fazer omissão,
16:03do que ser omisso
16:04em uma situação
16:04que muitas vezes é seríssima,
16:07é muito séria.
16:08A gente tem ocorrência de ativismo
16:10de idosos passando fome.
16:12A gente está aqui falando,
16:14doutora, né,
16:14do que pode também servir
16:16como prova,
16:17você enfatizou aqui também
16:18a testemunha,
16:19mas a gente sabe
16:20que muitos casos
16:21de violência contra idosos
16:23só são descobertos
16:26por causa das câmeras
16:28de segurança, né,
16:29bendita câmera
16:30que inventaram
16:32a favor aí desses momentos.
16:34Em um prédio
16:35no Rio de Janeiro,
16:36o circuito do elevador,
16:38olha isso, gente,
16:39que dó,
16:40flagrou as agressões
16:41de um neto
16:42contra o avô,
16:43contra a avó, perdão,
16:44uma senhora
16:45de 76 anos.
16:47Matheus Luz
16:48aparece nas imagens
16:50jogando uma garrafa
16:51de água
16:52na cabeça da idosa
16:53e ainda empurra.
16:54Ai, meu Deus,
16:55que absurdo.
16:56E quando outras pessoas
16:58entram no elevador,
16:59ele chuta a porta.
17:01Na época das agressões,
17:02a justiça aceitou
17:04o pedido de prisão
17:05preventiva de Matheus
17:06por lesão corporal
17:08com violência doméstica,
17:10discriminação
17:10e humilhação
17:12à pessoa idosa.
17:13E olha só, gente,
17:14um caso que aconteceu
17:15em Santa Catarina
17:17em 2020
17:18que ganhou também
17:19uma grande repercussão
17:20foi o da dona Marlete.
17:22Ela foi agredida
17:23pelo filho
17:24por conta da venda
17:25de um terreno.
17:26Na época,
17:27ela gravou um vídeo
17:28denunciando o rapaz
17:29nas redes sociais.
17:31Olha só que triste.
17:34Isso aqui, ó.
17:36Nunca ganhei na minha vida
17:38do meu marido,
17:41nunca de ninguém,
17:42do meu pai,
17:42da minha mãe, nada.
17:44Eu ganhei suco
17:46do meu filho
17:47que eu tinha tanto amor,
17:49tanto amor do Marcelo.
17:51Só porque ele quer
17:52que eu dou a terra,
17:55sem eu fazer inventário,
17:57eu não fiz inventário.
17:58eu só queria
18:00emprestar a terra
18:01pra ele,
18:02mas ele não quer.
18:03Eu não posso
18:04passar por nome dele,
18:05porque ele vai
18:06botar a terra
18:06tudo fora.
18:07E olha o que ele fez
18:09comigo,
18:10olha o que ele fez
18:11com uma madrinha,
18:13só porque, assim,
18:14não é eu que quero
18:16que passe por nome dele,
18:18é o padrinho Leonardo,
18:20só que ele acha
18:21que é eu.
18:21E olha o que
18:22que eu mereço.
18:24Depois de tanto amor,
18:26de tanta coisa,
18:27agora sim,
18:29o Marcelo morreu
18:30para sempre.
18:33Para sempre.
18:34Entende-se?
18:36E onde que ele vai parar?
18:38Na delegacia.
18:41Meu Deus,
18:42é de doer o coração.
18:44Está todo mundo aqui
18:45estarrecido com essa imagem
18:46que a gente viu
18:47dessa mãe.
18:48Nilzete,
18:49quando o caso
18:49da sua avó
18:50veio à tona,
18:51qual foi o seu
18:52sentimento como neta?
18:54Sentimento de tristeza,
18:56de impotência,
18:57que, se eu pudesse,
18:59na época,
19:00eu cuidaria.
19:01Porque eu, assim,
19:03eu gosto muito
19:04de pessoas idosas.
19:05Assim,
19:06eu acho que
19:07é uma lição de vida
19:09para a gente
19:09que eles
19:10têm tanta coisa
19:11a nos ensinar,
19:13nos aprender,
19:14com experiência
19:15de vida,
19:16vividas.
19:17e, assim,
19:18é uma sensação
19:20muito desagradável,
19:22muito triste.
19:24E, assim,
19:25Roberta,
19:26às vezes,
19:27um familiar só
19:28deixa o idoso
19:29por conta de um só.
19:31E é bom
19:32que a família
19:33toda participa.
19:35Ah,
19:35um final de semana
19:36não pega.
19:37Ah,
19:38vou lá tomar um café
19:39com mamãe,
19:39ver o que está acontecendo.
19:41Muitas vezes
19:42são abandonados,
19:43esquecidos.
19:45Nossa,
19:45você falou agora,
19:46a gente arrepia.
19:47E é verdade.
19:48Por que não
19:50cuidar e distribuir
19:51se está pesado
19:52para um?
19:53Inclusive,
19:53daqui a pouquinho,
19:54a gente vai falar
19:54até de um assunto
19:55que segue
19:56nessa linha,
19:57que é a síndrome
19:58da irmã mais velha.
19:59Continua com a gente
20:00aqui no Fala Espírito Santo,
20:01viu?
20:02Agora,
20:02Dani,
20:03olha só,
20:04eu estou ficando,
20:05assim,
20:06chocada,
20:07porque não param
20:08de chegar comentários
20:09aqui,
20:10desabafos de mães
20:11que estão vindo
20:12aqui no nosso Facebook
20:14relatar a realidade
20:16que elas têm
20:16encarado dentro de casa.
20:19Eu vou até poupar
20:20o nome dessas mães,
20:21tá, gente?
20:21Tem uma que participa
20:23com a gente,
20:23ela fala que ela tem
20:2463 anos,
20:26mora sozinha,
20:27e ela também tem
20:27um filho que é
20:28muito agressivo.
20:30Ela disse que ela
20:30tem medo
20:31de ficar com ele.
20:33Imagina o sentimento
20:34dessa mãe,
20:34medo de ficar
20:35com o próprio filho.
20:36a quem ela cuidou,
20:37criou, né?
20:38Desde bebezinho,
20:39deu colo,
20:40olha isso.
20:41E ele é usuário
20:42de drogas e álcool.
20:44Ele está morando
20:44nas ruas
20:45há dois anos,
20:47né?
20:47E ela não consegue
20:48nem ajuda
20:49para interná-lo.
20:50E a gente sabe
20:50que nesses casos,
20:52mais um caso
20:52que a gente vê
20:53com envolvimento
20:54de droga,
20:54de álcool,
20:55o que essa mãe,
20:56de que forma
20:57que ela pode
20:57se fortalecer
20:59psicologicamente?
21:01Muito pesado, né,
21:02Roberta?
21:03Você tem razão
21:04quando você fala assim,
21:04se a gente for fazer
21:05uma retrospectiva
21:06de imaginar mesmo,
21:07né,
21:07um bebezinho
21:08e aí se eu olhar
21:09hoje, né,
21:10eu penso sempre
21:11na possibilidade
21:12da rede de apoio,
21:13né,
21:13na família,
21:14nos amigos,
21:15nesses serviços
21:16de convivência
21:17também que tem, né,
21:18para que essa pessoa
21:18consiga estar mesmo
21:21com outras pessoas
21:22da mesma faixa etária,
21:23que não só isso,
21:24mas assim,
21:24para que consiga
21:25dividir esses assuntos.
21:27Porque quanto mais
21:28sozinho fica,
21:28Roberta,
21:29maior a incidência
21:30a gente tem visto
21:30de depressão.
21:32Então,
21:33não só esse abandono físico,
21:35né,
21:35da pessoa estar presente ali,
21:36mas esse abandono afetivo.
21:38Então,
21:38eu penso que quanto mais
21:39essa pessoa tiver
21:41alguém mesmo
21:41para ela conversar,
21:42para que ela possa
21:43colocar esse sentimento
21:44para fora,
21:44é melhor.
21:45Nem sempre vai ser possível,
21:46mas assim,
21:46nessa tentativa mesmo
21:47com os vizinhos,
21:48porque como você bem disse,
21:50assim, né,
21:50às vezes um café,
21:51às vezes ele precisa
21:52de tão pouco
21:52e se a gente não conseguir
21:53dar esse pouco,
21:54realmente é muito triste.
21:55Que triste.
21:56Deixa eu voltar
21:56a falar com a delegada
21:57que participa com a gente.
21:58Doutora,
21:59quero saber se os casos,
22:01né,
22:01que por exemplo,
22:02dos que você atende
22:03aí na delegacia,
22:04se eles se tornam
22:05reincidentes.
22:07Muito.
22:08Muitas situações
22:09de reincidência,
22:10exatamente por isso.
22:13A gente não conseguir
22:14provar a violência
22:16por falta de elementos.
22:19Então, assim,
22:21igual esses exemplos
22:22que vocês deram agora,
22:25procura ajuda.
22:27Venha também na delegacia,
22:28mesmo que não...
22:29É bom também falar
22:31que não necessariamente
22:32vai ter uma ocorrência,
22:33vai ser registrada
22:34uma ocorrência,
22:35mas a gente tem profissionais
22:37para estar conversando,
22:38para estar, às vezes,
22:39encaminhando essa pessoa,
22:41a idosa,
22:43para uma assistência social,
22:45para uma psicóloga,
22:46porque ela também
22:47precisa se fortalecer
22:48até mesmo para estar
22:49registrando a ocorrência
22:50muitas vezes, né?
22:51Então, assim,
22:52para ela conhecer
22:54o nosso trabalho,
22:55porque muitas vezes
22:58delegacia é um ambiente
22:59que todo mundo
22:59tem medo de vir, né?
23:01De uma forma geral,
23:02você só procura
23:02a delegacia
23:03na sua pior situação de vida.
23:06É quando as coisas
23:07realmente perderam o controle
23:08e você vem na delegacia.
23:10Só que hoje,
23:11o olhar, né,
23:13de uma forma geral
23:14da polícia,
23:15da Secretaria de Segurança,
23:17a gente tem visto
23:19que tem situações,
23:20essas situações sociais,
23:22elas têm que ser vistas
23:23de forma diferenciada.
23:25Então, assim,
23:26é estimular realmente
23:27que as pessoas
23:28venham à delegacia,
23:30venham conversar,
23:31venham denunciar
23:32e que a gente
23:34vai dar a informação
23:35que precisa
23:36para estar, às vezes,
23:38solucionando
23:39um problema familiar
23:40de uso de droga,
23:41de álcool,
23:43ou, pelo menos,
23:44tentar juntos, né?
23:45Um melhor caminho
23:46para ter uma melhor...
23:50Para esse idoso
23:52ficar melhor, né?
23:52Essa idosa.
23:53Lembrando que
23:54a maioria das nossas vítimas
23:55são mulheres idosas
23:56e a maioria dos nossos
23:58agressores são filhos.
23:59É uma triste estatística.
24:02Doutora Milena,
24:03obrigada pela sua participação
24:04e obrigada por cuidar
24:06com o carinho, né,
24:07que dá para sentir
24:07nas suas falas
24:08esse carinho
24:10ao receber os idosos
24:12que passam
24:12por momentos traumáticos.
24:14Obrigada, Vilma.
24:14Boa tarde.
24:16Boa tarde, eu que agradeço.
24:17Sempre à disposição,
24:18tá bom?
24:19Um beijo.
24:19Um beijo.
24:20Dani, obrigada também
24:21pela sua participação,
24:23por trazer palavras, né,
24:24que mostrem
24:25algumas saídas
24:26para quem enfrenta
24:27essa triste realidade.
24:29Nilsete,
24:29hoje sua vozinha
24:30está no céu,
24:31mas certamente
24:31está descansando
24:33e feliz com a neta
24:34que ela deixou aqui, né,
24:36com essas palavras
24:37tão bonitas
24:37que você falou dela, viu?
24:39Obrigada.
24:39Obrigada a você.
24:40Uma boa tarde.
24:41Boa tarde.
24:41Sejam sempre bem-vindas.
24:42Boa tarde.
24:42Boa tarde.

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