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  • há 10 minutos
Conheça o trabalho de médico em Missões Humanitárias

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Transcrição
00:00Você teria coragem de deixar o seu conforto, a sua casa, a sua família, para ser voluntário em uma guerra?
00:09Forte essa pergunta, né?
00:11Foi isso que um médico capixaba fez e eu vou bater um papo com ele agora.
00:15Ele está aqui, David Barbosa.
00:17Obrigada pela sua participação.
00:19Seja bem-vindo ao Fale Espírito Santo.
00:21Boa tarde, Roberta. Boa tarde, telespectadores.
00:24Eu que agradeço o convite de estar vindo.
00:26Para mim foi uma surpresa e uma honra.
00:27E eu queria que você já começasse contando de onde veio essa iniciativa, porque foi um propósito seu.
00:34Você que manifestou essa vontade de prestar esse serviço.
00:38Sim, eu manifestei o interesse junto ao consulado ucraniano em Londres.
00:44Lá os rumores são mais fortes, mais raizados sobre questões de guerra.
00:50E lá nós acompanhávamos constantemente a evolução da Rússia.
00:56E então as informações chegavam com mais precisão sobre os objetivos.
01:00Até que 28 de fevereiro resolveram invadir, mas já com toques de crueldade, requintes de frieza.
01:11Então, muitos se sensibilizaram para aquilo, com apelo também do presidente,
01:16chamando os estrangeiros para estarem lutando junto.
01:18Foi onde eu enviei a carta de voluntariado junto ao consulado.
01:24Mas foi muito rápido, porque em menos, assim, em 3, 4 dias já estava praticamente tudo preparado.
01:31O algoritmo de ações, contatos com quem eu iria fazer em Cracóvia, na Polônia.
01:36A partir de Cracóvia ali, troquei de carro e tal.
01:40Então, cheguei até o meu destino na base.
01:43Eu estou aqui chocada, pensando mesmo no quanto você foi prestar esse serviço tão humano
01:49a quem realmente está precisando nesse momento.
01:52Como é que foi noticiar isso para a sua família?
01:55No começo, eu fiquei com receio e com medo, né, da bronca.
02:00Mas eu fui noticiar dois meses depois que eu já estava lá, que já passei por um período de treinamento.
02:06E, para minha surpresa, receberam bem.
02:08Meu pai recebeu com euforia, claro.
02:10Não, peraí, você só foi contar para a sua família dois meses depois que você estava lá?
02:14Dois meses depois que eu já estava lá.
02:15Como assim?
02:16Sua família ficou perguntando cadê você e aí?
02:18Como que você ia levando essa situação?
02:20Pela minha rotina de estudos e trabalho, então eu já tinha um tempo bem pequeno e quando dava, já nos
02:28falava.
02:29Só que lá pela rotina, também de treinamento ser exaustivo, de seis da manhã às dez da noite, todos os
02:36dias.
02:37Então, a comunicação ficava também um pouco escarsa nesse sentido.
02:40E o pouco que dava, eu falava com o meu filho, aqui no Brasil, e mandava algumas mensagens para o
02:48meu pai.
02:48Mas aí eu tomei a iniciativa e falei, vou falar que eu estou aqui logo, porque daqui a pouco isso
02:52já vai estourar, vai para a televisão, enfim.
02:54E o que isso representou para você?
02:57A sensação do dever cumprido, que eu estava fazendo realmente a coisa certa ali, ajudando pessoas, independente da etnia.
03:06A gente estava vendo aqui, né, algumas imagens e a gente se teletransporta para lá com esses vídeos que você
03:12enviou para a gente.
03:13É, o começo.
03:14Qual foi o cenário que você encontrou? O que te chamou a atenção?
03:18Olha, o cenário foi de destruição total, né?
03:24Por onde passam os russos, eles destroem e não deixam praticamente nada.
03:29Assim, das poucas bases que nós nos alojávamos nas cidades reconquistadas,
03:35é o que realmente dava, porque destruíam todas as casas, com a artilharia, com realmente, incendiavam as casas, havia alguns
03:46corpos também,
03:47mas o cenário é total destruição, devastação total.
03:52Isso já é um histórico russo, já é um histórico.
03:55Você acompanha a pegar toda a história do Exército Vermelho e já tem esse histórico de, realmente, da tática da
04:01terra arrasada,
04:02é não deixar suprimentos, água, luz, absolutamente nada, porque sabiam que nós iríamos, né,
04:09então, não estarmos instalando a base naquele local.
04:12Qual foi o momento mais crítico que você viveu lá?
04:18Em trincheira.
04:20Isso foi em agosto, estava no alto verão, e o momento mais crítico que eu realmente achei que eu ia
04:25morrer nesse momento
04:28foi quando estávamos todos entrincheirados dentro dos bosques e sobrevoou um helicóptero russo, então,
04:34vai fazendo um patrulhamento, e um ucraniano, por disparate, infelizmente, fez um disparo de RPG em sentido desse helicóptero,
04:45sendo que o RPG não é eficaz contra um helicóptero, ainda mais daquele porte.
04:53Então, isso acabou denunciando posição e acabou, então, ele ali nos atacando com gás de fósforo.
05:00E foi o momento que eu achei que, pronto, agora morri.
05:04Então, só foi, só tive tempo, realmente, de colocar a máscara e correr.
05:07Por isso que eu ia perguntar, como é que você fez para sair dessa? Porque parece cenário de filme, né?
05:11É, mas é o que vive constantemente, todos os dias lá, é artilharia, tanque, helicópteros e drones,
05:19que eram o maior medo nosso, eram os drones.
05:22E olha só, tem mais capixaba que já fez trabalho voluntário, em missões pelo mundo, vamos conferir? Roda aí.
05:30Eu sou médico desde 2010 e fiz algumas missões médico-humanitárias com algumas ONGs nacionais e internacionais.
05:37Fui para a Amazônia, para Moçambique três vezes, para o Congo e para a Faixa de Gaza.
05:42E o que eu vi lá foram pessoas que me ensinaram a viver com muito pouco, a sorrir para a
05:48vida,
05:49a dançar, a cantar, mesmo em nenhum ambiente de miséria.
05:53E isso me ensinou a ter novos valores, para a minha própria felicidade.
05:57Acho que é impossível você viver voluntariado, você entregar alguma coisa boa e não receber alguma coisa maravilhosa em troca.
06:03Então eu guardo experiências incríveis, de pessoas incríveis,
06:06que me ajudaram a me transformar na pessoa que eu sou hoje, um pouquinho melhor do que eu era.
06:12E eu faço um convite a você que se permita também viver o voluntariado das mil maneiras diferentes.
06:18Hoje eu parei as viagens médicas, estou focado numa ONG que cuida de educação de criança,
06:23aqui em Terra Vermelha, na minha cidade, em Vila Velha.
06:25E a gente trabalha com educação, com informática, com música, com esporte.
06:30E toda vez que eu vou a esse projeto, tão perto da minha casa, eu volto de lá muito melhor.
06:34Então é uma via de mão dupla, impossível você fazer alguma coisa boa e não receber também alguma coisa boa
06:38em troca.
06:40Gente, é uma grande evolução espiritual, né? Vamos falar a verdade?
06:44Você abre mão de todo o seu conforto, como a gente disse, abre mão da sua família, abre mão daqueles
06:49momentos de lazer.
06:51E a gente não está falando de um, dois dias, uma semana, não.
06:54O caso do David aqui foram 11 meses.
06:5611 meses.
06:58E aí, quais foram os serviços que você prestou ali? Que casos que você atendeu, por exemplo?
07:04Além dos serviços, como todo soldado, em trincheiras e fazendo as missões que nos eram passadas,
07:11inclusive também de explosivos, também manuseava essa área,
07:14mas a área médica ali foi atendendo realmente os feridos com armas de fogo e estilhaços.
07:22Então fazia tudo, precisamente, primeiro socorros e extração das vítimas para atender a médica,
07:30onde havia mais recursos, aí eu retornava.
07:33E tinha suprimentos lá?
07:36Ou tinha que se virar com o que tivesse ao redor?
07:38Não, cada soldado anda com kit médico, e esse kit médico é completo.
07:42Claro que o meu era mais completo, porque eu tinha alguns instrumentos cirúrgicos,
07:45caso precisasse ali na hora, para poder executá-los.
07:51Mas cada soldado tinha seu kit médico, então usava o kit médico de cada soldado ali
07:56para poder fazer os primeiros socorros, com torniquetes, bandagens.
08:01E qual foi o momento que você falou assim, depois de 11 meses, que já que foi uma ação voluntária,
08:07você falou assim, agora deu, agora eu preciso voltar?
08:10Foi quando me foi designada uma missão, em 20 de janeiro, que por acaso foi meu aniversário,
08:16e a missão que eu estudei antes de poder realizar, e eu vi um alto grau de risco nessa missão.
08:22Então, chegou pela primeira vez, eu recusei em fazer uma missão.
08:29Então, como que eu recusei?
08:31Assim, eu falei, ó, agora já deu, eu vou romper o meu contrato, então a partir daqui,
08:38porque eu acho que eu já quero ir, quero descansar, quero tocar minhas coisas.
08:41E nesse dia, quando eu rompi todo o contrato, fui condecorado e tudo mais,
08:47quando eu já estava na estação de trem, para poder ir para Dnipro, ir para Kiev e partir,
08:53chegou ao rádio, que eu estava com o comandante, que todas as trincheiras,
08:57até então, inclusive a trincheira, a qual eu fui designada para a missão, foram barbadeadas.
09:01Meus colegas e amigos, alguns sofreram baixa.
09:04Morteiro.
09:05E todos, praticamente, para os hospitais.
09:09Aí, de janeiro prolongou até fevereiro, para eu poder realmente fazer toda essa assistência à minha unidade.
09:17Eu falei, eu não posso ir embora sem fazer assistência a eles.
09:20Olha, aqui no nosso Facebook, os nossos telespectadores estão emocionados,
09:25encantados com a sua dedicação tão humana.
09:27A Marina disse, nossa, maravilhosa essa atitude de um ser humano, porque não é fácil.
09:33Se a maioria das pessoas pensasse assim, isso que é compartilhar amor ao próximo,
09:38sem pensar em si próprio, parabéns, viu?
09:42A Maricilda Borges também fala, é bem forte essa atitude, que Deus abençoe essa vida
09:46e conserve esse coração amoroso, e que a gente se inspire, né?
09:50Tanto no caso aqui do David, do outro também, do outro médico,
09:54que também trouxe para a gente esse relato tão interessante.
09:57E aí, quando você voltou, já deu para matar a saudade da família?
10:00Ah, eu matei a saudade da família, da comida capixaba,
10:03porque eu estava com saudade de dar uma moqueca, de dar uma casquinha de siri, já...
10:07Já está tudo tranquilo agora.
10:09Já está tudo normalizado.
10:10E pronto para mais uma ação humanitária.
10:14Está ou não?
10:15Estou estudando alguns casos, mas...
10:17Devagar, né?
10:18Vamos lá, pega leve, está certo.
10:20David, obrigada pela sua participação, trazendo aqui esse relato,
10:23essa experiência que eu acho que faz com que a gente saia um pouco da nossa zona de conforto, né?
10:31E pense um pouquinho no nosso próximo.
10:33Com certeza.
10:33Obrigada pela sua participação.
10:35Uma boa tarde.
10:35Tá bom, final de semana.
10:36We'll see you on the next one.

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