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  • há 3 semanas
Um adolescente levou arma para a escola. Polícia foi acionada.

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Transcrição
00:00Agora olha só essa história, gente.
00:02Um adolescente de 15 anos entrou com uma arma em uma escola municipal de Cariacica.
00:07As aulas do período noturno estavam acontecendo ali normalmente quando a coordenação da escola começou a ouvir relatos
00:13de que um aluno teria levado uma arma e estaria mostrando uma pistola 380 para os colegas.
00:20A gente está falando de um adolescente de 15 anos.
00:23A polícia militar foi chamada e o adolescente confirmou não apenas estar com a arma,
00:30mas também com dois rádios comunicadores dentro da mochila.
00:35A arma estava inclusive carregada e funcionando, viu, gente?
00:39Ele teria levado a pistola porque os amigos duvidaram que a arma existia.
00:45Pois é, gente, a gente para para pensar.
00:48Levar uma pistola na mochila só para chamar a atenção, para ostentar e aí acaba colocando todo mundo em risco,
00:57né?
00:57Isso também chama atenção para a facilidade desses adolescentes em conseguir essa arma, né?
01:03De entrar com ela no ambiente escolar e a gente vai falar sobre esse assunto agora.
01:07Vem cá, participa com a gente porque eu recebo o psicólogo Alexandre Brito.
01:11Alexandre, obrigada pela sua participação.
01:13É muito importante a gente debater esse assunto e também o Capitão Eliandro da Patrulha Escolar.
01:19Obrigada também, Capitão, pela sua participação aqui no Fala Espírito Santo.
01:23Uma boa tarde para vocês.
01:24Boa tarde.
01:25Alexandre, a gente queria entender o que passa na cabeça desses adolescentes quando o assunto é ostentação, né?
01:33O que eles querem? O que isso representa num grupo de amigos? Boa tarde.
01:38Boa tarde, Roberta. Boa tarde a todos que nos assistem.
01:41Quando a gente fala de adolescência, a gente nunca pode perder de vista que é uma idade em que começa
01:48a criar também uma nova identidade.
01:51Então, está deixando de ser criança e criando uma nova identidade.
01:56Para essa criação de nova identidade, é muito comum o quê?
02:00O adolescente se aproximar de outros adolescentes.
02:03Então, ele vai construir a sua identidade com outros adolescentes, com outros grupos, com pessoas da sua idade,
02:09que ele vai ali mais ou menos se constituindo, construindo um novo ser, um novo sujeito ali para viver e
02:18conviver.
02:19Então, pode ser que muitas vezes essa identidade, ela seja feita não só por meio da família, dos colegas, da
02:28escola,
02:29mas também pode ser feita através de participação em crime ou até mesmo em situações de tráfico.
02:36E eles entram, essa associação que você trouxe agora, é algo consciente ou não?
02:42Porque, ah, legal, eles têm maturidade para isso, eles têm essa consciência?
02:49Exatamente, essa é a grande discussão, né?
02:51Por isso que a gente sempre coloca em cena também a família, o Estado, a escola, para também estar junto
03:01nesses momentos.
03:02Então, assim, é algo que, por um lado, ele deseja criar essa identidade,
03:08ele tem essa construção de identidade por meio de um grupo, a grande questão é que grupo é esse, né,
03:15Roberto?
03:15Então, se é um grupo que está mais próximo, muitas vezes, de atos infracionais, do crime,
03:23pode ser que a ostentação para esse adolescente, ele encontre um lugar no mundo dele ali
03:28e acaba se tornando o quê?
03:30Uma arma ou qualquer outro objeto ou gesto mais voltado para o ato infracional
03:37seja considerado, mesmo que seja ilusoriamente, como algo de ostentação e de poder.
03:46Então, nessa construção de identidade, procurando um lugar no mundo,
03:51às vezes ele acaba entrando nessas questões.
03:55Por isso que é muito importante a gente ter uma assistência, né, assistir também os adolescentes.
04:01E, capital, esse tipo de ostentação que a gente está aqui falando tem acontecido com mais frequência?
04:08Como é que é essa realidade nas abordagens escolares? Boa tarde.
04:11Boa tarde, boa tarde a todos.
04:13Nós temos realmente previdenciado, né, ao longo desses últimos anos, desses últimos dias,
04:19o aumento dessa necessidade de afirmação dos adolescentes, né?
04:24Afirmação por grupo, às vezes afirmação para a própria família, seja por motivo de um abandono afetivo.
04:32Então, isso tudo tem gerado demandas na área da segurança pública, uma vez que demanda a proteção de pessoas.
04:41Então, nós temos uma situação bem delicada hoje no contexto escolar, dentro das escolas, justamente por isso.
04:49Várias demandas de ordem psicoemocionais acabam gerando demandas de ordem de segurança pública.
04:57Dos casos que o senhor já atendeu, o que que eles argumentam?
05:01Por que essa ostentação? É querer mostrar isso para quem?
05:04Para os próprios colegas? Existe essa cobrança dos amigos? Como é que é isso?
05:10A pressão do grupo é muito forte, né? E como eu falei, a necessidade de estar inserido nesse grupo,
05:15ou o medo de estar excluído, ele é muito forte.
05:20Mas vamos então aqui nos ater a este caso específico, o último, né?
05:24Os elementos que estão dentro dessa situação.
05:29Nós temos um adolescente com recente perda familiar, de um lado,
05:34com um relativo abandono de outro, ou seja, uma carga emocional muito grande,
05:42e aí temos uma pressão de amigos.
05:45Ele, ao relatar que possuía acesso a uma arma de fogo aos amigos,
05:51foi colocada em dúvida essa palavra dele e ele quis provar isso,
05:55levando a arma até a escola.
05:57E aí tem o outro ingrediente que seja o mais perigoso de tudo, o acesso da arma.
06:03Não é uma arma ilegal, é uma arma registrada,
06:07só que a irresponsabilidade do adulto que possibilitou o acesso a essa arma, ela é muito grande.
06:14Pois é, é isso que a gente também precisa debater,
06:16a gente precisa criar esse diálogo com os nossos filhos,
06:21porque isso não é brinquedo, isso não é coisa para criança, não é coisa para adolescente.
06:26No caso aqui, o tio dele tinha o registro da arma, né?
06:30Mas isso era algo para ser uma atividade esportiva, como então colecionador,
06:35que eu queria até que você explicasse para o pessoal de casa o que é CAC.
06:39O que significa isso?
06:41CAC é o certificado que garante a um de vida, a um cidadão comum,
06:45que não tem acessos legais à arma de fogo, como, na verdade, o porte funcional,
06:52que assim podemos dizer.
06:54Policiais militares, outras autoridades possuem o porte funcional.
06:59O cidadão que não tem esse porte, ele pode ter, possuir armas,
07:04após um criterioso processo dentro da Polícia Federal,
07:09para alguns usos específicos, via de regra, tiro esportivo ou coleção de armas.
07:15Então, esse CAC é o que garante esse registro para colecionadores e atiradores esportivos.
07:20E aí, Alexandre, é até o comentário da Denise, acho que foi a Denise que escreveu aqui,
07:27que falou assim, mas Roberta, é Denise Amancio, Roberta, arma e rádio comunicador.
07:33Que ostentação é essa?
07:34O rádio, só para deixar bem claro, parece que não tem nenhuma relação com o tio.
07:38Então, isso mostra o que, Alexandre?
07:42O interesse do próprio adolescente nesse universo mesmo seria algo nesse sentido?
07:47Pode ser, sim, até porque a gente tem visto esses casos se repetindo.
07:53E como adolescentes, a gente está vendo que são pessoas que fazem grupos,
07:59eles têm muita comunicação entre eles também nesse sentido.
08:02A comunicação pode se dar de modo lúdico, de modo saudável,
08:08de modo a ter um contato e um diálogo entre eles,
08:12para combinar algumas coisas, para jogos, etc.
08:16Mas também pode ser uma comunicação que traga uma influência para o jovem,
08:22na qual ele acaba, muitas vezes, cedendo diante das pressões do grupo também,
08:28ou tentando construir essa identidade, se colocar ali, se impor, muitas vezes,
08:34acreditando que se impor, é provando ou por meio de violência.
08:39Então, ele acaba tentando provar para o outro,
08:43porque se ele não prova, é como se ele não passasse pela provação do grupo também.
08:48Então, é sempre essa questão, o individual, o adolescente em si,
08:54querendo um lugar no mundo, vamos colocar assim,
08:57e os grupos que ele vai se aproximando ou se afastando.
09:01Então, provavelmente, esses objetos, todos e todos os gestos dele,
09:06o ato dele, né, podem ter relação direta com algo que o grupo exigiu,
09:12cobrou, alguma coisa assim que ele esteja querendo demonstrar ou provar para alguém.
09:17E olha só, em junho, em junho do ano passado,
09:20nós mostramos aqui no Jornalismo da TV Vitória um outro caso,
09:23o que aconteceu em uma escola municipal que fica em Jardim Colorado, Vila Velha.
09:28O adolescente, que na época tinha 17 anos, era aluno do EJA,
09:32que é a modalidade de educação para jovens e adultos.
09:35Ele estava com uma arma escondida na mochila, minha gente.
09:39Uma testemunha viu essa arma com o adolescente e fez contato com a guarda municipal.
09:44A arma não estava carregada e ele contou que a garruxa era do avô dele
09:50e que levou para a escola apenas para mostrar para os colegas.
09:54E olha, é preciso muita atenção, gente,
09:57porque a gente também tem noticiado aqui casos de simulacros de arma de fogo, né,
10:02e a gente quer saber o que que isso representa.
10:08Simulacro de arma de fogo.
10:10Da última vez que o senhor esteve aqui, Capitão Leandro,
10:12você chamou a atenção que isso também merece uma importância,
10:15assim como se fosse uma arma de verdade, né?
10:19Exatamente.
10:20O simulacro, né, é um objeto que, pelo próprio nome de simulo,
10:26uma arma de fogo e pode provocar uma ameaça.
10:29Mas outros desdobramentos de um simulacro podem ocorrer.
10:35A própria posse disso pode ser, por exemplo,
10:39confundido com uma arma de fogo em uma situação de abordagem policial,
10:43vamos assim dizer, dependendo do manuseio que for feito
10:46e se esboçar uma ameaça, ou não só para uma abordagem policial,
10:51também para qualquer outra pessoa, outro agente da segurança pública,
10:55por exemplo, que em seu momento de folga está armado
10:59e presencia o manejo de um simulacro e não há a possibilidade
11:05de uma identificação imediata, isso pode trazer um risco
11:07a quem possui esse simulacro.
11:10Além das ameaças, por mais que seja um simulacro,
11:14mas ele pode causar uma perturbação psicológica
11:17através da ameaça a outras pessoas que também param...
11:20Pânico na escola, vamos parar para pensar o que os alunos que estudam ali,
11:24o que o seu filho, quem é seu filho nessa história?
11:27Quem é?
11:28É aquele que estuda, que vai, que cumpre com as obrigações,
11:31com o dever de aluno, os direitos de aluno,
11:34ou está levando essa ostentação para dentro da sala de aula?
11:39Você tem certeza da sua resposta?
11:41Olha só o comentário aqui da Vânia.
11:43Roberta, depois do nosso lar, o lugar mais seguro para os nossos filhos
11:48é a escola, ou pelo menos deveria ser, né?
11:50É isso que a gente se pergunta.
11:52Como que, além de colocar uma arma na mochila,
11:56cadê a fiscalização da família?
11:58Como que, além disso, consegue ter acesso,
12:01consegue entrar na escola com essa arma, capitão?
12:05É, hoje é uma tarefa bem complexa a questão da fiscalização
12:11da entrada na escola com uma arma de fogo, né?
12:13Porque ela vai escondida dentro de uma mochila.
12:16E os mecanismos hoje para uma detecção de um armamento
12:21seria através de detectores de metal,
12:24o que não há uma viabilidade de serem instalados em escola.
12:31É só a gente observar, por exemplo, os bancos.
12:35Toda vez que o sistema é acionado,
12:37gera uma lentidão na entrada,
12:39porque precisa se desfazer ali dos objetos metálicos.
12:42Vai acontecer a mesma coisa na escola,
12:44só que nós estamos falando de um público
12:47nas menores das escolas, de 200 pessoas por turno,
12:50a 700, 800 pessoas, dependendo da escola.
12:52Então, a gente não consegue ter um fluxo de entrada
12:54com esse mecanismo.
12:56Então, nós precisamos realmente dispor de outros meios,
12:59e aí precisamos da colaboração da família,
13:02precisamos da observação da escola,
13:05da conversa, da constante conversa,
13:07de ações talvez inopinadas,
13:09justamente para tentar coibir ou inibir,
13:12pelo efeito surpresa,
13:13a entrada desses tipos de armas nas escolas.
13:18Mas é um desafio.
13:20Hoje é um desafio.
13:21A gente, inclusive, já recebeu aqui o secretário de Educação do Estado,
13:25e ele falou exatamente isso.
13:26A gente não pode equipar a escola como se aquilo fosse um presídio.
13:32Então, mas ao mesmo tempo, a gente tem que garantir o mínimo de segurança.
13:35Mas aonde que começa esse mínimo de segurança, Alexandre?
13:39Olha só o comentário da Lenira.
13:42Difícil, viu?
13:43Porque tem pai que ensina para o próprio filho,
13:45que para ele ser homem, tem que mostrar, né?
13:48Mostra a arma, mostra que tem em casa.
13:51Esse é o comentário da Lenira.
13:52Ela disse que já viu um caso desse também,
13:54que para ser aceito no crime, tem que provar que sabe usar.
13:57E aí eles fazem horrores.
13:59É uma educação que começa dentro de casa, né, Alexandre?
14:03A gente precisa tocar muito nessa técnica, insistir nesse assunto.
14:06Com certeza, a gente vê que a educação é a família.
14:12A escola é escolarização.
14:14A escola tem a ver com a construção do conhecimento.
14:17A família é a construção de valores.
14:20São coisas que se complementam, mas são coisas diferentes.
14:24Você pode até ter algumas experiências educativas na escola,
14:28mas a família, a comunidade em geral,
14:31ela tem muito mais hoje essa responsabilidade.
14:35E essa responsabilidade, a gente vai vendo,
14:38que tem relação com o gesto que você acaba demonstrando para o seu filho,
14:42que ele também tem você como inspiração.
14:46Então, o que você diz, o que você fala, o que você demonstra,
14:49de alguma forma, isso é parte da construção dessa identidade do jovem.
14:54E quanto à escola, a gente percebia antes que havia alguns estudos
14:59dizendo que a escola falhava e havia a violência.
15:03Os estudos hoje estão invertendo.
15:06Porque, na verdade, quando está na escola, não há a violência.
15:10Se aproxima menos o jovem da violência.
15:13Ou seja, o jovem que frequenta a escola,
15:16além dessa importância da educação familiar,
15:19ele fica menos exposto à violência.
15:21É claro que aqui nós estamos falando de um caso de levar uma arma para a escola,
15:27mas não é disso que se trata, em geral.
15:29Em geral, a escola, sim, ela tem muito mais função protetiva.
15:34Então, a família tem que participar ativamente.
15:37Isso que a Lenira trouxe, né, Roberta, é muito importante também.
15:41Que, na construção da identidade de homens,
15:44é muito mais uma construção competitiva em relação a outros homens.
15:49Mostrar que é homem, às vezes, é como se precisasse demonstrar violência,
15:55demonstrar virilidade.
15:56E virilidade é como se fosse uma representação até mesmo agressiva,
16:01e até beirando o crime, a intolerância, a impaciência.
16:06O valentão, né?
16:07O valentão.
16:08E, inclusive, e talvez uma das coisas principais quando a gente fala de psicologia,
16:12que o homem não pode demonstrar os seus sentimentos.
16:16E isso, às vezes, faz com que a tristeza seja demonstrada enquanto raiva.
16:22Olha só, as pessoas que não conseguem demonstrar os seus sentimentos
16:26podem, muitas vezes, não demonstrando a tristeza, demonstrando em forma de raiva.
16:31Então, realmente, a educação é essencial.
16:34Teve um comentário aqui de uma mãe falando que sabe de casos
16:37que o pai já entregou um punhal na mão do filho para se defender na escola.
16:41Eu vou achar aqui depois esse comentário, viu?
16:44E olha só, presta atenção nesse outro caso que também aconteceu no ano passado.
16:48Em setembro, gente, um menino de 11 anos, 11 anos, uma criança,
16:52estudava em uma escola municipal de Vitória e enviou mensagens de ameaça
16:57para os alunos, para os professores, tudo isso pela internet, tá?
17:01E para fazer a postagem, ele recebia 30 reais de um outro adolescente
17:06que conheceu no chat de um jogo online.
17:08As fotos enviadas por ele mostravam uma arma e um carregador com a seguinte legenda.
17:15Imagina seu filho receber esse recado na escola, hein?
17:18Cuidado, a escola vai acabar.
17:21Fecha aspas, tá?
17:23A unidade de ensino fez um boletim de ocorrência e comunicou o caso
17:27à delegacia especializada em crimes cibernéticos que instaurou uma investigação.
17:33Capitão Leandro, num caso como esse, a partir de que momento que a gente tem que levar isso a sério,
17:41receber uma ameaça como essa, né?
17:43Já é motivo para levar a sério, para levar para a coordenação, para levar isso adiante,
17:49para ir para a polícia?
17:50Alberto, nós estamos num momento em que, pelo menos na minha equipe da Patrulha Escolar,
17:56nós não encaramos nada como brincadeira, por mais que seja uma simples inscrição em um banheiro.
18:02Vou dar o exemplo.
18:03Em 2022, o ano passado, nós tivemos cerca de 34 casos de inscrições,
18:11seja em paredes, em mesas, sobre questão de massacres.
18:15Em uma escola da rede municipal, essa inscrição foi feita no mês de maio.
18:23Nós tentamos apurar, levantamos todas as informações.
18:26Em mês de agosto, aconteceu o evento.
18:29Então, nós não encaramos como brincadeira.
18:31A escola, todas as escolas, e aí seja estadual, municipal, privada, público ou privada,
18:37ela precisa dispor de todos os mecanismos que garantam a proteção dos alunos.
18:46Quando você falou aqui que a escola está ali no nosso tesouro,
18:50e realmente eu tenho dois filhos, um de dois e um de cinco anos, estão na escola agora.
18:54Eu preciso ter a certeza que eles estão protegidos.
18:58Um lugar seguro, né?
18:59Um local seguro.
19:00Depois, a nossa casa é a escola.
19:02E aí, por mais que realmente a escola não pode ser um presídio de dentro para fora,
19:07mas ele precisa ser um cofre de fora para dentro.
19:10Ou seja, nós precisamos dispor de todos os meios de defesa, de proteção.
19:16A escola precisa implementar isso.
19:18Nós precisamos, né?
19:19Os gestores de escola, os dirigentes, precisam entender que o momento que estamos atual,
19:25o nosso público infantil e juvenil, tem passado por uma transformação,
19:30e aí volto aqui ao ponto, de verdadeiros abalos psicoemocionais,
19:36e isso tem transbordado para dentro da escola.
19:39Então, nós precisamos envolver todos ali com treinamentos, com capacitações,
19:44com tecnologia, para garantir o máximo de proteção.
19:48Olha só, tem um comentário aqui da Alessandra Botelho,
19:51que a gente sabe que geralmente o procedimento é esse, né?
19:54Será que transferir esse aluno vai ajudar em algo ou complicar ainda mais?
19:59Qual é a opinião de vocês?
20:01A transferência, ela é utilizada em algumas situações de casos infracionais,
20:07pelo menos nas escolas públicas estaduais,
20:09porque prevê o regimento escolar em caso de ato infracional.
20:13E aí não é a escola em si que aplica essa medida,
20:16é o conselho de escola que aplica,
20:17que é formado por professores, por pais, por alunos.
20:20Então, é aplicada ali, se for assim entendido pelo conselho,
20:25a transferência compulsória de uma unidade para a outra.
20:28E aí, qual é a cautela nisso tudo?
20:31Primeiro, a transferência compulsória não é,
20:35precisa ser entendido que não é uma transferência de problema,
20:38mas é uma nova oportunidade para o aluno.
20:41Muitas vezes o aluno se sente muito confortável no ambiente escolar onde ele está,
20:45onde ele já é acostumado com o público,
20:47onde ele tem a plateia para as ações dele e ali isso o motiva a praticar esses atos.
20:53Então, quando é feita a transferência, é dada uma nova oportunidade,
20:57onde ele vai encontrar um público diferente e talvez ali ele não pratique mais aquelas ações.
21:03Porém, em alguns casos, principalmente os que envolvem essas questões de possíveis ameaças,
21:10isso precisa ser avaliado com calma, justamente para não estimular mais ainda,
21:16talvez, o rancor que o aluno tem de uma escola e assim ele pensar realmente em fazer um ato de
21:22violência mais grave.
21:23Estou vendo você concordando com essa opinião do capitão?
21:26E para complementar, até com o comentário que você trouxe,
21:30com o que ele falou dessas questões psíquicas e afetivas também,
21:35eu tenho visto que algumas escolas têm nos convidado, nós psicólogos,
21:41para fazer atuações junto aos pais e aos professores e à comunidade escolar,
21:47para trabalhar questões mesmo nesse sentido.
21:50Então, tem aparecido alguns convites para que a gente vá nas escolas fazer esse trabalho.
21:55Então, isso já demonstra uma preocupação preventiva,
22:01uma preocupação que não espera a transferência acontecer ou o aluno aparecer dessa forma,
22:06para falar um pouco da comunicação entre pais e filhos
22:09e também como que esses problemas que às vezes vêm de casa, a escola pode lidar melhor.
22:13É muito importante você tocar nesse assunto, Alexandre,
22:15porque a gente precisa cobrar das nossas autoridades que já passou da hora.
22:20Não dá para pensar em ter um psicólogo ou então ter um assistente social para atender uma rede de educação.
22:28A gente precisa repensar a estrutura de forma preventiva,
22:33porque a necessidade já está no sinal alerta, gente.
22:38Então, a gente chama a atenção do nosso secretário de educação, das nossas autoridades, para rever isso.
22:43Ah, tem na rede? Ok, mas tem que ampliar esse tipo de serviço.
22:48Eu estava achando até interessante porque a minha filha esses dias chegou em casa falando
22:52que ela tem uma aula de educação emocional.
22:55Olha isso, a gente precisa aprender a lidar com os nossos sentimentos.
22:59Isso é trabalhar com prevenção e dentro da nossa casa, a gente também reforçar esse conteúdo, o seu exemplo.
23:05Obrigada pela participação entre vocês, um debate muito importante.
23:08Obrigada pela participação.

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