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  • há 3 semanas
Pai de aluna morta em Aracruz faz desabafo

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Transcrição
00:01Nessa sexta-feira, eu passei pela pior tortura que eu jamais poderia imaginar.
00:12Eu recebi a notícia cedo sobre o ocorrido na escola, ninguém soube dizer exatamente o que estava acontecendo.
00:22Só disseram que as crianças fugiram da escola, estavam na praça.
00:27Eu corri até a praça procurando a Selena, eu não encontrei ela lá, eu corri até a porta da escola,
00:35onde eu pedi informação à polícia e ninguém quis me passar informação alguma.
00:40Pediram pra eu ver com os hospitais, havia sido uma das feridas que saíram.
00:45Eu perguntei sobre o fato de ter algum corpo lá dentro ainda, sobre ter alguém lá dentro ainda.
00:54Me negaram essa informação, disseram que não, não havia, e que todos que haviam sido feridos na escola já haviam
01:03saído com seus familiares.
01:05Foi um pequeno momento do meu dia em que eu senti um pouco de alívio por achar que a Selena
01:11não havia sido uma das feridas,
01:14que talvez ela estivesse com algum colega, que talvez ela tivesse ido com algum dos pais,
01:21embora dali estivesse talvez nervosa, esconderia em algum lugar.
01:26Eu fui bem claro na porta da escola, eu não queria nomes pra divulgar, eu não era repórter, eu era
01:32um pai preocupado.
01:33Eu só queria saber se ela estava lá dentro ainda, porque eu não estava localizando ela.
01:41Eu tentei dar uma discreção física, porque obviamente eles não saberiam os nomes das vítimas naquele momento.
01:49Só me disseram que não, que era pra vir com os hospitais, procurei ambulâncias, procurei na clínica de Coqueral.
01:56Eu fui até Aracruz, até o hospital de Aracruz, procurando, e ninguém sabia dizer onde estava minha filha.
02:04Eu liguei pro meu pai, desesperado, lá de Aracruz, dizendo, pai, ela também não está aqui.
02:09E foi aí que ele encontrou o professor, que estava lá dentro no corrido, e que viu tudo,
02:17e falou com ele que sim, a Selena havia sido baleada, e que ela estava morta dentro da escola.
02:24Ele me falou por telefone, eu voltei dirigindo de Aracruz.
02:30E nós entramos, eu vi parte do corpo caído dentro da sala, logicamente não deixaram a gente chegar perto,
02:41era uma cena de crime, precisava da perícia, nós ficamos na escola até o momento em que o corpo foi
02:47levado.
02:48E aí começou a segunda parte da minha tortura, em que eu precisei ir pra Vitória,
02:55reconhecer o corpo da minha filha, deitado naquela mesa gelada, morta.
03:08Fazer todo o processo burocrático, que não é nada humanizado,
03:14é algo muito difícil de ser feito.
03:20Houveram sim bons profissionais, outros nem tanto, mas eu precisava fazer tudo aquilo, e foi feito.
03:30Meus familiares seguiram fazendo outra parte do que precisava ser feito,
03:36como organizar tudo no cemitério,
03:43fazer o processo de velar o corpo.
03:49E foi muita dor, eu já desabei várias vezes, desde sexta-feira,
03:55sobrou só um vazio dentro de mim.
03:57E eu não estou vendo as horas passarem, estou parado,
04:04olhando para o nada o dia inteiro.
04:09Uma dor absurda.
04:12E eu também não queria gravar entrevistas, eu evitei todos os repórteres.
04:17Até o momento, eu não havia postado nada,
04:22eu não havia dado nenhuma entrevista,
04:25eu não tinha condições de fazer isso.
04:28E agora há pouco, eu vi uma declaração do pai do assassino,
04:37dizendo para respeitar a dor dele.
04:42Admitindo que o filho fez uma coisa horrível,
04:45mas para respeitar a dor dele.
04:48Eu não aguentei isso, não aguento.
04:52Eu tinha que dar a minha declaração também,
04:54falar a minha parte da história.
04:57E dizer que o mínimo, do mínimo, do mínimo que a gente vai buscar agora é a justiça.
05:04E é sim o menor, mas o pai é o responsável.
05:09Os pais são os responsáveis por criar o monstro que criaram.
05:16Esse menino, ele levava uma suástica no braço.
05:23Ele claramente tinha muito ódio no coração.
05:26E isso não é algo que surge da noite para o dia.
05:30Ninguém acompanhou essa pessoa.
05:33Ninguém
05:35viu do que ele poderia ser capaz.
05:38Além de tudo, ele planejou.
05:42Ele foi frio, ele foi frio até na hora de confessar o crime.
05:46Ele entrou em, não uma, mas duas escolas.
05:51Armado de duas armas.
05:53Justamente porque ele precisava de muita munição.
05:58Ele trocou de armamento, ele recarregou, ele fez várias vítimas, ele passou por vários lugares.
06:05As filmagens mostram ele subindo e descendo as escadas, a rampa de acesso da escola.
06:11A principal cena que para e mostra a suástica no braço dele, quando ele dá um tiro, no sentido direito
06:19da câmera, certamente foi o tiro que acertou a minha filha, bem no peito.
06:26Atravessou, ela morreu na hora.
06:28Ela não teve chance de ser socorrida.
06:32E é por isso que eu não encontrei o nome dela em nenhuma das ambulâncias, em nenhum dos hospitais.
06:43Então é isso.
06:46É o que eu tenho a dizer.
06:48A gente vai entrar com um processo contra o responsável, contra o pai.
06:55E que a justiça seja feita.

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