00:00Agora vamos falar de violência contra a mulher.
00:03Um levantamento feito pela nossa produção revela que nos últimos casos a polícia até agiu rápido e colocou os agressores
00:09na cadeia.
00:10Só que o número de agressões foi assustador.
00:14A Alessandra vai trazer mais detalhes pra gente. Fala, Lê.
00:19Isso, Dudu. Só no mês de setembro, na verdade, a gente teve 1.595 casos de agressões contra a mulher.
00:30Aqui no Espírito Santo é um número alto, mas a polícia tem feito trabalho, tem tentado combater esse crime.
00:36Só pra gente ter uma noção, a nossa produção fez esse levantamento e do dia 10 de outubro até hoje,
00:42só as nossas equipes de TV, né?
00:45A gente cobriu aqui, nas nossas programações locais, 16 casos de violência contra a mulher.
00:53Só do dia 10 até aqui.
00:55E desses casos, 13 agressores, 13 suspeitos, acusados de terem cometido aí esses crimes contra essas mulheres, eles foram detidos,
01:06foram autuados em flagrante, muitos deles autuados em flagrante e levados pro centro de triagem de Viana.
01:12Então, o que que a gente quer dizer? Que há sim punição, mas muitas vezes as mulheres precisam ter a
01:19coragem, a gente sabe que é muito difícil, que é uma situação complicada, mas precisam pedir ajuda, precisam registrar o
01:25boletim de ocorrência pra que a polícia consiga, né, identificar esse autor e chegar até ele.
01:31Quando a gente tá na rua, eu escuto muito isso, Dudu, muita gente acaba falando, ah, mas a mulher tem
01:36medida protetiva, mas a gente viu que ela acabou morrendo.
01:40Acontece, infelizmente, a gente registra e mostra esses casos.
01:43Mas eu tava conversando aqui agora com a delegada Michelle Meire, ela é gerente de proteção à mulher aqui da
01:50SESP, né, do programa de proteção à mulher aqui da SESP.
01:53Ela tava me dizendo o número desses casos de mortes ou até de novas agressões pra quem tem a medida
01:59protetiva é muito menor contra aquelas mulheres que ainda não registraram o boletim e ainda não pediram a medida de
02:05proteção aí, né, de urgência.
02:07Vou chamar ela pra conversar com a gente agora, Dudu, mais uma vez, delegada Michelle Meire, ela é gerente de
02:13proteção à mulher aqui da SESP.
02:15Doutora, eu já vou começar pedindo pra senhora explicar qual é o primeiro passo pra essa mulher agredida, pra que
02:22ela tenha aí o agressor punido.
02:24Como a gente viu aqui, né, 13 dos casos que a gente cobriu do dia 10 até aqui, os homens
02:29foram identificados, foram detidos e encaminhados ao presídio.
02:32Bom dia, doutora.
02:33Bom dia. Assim, primeiro passo pra essa mulher é identificar realmente que ela está dentro de um relacionamento abusivo, dentro
02:41de um ciclo de violência.
02:43Porque a violência contra a mulher, ela não é só agressão física, muitas vezes ela já começa anteriormente numa agressão,
02:50né, moral, xingamentos, ameaças.
02:53Então é importante a mulher identificar esses sinais que eles vão, eles existem dentro do relacionamento.
03:00A partir dali, é de extrema importância que a mulher, ela não conseguindo dar um fim, né, nesse relacionamento, que
03:07ela busque ajuda da polícia, né,
03:10se ela está sofrendo ali violência, não, mas que ela busque, ela faça a denúncia.
03:14E aqui, inclusive, a gente deixa um alerta. As mulheres que denunciaram, né, a violência, elas são levadas menos a
03:23feminicídio.
03:24Então, a gente busca também nos inquéritos das mulheres que foram mortas a feminicídio, que são as mulheres que são
03:31vitimadas por questões de gênero,
03:33ou seja, a maioria dessas mulheres foram vitimadas porque desejaram romper o relacionamento, o homem não aceitou e simplesmente foi
03:40lá e vitimou essa mulher.
03:42Então, assim, 70% desses inquéritos, nós percebemos que as mulheres não solicitaram ajuda, não pediram,
03:50ou se pediram, elas retiraram, né, a medida protetiva, a representação ali quando cabia.
03:56Então, assim, o alerta, sempre que a gente deixa para as mulheres que estão sofrendo violência doméstica,
04:03procurem, né, a unidade policial ou acionem a polícia militar ali, caso haja possibilidade no momento que está acontecendo,
04:10porque, assim, a gente faz cumprir a lei, leva esse homem, né, até entregar à justiça para que ele pague
04:18aí pelas ações que ele cometeu.
04:21Só para a gente explicar para quem está em casa, a gente consegue falar um pouquinho sobre a pena mínima
04:26para a agressão contra a mulher,
04:28para um agressor de mulher, aquele que bate ou que faz a violência aí psicológica mesmo,
04:33a gente consegue falar um pouco sobre a pena mínima que ele pode pegar aí para a cadeia?
04:37Quanto tempo esse homem pode ficar na cadeia?
04:41Então, infelizmente também no Brasil, né, as nossas leis, elas são muito complacentes com as pessoas que vivem, né,
04:47a margem do crime, porque aqui eu vou frisar, violência contra a mulher é crime,
04:52por mais que muitos homens entendam que não cometendo um crime, sim, é um crime.
04:56Porém, vou dar um exemplo, né, uma lesão corporal aí qualificada pela violência doméstica,
05:01a pena máxima são de quatro anos.
05:04Então, assim, esse homem, ele pode pegar uma pena máxima de quatro anos.
05:09Muitas vezes isso não acontece porque a lei traz alguns benefícios.
05:13Então, por exemplo, se ele é primário, se ele tem bons antecedentes, se ele tem trabalho,
05:18então, às vezes, ele acaba não cumprindo a pena de forma integral, a pena máxima, né?
05:23Essa dosimetria da pena que a gente chama, o juiz que na hora de aplicar ali a sentença,
05:29ele que dá essa pena com margem ali no que a lei determina.
05:34Só para a gente reforçar para quem está em casa,
05:37identificou que é vítima de violência, está com medo, quais são os canais de denúncia?
05:42Eles são seguros, doutora?
05:44Essas mulheres, elas podem denunciar longe de casa para não estar ali perto do agressor
05:48e não sofrer ainda mais o que já tem sofrido?
05:51Sim, eles são seguros.
05:54É importante, como eu disse, frisar, que as mulheres, elas denunciem
05:57para que a gente possa ajudá-la a sair do ciclo de violência.
06:01Quando a mulher denuncia, ela faz boletim de ocorrência,
06:04ela já pode requerer a medida protetiva.
06:07A gente pode incluir ela no programa Patrulha Maria da Penha,
06:11que a Polícia Militar faz visitas periódicas a essa mulher
06:14para verificar se a medida protetiva está sendo cumprida.
06:17A gente identifica um perfil do agressor e também pode encaminhar ele
06:21para o programa Homem que é Homem,
06:23que trabalha essa desconstrução do machismo, da questão do gênero também.
06:29A mulher também se sentindo que tem risco de morte,
06:33o Estado possui uma casa-abrigo, que é uma casa,
06:36é um abrigo destinado a somente esse tipo de público,
06:40que ela pode ficar lá até que ela reconstrua a sua vida
06:44e possa sair de segurança.
06:46E aqui eu também faço um alerta que é importante.
06:49Nós vivemos em sociedade, então, amigos, vizinhos,
06:53que saibam que alguma mulher está sofrendo violência doméstica,
06:56mesmo que não queira se identificar, nós temos o canal 181,
07:01que ele pode denunciar, pode e deve denunciar,
07:04porque ele pode estar salvando uma vida.
07:06Muito obrigada, doutora Dudu.
07:08Então, como a gente ouviu, é importante denunciar,
07:12seja você mulher, seja você vizinho, colega, tem um 181.
07:16Liga, denuncia.
07:17É um trabalho de todos nós.
07:19Não é só da mulher que está sendo violentada, não.
07:22É um trabalho de todos nós.
07:23Mas a gente precisa combater isso
07:25e precisa mudar essa mentalidade social de uma vez por todas,
07:30porque bater em mulher, achar que mulher é posse, é crime.