- há 3 semanas
Um desembargador criticou uma advogada que estava com bebê no colo durante uma sessão. No estúdio discutimos a falta que uma rede de apoio faz para as mães.
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00:00Porque aqui eu recebo a psicóloga Anne Daltro, também a advogada Camila Dias e a Patrícia Silva, que é mãe
00:07e também não tem essa rede de apoio.
00:10Já já a gente vai falar com você, Patrícia. Eu queria começar com a Camila.
00:14Você como mulher, como mãe e como advogada. Como é que você vê a postura desse desembargador? Boa tarde, Camila.
00:23Boa tarde. Olha, Roberta, é lamentável. Quando a gente vê uma cena dessa, a que ponto que chegamos, ela não
00:31estava ali brincando.
00:32Ela estava claramente numa necessidade. Quem é mãe sabe, eu sou mãe. Eu jamais levaria um filho meu para o
00:39hobby para estar no meu ambiente de trabalho.
00:42Não é nem agradável, nem para a criança, nem para a gente. Então, pelo que a gente viu um pouco
00:47do vídeo, a criança nem estava chorando, como ele falou.
00:50Equiparou a criança, até cachorro latindo. Foi infeliz demais a fala. É uma criança de tenra idade, ou seja, depois
00:57ela se manifestou.
00:59Ela tem uma jornada tripla. Mãe, dona de casa, sem rede de apoio. Então, estava fazendo ali o melhor que
01:05ela poderia naquele momento.
01:07Então, é muito triste ver esse retrocesso. Ao invés de um apoio, está valorizando a figura da mulher, que está
01:14conseguindo,
01:14além de maternar também, está dando conta do seu trabalho, ela foi criticada de uma forma reprovável.
01:22Patrícia, você como mãe, acompanhando essas imagens aí, você, voltando um pouquinho no tempo, hoje a Beatriz, sua filha, já
01:29tem sete anos,
01:31mas você se identifica com essa falta da rede de apoio?
01:34De respeito, né?
01:36Eu mesmo não tenho apoio de ninguém. Então, é complicado. A gente que não tem apoio, não tem com quem
01:44deixar, uma falta de respeito da parte dele.
01:47Qual é a sua realidade no dia a dia? Você tem, não sei, em que momento, assim, até onde você
01:54pode contar com algum familiar, com mãe, com pai?
01:57Como é que é a sua realidade?
01:57Então, quem me acompanha, quem me conhece, Roberta, eu não tenho a minha mãe, sou filha única, não tenho apoio
02:03nenhum.
02:04Tem minha cunhada, que só de vez em quando, né? Que dá pra ficar, mas é muito difícil, mas não
02:10tenho apoio nenhum.
02:11Minha filha é o tempo todo comigo, porque eu não tenho com quem deixar.
02:14Se eu, por exemplo, marcar um procedimento que não for no horário à tarde, que é o horário que ela
02:19estuda, for de manhã, ela tem que ir comigo.
02:21Só dá pra eu ir, a pessoa agendar, se der pra minha filha aí, se não der, não tem como
02:26eu ir também.
02:26Você trabalha como manicure, não é isso? Você tem um espaço e ela acaba indo com você?
02:31Acaba indo comigo, ela tá comigo 24 horas, no meu espaço, juntamente comigo, de manhã e à tarde na escola.
02:38Anny, você como psicóloga, seja bem-vinda, viu, ao Fala Espírito Santo.
02:42Obrigada pela sua participação.
02:43Queria que você contasse pra gente quais são as consequências disso, de tantas jornadas que a mulher acaba abraçando,
02:52porque fica pra gente, quais são as consequências disso tudo?
02:57O termo que a gente usa, né, é de esgotamento emocional, principalmente.
03:01Então, uma mulher que tem essas diversas jornadas, né, mãe, dona de casa, além disso, precisa ter uma vida social
03:09também,
03:09para além de ser mãe, né, trabalhar e trabalhar em casa é um outro tipo de trabalho, né.
03:15Então, o que a gente vê como resultado é realmente um esgotamento emocional,
03:21em que a mãe se vê sem paciência, estressada o tempo inteiro,
03:25e isso, com certeza, também interfere na própria maternidade dela.
03:28E vamos pensar que a sociedade cobra para que a gente seja uma excelente mãe.
03:36As empresas cobram para que a gente seja uma excelente profissional.
03:40E somos um só corpo.
03:44Não dá pra desvencilhar.
03:45Não dá, não.
03:46Não dá, né, Camila?
03:49E eu acho ainda mais triste, né, se a gente pode dizer, que ela ainda se culpou por um momento,
03:55né.
03:55Ela termina ali a fala durante a sessão, falando, ah, desculpa, eu vou tentar dar um jeito aqui.
04:01Ela estava ali fazendo o que ela podia, né, assim.
04:04O advogado, ele não pode se eximir de estar naquele momento, é nossa obrigação.
04:08Então, ela não poderia virar, desligar a câmara e falar, olha, agora eu vou cuidar da minha filha.
04:13Penso que uma atitude que poderia ter sido tomada pelo desembargador foi ter, de repente,
04:17interrompido uns minutinhos aí para a doutora cuidar e a gente volta,
04:20porque a criança poderia estar incomodando, né.
04:23Ou, né, agora, a fala foi o que mais ofendeu, porque a forma como a gente é abordada enquanto mulher,
04:28a gente se coloca num lugar, né, por baixo daquilo, que é o que estava acontecendo,
04:34e se sentiu culpada.
04:35Poxa, está todo mundo aqui dando conta e eu preciso estar com a criança, como se fosse um fardo, né.
04:40Agora, vamos colocar o seguinte, ah, então tá, eu também amamento, meu filho tem um ano e oito meses,
04:44eu amamento, eu vou trazer o rico para o programa?
04:48Não, a gente não está falando disso, a gente está falando de momentos de exceção
04:52e a gente está falando ainda que ela está trabalhando de home office.
04:56O que a gente sabe é que dentro de casa, a gente é tudo nessas horas, não é verdade?
05:02Tânia, você, como lida com vários casos de muitas mulheres diante dessa dificuldade que vivem esse drama,
05:10o que você ouve, de acordo com a sua experiência, sobre esses relatos dessas mulheres
05:14que estão o tempo todo abraçando multifunções dentro de casa e fora de casa também?
05:19Além desse esgotamento emocional que a gente fala, né, o que a gente vê muitas vezes é exatamente por causa
05:25dessa culpabilização
05:26que a gente viu como aconteceu nesse caso, a mulher, ela para de pedir ajuda.
05:31Então, isso acontece muito.
05:33Então, ao invés de eu não estou conseguindo fazer tudo da melhor forma que poderia,
05:38e aí agora eu vou pedir ajuda para minha mãe, para o meu pai, para irmão, enfim,
05:42para quem seja que ela tem ali como uma rede de apoio, né, ela para de pedir ajuda.
05:46E é muito importante a gente pensar também que essa rede de apoio, ela vai além da família, né,
05:52os profissionais que estão acima, de alguma forma, um chefe, né,
05:55o trabalho, ele também é uma, também faz parte da rede de apoio da mulher, né,
06:00porque às vezes a gente tira isso como, ah, o trabalho não faz parte da rede de apoio, mas na
06:04verdade faz.
06:05Então, quando a gente tem essa falta em toda essa rede de apoio,
06:09a mulher começa a se sentir culpada por não dar conta sozinha, para de pedir ajuda,
06:13e a gente vai realmente trilhando um caminho para esse esgotamento emocional,
06:17e às vezes até para algum outro tipo de transtorno.
06:19Já que você disse, trouxe aqui para o nosso debate, que o trabalho faz parte dessa rede de apoio,
06:25doutora, eu queria que você falasse, né, o que diz a lei em relação à mãe e o bebê,
06:31além da licença maternidade?
06:33Então, naquele caso, não tem nada, não tinha e não tem nada que a impeça de estar fazendo o que
06:39aconteceu, né,
06:41não tem nenhuma antiética, nem pelo nosso código, né, da UAB,
06:46dizendo que não poderia estar agindo daquela forma,
06:48então, não tem lei que limite isso, ela poderia, né, é uma questão de bom senso, né,
06:54e, então, assim, não tem nada que a obrigue ou a deixe de obrigá-la a estar cumprindo da forma
06:59como foi feita.
07:01Então, ela está livre, vamos dizer, de julgamentos nesse sentido,
07:05foi uma questão realmente moral ali que foi aplicada.
07:07E só para fomentar o nosso debate, Roberta, ninguém perguntou onde é que estava o pai da criança nessa hora,
07:13entende? A gente assistiu, a gente assistiu, né, das redes sociais, ninguém levantou essa questão.
07:18Ela também nem falou, mas depois ela disse que ela era uma mãe solo,
07:21mas assim como nós, né, por que não ter uma... e aí, e a responsabilidade de uma outra parte, né?
07:27Agora, é interessante isso, Camila, porque tem muita gente em casa agora pensando o seguinte,
07:32quem pariu que balança o berço, não é verdade?
07:36Mas só que humanamente, assim como é impossível fazer um filho sozinha,
07:42humanamente é impossível também criar um filho sozinha, Anny?
07:45Com certeza, né? Na psicologia, a gente tem uma frase que fala o seguinte,
07:50para cuidar de uma criança, para criar uma criança, é necessário uma vila inteira.
07:54Então, não é nem assim, a família é uma vila.
07:57Então, a gente entende que faz parte da sociedade inteira, na verdade, ajudar na criação,
08:03nos cuidados de uma criança, porque faz parte o trabalho dos pais, faz parte a escola, a família.
08:09Então, a gente tem diversos fatores aí, na verdade, que auxiliam no cuidado dessa criança.
08:13Olha só o comentário do Nerivan, ele participa com a gente aqui no Facebook,
08:18ele falou, também não tenho com quem deixar.
08:20Eu e minha esposa não temos parentes aqui.
08:23Essa é uma realidade, gente, de milhares de famílias que, infelizmente,
08:29acabam se tornando invisíveis.
08:32Quantas pessoas passam pelo seu dia e você nem sabe o desdobramento que ela fez, que ela faz.
08:39Olha a Patrícia aqui concordando.
08:41Verdade.
08:42Para dar conta de equilibrar, principalmente, a maternidade, né, Patrícia?
08:48É difícil mesmo.
08:49Nossa, Deus.
08:50No final do dia, vou deitar meia-noite e falo assim, meu Deus, graças a Deus, como que eu consegui
08:55dar conta disso tudo?
08:57E detalhe, como sabe que eu tenho uma esmaltaria em Campo Grande, tem cliente, às vezes, que fica mandando mensagem,
09:03eu falo, só um momento que eu vou te responder.
09:05Aí, fica mandando, mandando, eu falo, gente, eu sou manicure, sou mãe, tenho que levar filho para a escola,
09:12chego em casa, tenho as coisas para fazer, depois que eu finalizo tudo, que eu vou responder.
09:16Sou secretária, então, aguardo um pouquinho que eu vou responder vocês.
09:20Você é sua própria secretária?
09:21Minha própria secretária.
09:23Você, mas o quê?
09:24Quais outras tarefas que você desempenha em casa, por exemplo?
09:27Você faz a comida também, Patrícia?
09:29Todo dia.
09:29Quando chega em casa, ainda faço, boto roupa para lavar, um monte de coisa, arrumo casa.
09:35Botar roupa para lavar, até a máquina, mas quem pendura a roupa?
09:38É, quem pendura a roupa.
09:40Quem lava a louça depois do almoço?
09:42Isso aí, é muita, muita coisa, é muita coisa.
09:45Fazer lancheira da criança, botar, muita coisa, Jesus.
09:49E, Camila, uma conversa que a gente estava tendo aqui nos bastidores é que agora, nesse mês de agosto,
09:55que, inclusive, é considerado o mês da amamentação, ainda vale lembrar desse detalhe,
10:01era para ter um incentivo, né?
10:04Como você bem trouxe, era, de repente, não seria elegante, por parte do desembargador, falar.
10:09Valorizar, né?
10:09É.
10:10Vamos dar uma pausa?
10:11E aí, eu queria que você contasse para o pessoal de casa o que aconteceu dias atrás, na Semana dos
10:16Pais.
10:16Isso.
10:17Um advogado, ele precisou levar um filho dele, o nome da criança é Lorenzo, que ele depois compartilhou,
10:22para uma sessão, parecida com essa que aconteceu com a advogada, porém, foi presencial, foi dentro de um tribunal.
10:29Então, ele entrou com o filho e a criança participou ali naquele momento, né?
10:32E, diferentemente do desembargador, o juiz que estava na sessão elogiou o pai, brincou com a criança,
10:40e olha que ele não estava quietinho, uma criança de três aninhos, eu acho, brincando ali, fazendo barulho com os
10:44brinquedinhos,
10:45brincou com ele, e, ao final, o advogado se manifestou dizendo, agradeceu a postura, né?
10:50E falou que foi uma necessidade, foi uma exceção, que o que ele havia feito não era nada de ir
10:56além da obrigação dele,
10:57porque ele era um pai solo e sem rede de apoio naquela tarde.
11:00Então, ou ele levaria o filho, ele não tinha como trabalhar.
11:03Que é o que nós, mulheres, vivemos todos os dias, como a Patrícia, né?
11:08Então, ele fez isso e ele foi ovacionado.
11:11Todo mundo, olha que super pai, que bacana, e foi realmente uma atitude muito bacana.
11:15Agora, quando foi o contrário, né? Dias depois, com o advogado, ela foi criticada.
11:21Muito triste, né?
11:22E esse pai, ele se pronunciou, né?
11:25Isso.
11:25E o que ele disse?
11:26Não, ele falou que ele não fez nada além do que as mulheres já costumam fazer,
11:30e que ele havia levado o filho porque ele não tinha com quem deixar, ele era um pai solo,
11:35e aquele era o dia dele, ele falou assim, esse é o meu dia.
11:38Quando a gente estabelece no direito, nas ações de família, a gente coloca o dia de cada um,
11:42do genitor ou da genitora.
11:43Esse era o dia dele, então ele não deixou com a mãe, ele carregou o filho porque era a responsabilidade
11:47dele.
11:47Ou seja, e ele foi super elogiado pela atitude correta que ele teve.
11:52E vale lembrar que pai, pai não é rede de apoio.
11:56Pai é pai.
11:57E pai não ajuda.
11:58Pai se responsabiliza tal qual uma mãe.
12:01Exatamente.
12:02E olha só, gente, para as mães solos, aquelas que criam sozinhas os filhos,
12:06essa rede de apoio é ainda mais difícil.
12:09A atriz Sabara Filipe, que tem duas filhas, fez recentemente um desabafo nas redes sociais.
12:15Olha ali.
12:16Vem falar agora porque, agora que eu estou emocionada, eu acho importante passar isso.
12:27Ontem, domingo, eu tinha, para mim, isso que era muito importante para mim, falar.
12:32Mas eu não tinha como deixar minhas filhas de lugar nenhum.
12:37E eu só queria dizer aqui, como é importante vocês apoiarem uma mãe.
12:47Mesmo que você saiba que ela não vá, chame para sair.
12:51Não desista.
12:53Ofereça ajuda.
12:55Não espera ela pedir ajuda.
12:56Fala, você está precisando que eu fique ali?
12:58Você quer fazer alguma coisa?
13:02Ontem, eu tive apoio de dois amigos, que foi muito importante para mim.
13:06E eu preciso deixar isso aqui muito claro para eles.
13:10Então, se você tem uma mãe perto de você, qualquer carinho, qualquer acolhimento é lindo.
13:20Sábado, um amigo meu veio aqui só para tomar um vinho, porque tinha uma festa que todo mundo ia e
13:26eu não podia.
13:27E ele veio aqui, tomou um vinho, a gente jogou um jogo e ele foi para a festa.
13:32É, eu sou uma migalhinha assim de amor que a gente precisa.
13:36Uma mãe sozinha, uma mãe muito sobrecarregada.
13:39Eu estou muito cansada.
13:41Obrigada.
13:42Se você tem uma mulher dessa por perto, mamãe, dê a mão para ela.
13:48Ajude.
13:50E com o marido presente, com o pai, que cumpre com todas as suas responsabilidades, já é difícil?
13:59Vamos nos colocar no lugar de uma mãe solo?
14:01Acho que a Samara Filipe, ela ilustrou muito bem, né?
14:05Anne, de que forma que a família, os vizinhos podem ajudar essa mãe?
14:12E como que a gente observa se aquela mãe também está precisando de um pouco mais de atenção da sociedade?
14:18O que a família principalmente pode fazer e outras pessoas, né?
14:22Como até mesmo profissionais da escola, do trabalho, da rua, do mesmo bairro,
14:27é principalmente exatamente o que ela falou, assim, é oferecer essa ajuda de diversas formas.
14:32Às vezes, levar uma comida pronta, é assim, é o ideal, a mãe vai poupar um tempo ali que ela
14:37gastaria.
14:38Às vezes, chamar para sair, porque essa mãe pode estar tomando muito tempo, né?
14:42Com as suas responsabilidades de casa, do trabalho, da maternidade.
14:46Então, isso também é essencial.
14:48Eu acho que é principalmente oferecer e também ver o que a mãe pode trazer como o que ela precisa,
14:54né?
14:54E o que a mãe, os sinais que a mãe pode demonstrar, assim, principalmente isolamento social.
15:01Então, essa mãe parou de sair, parou de conversar com algumas pessoas,
15:06exatamente porque também sente um pouco de vergonha de estar sempre atarefada,
15:09em muitos momentos, como a gente falou, existe uma culpabilização, né?
15:13A mãe se culpa muito.
15:14Então, esse isolamento social, a mãe estar muito triste,
15:17a gente perceber que ela está mais abatida, né?
15:20De alguma forma.
15:21Então, são alguns sinais que a gente tem que ficar atento quando a gente observa uma mãe,
15:25principalmente uma mãe de primeira viagem.
15:27Olha o comentário da Elisângela Barbosa aqui, ó.
15:31Elisângela, me arrepiei, tá?
15:33Ela fala, quem falou não tem noção do que é ser mãe.
15:38E certamente essa pessoa não foi um bom pai.
15:43Porque se tivesse sido, eu concordo com as suas palavras, Elisângela,
15:47ele iria entender, iria voltar no tempo e lembrar de todo o sofrimento,
15:51como que é difícil, né?
15:53Principalmente nos primeiros meses.
15:55E olha que o comentário também da Pâmela,
15:57ela fala que a filha dela ficava com a avó.
16:00Só que aí a avó faleceu no ano passado.
16:02E aí, graças a Deus, os patrões deixaram a filha ir trabalhar junto com a mãe
16:08e ela é cuidadora de idoso.
16:11Patrícia, você, quando sua mãe era viva, você tinha esse apoio dela?
16:15Tinha, tinha o apoio dela.
16:16Nossa, eu chegava em casa, minha mãe ficava com a minha filha,
16:20fazia as coisas em casa pra mim.
16:23Nossa, era meu segundo braço.
16:25É, o que vale lembrar é isso, né?
16:27Que a gente nunca sabe o dia de amanhã.
16:28Hoje, a gente até tem, muitas das vezes, condições de ter uma rede de apoio.
16:33Mas amanhã, infelizmente, essa rede de apoio pode faltar.
16:36E, graças a Deus, eu tenho o meu esposo também, que ele ajuda do jeito que dá,
16:44mas, graças a Deus, chega o final de semana, ele fala,
16:47Patrícia, eu...
16:49É seu.
16:50É.
16:51Aí a gente sai, eu descanso, porque dia de semana é correria, é estressante.
16:57E, graças a Deus, eu não tenho o que reclamar.
17:00Chega o final de semana, a gente sai, viaja, eu descanso.
17:03Porque se não fizer isso, você ficar de segunda a segunda, a mãe não aguenta.
17:09É um estresse total.
17:11É o que a gente estava falando, é humanamente impossível.
17:13E olha só, agora a gente vai ver o depoimento da Alice.
17:16Ela também, gente, tem dificuldade em ter rede de apoio.
17:20Escuta só a história dessa jovem.
17:25Você precisa estar trabalhando pra se sustentar, ajudar a sustentar sua família, sua casa.
17:32E, ao mesmo tempo, você precisa estar com um bebê, uma criança, que depende exclusivamente de você.
17:39E aí você pira, né?
17:41Bate o desespero, como diz o outro.
17:44E, quando a gente fala em rede de apoio, as pessoas acham que é uma coisa assim,
17:51de pegar a criança pra levar, pra fazer alguma coisa.
17:54E, na verdade, a criança precisa de uma rotina.
17:56Então, ela precisa ter uma rotina.
17:59A rede de apoio é uma pessoa que você sabe que você pode contar todo dia, que vai estar ali.
18:03E é muito difícil, né?
18:05Até a rede de apoio paga, na verdade.
18:08A gente tem muita dificuldade pra encontrar.
18:10Porque colocar uma pessoa de confiança na sua casa,
18:13eu tive, durante esses dois anos, tentando aí.
18:16E foram três experiências péssimas.
18:19Aí, a solução que a gente encontrou foi colocar numa creche, em período integral,
18:25o que eu acho uma dó, porque ele tá com dois anos.
18:28Mas, é uma forma que eu consegui, pelo menos, tentar retomar minha vida profissional
18:33e minha vida mesmo, tentar entrar nos rechos.
18:37E o caso da Alice, gente, ainda vou compartilhar com vocês um pouco além da história dela,
18:42é que, quando o bebê, o neném dela, nasceu, com dias de vida, a mãe morreu.
18:48Que era exatamente essa rede de apoio.
18:51Isso foi agora, no início da pandemia.
18:54Então, você imagina pra uma mulher lidar com esse sentimento da perda da mãe
18:58e ainda ter que se virar como profissional, como mãe, como dona de casa,
19:02e esposa, ter que dar conta do marido ainda, né?
19:06Em relação a todos os compromissos que a gente também tem que ter no nosso casamento
19:11e vice-versa, do homem também com a mulher.
19:13Então, a gente consegue imaginar o quanto isso vai só pesando o fardo, né, Anny?
19:18Sim, e assim, o luto, ele geralmente traz pra gente, né, um estado depressivo.
19:23Então, a gente geralmente já fica muito abalado.
19:26Agora, somando isso ao puerpério, que também é um momento muito delicado, né?
19:30Ali, após essa mãe ter o filho, é um momento também de muita instabilidade emocional.
19:35A gente tem realmente uma...
19:37A gente precisa de um cuidado muito grande com essa mãe, assim.
19:40E eu torço muito pra que ela tenha tido isso nesse momento, né?
19:43Porque realmente é o que a gente precisa nesses momentos.
19:46Então, é muito necessário que a gente preste esse apoio de diversas formas,
19:50como a gente tem falado aqui, assim.
19:52Olha o comentário da NET.
19:53Gente, eu vejo esse programa há sete anos e nunca chorei como hoje, viu?
19:58Certamente, ela deve estar se identificando, né?
20:01Camila, eu queria que você falasse pra gente a respeito das políticas públicas.
20:05O que falta de atenção do Estado, das autoridades, em relação a essa estrutura
20:12que a gente sabe que é falha, né?
20:14Que não atende às necessidades de uma mãe moderna.
20:19Pois é, são muitas vertentes que precisariam mudar, né?
20:22Pra poder estar acolhendo essas mães.
20:25Por exemplo, as creches são pouquíssimas creches em tempo integral.
20:30Antigamente tinham mais, hoje está bem escasso.
20:34Eu tenho dois filhos e eu sou mãe solo.
20:37Então, quando a escola fala, né?
20:40Um, minha filha é da rede particular, meu filho é da rede pública.
20:43Quando chega muito bilhete da rede pública, não tendo aula por qualquer motivo durante a semana,
20:48eu fico assim, o que eu vou arrumar, né?
20:50Com essa criança, olha que eu sou autônoma e eu tenho uma mãe que me dá rede de apoio.
20:54Só que aí você sobrecarrega alguém.
20:56E eu fico imaginando essas mulheres que não têm pra onde levar as crianças.
21:00A Patrícia é uma delas.
21:01Então, que é a realidade de muitas, né?
21:04Assim, a gente precisaria de ter uma formação melhor, essa parte escolar, eu acredito que ajudaria muito.
21:10Não vamos ter pra horários pra gente ser mulher.
21:13O Estado não vai nos apoiar nesse sentido.
21:15Mas aí vem essa questão das pessoas ao nosso redor, desse apoio, dessa ajuda.
21:20Mas, assim, a única coisa que o Estado, que o município pode estar fazendo é melhorando, ao menos,
21:27a qualidade de vida durante o dia, pra que essa mulher possa estar no seu ambiente de trabalho,
21:33descansada, que o filho, no mínimo, de 8 às 17, 18, tá ali, né?
21:38Porque, diferente de outros países, que não é o nosso caso, existem horários estendidos,
21:43existem benefícios pras mulheres que trabalham e, no Brasil, nós não temos isso, né?
21:47Então, como teve pras mães solos na época do auxílio, né?
21:52Na pandemia, teve em dobro pras mães que eram solo.
21:54De repente, tá praticando isso, que com isso a mulher consegue, né?
21:58Dar conta de uma outra forma também.
22:00Mas, por enquanto, o que temos é só isso.
22:02E a gente sabe, né?
22:03Já que você trouxe exemplos de outros países, tem lugares que o pai,
22:07ele também tem direito a uma licença paternidade estendida.
22:12E isso, gente, vai impactar lá na frente aquela criança que tem...
22:18Acho que, Anny, você tá aqui melhor do que ninguém pra falar, né?
22:20O quanto isso seria importante.
22:22A presença do pai e da mãe na primeira infância.
22:26Com certeza.
22:27Essa primeira infância, que é até os 6 anos, né?
22:29Que a gente entende, tem um grande impacto nesse desenvolvimento.
22:32Principalmente porque a gente fala que, geralmente, o pai, ele faz algumas brincadeiras
22:37que é mais raro a mãe fazer.
22:39Como jogar o filho pro alto, ir até o fundo da piscina segurando a criança, né?
22:43A mãe é mais cuidadosa nesse sentido, né?
22:46Ela tem um pouco mais de receio.
22:47E o pai, quando ele faz esse tipo de brincadeira,
22:50ele estimula a autoestima dessa criança, a autoconfiança dessa criança.
22:54Então, quando falta isso, a gente pode ter uma sensibilidade maior ao longo da vida.
22:58Além de outras participações, como ter uma figura referência de homem pra essa criança, né?
23:05Ter uma divisão de tarefas aí.
23:08Então, ele também entende que não é tudo que depende da mulher.
23:10Ele consegue observar uma organização de uma casa,
23:13dividindo melhor as responsabilidades.
23:15Tudo isso tem esse impacto.
23:16Isso vai impactar lá na frente, né?
23:19Na educação dessa criança.
23:20Gente, obrigada pela participação de vocês.
23:22Patrícia, vai correndo.
23:24Vou correr agora.
23:25Você tem que ir para a sua esmaltaria, daqui a pouco tem que pegar a Bia na escola.
23:28Assim como você também, Camila e Yanni, você também está totalmente envolvida, né?
23:33Obrigada pela participação de vocês.