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  • há 3 semanas
Promotor Rodrigo Monteiro fala sobre caso Michelle Passos

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Transcrição
00:00Esse crime aconteceu em 2 de junho de 2015.
00:04O crime foi identificado, a conduta da REL foi identificada por ocasião do atendimento médico
00:12feito no hospital de Vitória, que quando a criança chegou no hospital já sem vida,
00:16percebeu-se que ela estava com um corte bem grande na região do Torques
00:22e essa foi inclusive a causa da morte da criança.
00:25Essa criança nasceu com vida, com 1,6 kg, nasceu saudável e a causa da morte foi esse golpe com
00:32uma tesoura no coração.
00:34A REL alegou inicialmente que não sabia da gravidez, fato que o processo desmente,
00:40uma vez que dois exames de gravidez foram falsificados com resultado positivo,
00:46a REL falsificou esses exames para negativo, para informal, para enganar o marido,
00:53a família do marido de que ela não estava grávida, uma vez que o marido que já tinha dois filhos,
00:58já pagava pensão a duas crianças, falou categoricamente que não queria mais ter filhos
01:04e quando da prisão a ré afirmou para um policial que foi ouvido nos autos
01:09que ela cometeu o crime e que ela não queria perder o marido.
01:12Quando ela foi ouvida em juízo, na segunda oitiva, ela afirmou que sabia da gravidez
01:18e que o bebê nasceu em casa e que ela não se lembra de mais nada.
01:24Então, ultrapassada essa fase, outras provas foram produzidas, testemunhas foram ouvidas
01:30e chegou-se à conclusão que ela cometeu um crime de homicídio.
01:33Ficou presa por pouquíssimo tempo e agora vai ser submetida a julgamento pelo tribunal do júri.
01:38Pelas peças da defesa durante o processo, a gente percebe que a tese defensiva
01:44vai tentar desclassificar o crime de homicídio, que tem uma pena de 12 a 30 anos,
01:48para o crime de infanticídio, que é uma pena de 2 a 6 anos, uma pena infinitamente menor.
01:55O infanticídio é aquele crime que a mãe mata o próprio filho logo após o parto,
02:01influenciada sob o estado puerperal.
02:04O que é o estado puerperal?
02:06É uma condição psicológica em que a pessoa perde um pouco a noção da realidade.
02:12Então, a lei entende que houve crime, mas como a mãe, movida por um sentimento psicológico de descontrole,
02:21ela comete esse crime.
02:22Nós entendemos que há provas, há indícios nos autos, dando conta de que houve, de fato,
02:28um crime de homicídio e também um crime de falsificação de documento,
02:32em razão da falsificação dos exames laboratoriais que testassem a gravidez.
02:37E, em plenário, esse vai ser o nosso papel, proteger a vida, proteger a integridade da sociedade.
02:43Você trata de um crime muito grave.
02:45Se você procurar no dicionário uma palavra para definir o que aconteceu naquele dia,
02:53crueldade, gravidade, a gente não consegue encontrar.
02:56Foi algo, assim, bastante difícil de perceber, uma maldade sem tamanhos.
03:04Algo que a gente está acostumado, nós estamos acostumados a lidar com a maldade humana,
03:07de vermos muitas coisas ruins no nosso dia a dia, mas é um processo que choca.
03:13Um bebê recém-nascido, indefeso, 1,6 kg, nasceu saudável e teve sua vida,
03:19sua brevíssima vida ceifada por um sentimento de egoísmo,
03:25por um sentimento de posse da mulher em relação ao marido,
03:29que não queria perder o marido e levou a matar o próprio filho.

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