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  • há 3 semanas
Sobrevivente de desabamento fala sobre a explosão

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Transcrição
00:00A imagem da tragédia, o momento da esperança.
00:12A sobrevivente Larissa Morassuti aceitou gravar entrevista com a equipe de reportagem da TV Vitória.
00:21Ela veio até a emissora para conversar com nossa equipe.
00:28Vinte dias depois do desabamento, aqui está Larissa.
00:35Larissa, muito obrigado por ter aceito o nosso convite de estar aqui para abrir o seu coração para todo o
00:45estado do Espírito Santo,
00:47para falar do que você passou e do que você está passando.
00:52Você está emocionada por quê?
00:55Medo.
00:57Medo do quê?
01:01De... não sei. De várias coisas.
01:05Minha mão está gelada?
01:06Está, muito.
01:07Mas eu não estou com frio.
01:11Da situação toda, de expor agora, né?
01:16O que... o que na verdade eu conversava com familiares e amigos, agora vai ser exposto.
01:27Medo, só.
01:28A Larissa aceitou vir até aqui aos estúdios da TV Vitória para falar sobre aquele dia, dia 21, né?
01:38De abril.
01:38Dia 21 de abril.
01:40O dia que mudou completamente a vida dessa capixaba.
01:55Eu estava dormindo na sala, no sofá, eu acordei, olhei pela janela que ficava sempre aberta, pelo sol eu vi
02:04que era bem cedo, mas eu não cheguei a olhar o horário no celular.
02:09E eu falei, ah, está muito cedo, vou dar mais uma enroladinha para levantar.
02:14Era feriado, né?
02:15Feriado.
02:17É... e aí eu me virei no sofá e quando eu me virei no sofá, aconteceu a explosão.
02:34A explosão me lançou para o alto, eu quase bati no teto da minha sala e caí.
02:43Quando eu caí, eu já caí nos escombros e aí caiu a laje inteira em cima de mim, que eu
02:51só fui saber que era uma laje inteira em cima de mim depois do resgate, quando abriram e eu consegui
02:59enxergar, mas até então eu não sabia.
03:01Tudo isso você estava consciente?
03:03Consciente.
03:04Todo o tempo.
03:04Você viu tudo?
03:05Todo o tempo.
03:07Eu voei de olho aberto.
03:10E caí de olho aberto.
03:12E a laje caiu e aí escureceu tudo, porque é breu.
03:18E aí tudo do terceiro andar que caiu em cima da laje, que caiu em cima de mim, fazia poque,
03:24poque, poque, poque.
03:25Como se fosse uma chuva de granizo.
03:28E depois silêncio absoluto.
03:36Ouvia minha irmã gritar, ouvia minha cachorrinha chorar e ouvia minha sobrinha gritar.
03:42A sua irmã gritava o quê?
03:45Meu Deus, meu Deus, meu Deus, o que que é isso?
03:47Meu Deus, o que que é isso?
03:49Meu Deus, meu Deus, me ajuda, meu Deus, me ajuda.
03:52E a sua sobrinha?
03:54Só gritava igual filme de terror.
03:55Ah, ah, ah, ah, sem parar.
04:01E você não gritou?
04:02Não.
04:03Eu não gritei porque eu sabia que ainda não tinha chegado ninguém.
04:07Ia demorar o período, né, do socorro chegar.
04:12Mesmo achando que eu ia morrer, eu mexi os meus pés, mexi meus pulsos, porque eu também sabia que existiam
04:20bolsões de ar ali.
04:22Então eu respirava devagar, também, pra poupar.
04:27Ou que ia terminar de desmoronar e ia me amassagar, porque tinha um piso pressionando a minha cabeça.
04:34Falei alguns versículos bíblicos, conversei com Deus.
04:37Falei alguns versículos, questionei Deus, de por que ele havia escolhido pra mim uma morte tão lenta e dolorosa.
04:52Encontraram a minha irmã, porque como ela estava mais abaixo, ela devia estar mais acessível.
04:59E aí eu escutava a minha irmã conversando com outras pessoas.
05:03E eu parei de escutar a minha sobrinha gritar.
05:06O meu pai, naquele momento em que eu estava ali, como meu pai era idoso, eu já não achava que
05:12ele teria sobrevivido.
05:14Dali de dentro, eu já comecei a confortar meu coração de que eu não veria mais o meu pai.
05:20E a minha sobrinha, quando parou de gritar, eu também achava que eu não a veria mais.
05:25A minha esperança era de ver a minha irmã.
05:27Eu ouvia ela conversando nitidamente, falando o nome dela, os bombeiros perguntando quem estava na casa, ela respondendo quem estava
05:36na casa.
05:37Eu ouvia nitidamente.
05:38Ela era minha irmã mais nova.
05:43A personalidade dela era muito diferente da minha.
05:47Ela era gastadeira e eu não.
05:50E eu falava que ela...
05:52Eu falava, Camila, para de ficar gastando com roupa.
05:56Sabe, o conselho de irmã mais velha?
05:59Pensa mais no futuro.
06:07Larissa, voltando lá, você naquele buraco.
06:12Quando foi que você teve esperança de sair dali?
06:17Foi quando abriu um fecho de luz como se você pegasse um palito de dente e furasse um queijo.
06:25Não vai fazer um furinho do palitinho de dente?
06:28Abriu um fechinho de luz daquele.
06:30Daquele tamaninho.
06:32Menor do que de uma cabecinha de fósforo.
06:35Muito menor.
06:36Foi o primeiro fechinho de luz que eu vi.
06:41Ali, eu não tive a esperança de que eu ia sair, mas ali eu vi que eles estavam chegando perto
06:45de mim.
06:46E nesse momento você falou, gritou...
06:48Nesse momento eu entrei em pânico.
06:50Porque quando você acha que você vai morrer, parece que você...
06:56Eu já estava me conformando de que eu ia morrer.
07:00Mas aí quando os bombeiros começaram a chegar e que eu senti eles chegando, aí eu falei, tem esperança.
07:08Aí eu entrei em desespero.
07:10Já que tem esperança, eu quero sair logo.
07:12Aí eu escutei o bombeiro falando, para a máquina, para a máquina.
07:17Eu acho que o barulho da máquina assustou ela.
07:19Mas não era o barulho da máquina que estava me assustando.
07:22Era a esperança de sair e não sair.
07:26Aí eu chamei o bombeiro, eu falei, bombeiro?
07:29Aí ele, oi?
07:30Aí eu falei, pode continuar, o barulho da máquina não está me incomodando.
07:35E aí eu voltei para a calma e eles continuaram o resgate.

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