00:00Minha gente, vamos agora voltar a falar sobre o caso da mulher que foi assassinada pelo marido lá em Guarapari.
00:06Porque os relatos da mãe dela são muito fortes.
00:10Ela faz um apelo, até pra você que passa pela mesma situação que a filha passava, de constantes agressões.
00:17Sai fora dessa!
00:19Ela conta que não acreditava que o homem fosse capaz de matar a filha.
00:24E hoje teve que vê-la em um caixão.
00:27O criminoso está preso.
00:29Balança!
00:30Muitas vezes eu consegui, eu briguei, eu ameacei a tomar os meninos dela.
00:36Tudo que eu pude fazer pra tirar desse bicho, eu nunca tentei, mas eu não consegui.
00:40Esse é o relato da mãe de Edilane Bernardo Franco, de 30 anos.
00:46Morta a facadas dentro deste carro na frente dos filhos.
00:50Um bebê de quase dois anos e uma criança de cinco anos de idade.
00:54O principal suspeito do crime, preso em flagrante, é o marido de Edilane, o mecânico Anderson de Deus Santos, de
01:0236 anos.
01:03A polícia civil já divulgou que o homem vai responder por feminicídio, majorado por ele ter praticado o crime na
01:11frente dos filhos.
01:12O velório acontecia nesta manhã, nessa funerária do bairro Aeroporto, em Guarapari.
01:19A mãe da vítima estava desolada.
01:22Ela abriu o coração pra nossa equipe e contou tudo o que aconteceu.
01:26No dia do crime, último sábado, Edilane e o marido teriam saído para resolver alguns problemas de uma casa que
01:32ele iria colocar pra alugar.
01:34Mas, segundo as testemunhas, já saíram de casa discutindo.
01:39Ela disse pra mim que ia lá na casa dele, que ia pra fazer essa talônica, que ia pra fazer
01:45uma faxina, pra ele poder alugar.
01:48Aí ela chegou, mas não teve muito o que fazer.
01:51Estou indo pra casa.
01:52Depois eu disse, eu não tive mais notícia.
01:53A única notícia que eu tive foi que não gostou, que ela já estava morta.
01:57Edilane e o marido estavam juntos, segundo as testemunhas, há pelo menos quatro anos.
02:02Mas a relação sempre foi marcada por agressões.
02:07Ali, conversando com os familiares da vítima, no velório dela, nós descobrimos várias situações.
02:15Os parentes contaram que ele vivia fazendo uso de álcool e também de drogas.
02:21Mas ele também agredia a esposa, a Edilane, enquanto estava sóbrio.
02:26Um dos casos contados ali pra nossa equipe foi o seguinte.
02:29Uma vez, a Edilane estava dentro de casa e decidiu escutar uma música, um som alto.
02:36Ela ligou o som e esse foi o motivo da discussão.
02:40Porque ela tinha ligado o som, ele acabou agredindo a mulher.
02:44Uma outra situação também que chamou a atenção.
02:46Uma vez, a Edilane se arrumou pra sair de casa com a mãe.
02:51O homem ficou bravo porque ela estava arrumada demais, bonita demais, segundo ele.
02:55Esse foi o motivo pra mais uma surra.
02:59Tudo isso na frente dos filhos.
03:02Se ela saia comigo, ela estava traindo, estava acobertando os olhos dela.
03:08Sempre assim.
03:09Ela não podia sair com a senhora que era mãe.
03:11Ela não podia sair.
03:13Ela não podia sair.
03:15Ela não podia sair com a mulher.
03:16A família da vítima afirma que Edilane sempre perdoava o marido.
03:47Ela usava o argumento que queria a família unida a qualquer custo.
03:51O que ninguém esperava, ninguém acreditava, era que Anderson teria coragem de matar a mulher.
03:57Que ele dizia amar tanto.
04:00Ele se parava e falava que ia mudar, que não, ia dar cachorrosse.
04:04E ela perdoava, né?
04:07Perdoava.
04:08Ela sempre perdoava.
04:10A criança de 5 anos que presenciou todo o assassinato e, segundo a avó, se culpa pela morte da mãe.
04:17Quando ele me viu, ele falou assim, pô, pô, se matou a minha mãe e eu não pude ajudá-la.
04:26Eu sou culpado.
04:29E eu quero conversar com ele, eu quero saber por que ele matou a minha mãe.
04:33Ele está muito abalado, ele está agressivo, ele está nervoso.
04:38A gente está tendo muita paciência comigo, muito, muito.
04:43No dia do crime, nossa reportagem foi ao local.
04:46Conversou com esta testemunha que socorreu as crianças.
04:50Ela relatou que o menininho de 5 anos não conseguia falar nem o próprio nome.
04:56As crianças estavam muito abaladas.
04:57O mais novo não falava nada.
05:00Eu não sei se ele não fala ainda, porque ele parecia ser bem novinho.
05:04E o mais velho falava que não era culpa minha, tia.
05:08Não foi culpa minha, tia.
05:10E falou que o moço fez assim na mãe dele.
05:15A família já procurou ajuda médica para a criança.
05:18Estou marcando o psicólogo, né?
05:22O trecho de tudo é que eu vou ter que parar de trabalhar para cuidar deles.
05:26Eu não sei, eu não tenho que ir em escola, não tenho que ir em creche.
05:30Ele não destruiu a sua vida, a minha vida não.
05:34Ele destruiu a vida de todo mundo.
05:36A mãe de Edilane vai sair do emprego para cuidar dos netos.
05:39A mulher chora a morte da filha.
05:41E deixa um recado para as mulheres que sofrem com a violência em casa.
05:47Bateu uma vez, não existe essa de mudar.
05:51Pessoa que bate uma vez, bate sempre.
05:53Até fazer uma coisa bem pior, que foi o caso da minha filha.
05:56Ela não acreditava que ele ia matar ela.
06:00Eu não acreditava que ele ia matar ela.
06:02Quantas vezes eu não falei.
06:05Mata nada!
06:06Ele teve tanta chance, não fez.
06:08Mas ele não teve, foi a hora certa.
06:11E sábado ele achou a hora certa.
06:13Estou olhando naquele caixão.
06:17Destruído.
06:19Agora que está caindo a ficha, eu estava forte até agora.
06:26Terrível, gente.
06:27Deixa eu voltar com a Marla Bermudes,
06:29que está ao vivo com a gente,
06:30acompanhando essa história desde o início do balanço
06:33e vai atualizar para você de casa.
06:35Marla, por favor.
06:37Só para você entender como aconteceu a dinâmica desse crime no sábado.
06:42Nós estamos no local onde tudo aconteceu,
06:45na estrada aqui de Nova Guarapari.
06:47Só para você poder entender,
06:49a gente está mostrando o sentido Meaípe.
06:50Quem vai nesse sentido aqui por essa estrada,
06:52chega em Meaípe, em Anchieta.
06:55No sentido contrário,
06:57a pessoa volta para o centro de Guarapari
06:59e é onde também fica o PA de Guarapari.
07:02Quando a polícia parou o suspeito aqui
07:05e perguntou a ele o que tinha acontecido,
07:07ele veio com um papo à conversa fiada
07:09de que eles tinham sido assaltados,
07:11ele estava socorrendo a esposa,
07:14a polícia desconfiou porque ele estava exatamente
07:16no sentido contrário.
07:18Ou seja, ele estava lá do outro lado da pista.
07:21Nós estamos aqui no lado, no sentido PA de Guarapari
07:23e o carro estava estacionado lá do outro lado.
07:27A polícia desconfiou e juntou com o relato
07:29das testemunhas que viram e que perceberam também
07:33a situação, a discussão acontecendo dentro do carro.
07:37Lembrando que a Edilane, segundo as testemunhas,
07:39estava sentada no banco de trás, junto com os filhos.
07:42E esse homem estava dirigindo.
07:44Em determinado momento da discussão,
07:46ele começou a esfaqueá-la na frente das crianças.
07:50O de cinco anos tentou ainda,
07:53segundo o relato das testemunhas,
07:55segundo a polícia, defender a mãe.
07:57Chegou, inclusive, a se machucar.
07:59Ele tentou se colocar na frente da mãe
08:01para evitar que aquela agressão acontecesse.
08:04Hoje, no relato, conversando com a avó das crianças,
08:07a mãe da vítima, ela disse que o menino,
08:09você viu aí na entrevista,
08:11ela disse que ele se sente culpado
08:13porque não conseguiu ali evitar
08:16que aquele crime tivesse acontecido.
08:18Uma criança de apenas cinco anos
08:21que vivia, segundo a família da vítima,
08:23em um ambiente de violência,
08:25porque esta não foi a primeira agressão
08:27que essas duas crianças,
08:29a de quase dois anos e a criança de cinco anos,
08:32presenciaram.
08:33Agora, a família segue do velório
08:35para o enterro de Edilane,
08:37que também vai acontecer aqui em Guarapari.
08:39Edilane foi nascida e criada aqui nessa região,
08:42uma pessoa muito querida pelos familiares,
08:45muito querida também ali no bairro onde ela morava.
08:48E as pessoas, as testemunhas, diziam o seguinte,
08:50que ela tentava a todo custo acreditar nesse homem.
08:54Segundo o relato dos amigos e das testemunhas
08:57que ali estavam no velório, nós conversamos,
09:00mesmo sem gravar a entrevista,
09:01eles disseram o seguinte,
09:03esse rapaz, segundo as testemunhas,
09:06fazia uso de álcool, de bebida alcoólica,
09:09de droga, e que ela acreditava
09:10que ele ia sair desse mundo.
09:12É a loucura disso tudo, né, velho?
09:15Olha, eu ouvindo a Marla falando ali, né,
09:18como tudo aconteceu dentro do carro,
09:21pelos relatos das próprias crianças, né?
09:24Você consegue imaginar, velho,
09:25uma criança de cinco anos
09:27se jogando na frente da mãe
09:29para que a mãe não fosse esfaqueada?
09:32Olha a cena, olha a que ponto nós estamos chegando.
09:36Uma criança de cinco anos
09:38viu a mãe sendo esfaqueada
09:40e olha a mentalidade da criança, né,
09:44de se jogar, gente.
09:46Vão precisar de ajuda e muita ajuda, tá?
09:49Obrigado, Marcos.