00:00Mesmo sabendo que ele perdeu a vida, é uma maneira de eu ter ele perto de mim hoje, nesse momento
00:04difícil.
00:06É uma camisa que ele, todo momento que ele vestia, ele saía para a rua, era uma camisa que ele
00:13gostava muito.
00:13Por isso que eu peguei ela nesse momento.
00:17Quando eu saí na beira do terraço, que eu olhei para baixo, vi as crianças já chorando.
00:23E ali, falando no nome do Rafael, o Rafael ia perguntando o que aconteceu.
00:28Eu ia chorando muito e falaram que eles estavam em uma lagoa, no bairro Itacoara II.
00:34Só que eu não conheci nenhuma lagoa em Itacoara II.
00:38E foi onde que eu vi chorando muito e perguntei, mas o que aconteceu?
00:42Aí foi onde que eu falei com eles, ele morreu?
00:45Aí eles balançaram a cabeça e falaram que sim e entraram em desespero.
00:50Quando eu cheguei lá, realmente já não tinha nada o que fazer.
00:53Qual foi a cena que o senhor viu assim que chegou ao local?
00:56Eu vi o meu filho metade no barro, metade dentro da água, onde ele se afogou, que ele já tinha
01:04retirado ele.
01:05E a minha reação, a primeira coisa que nós fizemos foi tirar ele dali daquela água e coloquei ele um
01:10pouquinho mais acima.
01:11No início, quando você entra, você não percebe que lá é fundo.
01:14Mas quando você vai entrando para dentro daquele barro ali, você percebe que realmente é fundo.
01:20Porque era um menino que estudava, tinha problema irrelevante, como com toda criança.
01:28Toda criança tem aquele negócio de rebeldia, de não obedecer, mas a gente sempre estava em cima.
01:34Isso foi uma tragédia anunciada.
01:37Agora eu só quero que eles resolvam essa situação para não acontecer com outra família que está acontecendo comigo agora.
01:45Obrigado.
01:46Obrigado.
01:46Obrigado.
01:46Obrigado.
01:46Obrigado.
01:46Obrigado.
01:46Obrigado.