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  • há 2 horas
Entenda quais serão as mudanças no ensino médio:

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Transcrição
00:00E agora a gente volta aqui para o estúdio para falar sobre aquela polêmica envolvendo o estudante que teve a
00:07perna amarrada na cadeira da escola.
00:09Isso aconteceu aqui na nossa capital, em Vitória.
00:11A mãe da criança conversou com a nossa equipe e ela disse, gente, que vai levar o caso para a
00:16justiça.
00:18Ao rever as imagens do filho amarrado pelas pernas com uma fita adesiva, a mãe desabafa.
00:25Eu fico triste porque eu nunca fiz com meus filhos, entendeu?
00:28Para mim ele é um monstro. Ele é um monstro porque eu já tive muitos relatos agora de outras mães,
00:33de crianças que relataram e ninguém teve coragem de chegar lá na direção e contar.
00:38O vídeo mostra a criança de 12 anos presa durante uma aula em uma escola pública municipal da capital, Vitória.
00:45A gravação foi feita por um colega do menino.
00:49Eu fiquei sabendo através do celular do meu filho que ele chegou em casa, botou para carregar, que ele viu
00:54o videozinho que as crianças postaram no grupo.
00:58Um grupinho que eles fizeram deles mesmo e postaram no status.
01:02Aí eu copiei pelo status e depois pedi uma adolescente que estava também junto, que ela me mandasse o vídeo.
01:08E indignada, a mãe afirma que ligou para a escola e que o marido foi até a unidade de ensino.
01:14Meu marido foi na escola, só que não tinha ninguém na escola, só tinha duas professoras e pediu para voltar
01:21na segunda.
01:22Na segunda ele voltou e fizeram a reunião e o professor pediu desculpa, o meu filho que ia tratar ele
01:28melhor.
01:29Só que eu não quero que ele trate meu filho melhor, eu quero que ele não seja mais um professor
01:33de uma escola infantil.
01:35Ele não pode dar aula com a criança e que ele amarrou os pés dela para punir.
01:39A mãe contou como o professor teria amarrado o filho.
01:43Meu filho já relata para mim que ele gritava sempre com ele para sentar.
01:49Dessa vez ele falou que ele gritou para ele sentar e falou, eu vou amarrar seus pés.
01:53E foi lá e amarrou os pés dele.
01:54Só que ele não teve reação e ficou sentado e continuou.
01:57Acabou a aula, ele cortou e tirou do pé dele.
02:01Aí foi quando eu cheguei em casa que eu vi o vídeo que ele estava com o pé amarrado.
02:05A mãe relatou ainda que o filho tem déficit de atenção e que por conta disso faz acompanhamento médico.
02:12E que agora, diante de tudo que está acontecendo, a criança está bastante assustada.
02:18Meu filho está assustado, está com medo de ir para a escola, com medo do professor.
02:23Ele estava levantando várias vezes com medo que era o professor que estava vindo.
02:26A Delegacia de Proteção à Criança e o Adolescente também investiga o caso.
02:32Mas a Polícia Civil não deu detalhes sobre o andamento das investigações.
02:37A produção não conseguiu contato com o professor para saber a versão dele.
02:42Agora a mãe afirma que vai procurar a justiça.
02:52Como nós vimos aí, a criança, segundo a família, tem déficit de atenção e por isso precisa de um apoio
02:58maior da escola.
02:59Então bora bater um papo sobre esse caso e também, gente, sobre a importância da educação inclusiva.
03:05Na verdade, nem é mais esse nome.
03:07A importância da educação, como é que é?
03:10Fala pra gente, Juliana.
03:11A educação especial, a inclusão de todos os alunos, a escola ser para todos os alunos.
03:15A educação especial.
03:17Então pra isso, a gente recebe aqui a secretária de educação de Vitória, Juliana Rossner,
03:22e também a psicóloga, que ela é especialista em educação infantil.
03:27Marina Escabelo, obrigada pela presença de vocês.
03:30Você que é atuante também nesse universo infantil, né Marina?
03:33Isso, eu atuo na clínica e também numa escola e entendo totalmente a importância
03:39de oferecer um ensino igualitário para todas as crianças, independente da condição.
03:44E a gente vai falar exatamente sobre isso hoje.
03:46Você aí de casa pode participar com a gente pelo Facebook.
03:49Juliana, primeiro, como que vocês receberam essa mensagem, essa informação?
03:53De que forma que a secretaria avaliou essas imagens que a criança, naquele exato momento,
03:59ele foi amarrado com durex na cadeira?
04:01Nós recebemos na segunda-feira.
04:03A família esteve na Secretaria de Educação e imediatamente a gente tomou as providências.
04:08Então, nós fomos uma equipe para a escola para averiguar, entender o que estava acontecendo,
04:14enquanto a outra equipe já foi para a corrigidoria para a gente ver os processos administrativos.
04:19E de imediato, o professor foi afastado de medida cautelar, para que se pudesse entender,
04:25enviar isso para a corrigidoria e também enviamos para a Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente, né?
04:31A DPCA.
04:32Certo.
04:32A família alegou aí que a criança está com traumas em relação a essa atitude do professor.
04:40Vocês estão atuando, estão oferecendo algum apoio para essa família?
04:44Com toda certeza.
04:45O psicólogo vai poder contribuir com isso, mas quando uma criança passa e é exposta por alguma coisa,
04:51a gente precisa acolher e entender o que está acontecendo para ajudar ela a atravessar esse momento.
04:57Então, a equipe fez todo o atendimento com a escola, com os professores,
05:01porque a comunidade também, nesse momento, fica muito exposta, a própria comunidade escolar,
05:06trazendo para a família e para toda a comunidade, que foi um caso isolado,
05:11que isso não representa o magistério, não representa a educação pública de Vitória.
05:16Então, assim, para a gente ter esse cuidado e acompanhar e acolher essa criança,
05:21fizemos também o encaminhamento para o CREA, para que ela tenha acompanhamento psicológico
05:25e ajude ela a atravessar esse momento.
05:28A gente sabe que a gente está num momento muito difícil, um momento de pandemia.
05:31As crianças estão presas dentro de casa, aí vão para a sala de aula, aí voltam,
05:36aí proíbe a aula, volta com aula e junto a isso também tem o estresse da criança,
05:41mas também tem o estresse do professor.
05:44Como lidar com isso, Marina?
05:47Então, o professor, ele tem cada dia mais demonstrado o sinal dele em relação à saúde mental,
05:53o como que eles estão desgastados, não só fisicamente, mas emocionalmente.
05:57Então, o que a gente tem feito, por exemplo, na instituição onde a gente trabalha,
06:01nós oferecemos curso de inteligência emocional para os professores,
06:05que é um espaço onde eles podem contar sobre as experiências vividas,
06:10sobre aquilo que eles têm recebido dentro de sala de aula.
06:12E aí, assim, juntamente com a equipe pedagógica, orientar qual o melhor manejo desse comportamento,
06:19que eu acho interessante também a gente falar sobre o manejo do comportamento dentro de sala de aula.
06:24Então, essas são as medidas que a gente, as estratégias que a gente tem abordado
06:29para tentar lidar um pouco melhor com toda essa situação e acolher esse professor também,
06:34porque o professor, assim como as crianças, como você bem colocou,
06:37também sofre com esse novo normal, vamos colocar assim.
06:42Mas a gente sabe que nada justifica a atitude desse professor, né, Juliana?
06:46Com toda certeza.
06:48A Prefeitura de Vitória e a Secretaria de Educação repudiam qualquer tipo de violência.
06:52Então, assim, nada vai justificar.
06:54Mas como a psicóloga colocou, é importante a gente compreender e ajudar todos os professores.
07:01Nós temos 6 mil servidores aqui, né, que fazem esse trabalho diariamente.
07:05E aí, nós temos na Secretaria de Educação também o grupo de práticas restaurativas,
07:09que tem esse objetivo de conversar, de acolher, de compreender o momento
07:15e de pensar quais são as estratégias pedagógicas nesse momento de retorno.
07:20Um momento que a gente precisa compreender como estafante, como estressante,
07:24porque, de fato, mexe com as práticas do professor, o professor tinha já um jeito de fazer
07:30e ele precisa ter um novo jeito.
07:32Então, a gente também, enquanto Secretaria de Educação, tem se empenhado muito nessa nova prática
07:38para que a gente possa, de fato, promover esse ensino de qualidade.
07:41E olha só, gente, a defesa do professor alega que ele está em depressão.
07:45Então, vamos ouvir o que o advogado dele disse.
07:49Ele reconhece que é uma atitude infeliz, que ele poderia ter tomado outra atitude,
07:54ter conversado com o aluno ou até mesmo tomado uma atitude mais drástica
07:57de encaminhar o aluno para a direção.
08:02Porém, ele entendeu que se ele encaminhasse o aluno para a direção,
08:05o aluno também teria sua ficha machada e ele não queria isso.
08:08Então, de forma lúdica, digamos assim, ou pedagógica,
08:13tentou manter o aluno em sala de aula.
08:16Ele já teve uma depressão caracterizada em 2010.
08:19Essa situação toda fez voltar a depressão dele.
08:24Então, assim, ele solicitou esse afastamento pela prefeitura no início do ano
08:29para continuar de home office, para não precisar voltar para a sala de aula.
08:33E a prefeitura negou.
08:34Ele está em quadro de depressão profunda, né?
08:37Ele não consegue chegar a uma segunda frase sem chorar.
08:41Até para eu conseguir fazer um atendimento com ele, eu me comovo demais.
08:47Ele está fazendo o tratamento com o psiquiatra, está tomando medicação,
08:52mas não consegue sair da cama.
08:57Juliana, se esse professor estava em depressão, ele já não deveria estar afastado?
09:01Se ele tivesse procurado a prefeitura, mas nós não temos nada de documento dele solicitando em função disso.
09:08O que ele pediu foi o trabalho remoto em função da pandemia.
09:12E o laudo que ele apresentou no início do ano foi de hipertensão arterial.
09:17Como para trabalhar em home office, a gente segue a portaria da CESA, a 050,
09:21ela já determina quais são as comorbidades que fariam o trabalho remoto.
09:27E a hipertensão não estava nesse quadro.
09:30Por isso, ele não foi enquadrado.
09:31Então, assim, esse professor, até o dia da ocorrência, não tinha nada de solicitação em relação à depressão.
09:39Inclusive, no histórico dele, funcional, ele é um professor há 14 anos,
09:43também não temos nada de afastamento por uma questão de saúde psíquica, mental.
09:49E como que vocês lidam com casos de professores que apresentam quadros de depressão?
09:56Nós temos a medicina do trabalho, que faz todo um trabalho muito sério e comprometido.
10:01Então, a partir do momento que o professor procura o seu médico e esse médico te dá um atestado,
10:07ele é afastado conforme a legislação determina, né?
10:11E ele passa pela medicina de trabalho para uma avaliação junto à medicina.
10:15Bom, gente, o caso dessa criança aí, que teve os pés amarrados na cadeira,
10:20a família contou que ela tinha déficit de atenção.
10:22E a gente sabe, né, Marina, que cada vez mais crianças são diagnosticadas,
10:27seja com déficit de atenção ou seja com alguma outra necessidade especial,
10:33de que forma que as escolas têm que se estruturar, deveriam, né, se estruturar
10:37para atender não só criança com déficit, mas todas as crianças mesmo,
10:43para ter realmente essa inclusão das necessidades especiais como um todo.
10:49Hoje já existem cerca de vários recursos pedagógicos também que a gente pode utilizar,
10:54a gente fala isso sempre com os profissionais da educação.
10:58E lembrando, como muito bem a secretária colocou,
11:01esse caso, ele não se resume, não resume, não generaliza todos os professores.
11:06Nós temos, sim, professores muito bem preparados, através de cursos,
11:10temos professores que são especialistas também na educação especial.
11:14Então, assim, foi realmente um caso isolado e a melhor forma para você lidar com isso
11:19é exatamente o conhecimento, é você combater o preconceito de lidar com aquela criança
11:24com conhecimento, sabe, se permitindo conhecer, entender e compreender
11:29o motivo daquela criança agir de determinada forma ou adotar algum tipo de comportamento.
11:36É necessário, então, que o professor se capacite para atender essas crianças
11:41que têm déficit de atenção, que têm alguma necessidade especial?
11:44Sem dúvida, é muito importante para que ele conheça um pouco mais do que é o transtorno.
11:51Hoje, por exemplo, a gente tem pessoas que ainda chamam de doença mental
11:54e aí a gente vai entender que não é uma doença, é um transtorno.
11:57Então, passa por aí, passa pelo preconceito, senso comum,
12:02é mesmo olhar com carinho para aquela criança e entender que, para além daquele rótulo,
12:07existe uma criança aí que tem outras necessidades socioemocionais também
12:11que precisam ser atendidas, questão de afeto, questão de carinho, atenção
12:15e a gente, a psicologia na escola, ela atua exatamente dessa forma
12:20para fazer um novo olhar, não só para o laudo que a criança tem, né?
12:24Juliana, a Secretaria de Educação de Vitória sabia que essa criança, por exemplo,
12:28ela tinha déficit de atenção e qual é a importância também das famílias
12:33criarem esse diálogo, levar essa informação também para a escola?
12:37É importante colocar que o transtorno de déficit de atenção,
12:39ele não é público-alvo da educação especial, propriamente, né?
12:43A gente tem uma série de outros transtornos que aí sim,
12:47eles precisam de um atendimento especializado.
12:49Essa criança, ela precisa de um olhar especial porque toda criança precisa.
12:54Nós somos diferentes, é por isso que a educação, ela é tão complexa,
12:57porque nós lidamos com necessidades diferentes desses sujeitos.
13:01Então, assim, a Secretaria não tinha especificamente o caso dela,
13:04mas a Secretaria tem um excelente trabalho, referência internacional de educação especial.
13:09Vitória é referência.
13:11Assim, a gente tem muita formação, tem muito apoio e muita estrutura para lidar com isso.
13:17Agora, é preciso que todos os professores tenham um olhar para cada criança,
13:22porque as crianças demandam situações diferenciadas.
13:26E quando a gente fala nessa inclusão das necessidades especiais na educação como um todo,
13:33a gente não está falando aí só do déficit de atenção,
13:36a gente está incluindo realmente todos os perfis de criança.
13:40Por exemplo, hoje, gente, é o dia do orgulho autista.
13:43E quem tem um filho com autismo sabe, por exemplo, a importância da educação,
13:48que é a base para o desenvolvimento dessas crianças.
13:50Então, convido agora para participar aqui do nosso bate-papo o grande paizão aí,
13:55o William Girelli, que ele é pai do Arthur, que tem seis anos.
13:58E o Arthur, ele tem autismo, não é isso, William?
14:02Obrigada pela sua participação.
14:03Boa tarde.
14:05Boa tarde, obrigado.
14:07Isso mesmo, o Arthur, ele tem autismo.
14:11E a gente necessita muito da participação da escola nessa inclusão social, né?
14:17E como é que foi, William, esse processo de levar o Arthur para a escola, né?
14:22Esse início, a ingressão dele na escola, quando ele começou a estudar?
14:28Então, ele começou muito pequeno, a gente tinha acabado de ter o diagnóstico do autismo, né?
14:34E a escola é fundamental, né?
14:37No começo, a gente não teve muita dificuldade, porque a gente sabia que ali ele ia estar sendo bem tratado.
14:46Só que tem a necessidade de ter um acompanhante, porque ele, muito pequeno, ele tinha essa dificuldade da interação,
14:54a dificuldade de ir no banheiro, das necessidades, ele ainda usava a fralda.
15:00E conforme ele foi crescendo, essas dificuldades ainda existiam pelo fato de ele ser autismo,
15:07mas a escola foi fundamental para que isso fosse diminuindo, né?
15:13Certo, William.
15:14E vocês conseguiram com facilidade essa ingressão do Arthur na escola?
15:22Então, a entrada dele na escola foi fácil, sim, a gente conseguiu fazer a matrícula conforme as recas, né?
15:31Mas, em determinado momento, a gente, a escola não conseguiu esse acompanhante que o Arthur necessitava, né?
15:41E aí ele teve essa dificuldade pelo fato de ele usar a fralda.
15:46Na época, ele vinha com assaduras, ele discutia na escola, tinha más relações,
15:58que aí era a hora do acompanhante dele estar ajudando ele nessa socialização.
16:04Então, chegou um momento que a minha esposa, a Natália, ela viu essa dificuldade do Arthur com essa interação
16:14e ela, como mãe, ela conversou com a escola e ela pediu à escola,
16:18Então, já que vocês estão tendo essa dificuldade de arrumar um acompanhante junto à prefeitura,
16:26eu vou ficar na escola, eu vou ser acompanhante dele, porque ele precisa ter essa acompanhante
16:32para estar participando junto às atividades da escola e à interação social.
16:40Isso foi numa sexta-feira e na segunda-feira, prontamente, a escola conseguiu ser acompanhante junto à prefeitura.
16:46E, todas as vezes, essa acompanhante foi fundamental na educação dele.
16:52E como que é hoje, William?
16:55Olha, hoje ele está com sete anos, ele trocou de escola, né?
16:59Ele foi, no começo foi um pouco difícil, foi logo na pandemia e veio a pandemia.
17:07Agora que ele voltou, teve a volta das aulas, ele adora a escola, ele adora os amigos dele,
17:14os coleguinhas participam demais do dia a dia dele na escola.
17:21Quando ele chega, o colega já pega a mochila,
17:24Arthur, deixa eu pegar a sua mochila, ajuda com ele com o caderno.
17:30E está sendo muito bom, a gente está vendo uma evolução muito grande nele.
17:34É fundamental a acompanhante e a escola professora e acompanhante junto ao aluno.
17:40Em algum momento você sentiu alguma manifestação de preconceito,
17:45seja com alguma instituição de ensino em relação ao Arthur nessa ingressão escolar?
17:51Então, a gente sempre sente preconceito em muitas coisas no dia a dia, né?
18:00Em um determinado momento a gente pensou em colocar ele numa instituição privada, particular,
18:09e quando a gente falou com a escola, a escola ficou meio preciosa de ter um aluno autista, né?
18:20Porque ela geraria gasto, porque a escola particular teria que contratar um acompanhante
18:26para aquela criança, pelo fato de ela ter essa dificuldade.
18:30Então, muitas crianças em escolas particulares, elas são negadas pelo fato dessa deficiência,
18:40seja autismo, seja síndrome de Down.
18:44Então, a gente sente, a gente como pai, a gente sente esse preconceito no dia a dia.
18:48E a gente tenta batalhar.
18:50É uma luta cada dia para a gente ter esse preconceito fora das pessoas, né?
18:56A gente imagina, né?
18:57E deve doer muito em quem é pai, quem é mãe, você que é um grande pai presente, deve doer
19:02demais.
19:02Muito obrigada pela sua participação aqui no Fale Espírito Santo.
19:05Um grande beijo em toda a família e principalmente no Arthur, viu, William?
19:09Obrigada.
19:10Obrigado, eu que agradeço a todos.
19:12Marina, a gente sabe, né?
19:14A importância, tanto para a criança que tem alguma necessidade especial, quanto para as outras crianças, né?
19:21Essa relação é muito importante, até mesmo para quebrar preconceitos que podem vir depois, né?
19:27Exatamente.
19:28E isso fortalece, inclusive, a autoestima da criança que tem essa necessidade especial.
19:33Porque ela vai ver no cuidado dos amiguinhos, como ele muito bem colocou,
19:37ela vai ver que ela é capaz de realizar coisas sozinhas.
19:40E através dessa importância do contato, da socialização, da interação,
19:45aquela criança vai ganhando cada vez mais autonomia e desenvolvendo habilidades
19:50que ela precisa desenvolver ao longo do seu desenvolvimento infantil.
19:54Juliana, a Secretaria de Educação tem algum dado sobre essas crianças com necessidades especiais
20:00que precisam desse acompanhamento especial?
20:03Como que funciona esse acompanhamento?
20:05Nós temos uma equipe inteira, né?
20:08Uma equipe que cuida dessa criança.
20:10Hoje, Vitória tem 44 mil estudantes, né?
20:13No total.
20:14A gente tem aí um quantitativo grande também com as crianças de educação especial.
20:20E essa equipe, ela tem um trabalho muito significativo de olhar caso a caso.
20:24O retorno agora às aulas foi uma questão, assim, que me sensibiliza.
20:28Eu fico muito feliz de poder falar sobre isso, porque a equipe fez contato com cada família
20:34para pensar um plano de retorno para cada família dessa criança especial.
20:39Porque ele tem direito de retornar junto com todas as outras crianças.
20:43Mas a gente precisa entender como retornar.
20:45O autista é uma criança que precisa de rotina.
20:48E aí, com o revezamento, você quebra a rotina dele.
20:51E aí, como fazer, hein?
20:52Como fazer?
20:53Então, a gente precisou fazer o mapeamento daquela sala.
20:57Tem criança que a gente conseguiu garantir o direito dele não fazer revezamento.
21:00Tem criança que se adapta com a máscara.
21:03Tem criança autista que não se adapta com a máscara.
21:05E aí, a gente precisa garantir o direito dele a não usar a máscara, que a legislação permite.
21:10Então, é um público que demanda um carinho e uma atenção muito especial.
21:14Mas é um público que a gente precisa.
21:17E que, como você colocou muito bem, é importante garantir o direito da criança especial,
21:22mas o direito da sociedade conviver com a diferença.
21:26Que isso ajuda a quebrar preconceitos lá na frente, no mercado de trabalho, né?
21:30Porque tudo se torna, de fato, um mundo real, um mundo normal, né?
21:36A gente tem aqui diversas participações no Facebook.
21:40A Neda Pereira fala, meu filho é especial e tem sempre um estagiário com ele.
21:44Nunca tive problemas com a escola.
21:46A coordenação motora não interage muito, tem dificuldade intelectual e outros.
21:51Enfim, ela relata aqui situações particulares do filho dele, do filho dela,
21:55mas, de uma forma geral, ela tem facilidade em lidar com a escola.
21:59Como que os pais comunicam a escola?
22:03Como que eles correm atrás dessa documentação de que, de fato, é preciso ter um acompanhamento?
22:09Como o William relatou aí pra gente, a mãe do Arthur, a Natália,
22:12ela até se prontificou a ficar na sala de aula, caso a escola não conseguisse.
22:17Porque eles sabiam da necessidade do filho de trocar a fralda pra não ficar assado.
22:22Mas é garantido isso, Juliana, que todos os alunos com necessidades especiais têm esse acompanhamento?
22:28É garantido?
22:29É garantido.
22:30A gente precisa entender qual é o laudo e qual é o tipo de acompanhamento.
22:34Muitas vezes, o que eles precisam, e a psicóloga pode complementar em relação a isso,
22:39é que a família também permita essa autonomia.
22:42Porque a família também quer cuidar muito, e a família quer cuidar do jeito dela,
22:47aquele jeito superprotetor.
22:48Quando a gente está falando de escola, a gente está fazendo um cuidado coletivo,
22:52a gente está fazendo uma socialização e uma representação da sociedade.
22:56Então, é preciso entender qual é a necessidade daquele aluno.
22:59Por isso essa importância da equipe fazer essa triagem.
23:03Mas já na matrícula, o pai, caso ele já tenha laudo,
23:06então, por exemplo, o Arthur já é uma criança com laudo.
23:08Então, mesmo que ele mude de escola, o pai já apresenta na matrícula
23:12e aquele profissional de apoio já é contratado.
23:16Existem outros casos que ainda estão em investigação.
23:18Então, muitas vezes, a família nem percebeu.
23:21A escola percebe um comportamento diferenciado,
23:24a escola percebe, muitas vezes, que ele não tem um olhar que é fixo ali,
23:28que ele tem uma dificuldade de concentração.
23:30E é a escola que vai apontando para essa família
23:32e fazendo os encaminhamentos para que os médicos possam atestar isso.
23:37Mas, independente do laudo, nós temos que ter, enquanto educadores,
23:41uma preocupação com a necessidade de cada um.
23:44Porque nós somos sujeitos diferentes.
23:46E é isso que é importante.
23:47Para encerrar, eu tenho aqui o comentário da Renata Miranda Silva.
23:50Ela está falando assim que esse ano o filho dela não teve estagiário.
23:55O que justifica o fato?
23:56Antes tinha e agora não tem mais.
23:59Aí a gente precisava ver realmente o caso.
24:01Eu peço até que a Renata, Renata, entra com a gente no 156,
24:06manda qual é o caso, qual é a unidade de ensino para a gente investigar.
24:10Porque, assim, hoje a gente está com toda a contratação ok.
24:12Nós tivemos realmente, no início, um pequeno atraso de contratação,
24:16porque era aquela questão mesmo de o remoto,
24:19quantos que vão voltar, quantos não vão, quantos profissionais precisam.
24:22Mas durou coisa de dois, três dias e a gente ajustou em todas as escolas.
24:26Então, se é uma questão específica, Renata, entra no 156,
24:30coloca o nome da escola para a gente fazer essa investigação.
24:34Tá certo, gente.
24:34Obrigada pela participação de vocês aqui no Fala Espírito Santo.
24:38Tá joia?
24:38Uma ótima sexta-feira.

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