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  • há 21 horas
Entrevista com Nésio Fernandes

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Transcrição
00:00Secretário, boa tarde. Está no ponto, secretário, para poder conversar comigo?
00:03Boa tarde, secretário. Obrigada por atender o Fala Espírito Santo.
00:07Boa tarde a todos os telespectadores. Boa tarde, Juliana.
00:11Bem, Nézio, a gente tem aí hoje um dia marcado pela reabertura de comércio dos serviços não essenciais.
00:18Qual a expectativa do governo? Por que abrir nesse momento?
00:21A gente teve aí um grande número de mortes registrados em 24 horas.
00:28Então, na verdade, não foram 110 óbitos registrados nas últimas 24 horas.
00:34São óbitos que ocorreram ao longo das últimas semanas e que foram registrados em um único dia.
00:41Então, nós tivemos segunda e terça-feira o reflexo do repensamento especial no final do feriadão,
00:47onde acumulou muitos casos que não haviam sido informados na sexta, no sábado e domingo,
00:53e que ocorreram nas semanas anteriores.
00:54Nós entendemos que os protocolos estabelecidos para o funcionamento de algumas atividades comerciais, econômicas e sociais,
01:04restritas com horário de funcionamento restrito e em blocos de três dias de funcionamento restrito,
01:11seguidos de quatro dias de fechamento, eles podem ser suficientes para poder impedir
01:16uma continuidade sustentada de interações sociais não adequadas para este momento da pandemia.
01:22O país não possui uma agenda econômica robusta, nacional, capaz de sustentar durante longos períodos de tempos
01:31as atividades econômicas totalmente fechadas.
01:33Então, é necessário que exista um equilíbrio entre algum período de funcionamento dessas atividades com protocolos,
01:42com horário restrito e períodos de fechamento total.
01:46Então, nós temos três quartos da população do Estado do Espírito Santo,
01:50hoje vivendo em municípios classificados como risco extremo,
01:54onde nós teremos, então, essa restrição maior ao funcionamento de atividades sociais e econômicas.
02:00Nós pretendemos, nesses próximos 14 dias, preservar as conquistas que nós tivemos na redução da procura do serviço de saúde
02:08por outras doenças e permitir que a gente consiga desacelerar a curva de casos, internações e de óbitos também no
02:15nosso Estado.
02:16Então, a quarentena foi, vamos chamar de um choque de isolamento sobre o Estado do Espírito Santo,
02:23determinado sobre 78 municípios, e agora, nós iniciando a matriz de risco,
02:28teremos, então, toda sexta-feira, a matriz atualizada, definindo qual que é o risco de cada município capixada.
02:35Secretário, o senhor falou sobre a nova matriz de risco, que vai toda sexta-feira, ela é divulgada.
02:40Já existe uma expectativa? E qual o balanço que o senhor faz?
02:43Porque números exatos ainda não foram apresentados se a gente ouve uma redução.
02:47Na segunda-feira, o senhor falava sobre desaceleração de casos aqui no Espírito Santo, e isso não quer dizer redução.
02:54Tem um balanço já fechado de como foram esses 18 dias, agora a gente já entra no vigésimo dia com
03:00restrições,
03:01uma abertura começando hoje, mas ainda muitas restrições em todo o Estado.
03:06Com os atuais critérios de testagem, o nosso painel Covid já apresenta, desde o dia 25 do mês passado,
03:14uma estabilização no número de casos observados na média móvel diária, em torno de 2 mil casos por dia.
03:21Nós devemos ter, nas próximas semanas, também uma redução da aceleração da curva de internações e também de óbitos,
03:29porque o primeiro sinal da estabilização, ele começa pelos casos observados.
03:35Depois ele passa, então, para as internações e, por último, que é o último indicador a ser afetado,
03:40é o indicador dos óbitos. Então, nós teremos, e já temos, então, a constatação da estabilização muito alta ainda,
03:48com um grande número de casos confirmados, superior a qualquer outra estabilização que tivemos em momentos anteriores,
03:56e com o comportamento novo de uma cepa, a cepa inglesa, que circula no Estado,
04:02com uma transmissibilidade maior e também uma letalidade maior do que as cepas originárias
04:06que circulavam pelo Espírito Santo anteriormente, nas duas expansões anteriores.
04:11Nós teremos a capacidade de poder avaliar melhor o resultado deste período,
04:18daqui a 15 dias, quando olharmos de maneira retrospectiva as semanas anteriores.
04:22No entanto, nós estamos já consolidando dados para poder, na coletiva de sexta-feira agora,
04:27apresentar algumas sínteses de resultados já alcançados com a quarentena.
04:32Na semana passada, nós já divulgamos que houve uma redução percebida nas internações por outras doenças.
04:40E aí, eu me refiro a traumas, eu me refiro a doenças metabólicas, a outras doenças infecciosas,
04:46e que a redução dessas doenças faz com que os recursos hospitalares não façam uma complexão
04:53com os pacientes atingidos pela Covid-19.
04:56Então, os medicamentos que seriam utilizados para poder intubar um paciente de politrauma,
05:00os leitos de UTIs, de enfermaria dedicados a atender pacientes com outras doenças,
05:05também possam, então, ser dedicados a atender pacientes atingidos pela Covid-19.
05:11Então, as medidas de distanciamento social, de isolamento, elas servem também para isso,
05:16para desafogar o sistema pela quádrupla competição dos recursos hospitalares,
05:22pelas causas externas, pelas doenças metabólicas, pelas doenças infectocontagiosas,
05:27já conhecidas, e também pela pressão da pandemia.
05:31Secretário, o senhor falou aí sobre a situação dos hospitais.
05:33Vamos falar sobre os hospitais aqui do Estado?
05:36Hoje, a gente tem uma ocupação de leitos aí na faixa dos 92%,
05:39já chegamos bem mais do que isso, 94%, 96% de ocupação.
05:44A gente tem ainda uma fila de espera, ou seja, pacientes que não estão conseguindo um leito de UTI.
05:52Nós temos, neste momento, no Estado do Espírito Santo, uma quantidade de pacientes que estão aguardando
05:57a disponibilidade do leito de UTI.
06:01Todos os dias, o SAMU tem feito, atendendo todas as doenças, uma média de 120 a 150 atendimentos.
06:09E os atendimentos que são realizados, e é isso, são casos atendidos pela Central de Urgência e Emergência
06:17do Serviço Móvel de Urgência.
06:19Nós temos uma outra Central de Urgência e Emergência, que é a Central de Regulação de Leitos,
06:23que ela também acompanha as solicitações de pacientes de enfermaria, principalmente,
06:30que não são caracterizadas como pacientes de urgência e emergência.
06:33Nós temos, neste momento, em todas as enfermarias do Estado do Espírito Santo,
06:38aguardando a primeira disponibilidade de vaga de enfermaria de UTI,
06:41um total de 18 pacientes que ainda não foram confirmados com o recurso de espandelizado
06:48nos PAs e UPAs.
06:50Eu não me refiro ao total de pacientes nos PAs e UPAs.
06:53Eu me refiro aos pacientes que o regulador ainda não confirmou a vaga para aquele paciente.
06:58E, incluindo também os pacientes atendidos dentro dos hospitais,
07:02que eles compensaram, precisam sair de um leito não-COVID para um leito COVID,
07:07um total de 126 pacientes.
07:08Então, em torno de 130 pacientes, hoje, aguardam a disponibilização de um leito de UTI e enfermaria,
07:17considerando os hospitais públicos, os hospitais do Estado do Espírito Santo
07:21e também os PAs do nosso Estado.
07:23Agora, secretário, vamos falar sobre os insumos nos hospitais.
07:27Existe aí alguma possibilidade de falta de medicamentos nas UTIs?
07:31Já tem hospitais?
07:32Porque a gente mostrou aqui, até no interior do Estado,
07:34um pedido da Secretaria de Saúde para veterinárias, para clínicas veterinárias
07:40que repassassem medicações que podem ser usadas tanto em animais quanto em humanos.
07:45Como é que está a situação dos insumos nos nossos hospitais?
07:48O governo do Estado do Espírito Santo, ele realizou um planejamento do seu consumo de medicamentos
07:53para terapia intensiva e também para outras doenças.
07:57Nós temos uma capacidade muito célere de realizar os procedimentos de compra
08:01e nós programamos, em momento anterior a esta onda, com uma programação robusta de compra de medicamentos.
08:09No entanto, apesar de termos contratos de compras vigentes,
08:13apesar de termos, inclusive, emitido ordens de fornecimento,
08:17os fornecedores e a indústria reduziram a disponibilidade dos medicamentos para todo o Brasil.
08:24Hoje, a rede privada tem uma dificuldade maior do que a rede pública em adquirir esses medicamentos.
08:31Todos os serviços de saúde, públicos, privados, filantrópicos,
08:36já trabalham algumas semanas com um racionamento no sentido de muita disciplina
08:41no uso, no consumo desses medicamentos
08:44e já passaram a utilizar medicamentos de segunda e terceira linha.
08:48No entanto, ainda não temos a falta de medicamentos do quiche de intubação
08:52dentro dos hospitais públicos do Estado do Espírito Santo.
08:55E, desde os últimos dias da semana passada,
08:59diversos fornecedores passaram a estabelecer uma oferta em menor quantidade,
09:04no entanto, mais regular de abastecimento dos medicamentos nos hospitais do Estado.
09:09Também solicitamos apoio do Ministério da Saúde no fornecimento de mais medicamentos para o Estado
09:15porque o Ministério realizou uma intervenção na indústria, uma requisição administrativa.
09:20E essa requisição administrativa, ao longo das últimas semanas,
09:23ela atrapalhou a capacidade de fornecimento da indústria para hospitais privados
09:28e hospitais públicos de todo o país.
09:30No entanto, desde o final da última semana,
09:33nós passamos, então, a ter uma resposta de capacidade de fornecimento parcial
09:37por parte dos fornecedores.
09:40Concluindo, o Estado não tem hoje falta de medicamentos do quiche de intubação
09:45considerando a disponibilidade de medicamentos de primeira, segunda e terceira linha.
09:50Mas há um racionamento, né?
09:53O senhor falou aí, não há falta, mas há um racionamento.
09:56Há um uso controlado, um uso muito disciplinado.
10:00Nós, às vezes, dentro de um hospital, temos médicos que utilizam maior quantidade
10:03em comparação com outros.
10:05Nós temos medicamentos que nós percebemos que quando o diretor técnico
10:09é o responsável pela liberação deles, pelo controle do consumo,
10:13existe o consumo adequado às quantidades que o paciente necessita, de fato, utilizar
10:18e de maneira que a gente consiga garantir o medicamento para todos os pacientes
10:22satenistas nas UTIs.
10:26Secretário, de que maneira o governo federal poderia ajudar no combate à pandemia aqui no Estado?
10:32O governo federal, ele deveria...
10:35A primeira grande solução para a pandemia é a questão da compra das vacinas.
10:40O governo federal necessita entender que toda a estrutura diplomática da União, da República,
10:48todos os ministérios deveriam estar totalmente imbuídos em diversas missões internacionais
10:54para comprar toda a oferta de vacina que existe no mundo.
10:59O Brasil, hoje, tornou-se um problema para a economia mundial,
11:03sendo um verdadeiro celeiro de diversas variações do vírus.
11:07E o descontrole da pandemia no país pode afetar tanto países vizinhos da América Latina
11:12quanto outros continentes, dada a proporção e o tamanho da economia brasileira
11:16e a nossa interligação com a economia mundial.
11:19Então, o governo federal deve fazer a aquisição rápida e celere de toda a oferta de vacina
11:25que existe no mercado mundial, mobilizando a comunidade internacional
11:28a uma compreensão que, para salvar a economia, hoje, internacional,
11:32é necessário controlar a pandemia no país,
11:35que ela já assumiu uma proporção que vai além das dimensões nacionais.
11:39A outra questão é ter uma agenda econômica capaz de resgatar
11:44e apoiar todas as atividades econômicas que foram afetadas pela pandemia.
11:49Para além do auxílio emergencial, que deveria ser pelo menos de R$ 600,00,
11:54a toda a população mais vulnerável.
11:56No entanto, além da população vulnerável, nós precisamos entender que setores da economia
12:02são afetados pela redução do consumo, pela crise econômica,
12:06pela redução, inclusive, das exportações, pela redução da produção da indústria
12:10e também pelas medidas de distanciamento social necessárias
12:14para controlar a explosão de casos que ocorreu em todo o país.
12:17Então, a ausência de uma agenda econômica robusta que impede, por exemplo,
12:22que o Espírito Santo pudesse prolongar por um período maior
12:26as medidas de distanciamento sociais e a redução das atividades econômicas
12:32que comprovadamente conseguem contribuir para o controle da pandemia.
12:37Então, a ausência dessa agenda econômica impede que a gente consiga sustentar
12:41por muito tempo essas medidas.
12:43E, no mesmo sentido, as medidas do auxílio emergencial,
12:47de R$ 600,00 e não o auxílio emergencial que foi aprovado agora,
12:51que ele é insuficiente.
12:53Outra posição importante que a União pode colaborar
12:56é no que se respeita a uma grande concertação nacional,
12:59a uma grande união nacional em torno das medidas orientadas pela ciência,
13:04da orientação clara e explícita para toda a população
13:07de que o uso de máscara, os lavados das mãos, o distanciamento social,
13:11as medidas tomadas pelos governadores e prefeitos são necessárias
13:14e devem ser apoiadas pela população,
13:18cumprindo um verdadeiro papel de coordenação nacional
13:21no enfrentamento à pandemia.
13:23De maneira complementar, a aquisição de medicamentos que estão em faltas,
13:29não especificamente em um fornecedor, em um estado ou outro,
13:34ou pontualmente pela indústria de alguma região do país,
13:38mas por ter uma dimensão de falta de medicamentos nacional,
13:41são situações excepcionais onde a União pode cumprir um papel
13:45de intervenção e de apoio aos estados e aos municípios
13:49na aquisição também de medicamentos.
13:52Secretário, as falas do presidente contrárias ao distanciamento social
13:58que até estimulam o uso de medicamentos que não são comprovados,
14:03isso acaba atrapalhando o andamento do combate à pandemia?
14:07O nosso povo brasileiro é um povo muito generoso,
14:10um povo que tem muita fé, que segue seus líderes,
14:14que é um povo de torcida, de paixão.
14:17Nós somos um povo que cresceu apaixonado pelo futebol,
14:22pelas lógicas de grupos, pelas lógicas de cada um ter sua tribo
14:28e, de fato, prejudica muito o país termos um presidente da República
14:33que foi legitimamente eleito por uma grande quantidade de votos,
14:37que a democracia e a urna o legitimaram para governar por quatro anos
14:43e que possui uma quantidade grande de seguidores e de apoiadores
14:47que deve ser respeitada e que poderia estar servindo neste momento
14:52para poder, pela quantidade de menção que tem de seguidores do nosso presidente,
14:58poderia estar sendo útil para a União Nacional,
15:00para a coesão do povo brasileiro, para a união de todos,
15:04independente daqueles que votaram ou não no presidente.
15:07Nós poderíamos estar neste momento vivendo toda essa força
15:10que o presidente da República tem e que ele expressou nas urnas que o elegeram
15:15um grande pacto nacional pela unidade em torno da ciência.
15:20Infelizmente, enquanto nós não tivermos isso,
15:23nós vamos ter todas as medidas promovidas pela ciência,
15:26pelas boas práticas na gestão pública, pelos epidemiologistas,
15:30sendo combatidas, sendo sabotadas de maneira indevida por algumas autoridades.
15:36A aposta que o governo faz, o desejo que nós temos como Sistema Único de Saúde
15:41é que o país se una junto com o presidente da República,
15:44com todos os brasileiros, independente de cor ideológica, de religião,
15:49de se as pessoas concordam ou não com o presidente da República,
15:52nós precisamos de união nacional, de coesão nacional.
15:55E nós entendemos que o presidente da República deve cumprir essa missão
15:59de coordenação, de liderança do país no enfrentamento à pandemia.
16:04E os nossos votos é que a gente consiga alcançar esse grau de civilidade
16:09para poder não fracassar como civilização brasileira.
16:13Secretário, a gente vive agora um momento de angústia e de muita expectativa.
16:16E agora eu queria falar um pouquinho sobre a vacinação.
16:19Hoje mesmo, o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde
16:23e secretário do Estado do Maranhão, Carlos Lula,
16:25falou disso o seguinte, o Brasil corre risco de sofrer um apagão de vacinas
16:30nas próximas semanas, secretário?
16:32Nós temos uma...
16:36Nós estamos vivendo sucessivas semanas
16:38de diversas frustrações
16:41nas quantidades de vacinas anunciadas pelo Ministério da Saúde
16:46que seriam distribuídas aos estados e municípios.
16:50Nós temos uma boa velocidade de vacinação
16:53por parte dos municípios brasileiros.
16:56O país pode vacinar 2 milhões de doses por dia
16:58com a capacidade atual instalada
17:01e temos condições de poder imunizar toda a população
17:05até o mês de julho, desde que tenhamos vacinas.
17:08No entanto, questões ligadas à geopolítica internacional,
17:14à política de relações exteriores que o governo federal assumiu
17:18e também a dificuldade da aquisição de alguns insumos
17:23pode prejudicar o principal produtor de vacinas no Brasil hoje,
17:27que é o Butantan.
17:28A Fiocruz não alcançou as metas de produção diária
17:33que são previstas para janeiro,
17:35também não alcançou as previstas para fevereiro, mês de março.
17:38E somente agora, em abril,
17:40temos uma expectativa de que ela consiga produzir
17:42em grandes quantidades as vacinas contra a Covid-19.
17:46E como as doses que foram ofertadas para o Brasil
17:49ao longo do ano passado,
17:51as doses que já foram vendidas no ano passado
17:53por diversas indústrias, como a Pfizer,
17:56como a própria Sputnik e outras,
17:58não foram adquiridas pela União no ano 2020,
18:04nós, neste momento, estamos atrasados,
18:06correndo atrás de quem tem vacinas para poder vender.
18:09E este atraso nos coloca já numa fila
18:12pela disponibilidade de vacinas.
18:14Então, além dos prejuízos que podemos ter no país
18:17com a produção das duas vacinas que estão sendo aqui produzidas
18:21e também a compra de outras vacinas ofertadas no mercado internacional,
18:26podem fazer com que, de fato,
18:27os municípios executem todas as vacinas disponibilizadas
18:30em dois, três dias
18:31e tenhamos poucas doses disponibilizadas
18:34para dar sequência sustentável à imunização da população.
18:39Secretária, a gente tem hoje um dia de retomada
18:43de serviços nas essenciais, comércio, salão de bebeleza,
18:47várias atividades sendo retomadas.
18:48E as escolas continuam fechadas.
18:51Por que elas seguem fechadas?
18:53Por que não também voltar com as atividades
18:55que são importantes para os alunos próprios?
18:58Especialistas já falaram da importância da escola
19:00na vida de uma criança, na vida de um adolescente.
19:03Nós fomos um dos poucos estados que, ao longo do ano passado,
19:08decidiu enfrentar essa polêmica,
19:10considerou a educação um serviço essencial
19:12e apostou na implementação de protocolos
19:16que garantissem uma redução do risco de transmissão nas escolas.
19:21Após as mortes, eu particularmente considero
19:24que o fechamento das escolas foi uma das maiores violências
19:27que a pandemia gerou, não só no Brasil, mas no mundo inteiro.
19:30Nós consideramos que, sempre que possível,
19:34as atividades da educação precisam ser preservadas.
19:37Por isso, na nossa matriz de risco, no risco baixo e no risco moderado,
19:42as atividades educacionais estão liberadas
19:44para serem desenvolvidas presencialmente.
19:47No entanto, no risco alto e no risco extremo,
19:52que hoje é aplicado a 3 quartos da população do Estado,
19:55não é adequado que exista um retorno presencial das escolas
20:00na sua totalidade, da educação.
20:03Então, nos municípios classificados no risco extremo e alto,
20:06as escolas têm a sua atividade presencial interrompida
20:09e devem preservar a atividade de ensino à distância.
20:12Na medida que a pandemia vá apresentando um controle,
20:18entre na fase de recuperação,
20:20nós vamos, então, ter a migração dos municípios
20:22que estão no risco alto para o risco moderado
20:24e, nesses municípios, a educação irá sendo retomada
20:29progressivamente no Espírito Santo.
20:31Secretário, o senhor falando aí sobre a questão do mapa de risco
20:34que o senhor mesmo já garantiu que será divulgado
20:36na próxima sexta-feira,
20:38a gente já pode ter uma noção se a região metropolitana,
20:41a gente tem mais, são 37 cidades, se não me engano,
20:45classificadas em risco alto.
20:46Elas continuarão nessa classificação de risco alto
20:49ou já tem aí uma tendência para, perdão, risco extremo,
20:53passar para o risco alto?
20:55Nós atualizamos a metodologia da matriz
20:58e onde ficou definido que quando um município sai
21:01de um risco menor para um risco maior,
21:03ele permanece em um risco maior durante 14 dias,
21:07ainda que na semana seguinte,
21:09pela aplicação da metodologia de cálculo,
21:11ele seja classificado em um risco menor.
21:13Então, o risco extremo assumido por esses municípios,
21:17ele deverá ser preservado por 14 dias.
21:20Após 14 dias, na sexta-feira,
21:22é atualizada a conta que vincula óbitos,
21:26casos ativos, testagem e ocupação de leitos,
21:29e aí os municípios são reclassificados,
21:32podendo então reduzir a sua classificação
21:34e as medidas qualificadas correspondentes
21:37ao risco que ele está atribuído.
21:39Mas ainda não tem uma expectativa de,
21:41olha, isso pode mudar aqui no nosso estado,
21:43essa classificação, por exemplo, na região metropolitana?
21:46Não, na região metropolitana será mantida
21:48por mais uma semana o risco extremo,
21:50porque ela está agora na primeira semana de risco extremo,
21:54assim como municípios que hoje estão em risco alto
21:57podem entrar no risco extremo
21:59e ficarem nele por 14 dias,
22:02dependendo do cruzamento dos dados de ativos,
22:05óbitos de testagem e da ocupação hospitalar.
22:08Então, secretário, só para a gente entender,
22:09mesmo que os números baixem, por exemplo,
22:12na Grande Vitória,
22:13ela poderia cair para risco alto,
22:16mas ainda assim a classificação será mantida,
22:19por conta das medidas,
22:20a classificação será mantida em risco extremo.
22:22Isso mesmo.
22:23Assim como municípios que estão no risco moderado
22:26que subam para o alto,
22:28eles permanecem por 14 dias nessa classificação.
22:30Então, a gente segue aqui acompanhando e na torcida também
22:34para que os números abaixem e a respeito.
22:37Então, qual a recomendação para a gente finalizar a nossa entrevista?
22:39A gente está no risco extremo,
22:41temos apenas duas cidades em risco moderado.
22:43Qual a orientação que o governo dá para a população,
22:46mesmo diante de uma reabertura de várias atividades aqui no Estado?
22:50Nós temos visto, infelizmente,
22:53diversas pessoas da mesma família perdendo a vida pela Covid-19.
22:58Nós estamos identificando que muitas pessoas ainda não reconhecem
23:03o alto grau de risco de transmissão da doença
23:07para atividades que não são essenciais.
23:09E eu quero dizer aqui à população
23:11que nesses dias não visite nem os seus parentes mais próximos.
23:15Eu estou praticamente há um mês sem visitar a minha mãe,
23:18que mora aqui em Vitória.
23:19Nós precisamos entender que até as visitas,
23:24os almoços de família,
23:25qualquer atividade que saia do núcleo domiciliar mais próximo,
23:29do núcleo familiar mais reduzido,
23:31elas precisam ser prescindidas neste período.
23:34Nós temos um altíssimo risco de transmissão da doença
23:38em atividades que não são essenciais.
23:40Então, são dias de isolamento domiciliar, familiar,
23:44de dedicar-se a atividades domésticas
23:46e evitar de qualquer maneira ir à praia,
23:49fazer exercícios físicos aglomerados,
23:52visitar familiares ou amigos,
23:54porque nós temos uma pandemia
23:56e a situação de um vírus com a CP inglesa
23:59que é muito mais transmissora e letal do que as anteriores.
24:03E nós estamos com o sistema de saúde totalmente pressionado,
24:06não só na rede pública,
24:07mas na rede privada também.
24:09Então, você pode ter dinheiro para comprar um hospital
24:11e não terá leito.
24:13Nós já estamos atendendo no sistema único de saúde
24:16pacientes da rede privada.
24:17Nós estamos aqui reconhecendo a população capixaba
24:20que o momento é, se for sair de casa,
24:23usar máscaras, lavar as mãos,
24:25isolar-se, diante de qualquer sintoma,
24:27procurar avaliação médica e fazer o teste
24:29para identificar se é ou não COVID-19
24:32e sermos muito disciplinados
24:34no isolamento social
24:35que está estabelecido para esses dias.
24:38Nós podemos vencer a pandemia,
24:40mas depende da contribuição e da consciência
24:42e da prática de toda a sociedade.
24:46Secretário, muito obrigada pela sua participação
24:48aqui no Fala Espírito Santo.
24:50A gente segue aí acompanhando as próximas medidas
24:52e a evolução da pandemia.
24:54A gente espera que os números caiam aqui no Estado.
24:57Uma boa tarde.
24:57Eu que agradeço.
24:58Eu agradeço, Juliana,
24:59e agradeço a todos os telespectadores.

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