00:01Momentos de tensão.
00:04Agora é o momento tenso do resgate, um bombeiro consegue conversar com uma das pessoas que estão na casa.
00:12A gente consegue ver pela janela, ele conversando com a moça que está tentando descer.
00:16O trabalho do corpo de bombeiros sobre os olhares da sociedade.
00:22Até quem não tem experiência tenta ajudar, tenta salvar.
00:27Tem uma janela que a gente está conseguindo ali.
00:32Fogo, muito fogo, fumaça e duas pessoas na janela clamando por socorro.
00:40Tiramos sim os idosos, muitos idosos no prédio.
00:43Tivemos essa capacidade, todo mundo se ajudando, as pessoas na rua que passavam, ninguém nem sabe quem é.
00:48Todo mundo anônimo nessa hora, a gente só pensa em tirar o máximo de pessoas que a gente consegue.
00:52Um apartamento em chamas, vítimas desesperadas.
00:55Vizinhos sem saber o que fazer.
00:59Civis, bombeiros, todos unidos com um só objetivo, salvar vidas.
01:08Tensão e adrenalina.
01:10Esse é o dia a dia dos profissionais do corpo de bombeiros em todo o país.
01:14E não é diferente aqui no estado do Espírito Santo.
01:17Nós viemos até o QCG, localizado aqui na enseada do Suá, em Vitória,
01:22para saber como é que funciona e como é o trabalho dos bombeiros
01:27a partir do momento em que uma ocorrência é acionada lá na caixa de som.
01:49O Major Maurício do Corpo de Bombeiros explica como é o trabalho antes das equipes saírem do quartel para o
01:58atendimento.
01:59A pessoa liga para o 193, isso cai na nossa central de atendimento, no nosso call center.
02:05Existe um operador responsável para fazer essa triagem, para verificar os casos que são trote ou não.
02:13E uma vez que passa por essa triagem inicial de trote ou não, ele cai na mesa do meu operador.
02:19O meu operador recebe essa informação da ocorrência, confirma a ocorrência, ele liga para o solicitante,
02:25liga de novo para o solicitante, confirma a ocorrência, uma vez confirmada, ele aciona lá do CIODS,
02:30da mesa dele, a nossa caixa de som, nosso microfone, informando qual guarnição vai sair e qual ocorrência que é.
02:38A partir daí, os bombeiros partem para o trabalho, entram em ação.
02:43Durante o deslocamento, o chefe de guarnição, via rádio, ele se comunica com o CIODS para pegar mais detalhes da
02:49ocorrência.
02:50E aí o CIODS começa a ler o relato, um relato inicial das informações que foram apuradas até aquele momento.
02:56O operador mantém o solicitante na linha para justamente ir confirmando esses dados intermediários da ocorrência.
03:02Por exemplo, se for um incêndio, o incêndio é em qual prédio, em qual pavimento, você vê vítima, você não
03:08vê vítima,
03:09as pessoas já foram avisadas disso, você vê chama na fachada do prédio, não vê qual é a cor da
03:15chama,
03:15que tipo de fumaça você está observando, você consegue observar algo mais importante que você não me falou ainda.
03:21Então, essas informações que o operador vai pegando com o solicitante durante o deslocamento da viatura,
03:26ele já vai transmitindo via rádio para a guarnição.
03:29Praia do Canto, bairro nobre de Vitória, um apartamento em chamas.
03:35Populares tentam salvar duas pessoas que aparecem na janela, não conseguem.
03:40Desespero para quem acompanhou de longe o fogo se alastrar e a fumaça tomar conta do imóvel.
03:48Até que o corpo de bombeiros chega ao local.
03:52A equipe usa uma escada para chegar até a janela, mas não alcançam o terceiro andar.
03:59Uma das pessoas até tenta sair, mas resolve voltar para o apartamento.
04:04Não demora, outra equipe dos bombeiros consegue entrar no local e resgatam alguns moradores.
04:12Entre os moradores do apartamento, uma criança de apenas 4 anos.
04:18Ele era uma das seis pessoas que estavam no imóvel, localizado no terceiro andar.
04:23Os bombeiros conseguiram resgatar a criança.
04:27Quando ela foi levada para a ambulância do SAMU, ainda estava viva.
04:31Quando abriu a gente viu que tinha possibilidade de adentrar dentro do cômodo e eu, utilizando os protocolos ali, abaixado
04:39e tudo mais,
04:39consegui chegar próximo da criança e percebi que ela ainda estava, tentou me abraçar, né?
04:45E aí agarrei ele, fui descendo fazendo a RCP e as manobras de reanimação até entregar para o SAMU.
04:52Foram duas horas tentando reanimar a criança dentro da ambulância.
04:56Em alguns momentos, ela até reagia.
04:59Mas, infelizmente, a notícia que ninguém gostaria de receber.
05:04O menino de 4 anos não resistiu.
05:08Por mais que a gente esteja acostumado com o incêndio,
05:10se a gente trabalhe num simulador de incêndio, a gente faça isso dia e outurnamente,
05:15você lidar com a vítima real, as condições daquela ocorrência,
05:19o como que ela se desenrolou, o final dela.
05:23Não tem como não afetar nenhum de nós, bombeiros, que estávamos, por exemplo, aqui na unidade,
05:28que não participamos, quanto mais aquele que está na ponta lá, trabalhando efetivamente.
05:33O Major do Corpo de Bombeiros revela como está emocionalmente a equipe que atendeu a ocorrência.
05:41Eu acredito que eles estão na mesma forma como eu estou me sentindo agora, né?
05:45Triste, angustiado, aquela sensação, podia ter feito mais, dava para dar um pouquinho mais,
05:53poderia ter alcançado o objetivo, e isso permeia o nosso auge.
05:57Se você perceber, nós estamos realmente numa condição mais carregada,
06:00porque todos são afetados, inclusive a equipe que trabalhou.
06:03As pessoas que também ajudaram no socorro compartilham do mesmo sentimento.
06:09Quando a gente vê ontem no final que o menino perdeu a vida, a gente acha que foi tudo em
06:15vão, mas...
06:16Mas o trabalho foi feito. Pessoas também foram salvas.
06:21Independente do resultado final, as equipes do Corpo de Bombeiros saem do quartel com um objetivo, fazer o melhor.
06:31O surgimento do bombeiro até hoje a gente existe, treina, compra, investe para salvar as pessoas,
06:36para entregar serviços para a sociedade, para entregar o melhor para a sociedade.
06:40E é o que a gente busca fazer todos os dias, é a nossa busca para a excelência e pela
06:45entrega total para a sociedade capixada.