Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 14 horas
Trailer acompanha as histórias dos capixabas, que encontram nas ruas, uma renda para sobreviver

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:06Passa álcool em gel nas mãos, coloca a máscara no rosto e pega a placa de papelão.
00:11Ele chega cedo para garantir espaço. A concorrência está grande.
00:15Dependendo do sinal, se o sinal for bom, você tem que tirar seis pela sua vez.
00:23Mas qual a história por trás dessas letrinhas?
00:25Esse aqui é o Rodrigues Júnior, 60 anos. A oito mora nas ruas.
00:30Ele viu a vida virar de cabeça para baixo quando foi deportado de Portugal porque estava sem documentos.
00:36Por lá, ficou a mulher grávida. A filha nasceu e ele nunca conheceu.
00:40Eu estava com seis meses de gravidez e fui expulso, porque eu estava trabalhando.
00:44Você foi deportado?
00:45Deportado por não ter documento, por não ter permissão para estar no país.
00:53No Brasil, nada deu certo. E ele encontrou no semáforo um jeito de matar a fome.
00:58Mas nem sempre as pessoas abaixam o vidro.
01:01O que você sente?
01:03Despesado.
01:05Eu sinto que não fosse ninguém ali.
01:09Eu sinto que não fosse ninguém.
01:11Se a pessoa não quiser abaixar o vidro, o que você faz?
01:13Eu simplesmente sigo para frente.
01:16Sigo para frente, vou para outros carros que, tipo, tenho certeza que não darão atenção, né, no caso.
01:26Gente, pedindo em semáforo sempre teve.
01:29Mas durante a pandemia do novo coronavírus, a impressão que nós temos é que mais pessoas estão precisando de ajuda.
01:39Pelas ruas de Vitória, a capital são muitas placas, de todos os tamanhos.
01:43Os moradores de rua disputam espaço no semáforo, querem ser vistos.
01:47Ei, olha para mim!
01:49Simplesmente, ao você levantar a placa, você já está mostrando para as pessoas, para eles verem o que você está
01:56precisando.
01:57E quem, sentindo o coração, quiser ajudar, automaticamente já vai abrir o vidro sem perder muito tempo.
02:07Mas e o povo? Está ajudando?
02:10Nem todos. Muitos estão com medo, né, por causa de prevenção.
02:12Às vezes não baixa nem o vidro para poder comprar mercadorias, às vezes tem medo de tocar.
02:16Mas muitos também se, tipo assim, se comovem com a situação do próximo e acabam ajudando mais.
02:25A placa do B. Eterson conta que ele perdeu a fonte de renda por causa da pandemia.
02:30Ele usa a placa para ajudar a vender salgadinhos e doces.
02:33A história dele nas ruas começou aos 11 anos, quando perdeu os pais.
02:37Fiquei com quatro irmãos mais novos do que eu para cuidar.
02:40Infelizmente, estou na situação que você está vendo, mas não por querer.
02:43E eu acabei também, assim, vou dizer que eu nunca fui errado.
02:46Já me envolvi com porcaria, com coisa errada.
02:48Mas hoje, graças a Deus, eu trabalho.
02:51E só estou querendo, na verdade, uma oportunidade.
02:54Para poder sair dessa vida, me estabilizar, arrumar uma casa.
02:57Para poder dar um futuro melhor para a minha família.
03:01No mesmo semáforo, encontramos o Paulo Vinícius.
03:04Dez anos de experiência nas ruas.
03:06Ele viu o faturamento aumentar na pandemia.
03:09O pessoal está ajudando mais, que está vendo que estão difíceis as coisas, né?
03:13Mas o pessoal está ajudando mais.
03:14As pessoas estão mais solidárias.
03:16Estão mais solidárias.
03:20Mas aí vem a pergunta.
03:21Será que tudo que eles escrevem nessas placas é verdade?
03:25Não.
03:26Não?
03:27Nem tudo.
03:27Nem sempre o que está escrito ali é verdade, né?
03:29Claro, mas muitos não.
03:34A história de César Roberto impressiona.
03:36Ele formou o indireito, chegou a advogar.
03:39Mas se perdeu no mundo das drogas e veio parar no semáforo.
03:43Por vergonha, né?
03:45E também, vamos ser realistas, para me ter mais a comodidade de estar usando a droga,
03:50facilidade também, eu sair de casa, até mesmo para não passar vergonha na minha família, né?
04:00Viver assim, claro, não é fácil.
04:03Machuca, humilha.
04:04Mas ele disse que aprendeu muito também.
04:06Eu era uma pessoa extremamente arrogante, prepotente.
04:09Eu achava que eu era superior a todas as pessoas.
04:14Eu tive que aprender a força que talvez aquele que eu olho assim e vejo que está pior do que
04:23eu,
04:24talvez ele é melhor do que eu.
04:28A Prefeitura de Vitória informa que presta assistência a essas pessoas.
04:33Essas pessoas, a maioria, são domiciliadas, são acompanhadas por nossa abordagem social,
04:39a nossa equipe de abordagem social durante todo o dia,
04:42e são encaminhadas para que eles possam ter, assim, os benefícios ofertados pela nossa rede sócio-assistencial,
04:49os nossos serviços, como os CRAS, CREA, serviços de referência à assistência social,
04:55para que ali eles possam receber esses benefícios, o qual tem direito.
05:04Quem está no semáforo diz que não é bem assim.
05:07E mesmo com ajuda, não é fácil recomeçar.
05:11Quero ter uma vida, quero viver de vida digna, né?
05:13Sem precisar de estar pedindo esmola.
05:15Nunca precisei disso, meu.
05:17Você quer sair dessa história?
05:19Exatamente, exatamente.
05:20Mas não sei como.
05:25Então, da próxima vez que encontrar com eles,
05:28mesmo que você não abaixe o vidro,
05:31lembre-se, por trás de cada placa dessas, tem uma história.
05:35Tem muitas pessoas que não gostam nem de conversar.
05:38Às vezes a pessoa muda de lugar,
05:41porque tem medo, porque acha que todo morador de rua,
05:44toda pessoa que usa droga é ladrão.
05:49Não é.
05:50Tem pessoas boas, tem pessoas ruins,
05:53tem pessoas formadas,
05:55tem pessoas que têm um entendimento muito grande da vida.
05:58Mas a verdadeira faculdade,
06:01da qual eu estou passando,
06:05estou aprendendo,
06:06é a faculdade da vida.
06:07Um...
06:08mas a verdadeira faculdade,
06:11que vai sair da vida.
06:11Tchau, gente!
06:13Legenda Adriana Zanotto

Recomendado