00:00A cabeça está enfaixada, entre os cabelos a marca da agressão.
00:05Hoje, um dia após o ocorrido, essa dona de casa mostra onde está a ferida.
00:10A mulher topou voltar ao local do crime e contar tudo o que aconteceu.
00:15Nós estamos aqui na Avenida Resplendor, em Itapuã, Vila Velha, e foi aqui que aconteceu toda a confusão.
00:21Você percebe? Para quem não conhece Itapuã, essa é uma avenida que corta o bairro.
00:25É um local com grande movimentação de veículos e de comércio também.
00:30A moça, que foi vítima desta agressão, disse que saiu do carro.
00:34Quando virou, ela já deu de cara.
00:36Ficou assim, ó, frente a frente com o suspeito.
00:40Mas ela nem imaginava que aquele morador de rua poderia agredi-la, já que ela nunca o viu antes na
00:45vida.
00:45Mas foi exatamente isso que aconteceu.
00:48Ela desceu do veículo, ela ia para um banco do outro lado da rua.
00:52Mas antes de conseguir chegar lá, ficou frente a frente com ele.
00:55Ele, do nada, pegou um objeto que tinha uma ponta cortante e atingiu a cabeça da mulher.
01:01Eu estacionei meu carro aqui e fui atravessar a rua.
01:04Quando eu fui atravessar a rua, que eu olhei para a direita, para ver se vinha carro,
01:08e veio esse rapaz, que é morador de rua, ele estava mexendo num lixo aqui na beira da calçada.
01:14E ele estava vindo em minha direção, eu achei que ele ia passar.
01:17E nesse momento ele pegou um objeto que estava na mão dele, que era um fio com uma bola na
01:23ponta,
01:24uma tomada, que eu não sei o que é, e bateu na minha cabeça.
01:27Eu só senti aquele coisa, dei um grito e botei a mão na cabeça.
01:31Depois de ter sido atacada, dona Xizani ficou um pouco tonta.
01:35Andou de um lado para o outro e acabou sentando neste banquinho e gritou por ajuda.
01:39E ele foi embora correndo e as pessoas que estavam do lado aqui da calçada me ajudaram, né?
01:44O pessoal aqui da lanchonete, da farmácia, os senhores que estavam aqui, né?
01:49Eu sentei ali, eles tentaram estancar o sangue.
01:52Quem socorreu a dona de casa foi o marido desta comerciante,
01:55que afirma que qualquer um está sujeito a este tipo de violência.
01:59Ele estava com o carrinho dele, né?
02:01Que é algum deles, né? Eles fazem esse tipo de serviço, né?
02:04Transportando aí as reciclagens que eles fazem.
02:07E aí parece que alguém, ele pediu um material, né?
02:11Um material que estava lá no chão e a pessoa achou ruim porque ele mexeu, espalhou e aí não deixou
02:18ele levar.
02:19Então ele se irritou com aquilo e a pessoa foi-se embora.
02:23Ele, no mesmo momento, pegou um pedaço de ferro, alguma coisa que estava na rua.
02:27A senhora estava saindo, no mesmo momento, do Banco do Brasil.
02:29E ele foi e arremessou o ferro na cabeça da mulher, entendeu?
02:33Uma mulher que tinha nada?
02:33Nada, nada. Ela simplesmente foi na hora errada, no momento errado, coitado, que ela estava passando.
02:39Gislaine conta que depois de ter sido agredida, descobriu que o suspeito já estava rodando pela região.
02:45Depois disso, ele estava mais tentando passar um estilete no rosto de uma outra mulher.
02:50Nós conversamos com vários comerciantes aqui da região e eles abriram o coração para a nossa equipe.
02:56Contaram que sempre há morador de rua circulando aqui pela Avenida Resplendor.
03:01E são moradores de rua que usam drogas e que ficam irritados quando, por exemplo, pedem alguma coisa, algum dinheiro,
03:09alguma esmola e a pessoa se nega.
03:12Eles disseram para a gente que vários casos de agressão já aconteceram aqui nessa avenida.
03:17Na rua, agora pela manhã, vimos apenas um homem dormindo na calçada.
03:21Mas basta olhar para o lado e perceber que o local é marcado pela violência.
03:27No muro, o recado deixado pela criminalidade.
03:30Tire o capacete e abaixe o farol.
03:33Quem sofreu na pele a agressão agora tem medo de sair de casa.
03:37É horrível passar por isso, porque a gente não tem mais segurança aqui, né?
03:40Em Itapuã, não se tem mais segurança.
03:43Os moradores de rua, os noia, nós não temos mais segurança.
03:47A gente tem medo.
03:48Quando vê alguém vindo, a gente já está com medo.
03:50Esse rapaz, eu nem, assim, não imaginei que ele fosse fazer aquilo ali.
03:53Me pegou de surpresa.
03:54Nós não podemos ficar assim.
03:56Nós vamos ficar presos em casa e eles na rua.