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Estudo realizado pela universidade de Oxford, corticoide foi se mostrou eficaz apenas em casos graves da doença e reduziu número de mortes
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NotíciasTranscrição
00:00Convidamos aqui o médico reumatologista, doutor José Coraça.
00:04Boa tarde, doutor Coraça.
00:05Boa tarde.
00:06Bem-vindo ao Fala Espírito Santo.
00:07Está aí mais uma esperança, né?
00:09Porque muitos estudos vêm sendo feitos desde o início dessa pandemia
00:12e a expectativa de todo mundo, né?
00:16É o que está colocando, todos os colegas falam,
00:19e quando a gente discursa, nunca se publicou e nunca se estudou
00:22tão rápido uma doença como tem acontecido agora.
00:25Mas se eu falar que descobriram um remédio, a dexametasona,
00:30ela já foi lançada em 1948.
00:33Quer dizer, em 1948, o Felipe Rente pegou um paciente com artrite reumatóide,
00:37fez corticoide no começo do Congresso Mundial,
00:40no final ele apresentou o paciente muito bem.
00:43Então, não é um medicamento novo, é um medicamento antigo,
00:46é um medicamento que se usa regularmente em hospitais,
00:50em pacientes com sepsis, em pacientes com doenças infecciosas.
00:56Isso é uma prática que se faz.
00:59O que aconteceu foi simplesmente pegar o que era usado em outros pacientes
01:02e usar nos pacientes de coronavírus.
01:04Mas isso já tem, já está sendo feito, tem serviço no Brasil
01:08que já estão fazendo isso aqui, não nesse nível, nesse volume de pacientes.
01:12Ou seja, é uma medicação já existente que agora vem sendo utilizada
01:17para um outro uso, poderíamos dizer assim?
01:20Não, porque assim, a gente usa para todas as doenças reumáticas,
01:24renais, hematológicas, neurológicas,
01:28é um remédio, assim, amplamente utilizado para tudo.
01:31A gente sempre diz que corticoide é um salvador de vidas.
01:34É aquele paciente que interna com lúpus grave
01:36e você dá alta nesse paciente com o uso do corticoide.
01:40E esse uso em doenças infecciosas não é um uso novo.
01:43Ele simplesmente foi usado agora num volume muito grande
01:47e aí agora os resultados estão aparecendo.
01:50Pois é, a doutora Rúbia Miossi, conversando aqui ao vivo com a gente também pela internet,
01:54ela está atendendo pacientes com coronavírus
01:56e falou exatamente sobre a utilização do corticoide em pacientes internados, doutor.
02:02Existe uma diferença aí dessa medicação para uma pessoa, por exemplo,
02:06porque isso é um remédio que vende em farmácia.
02:07Sim.
02:08Ou seja, todo mundo pode ter acesso?
02:10Todo mundo pode comprar sem receita.
02:13Embora a caixinha esteja escrita, depende de receita médica.
02:16Mas se você chegar na farmácia, vai comprar sem receita médica.
02:19E aí adianta a gente comprar?
02:21Para guardar, para se prevenir?
02:23Ou então, porque assim, quando a gente vê uma medicação,
02:25está todo mundo com medo de pegar essa doença, esse vírus.
02:28Ah, vou comprar esse remédio aí que falaram que é bom, vou tomar.
02:32Mesmo sem ter o coronavírus.
02:34É a mesma coisa que você tem com a cloroquina.
02:37Quer dizer, quando começou a história da cloroquina, você não conseguia achar mais.
02:40Por isso que a receita hoje tem que ser controlada.
02:43A Ivermectina, sumiu das farmácias.
02:46O outro, o antiparasitário, você tem dificuldade de achar.
02:49E assim sucessivamente.
02:51Então, a quantidade de drogas, a quantidade de trabalhos que aparecem todos os dias, né?
02:56Eu acabei de receber no meu celular um guideline de 135 páginas de terapêutica em Covid-19.
03:04Mas quando você fala em Covid, antigamente a gente pensava que era o vírus que fazia a manifestação pulmonar.
03:09Hoje a gente já sabe que existe uma manifestação hematológica, vascular.
03:13E isso leva o quê?
03:14A formação de trombo, a obstrução arterial, a um processo inflamatório extremamente agudo.
03:20Aí é que o corticoide funciona.
03:22Por quê?
03:23Ele é um anti-inflamatório extremamente potente.
03:25É o que eu já falei antes.
03:26Ele é um salvador de vidas.
03:28Não é para tomar por conta própria.
03:31Não é para tomar.
03:33Ele não tem efeito naquele paciente nem em começo de sintomas.
03:38Existe uma cronologia que a gente faz, nível 1, nível 2, nível 3, nível 4.
03:43É possível ser usado entre o nível 2 e o nível 3.
03:46É aquele paciente que está apresentando doença, que está apresentando processo inflamatório pelo coronavírus.
03:53Por quê?
03:53A maioria dos pacientes vai ser assintomático.
03:56O que eu estava vendo na reportagem que vocês fizeram antes aí, é igual a história daquele paciente com renal
04:02crônica.
04:02O colega de Belém do Pará, esse dia, numa live, ele falou assim, os pacientes descobrem que são hipertensos, diabéticos,
04:07renais crônicos, quando internos.
04:10Hoje, esse dia, um colega cirurgião cardíaco estava falando, o índice de morte por infarto aumentou bastante nessa pandemia.
04:19Por quê?
04:20As pessoas, você comentou isso, as pessoas estão deixando de procurar tratamento médico, com medo, e estão morrendo de outras
04:27coisas.
04:27Pois é, isso tem acontecido por todo o país.
04:30As pessoas têm alguns sintomas, começam a se sentir mal dentro de casa, mas não buscam atendimento médico, justamente por
04:37medo de chegar numa unidade de saúde e contrair o vírus.
04:41E, exatamente, a recomendação é o oposto, né?
04:44Você não deve deixar de fazer os seus tratamentos, a Rúper foi muito feliz quando ela falou isso, eu vi
04:49a reportagem.
04:50Você não deve interromper o seu tratamento, você não deve parar nada.
04:55Quem usa cloroquina, vai continuar usando cloroquina, a gente usa cloroquina há mais de 70 anos.
05:01Antigamente, você só tinha no governo, só a Fundação Nacional de Saúde que tinha.
05:05A gente tinha que prescrever, fazer laudo, para os pacientes lá na Funasa pegar o medicamento.
05:10Então, a medicamento é assim, sem efeito colateral, não, a gente não via efeito colateral, a gente vai começar a
05:16ver agora.
05:17Por quê? Porque estão falando, vai começar todo mundo a ter tacardia, arritmia, o pessoal vai começar a ter sintomas.
05:24Então, a cloroquina tem trabalhos com a reação antiviral, a vermelha que tinha, todos eles são.
05:31O que está acontecendo com os trabalhos é que eles têm um erro de metodologia.
05:35Você não está fazendo aquele que usa, esse aí que foi feito agora foi interessante, que usou e não usou.
05:40Mas o que o pessoal está fazendo? Eles estão pegando justamente isso, pacientes, eles estão dando cloroquina.
05:45Você não aceita, você vai no grupo negativo.
05:48Então, a pessoa da Prevent lá em São Paulo fez isso aí.
05:51Só que assim, para você publicar esse trabalho, ele tem um erro de metodologia.
05:55Então, o pessoal não aceita porque tem essa dificuldade.
05:58Agora, eles apresentaram um resultado muito bom cloroquina.
06:01A dexametasona, todo mundo que faz terapia intensiva, todo mundo que faz UTI, usa isso assim, quase que o dia
06:08todo.
06:09Estou recebendo aqui no estúdio o médico reumatologista, o doutor Coraça, falando um pouquinho sobre essa medicação, que já é
06:16utilizada em tratamentos, né doutor Coraça?
06:19A gente já usa não só a dexametasona, a reumatologia usa muito mais a metilpredisolona, a predisolona e a prednisona.
06:28Portanto, no vioral, a gente faz, já é rotina você fazer o que a gente chama de pulsoterapia.
06:34Você faz uma grama de metilpredisolona por dia no paciente, por três dias.
06:39Isso tira o paciente de um quadro grave, às vezes de um risco de morte e você consegue tirar o
06:44paciente.
06:45Como a gente tinha falado antes, o uso do corticórdia em doenças infecciosas, em doenças graves, em doenças autoimunes, doente
06:51internado, já era uma rotina.
06:54A gente só não tinha.
06:55O que é que acontece?
06:56Está todo mundo aprendendo o coronavírus.
06:59Quer dizer, a cada dia surge uma coisa nova e vem a esperança, depois vem alguma coisa publicando que não
07:04é o resultado.
07:06Foram com todos os remédios, a cloroquina, a ivermectina.
07:09Agora, a prednisona, a predisolona, a dexametasona, já são remédios bem estabelecidos nesses pacientes graves, pacientes com fenômenos autoimunes, fenômenos
07:21inflamatórios.
07:22Então, já é uma rotina.
07:24Já simplesmente foi extrapolado para os doentes de coronavírus, que não são doentes diferentes do que a gente já vinha
07:29tratando antes.
07:30O que a gente tem é uma doença extremamente aguda, extremamente infecciosa, extremamente contagiosa e com processo inflamatório.
07:39Quem trabalha UTI fala que a angústia respiratória dos pacientes é uma coisa, assim, assustadora.
07:45O paciente entra numa angústia muito grande.
07:47Tem muita gente discutindo até o uso de morfina nesses pacientes, igual você faz em pacientes cardíacos.
07:53Porque você, tirando a angústia, você tirando aquela opressão do paciente, ele poderia se sentir melhor.
07:58Agora, doutor, é bom a gente destacar, falamos agora há pouco, esse é um remédio que está disponível nas farmácias,
08:05ele não precisa de uma receita médica, você pode chegar e conseguir comprar.
08:10Agora, é importante que as pessoas não façam uma correria, né?
08:13Aquela corrida até a farmácia, porque não adianta tomar o remédio por conta própria, ele não é uma solução para
08:20o coronavírus, né?
08:21Não, ele não é uma solução.
08:23Você tem trabalhos em dose baixa, você tem trabalhos em dose alta, você tem uma série de trabalhos com todas
08:28as drogas de corticoide.
08:32Então, assim, não, você não sabe se é a hora de você tomar, você não sabe se você tem outros
08:37problemas, quem é diabético não pode usar, quem é hipertenso não pode usar.
08:41Então, você tem uma série de doenças, os asmáticos usam isso regularmente, né?
08:46Você tem paciente, nosso paciente reumatológico, usam 20, 30 miligramas durante anos a fio, né?
08:53Aí você falou até da osteoporose antes, corticoide dá osteoporose, né?
08:57O uso crônico de corticoide dá osteoporose.
09:00Então, não é qualquer paciente que pode usar.
09:02Os hipertensos, o risco deles aumenta muito.
09:04O diabético, ele corre o risco de fazer uma crise de hiperglicemia pelo uso do corticoide.
09:11Então, você tem que saber se você pode usar e se você precisa usar, né?
09:16Então, assim, você fazer esse uso em ambiente hospitalar, esse uso dentro da UTI, ótimo, maravilha, né?
09:23Eu, por exemplo, já falei, meu irmão que é médio, eu falei assim, se eu for para o hospital, faz
09:27para mim antes, tá?
09:28Porque eu não quero ir para o respirador.
09:30Então, assim, tiver que fazer, vou fazer tudo.
09:32É uma decisão que é feita pelo médico e aí já dentro do ambiente hospitalar, dificilmente ela vai ser usada,
09:39por exemplo, em um paciente que está em casa.
09:41Não, não é para ser usada em casa, tá? Não vai ter resultado.
09:45O que acontece é o seguinte, esse paciente vai concordar em não usar?
09:48Eu estava vendo o trabalho, estava mostrando assim, ah, ofereceram o paciente.
09:51Porque lá na Europa você não pode simplesmente fazer o medicamento.
09:56O paciente tem que concordar mesmo que, às vezes, você tem que chamar alguém da família, porque senão assinar...
10:01É preciso uma aprovação, né?
10:02É preciso uma aprovação do paciente.
10:03Aqui, a gente ainda tem, se for assim, mas o paciente está grave, você usa.
10:07Mas hoje já tem algumas coisas na parte judicial dizendo o seguinte, você pode ser processado.
10:14Você não pediu autorização para usar aquilo.
10:15O paciente ia morrer, tudo bem.
10:17Então, assim, esses pacientes que evoluem, esses pacientes que vão para o hospital,
10:22do hospital que tem o risco de ir para a UTI, eles podem se beneficiar com esse remédio.
10:27Com certeza.
10:28Agora, aquele paciente que tem a febrezinha, a tossezinha, como diz o Bolsonaro, que agora adora falar isso,
10:36não é um medicamento para esse paciente.
10:39A própria história da cloroquina, a gente discute que a cloroquina é um remédio que demora um tempo para fazer
10:43efeito.
10:44Então, até talvez por isso, o uso retardado faz com que ele não tenha o resultado que a gente poderia
10:49esperar.
10:50E olha, gente, só para a gente lembrar, aqui no Espírito Santo, 15.252 capixabas já estão recuperadas da doença.
10:58A maioria das pessoas se trata dentro de casa, não necessita de uma internação.
11:03Então, é com orientação médica que tudo isso tem que ser feito.
11:06Dr. Coraça, muito obrigada, viu, pela sua presença aqui.
11:09Uma ótima tarde.