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Uma menina de pouco mais de 1 ano, que tem hidrocefalia, foi encontrada sozinha em casa, em Vila Velha. Ela estava com desidratação e desnutrição severas, além de sinais de maus tratos.
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00:00Aqui no estúdio, pra bater um papo com a gente, tô recebendo a conselheira tutelar da Serra,
00:05Andréa Aparecida Moreira Gomes, advogada de família Camila Dias Barbosa e também a médica pediatra Iria Jacomim.
00:12Boa tarde, bem-vindas ao Fala Espírito Santo.
00:16Vem uma situação super triste, difícil da gente acreditar que aconteça, mas é uma realidade.
00:22Uma menininha de um ano e nove meses sozinha em casa.
00:26A gente, no depoimento, a mãe disse que não deixou ela sozinha, teria deixado com uma outra pessoa que é
00:32menor de idade.
00:34Se isso for comprovado, já é um erro, né, doutora?
00:37Sim, não deve. Independente da idade, menor de 18 anos não pode, não poderia ficar sob os cuidados, né,
00:45essa criança sob os cuidados de alguém nesse sentido.
00:49Independente disso, né, ela estando sozinha ou com uma outra criança adolescente.
00:53Com um menor de idade, um menor de idade não pode se responsabilizar por outra pessoa, por outro menor, né?
00:59Isso.
00:59Isso, pela lei, é incapaz.
01:02É incapaz.
01:03Abandono de incapaz.
01:05No caso, ainda duplo, se for configurado, né, um cuidando do outro.
01:09Pois é, agora, por exemplo, o pai que vai trabalhar e tem um filho adolescente, pré-adolescente,
01:14ele pode deixar essa criança em casa sozinha, esse pré-adolescente sozinho?
01:18Qual a idade que a lei entende que já é possível, sim, de ficar em casa?
01:23Então, configura abandono menor de 18 anos.
01:27Agora, tem casos que maiores de 16 são aceitáveis.
01:31Menores de 16 anos não devem ficar sozinhos.
01:35Então, aí...
01:36Menor de 16 anos nem pensar em ficar sozinho em casa.
01:38A gente sabe, né, Juliana, que é muito complicado isso, nós afirmarmos.
01:43Na lei está dessa forma, mas aí o bom senso também, de como isso acontece, né, vai de casa para
01:49casa.
01:49Então, é dessa forma, né?
01:52Pois é, é uma situação muito complicada, porque a gente sabe a realidade de muitas famílias.
01:56Agora, pela lei, isso não é permitido e aí entra o conselho total.
02:01A gente está aqui com a Andréia, que é da Serra, tá, gente?
02:03Isso aconteceu em Vila Velha, não é na sua região de atuação.
02:07Mas a gente fez questão de convidar para falar sobre um problema, porque o Conselho Tutelar
02:12auxilia em histórias como essa, né?
02:15Verdade, isso não é, né, não é só, não acontece só em Vila Velha.
02:18Isso tem acontecido, acho que na maioria dos nossos municípios, em Serra, isso tem acontecido
02:23demais e a gente lamenta muito, porque a gente vê os casos acontecendo e são muito poucos
02:28que vêm parar na mídia.
02:30Eu, por exemplo, não tenho nem um mês, eu peguei duas crianças em situação de abandono,
02:34de incapaz e cárcere privado.
02:35Eles estavam num local de, não sei nem te dizer a questão de espaço, mas era um
02:41lugar mínimo, onde a madrasta tinha deixado um menino de sete e outro de cinco, desde
02:46oito horas da manhã e eu fui acionar, era por volta de onze horas e cheguei lá, essas
02:52crianças estavam sozinhas por um portão com a chapa enorme, um buraco mínimo, me pedindo
02:56água, porque estavam pingando de suor.
02:58Morrendo de calor, não tinha nenhuma água.
03:00Nada, eles não tinham acesso à casa.
03:02A casa, a porta estava trancada e o portão que dava para a rua tinha uma chapa e só
03:06tinha aquele espaço onde você coloca um cadeado.
03:08Desumano uma situação como essa e um prejuízo para a saúde, né, doutora Ilha?
03:12Imagina.
03:12É, quanto menor a criança, ela é mais sensível, né?
03:17A criança muito pequena, poucas horas já pode haver uma desidratação, uma hipoglicemia,
03:24levando até a morte.
03:27Então, quanto menor, né, mais sensível.
03:30Pois é, você viu aí que era quatro e cinco anos a idade?
03:33Era cinco e sete.
03:34Cinco e sete anos, num cubículo, num espaço pequeno, quente, sem refrigeração, né, só
03:40com um buraquinho assim e sem água.
03:43É, essas crianças podem desidratar, né, e levar, é grave.
03:49E agora, o que a gente viu aí com essa outra criança, inclusive, antes de você falar,
03:54analisar um pouquinho a situação dessa bebezinha, vamos exibir aí, vamos conferir a reportagem
03:58completa, o que diz a avó da bebê que teria sido abandonada dentro de casa, sozinha,
04:03durante esse feriado aí de carnaval.
04:05Ela relatou que a filha não tinha condições financeiras para manter a criança.
04:10Roda o PT.
04:10A casa fica em uma rua sem calçamento do bairro Cidade da Barra, em Vila Velha.
04:15É no final desse corredor que viviam mãe e filha.
04:18Foi aqui que a menina de um aninho teria sido deixada pela própria mãe.
04:23Vizinhos denunciaram que a menina ficou os quatro dias de carnaval sozinha em casa.
04:28Mas a avó acredita que a filha teria saído de terça para quarta.
04:33Isso porque na segunda, ela esteve no local e viu a neta e a filha.
04:38Na segunda eu vim e ela estava em cima da cama.
04:41É, eu falei assim, Fabrício, tem que levar ela no médico.
04:43Por mais que ela foi errada de deixar a minha neta sozinha, mas ela tentou.
04:49Não, eu não estou aqui para falar que ela não tentou, ela tentou.
04:52A criança chegou ao hospital com um quadro grave de desnutrição e desidratação.
04:57A avó afirma que desde que a neta nasceu, ela apresentava dificuldades para ganhar peso.
05:03Mas confessa que a filha não tinha condições financeiras para alimentar a menina.
05:08Ela está tomando leite, está lá na minha casa.
05:10Tudo vencido que ela ganhou de doação.
05:12Como ela não tem lugar para morar, porque eu parei de pagar o aluguel dela,
05:16ela ficava aqui, ficava ali, o rapaz ficou com dó dela, colocou ela para morar lá.
05:20Ela não deu certo, foi para a casa da sogra, chegou lá.
05:22A sogra jogou na rua, a menina ficou com dó e colocou ela aqui.
05:24Como já cuida de um outro neto de dois anos, irmão da bebê abandonada,
05:30ela diz que não tem condições de cuidar de mais uma criança.
05:33Eu falei na promotoria que eu não tenho condição de cuidar da bebê,
05:37porque eu já dei entrada no loazinha dela, eu não consegui, eu já cuido de um.
05:42Agora eu estou indo correndo para casa para dar banho e ir lá na creche para ver se ele foi
05:46chamado.
05:46Eles falaram que ela vai ser mandada para o presídio e assim, deixar na mão de Deus.
05:59Pois é, você viu aí a situação, essa menina é uma menina que tem 20 anos,
06:03a própria mãe diz que ela não tem condições de criar a filha.
06:07Um outro filho dela, um pouquinho mais velho, tem cerca de 3 anos, está sobre os cuidados dessa avó.
06:12Uma situação muito complicada, uma menina muito nova, já com dois filhos,
06:16sem nenhuma estrutura, sem condição de cuidar de uma criança.
06:20Está aí uma realidade que a gente tem visto com frequência, né?
06:24Infelizmente, a gente vê que essa desestrutura familiar, ela só vai se repetindo ao longo do tempo.
06:31As adolescentes, que normalmente passam por situações de negligência,
06:35não sei se esse é o caso, mas pelo que a gente vê, né, é uma situação, uma família, uma
06:40situação difícil,
06:41ela acaba reproduzindo isso, que ela já está com 20 anos, já está com o segundo filho,
06:45e além dela dizer que não tem condições financeiras de cuidar, ela também não tem conhecimento,
06:49porque se a criança tem alguma necessidade especial, existe alguma coisa do poder público,
06:55algum órgão que pode auxiliá-la de alguma forma.
06:58Agora, gente, e a própria avó falou que dava leite vencido para a criança,
07:03criança nenhuma, né, doutora Ira, pode tomar, consumir um produto que esteja fora do prazo de validade,
07:10pior ainda uma criança com necessidade especial.
07:13É, isso não se faz, né, nossa, isso aí, ah, teria que se apurar,
07:20porque normalmente, hoje se tem os protocolos que você tem, doação de leite por parte do governo,
07:28então vocês têm direito a isso, mas nesse caso específico, né, houve aí uma, né,
07:35a gente vai ter que apurar, mas a criança não deve tomar leite vencido, né,
07:40e nem ficar sem se alimentar, principalmente nesse caso, que é um caso,
07:46provavelmente é um bebê neuropata, né, com problemas neurológicos, que nem deglute, né,
07:51provavelmente essa alimentação é feita por uma sonda no estômago, né,
07:55ela deve ter uma, a gente chama de gastrostomia,
07:58então esse leite é gente que tem que fazer para o bebê,
08:01se não tiver ninguém para colocar, esse bebê não sobrevive, né.
08:06A polícia, assim que chegou lá, está lá no boletim de ocorrência falando dos sinais de desidratação
08:11que ela se encontrava, não, a gente não pode, a informação que foi a denúncia que foi feita na polícia
08:17é de que a menina ficou os quatro dias sozinha,
08:19em casa isso não é confirmado, no depoimento a mãe disse que não,
08:24que tinha deixado com uma outra pessoa,
08:26a avó disse que não, que encontrou com a filha e a neta,
08:31de segunda, isso pode ter acontecido de segunda para terça,
08:33que não foram todos os dias, mas enfim, um dia já faz muita diferença na vida de uma criança, né,
08:39um dia sem essa atenção, sem a água, sem o leite, sem o alimento que ela precisa, né,
08:44os cuidados necessários, né.
08:46Esse bebê, ele por ter esse problema neurológico, ele requer muito cuidado, né,
08:52você imagina como era essa menina sem poder cuidar desse bebê,
08:56ele exige vários tratamentos, né, de acompanhamento com fisioterapia,
09:02com um monte de coisas que é um bebê, né, com sequela neurológica, né,
09:08então, imagina ela ficar um dia que fosse sem nenhum cuidado, né,
09:14é bem grave, ela poderia ir ali nesse quadro, uma desidratação,
09:19levar até uma insuficiência renal, evoluir para um quadro bem pior,
09:22e até infecção, né, provavelmente.
09:25E sem trocar uma fraldinha, né,
09:27porque a criança faz as necessidades na fralda e não tem ninguém para trocar,
09:31porque ela sozinha não troca, né, gente.
09:33Então, esse quadro é um quadro grave, né,
09:36esse bebê, eu não sei qual é o quadro neurológico,
09:40mas não sei se era microcefalia, né,
09:43deve ser um quadro mais sério, né.
09:46A informação que foi passada para a gente é que ela tem hidrocefalia.
09:50Hidrocefalia, né, quer dizer, uma lesão neurológica, né.
09:55Olha, é triste da gente ver, deixa eu ler alguns comentários aqui na nossa transmissão no Facebook,
09:59que Érica Costa está falando, um absurdo.
10:01Essas meninas tinham que ser operadas para não terem mais filhos,
10:04porque sofrem os inocentes e as famílias também.
10:07Eu sofro em ver crianças sendo maltratadas por pessoas incapazes de cuidar,
10:12incapazes de serem mãe de verdade.
10:15Esse aí é realmente um problema.
10:17As pessoas sem estrutura, tendo filho muito cedo.
10:21Agora, essa também, legalmente, não é uma solução que se possa ser adotada, né, doutora?
10:26Sim, é. Dessa forma, não cabe ao Estado, né, estar fazendo esse tipo de controle.
10:33Até porque, como falou lá o colega, sobre essa questão de fornecer os preservativos, os meios, né,
10:40isso daí existe, tem, não costuma faltar.
10:44Então, aí já é uma questão social e de campo.
10:48E de informação, né, e das pessoas terem informação de como se prevenir e ter acesso também.
10:55Aí esse tipo, agora, a gente sabe que nas unidades de saúde são distribuídos, preservativos, né?
11:00Então, vale também da pessoa tomar aí o seu cuidado, né?
11:05A gente tá com mais comentários, Michelle, é que pra pular carnaval tinha direito, né?
11:11Agora, pra cuidar da criança não tinha, ainda mais o especial, isso não é mãe, não.
11:17Isso não é mãe, mas a gente também tem que ouvir o lado dela, como está acontecendo, como está acontecendo
11:23na polícia,
11:24ela tá ali se defendendo.
11:26Agora, a gente sabe que é uma realidade, a gente tá aqui com o Conselho Tutelar da Serra,
11:30que acompanha muitos casos de abandono, situações que acontecem no dia a dia, né?
11:35Olha, gente, se eu fosse enumerar aqui, a gente ficaria aqui o programa inteiro ainda, né, não seria o suficiente.
11:41Mas o que a gente não pode esquecer é que o estatuto é bem claro no artigo 5º, onde ele
11:45diz o seguinte,
11:46nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência,
11:52de qualquer tipo de violação, de crueldade, do que quer que seja.
11:57Essa criança em si, ela tem um problema de saúde, mas qualquer criança.
12:00O Código Penal, ele é muito claro, ele fala bem claro, criança sozinha em casa é crime, no artigo 133.
12:06Então, assim, essa criança tem um quadro de saúde, mas até mesmo aquela que não tem,
12:11não é um dia, não, é um minuto em casa, a criança não pode estar sozinha.
12:16A gente recebe muito casos assim, ah, eu fui na padaria, você foi na padaria,
12:19mas quando você vai na padaria e volta, muita coisa pode acontecer.
12:22Então, é preciso que nós, do Conselho, que as próprias autoridades,
12:26realmente a gente tome ciência e diz que isso tem acontecido com muita criança.
12:31E a gente, às vezes, não consegue o resultado que a gente quer,
12:34porque a gente sabe que a própria lei deixa muita brecha.
12:37Ô, Rosângela Rocha aqui, por que ela não fez igual a tantos?
12:40Vai aí no programa, pede ajuda, não deixe nem meus gatos mais de 12 horas sozinhos.
12:45A lei tem que ser cumprida e a criança protegida.
12:48Deixamos aqui no ar a situação dessa criança.
12:50Essa menina foi levada para o hospital, está neste momento internada,
12:54tendo um atendimento ali no Imaba, em Vila Velha.
12:58E aí, a pergunta que fica é quais as leis?
13:01A Rosângela falava que a lei tem que ser cumprida e a criança protegida.
13:05Chayane Oliveira pergunta, essa mãe vai perder a guarda da filha?
13:09Então, além de ter cometido um crime, tem vários agravantes, né?
13:14Agora ela está presa, ela foi retida, detida e o que acontece?
13:19Tem um processo, tem toda uma avaliação, um estudo para ser feito,
13:24partes serão ouvidas, tudo ocorrido.
13:27Ela pode perder a guarda, o poder familiar, que a gente chama.
13:30Porém, não é assim, simples.
13:32A mãe cometeu um ato como esse, um crime como esse, um abandono,
13:37133 do Código Penal, porém, eu sei que a sociedade, nós todos olhando essa situação,
13:45pensamos, né?
13:46Não tem como essa criança ficar com essa mãe.
13:48É, a Rosângela Martinelli até fala que quer pular carnaval,
13:51ou seja, né?
13:53Deixa com o responsável, desde que seja maior de idade.
13:56E ela fala, não dá nem para chamar de mãe uma pessoa dessa.
13:59Aí, Juliana, tira essa criança, né?
14:02A mãe, suponhamos que ela perca o poder.
14:04E entrega no abrigo, é um outro problema social que a gente acaba tendo.
14:07Então, na verdade, não é tão simples como aparenta, né?
14:12E todos os dias, como a conselheira mesmo falou, isso acontece.
14:16Então, a gente fica chocado porque esse tipo de caso veio à mídia
14:19e o fato dela ser especial também deixa um choque maior.
14:23Porém, nenhuma criança, imagina uma criança de um ano e nove meses,
14:26como que ela vai preparar uma comida, como ela vai se trocar, vai se cuidar?
14:29Não existe essa possibilidade.
14:31Então, o que fica é um alerta para todos os pais e mães,
14:34todos os cuidadores que sejam responsáveis,
14:37para que ninguém cometa esse tipo de atitude,
14:40porque é um crime e é muito grave.
14:42Crianças estão correndo risco de vida, todos os dias.
14:45Então, não é comprovado de que ela vai perder a guarda do filho,
14:48mas isso pode acontecer também, né?
14:50Pode, pode sim.
14:51Agora, a justiça, inclusive, esse caso já foi encaminhado para a justiça
14:55para ver as medidas cabíveis, né?
14:57Porque essa menina, assim que se recuperar, o que acontece com ela?
15:02É, provavelmente se a família, como a avó já disse, que não tem condição
15:05e a mãe se ficar realmente detida,
15:07se a criança não tiver nenhum outro familiar com condição de receber,
15:10ela provavelmente vai ser acolhida institucionalmente falando.
15:13Ela vai para um abrigo?
15:14Sim, mas aí lá é o que foi o que a doutora falou,
15:17tem todo um processo, tanto da mãe como da menina.
15:20Uma criança dessa dificilmente consegue uma adoção,
15:23mas aí, antes de qualquer coisa, essa família vai ser atendida,
15:28vai ver qual é a real possibilidade, ou a mãe alega, a avó alega,
15:31a mãe não, a avó alega que não tem condições.
15:34Então, numa audiência, provavelmente a juíza vai dar todos os trâmites
15:38para que ela seja auxiliada, receba o auxílio que ela necessita
15:41para cuidar da filha dela.
15:43Até porque ela cometeu um crime, mas a mesma lei que diz
15:45que a criança não pode passar por nenhuma negligência,
15:48ela também diz que a criança tem o direito de ser criada
15:51no seio da sua família.
15:52E a prioridade é sempre ficar com a família, né?
15:55A criança.
15:56Dias Santos aqui pergunta, qual lei existe no Brasil?
15:59Por exemplo, o que fazer quando o pai cria três filhos sozinho
16:02e a mãe não está nem aí para as crianças, não dá a menor atenção?
16:07Atenção a gente não tem como exigir, né?
16:09A gente fala no direito de família que amor, não existe processo
16:13para que os pais doem o amor aos filhos.
16:17Porém, tem dano moral, tem dano material, tem a lei de alienação,
16:23tem alguns mecanismos jurídicos que podem ser utilizados.
16:27Mas, infelizmente, se nem mesmo a gente consegue fazer isso
16:30com o pai e a mãe que estão do nosso lado, quanto mais exigir de outro, né?
16:35Atenção, né?
16:36Olha, gente, casos de abandono, infelizmente, acontecem.
16:39Nós fizemos aí um levantamento de algumas reportagens
16:42que foram registradas pelas nossas equipes.
16:45Vocês devem se lembrar desse caso que eu vou falar agora.
16:47Uma mãe disse que se cansou do filho mais novo.
16:50Ela abandonou o menino de oito anos no terminal de Itacibá,
16:53em Cariacica, e acabou presa, né?
16:55Isso foi no ano passado.
16:56Vamos relembrar.
16:59Assim que os policiais chegaram, aqui no local,
17:02se depararam com a mãe e dois filhos.
17:05A polícia, então, questionou a mulher
17:07para saber o que realmente estava acontecendo.
17:10E ela teria dito que se cansou do filho mais novo.
17:14Ela foi muito objetiva na resposta que ela nos deu a ser indagada.
17:19Ela disse que cansou da criança.
17:20Ela disse que não aguentava mais o comportamento dele,
17:23que ele estava brigando muito com o irmão de 10 anos.
17:26Ele tem oito.
17:28E que ela não aguentava mais,
17:29que ele estava correndo pelo terminal
17:30e que ela não ia embora para casa com ele.
17:33Que amanhã, ou semana que vem, ou quando possível,
17:36ela o buscaria no conselho tutelar,
17:38ou talvez encontraria ele até morto,
17:39que para ela não fazia mais diferença.
17:40Ela não queria criança.
17:42Mesmo passando por tudo isso,
17:44o menino ainda meio assustado por estar na delegacia
17:47e vendo a mãe sendo detida,
17:50ele ainda contou que já foi agredido outras vezes por ela.
17:53Um dia, como eu estava fazendo nada,
17:58é por causa que quebrou o negócio e colocou a culpa em mim.
18:02Aí eu falei que não era eu.
18:03Aí ela meteu a mão na minha cara e sangrou o meu nariz.
18:07A mãe, de acordo com a polícia militar, tem 26 anos.
18:11Além da criança de oito anos,
18:13o irmão de 10 foram encaminhados para a delegacia.
18:18Essa é uma história muito triste.
18:20Ficou todo mundo aqui comovido.
18:21Com a fala também desse menino, né?
18:24Uma violência que ele acaba vivendo dentro da própria casa, né?
18:28É muito triste a gente ver uma situação dessa,
18:31mas é o que eu falei no começo.
18:34As mães que já estão aí, como essa,
18:36que diz que está cansada do filho,
18:37a gente, quanto conselho tutelar,
18:39não sabe bem como proceder.
18:40Mas a gente tem procurado fazer um trabalho
18:43igual esse mês de fevereiro que está terminando.
18:45Foi lançada uma campanha, né?
18:47Contra os adolescentes se engravidarem,
18:51que muitos estão engravidando antes da hora.
18:53E a gente tem que ter muito,
18:55um olhar muito centrado para isso.
18:58Porque os adolescentes de hoje
19:00são as mães do nosso futuro.
19:03E, na verdade, o filho,
19:05acho que nem sempre é uma questão de escolha.
19:08Mas uma vez que você tem o seu filho,
19:10ele é um filho, ele não é um cachorro
19:12que você pode doar, que você pode se cansar.
19:14E as nossas crianças não têm sido tratadas
19:17com o devido amor e valor que elas deveriam ter.
19:20A gente está com Marta Gabriel aqui
19:22participando da nossa transição.
19:24Cadê os direitos humanos?
19:26A Valdete, meu Deus, isso não é mãe.
19:29A Elaine, mas é bíblico,
19:31que o amor de muitos se esfriaria.
19:33E é o que a gente acaba vendo acontecer.
19:36Falta amor, né?
19:37Falta amor nas pessoas.
19:38Se recupera, né?
19:40Dependendo do grau.
19:41Provavelmente, se ela tiver uma infecção associada,
19:44é tratada a infecção,
19:45é corrigida esse estado de desidratação dela, né?
19:49Provavelmente, essa criança foi colocada o soro, né?
19:52Na veia.
19:53E tende a melhorar.
19:55É lógico que vai ter um período aí, né?
19:57De recuperação, né?
19:59E de internação prolongado.
20:01Mas que tem recuperação, sim.
20:04E a gente fica aqui na torcida, né?
20:07E são muitas histórias que a gente acaba relembrando.
20:10Você até contou uma agora recente de ter encontrado, né?
20:13Com duas crianças também deixadas pela família sozinhas num cubículo.
20:18Tem um outro caso, que inclusive aconteceu também no carnaval, tá?
20:21Só que não é aqui no estado, não.
20:22Uma criança de 3 anos de idade foi trancada dentro de casa pelos pais
20:26para que eles pudessem curtir a folia.
20:29Sozinha em casa, a criança acabou com 90% do corpo queimado.
20:35A suspeita é que houve um curto circuito no ventilador do apartamento da família.
20:39O menino, que tinha 3 aninhos, chegou a ser socorrido pelos vizinhos,
20:44mas acabou morrendo.
20:45Os pais foram presos e acusados de abandono de incapaz.
20:49Esse caso aconteceu em março do ano passado, na zona oeste do Rio de Janeiro.
20:53E é exatamente o que você tocou aqui num ponto pra gente, né?
20:57Porque assim, é ir na padaria e algo pode acontecer como um curto circuito.
21:02Uma vela que cai, a criança vai lá e mexe no fogão.
21:06Uma queda, um choque.
21:08Às vezes, com a gente, próximo a esses acidentes acontecem, imagina sozinha.
21:13E como acontece?
21:13Doutor, a Ana já deve ter atendido muita criança aí com essas urgências, né?
21:17E cenas que acontecem dentro da casa da gente, com a gente em casa, né?
21:21É, acidente doméstico já foi falado aqui várias vezes, né?
21:24A gente chama sempre a atenção pra esse problema, né?
21:27O que não podemos, assim, esquecer é o uso de droga por parte desses familiares.
21:34Então, as mães, né, viciadas em drogas, elas ficam mais susceptíveis, né?
21:43E mais vulneráveis a deixar filhos.
21:45Então, a gente nunca pode esquecer disso, né?
21:48Que tá aí o problema nosso atual, o uso de droga.
21:51Já mostramos também, muitas vezes, casos de pais, pai e mãe que saem de casa pra consumir drogas
21:57e deixam as crianças lá na serra, já se depararam com alguma situação assim?
22:01Pasme, doutora, senhora ou não, os maiores índices nossos não são desses pais usuários.
22:07Infelizmente, são dos pais que acham que lá na padaria, igual essas duas crianças que eu citei,
22:13a mulher tinha ido numa consulta médica, saiu às oito, voltou a meio-dia, pra ela tava tudo tranquila.
22:19E o pior, quando eu chamei a polícia e estive nesse local, um morador da rua queria linchar o carro
22:25do Conselho Tutelar.
22:26Porque eu tava com aquele carrão estacionado lá na porta da família, eu deveria estar levando uma cesta básica,
22:31eu não sabia dessa coisa, sendo que eu conhecia já o estado das crianças.
22:35Eu recebi uma denúncia, mas eu já estava indo ao local fazer uma visita de acompanhamento por causa de uma
22:40negligência.
22:41Então, o que mais acontece hoje é o pessoal desconhece totalmente a lei.
22:45Eles acham que deixar uma criança sozinha em casa não é crime.
22:47Que a doutora reforça aqui que não é minha área.
22:49É crime sim.
22:50Pra você ir na padaria, pra você ir na esquina, deixar uma criança em casa sozinha é crime.
22:56E o Estatuto ainda fala no artigo 249 que descumprir os seus deveres de pai, falando, né, mais na nossa
23:04linguagem,
23:05seja culposa ou dolosamente, não deixa de ser crime.
23:09Então, assim, ah, eu deixei sem querer, eu não sabia que tava, igual a avó disse,
23:13ah, eu não acredito que a minha filha tentou.
23:14Tentou fazer o quê?
23:15Quando você sai e deixa uma criança sozinha dentro de casa, você tentou cuidar?
23:20Não.
23:20Quando você leva com você, quando você deixa com o vizinho e mesmo assim acontece um acidente, um incidente,
23:25você diz, não, eu tentei, eu estava tentando cuidar do meu filho.
23:28Agora, quando você deixa ele a mercer, você nem tentar, me desculpe, mas no meu ver, nem tentar, você estava
23:33tentando.
23:34E a lei também vê assim, né, doutora?
23:35Também, também vê assim.
23:36Eu atendi um caso em que uma mãe de classe média, porque às vezes a gente fala, né, muitas das
23:41pessoas, né, classe C, classe mais baixa.
23:45Não é isso, não acontece só.
23:46Ela foi fazer a unha e deixou com a filha de 14 anos, uma de 2 anos.
23:50A de 14 anos cochilou, né, estava dentro de casa com a irmãzinha, a pequena bebeu álcool, ingeriu.
23:57E teve um, quando chegou a irmã lá dormindo, chegou a mãe antes, aquela coisa toda, e aí a população,
24:03os vizinhos, mas onde que a mãe estava?
24:06Ah, não, fui fazer um e estava com a minha filha adolescente.
24:08O que é muito comum, você deixar um filho com o outro.
24:11E aí vem a responsabilidade, que é da mãe, não é da adolescente.
24:15Pois é, vamos falar assim, do adolescente, da criança, doutoreira, porque assim, eu já escutei especialistas falarem,
24:22que, por exemplo, a cabeça de um adolescente, ela não está, por mais que seja independente, eles façam tudo,
24:28e não está completamente formada, ou seja, esse ponto aí da responsabilidade, ele não está perfeito, não é como um
24:35adulto.
24:37O que depende muito é de cada um.
24:40Por exemplo, o amadurecimento do menino, né, do adolescente, ele é muito, é diferente da menina.
24:49Uma menina de 14 anos, talvez ela tenha até mais, né, mais madura, mais responsável do que um menino de
24:5614 anos.
24:57Mas neurologicamente falando, o cérebro, ele ainda não está completamente formado nessa idade, né?
25:03É, é muito perigoso.
25:05O adolescente, ele é voado, né, doutora, ele ainda está pensando em outras coisas.
25:09Isso tem explicação científica, gente.
25:12A gente acha que não, mas isso tem, assim.
25:14E além dessa parte toda científica, tem a parte que não é a responsabilidade dele, e pronto.
25:20Então, é pai e mãe, ou quem quer que esteja, né, um adulto a cuidar dessas crianças e adolescentes.
25:27Tanto que a lei reconhece a menoridade até os 18 anos, porque a gente entende que até os 18 anos
25:31nem a maturidade, ele não estava.
25:33Não responde por ele, não está pronto para isso.
25:36Muitas das vezes a gente vê que até com 18 ainda não está, então é lamentável.
25:39E olha, vamos relembrar aqui uma outra história que chamou muita atenção aqui, de uma mulher, uma argentina,
25:45que abandonou o filho, uma criança de dois aninhos, num ponto de ônibus na Serra.
25:49Vocês lembram dessa história?
25:51Depois dela deixar, vocês lembram, na Serra, né?
25:53Depois que ela deixou, a criança, ela fugiu para Itacaré, na Bahia.
25:58Isso já tem dois anos.
25:59Vamos relembrar o caso.
26:00Roda aí.
26:02A criança foi deixada pela mãe, uma cidadã argentina, nas proximidades deste supermercado na Serra.
26:08Um motorista de aplicativo que seguia logo atrás, viu a cena e chamou a polícia.
26:14Chegando no local, a gente se deparou com uma criança de aproximadamente 3 anos de idade, chorando muito e pedindo
26:22pela mãe.
26:23Nós pegamos essa criança, encaminhamos ao conselho tutelar, para que eles tomassem as medidas cabíveis ao caso.
26:32E, a todo momento, a gente tentando acalmá-lo, oferecendo uma água, um biscoito, perguntando se estava com fome.
26:40E ele só chorava muito, chorava muito e pedindo pela mãe, pela mãe.
26:45Segundo a polícia, a mãe teria deixado a criança neste ponto de ônibus, que fica às margens da BR-101,
26:52no bairro Laranjeiras, na Serra.
26:54Daqui, ela teria seguido em direção a Itacaré, cidade que fica no extremo sul da Bahia.
26:59Ela abandonou o carro e seguiu caminhando pela rodovia.
27:03Quando a equipe PRF chegou no local, ela já estava num período de relativa tranquilidade.
27:10Então, foi fácil conter ela e colocar na ambulância.
27:13Mas, no trajeto até o hospital adequado, ela novamente apresentou um novo surto psicótico, vindo, inclusive, a se machucar um
27:23pouco.
27:23A equipe foi acionada novamente para se dirigir até o local, para verificar a situação.
27:28E, a partir daí, a ambulância seguiu até o hospital.
27:31O policial conseguiu entrar em contato com familiares da mulher por telefone.
27:36Ela foi acionada, a família, pela Polícia Rodoviária Federal.
27:39Eles estão vindo de Itacaré, na Bahia, para o Espírito Santo, para acompanhar também o caso.
27:44O veículo utilizado pela mulher é este.
27:48Dentro está uma cadeirinha, mochilas e uma mala, que aparentemente seria da criança.
27:53O carro está em nome da mãe do menino e a documentação em dia.
27:57A mulher foi encaminhada para o Hospital Estadual de Atenção Clínica, em Cariacica.
28:02A unidade é especializada em atendimento psiquiátrico.
28:05A criança foi levada para um abrigo para menores.
28:09A polícia civil investiga o caso.
28:14Essa história chamou muita atenção na época, porque aí envolvia também várias situações.
28:19Inclusive, ela, o que foi falado, que ela estava fugindo de abusos que ela sofria.
28:24Ela disse que deixou o filho no ponto para poder proteger a criança.
28:29E aí ela tentou fugir.
28:30Você acompanhou essa história?
28:31Acompanhei.
28:31Apesar de eu ser da região de Carapina, Serra, são quatro conselhos.
28:35Isso aconteceu na região de Laranjeiras.
28:37Mas, assim, toda a rede atuou nesse caso.
28:40E a Vara da Infância fez um trabalho muito bem feito.
28:44E conseguiu descobrir, assim, um caso de que é uma família de classe alta na Bahia.
28:49Eles tinham uma situação financeira muito boa e tinham crimes, assim, muito piores do que esse abandono.
28:56Pelo menos ela abandonou ele, mas abandonou o próximo de alguém.
28:59Tanto ela como essa criança eram vítimas de coisas que eu acho que nem cabe a mim falar aqui,
29:04mas coisas muito mais sérias e que, através disso, a gente conseguiu.
29:07Mas, assim, aí a gente para para ver.
29:10Normalmente a gente atende famílias carentes.
29:12Mas essa situação acontece em todos os níveis, né?
29:16E esse abandono aí foi mais uma forma de desespero, mas não deixa de ser uma situação muito perigosa.
29:21Porque ela abandonou a criança às margens de uma BR e essa criança foi socorrida,
29:25mas também poderia não ter sido socorrida.
29:27Às vezes tem filho, né?
29:29Tem uma relação, conhece o cara e tal.
29:31Não dá certo e o pai sobe no mapa, né?
29:35Tem aquele ditado popular que diz que filho feio não tem pai, né?
29:38E, infelizmente, na maioria das vezes, pelo que a gente vê aí, não foi citado,
29:42mas provavelmente essa criança não deve ter um genitor reconhecido.
29:46E, como eu falei, às vezes o conselho, a gente fica meio emperrado,
29:51mas a gente sempre busca informações, até porque foi dito aí que a colega estava fazendo um relatório para ser
29:57entregue.
29:57E esse relatório a gente procura dar o máximo de informações possíveis.
30:01Depois procurar a gente, a gente manda outro ofício.
30:03Porque, através das informações que a gente tem, vai que algum familiar paterno procura,
30:09ó, eu tenho interesse.
30:11Então, esse trabalho aí de busca, ele ainda é feito por um bom tempo,
30:15enquanto essa criança estiver acolhida pelo abrigo, pela vara da infância, pelo próprio conselho,
30:19na tentativa de que se encontre algum familiar.
30:21Pois é, porque, olha, tem várias pessoas aqui já falando,
30:23peraí, a Sara mesmo falando, interessante, né?
30:26Só responsabilizam a mãe como se a criança não tivesse pai.
30:29Tem responsabilidade também o pai.
30:31Agora, será que esse pai, ele é reconhecido?
30:34A gente ainda não tem informação da polícia sobre...
30:37Já apuramos, tá?
30:38A gente já fez esse questionamento à polícia,
30:41mas eles ainda estão investigando o caso e não passaram esse detalhe.
30:45Agora, o pai tem que ser responsabilizado, obviamente, numa situação do abandono, né?
30:49Porque aí fica muito fácil, né?
30:51Enquanto o pai vira as costas, aí toda a responsabilidade ficou pra cima da mãe, né?
30:55Então, não eximindo ela dos erros, né, que ela cometeu,
31:00mas se ela não pode por um momento, por um dia, o que quer que seja,
31:03ele também tem total responsabilidade nisso, com certeza.
31:09Agora, um caso, por exemplo, a avó, ela dá a entender...
31:12Ela fala só da filha, né?
31:15Não cita uma ajuda de um pai, que o pai não tá nem aí, ela nem cita.
31:19Isso ela fala mesmo, que a filha não tem condições de criar essa criança, né?
31:25Mas, infelizmente, hoje, a maioria dos casos,
31:29crianças que passam por uma situação dessas, famílias mais carentes,
31:32sempre o pai é difícil de você encontrar.
31:37Às vezes, as mães sabem, mas acham que o processo é muito demorado.
31:41Às vezes, ainda não é uma paternidade reconhecida, né?
31:43A gente tenta mostrar pra elas que não é um direito dela,
31:46é um direito da criança, mas a gente ainda tem um pouco de dificuldade de resistência.
31:50Desbarra nesse problema, né?
31:52Talvez ela não sabe também, né?
31:54Sim.
31:54É, também tem uma gravação.
31:55Não dá pra gente ainda julgar essa situação, porque não tem essa informação,
32:00se é um pai desconhecido ou não,
32:03se ele reconheceu ali na certidão da menina,
32:06tudo está sendo apurado e a gente vai passando as informações aqui na TV Vitória
32:11e também pelo folhavitoria.com.br.
32:13Aqui você sempre fica por dentro da notícia.
32:15Olha, o Adamastor Serqueira Campos de Moraes,
32:18ele ligou pra minha produção e deixou o comentário dele falando assim,
32:21é impossível uma criança ficar tanto tempo assim,
32:24abandonada sozinha.
32:25Um ser humano adulto não conseguiria.
32:28Imagine uma criança, isso é um absurdo, não tem cabimento,
32:31não tem possibilidade.
32:32Podem perguntar à médica se isso é possível,
32:34ver se essa criança não teria sobrevivido.
32:36Quantos dias o corpo da gente aguenta ficar sem o alimento,
32:41sem uma água, doutora?
32:42Uma criança, por exemplo, uma criança pequena.
32:45É, uma criança, ela vai variar ali, né?
32:47Entre 72 horas, ela já mostra sinais
32:53de desidratação grave que pode levar a óbito.
32:57É como existe assim, na natureza, às vezes, né?
32:59Nem tudo tem explicação.
33:00Já era pra, se fosse quatro dias realmente,
33:04era pra não ter sobrevivido.
33:06A gente não sabe as condições que ela chegou no hospital.
33:08Às vezes já tava quase que...
33:10Desfalecendo mesmo.
33:11Desfalecendo.
33:11Desfalecendo, pegou na hora, né?
33:13Mas um organismo assim, quanto menor a criança,
33:16menos tempo ela resiste, né?
33:19A desidratação, a pressão não fica, né?
33:22Ela fica sem pressão arterial, sem urinar,
33:24o rim para de funcionar,
33:26a hipoglicemia que ocorre, né?
33:28Por falta da alimentação,
33:30lesa o cérebro, o cérebro já entra em convulsão,
33:33por falta...
33:33Então, todo é um processo que vai degradando
33:37até levar à morte.
33:38Mas nesse caso, só Deus pra explicar, né?
33:42Onde...
33:44O que aconteceu.
33:45É triste demais a gente ver uma cena como essa,
33:48mas olha, como eu disse aqui,
33:49a gente continua apurando e a qualquer momento
33:52podemos voltar com mais informações sobre essa história,
33:56esse caso que aconteceu.
33:57A mãe está presa,
33:59a filha está no hospital, no Imaba,
34:01sendo atendida,
34:03tá internada lá
34:04e a gente continua aqui acompanhando.
34:06Eu queria agradecer muito a presença de vocês aqui
34:08pelo bate-papo,
34:09a gente explicando um pouquinho
34:10como funciona a lei,
34:12como é a atuação também do Conselho Tutelar
34:14e a saúde,
34:15que é de suma importância, né?
34:17Uma ótima tarde pra vocês.
34:18Obrigada, viu?
34:19Obrigada a você.