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  • há 13 horas
Um estudo publicado recentemente na revista científica Nature demonstrou uma das aplicações mais eficientes até agora de manipulação genética para prevenção de anomalias. Por meio de alterações no genoma de embriões humanos, cientistas conseguiram corrigir com maior precisão mutações genéticas. Conduzido por uma equipe de pesquisadores da Universidade Columbia, em Nova York (Estados Unidos), o estudo contou com a participação do biomédico gaúcho Marcos Kulmann, único brasileiro envolvido no trabalho. De acordo com o cientista, a técnica tem potencial de contribuir para prevenir doenças graves e raras que ainda não têm tratamento eficaz, como fibrose cística e anemia falciforme.

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Transcrição
00:11Nós temos muitas pessoas, pacientes acometidos por doenças genéticas que podem ter uns efeitos muito catastróficos.
00:19Pode ser uma questão de saúde muito difícil de lidar, tratamentos muito caros ou terapias limitadas.
00:27Então a ideia de estudar a edição genética é talvez num futuro, então é importante a gente falar muito isso
00:33num futuro,
00:34então é um projeto de pesquisa onde a gente possa prevenir essas doenças, prevenir que elas sejam transmitidas em famílias.
00:43Durante três meses eu consegui participar, colaborar com o estudo, sendo o único brasileiro envolvido diretamente na equipe de pesquisa
00:51e me chamou muito a atenção a possibilidade de estudar algo tão na fronteira do conhecimento
00:58que talvez num futuro a gente consiga prevenir doenças como a beta-talassemia, a fibrosis cística,
01:06algumas outras doenças de cunho genético bem estabelecidas.
01:09Então o CRISPR-Cas9, que era a tecnologia antiga, poderia ser utilizado assim,
01:14ah, vamos tentar corrigir uma mutação num embrião, mas eu vou gerar outros defeitos genéticos,
01:19por exemplo, cromossômicos ou grandes deleções.
01:23A edição de bases é um pouco diferente, a analogia que a gente usa é como se fosse uma caneta.
01:28Então em vez de eu precisar cortar, eu posso reescrever uma letrinha e corrigir aquela mutação.
01:34Isso é bem importante porque estudos anteriores mostraram que os embriões humanos
01:39têm uma capacidade reduzida de reparar esses danos.
01:43Na edição de bases, no nosso estudo, esse foi um dos principais achados,
01:47que essas alterações maiores foram muito raras, pouco frequentes.
01:52Essa edição foi muito precisa e eficiente.
01:55É importante a gente entender que nesse estudo, os embriões gerados pela tecnologia
02:00não foram transferidos ao útero das pacientes, não geraram bebês a partir de estações,
02:06a partir desses embriões.
02:07Então, no estado de Nova York, diferente do Brasil, os pacientes podem doar embriões viáveis para pesquisa.
02:15Então foi um projeto de pesquisa que ainda não tem aplicação clínica agora,
02:20mas foi um grande avanço para a gente poder chegar lá.
02:22Então é importante ressaltar que nós realizamos esse estudo,
02:25a gente espera que todo mundo tenha isso em mente,
02:28que uma tecnologia como essa, se utilizada como terapia,
02:32para doenças ou questões de saúde que ainda não existem em outras terapias eficientes,
02:38não para questões de eugenia ou que não estão relacionadas a uma questão de saúde.
02:43É importante ressaltar isso.
02:45E trazer a sociedade para uma discussão sobre isso,
02:48com os especialistas de ética, os pesquisadores que desenvolveram a tecnologia
02:54e a população em geral e estabelecer políticas e leis rigorosas e bem aplicáveis ao redor do mundo.

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