00:00Candidata, em 2018, quando você era candidata à presidência, você chegou a dizer que considerava Lula corrupto
00:05e que não se arrependia de ter apoiado a impeachment da ex-presidente Dilma.
00:09Queria saber agora que você foi ministra do governo Lula, que a senhora vai estar numa chapa encabeçada por Lula
00:16também no Senado.
00:17O que mudou com relação às suas percepções e se essas críticas permanecem?
00:22O que mudou foi esse país. Esse país tem um grupo de pessoas que resolveu assaltar a nossa democracia.
00:30Em 2022, nós tivemos que fazer uma frente ampla para salvar a democracia.
00:36E algo que parecia abstrato, depois, no dia 8 de janeiro, ficou muito claro.
00:43Um grupo de pessoas que amortinaram pessoas à frente das forças armadas na tentativa de dar um golpe,
00:51que invadiram o Congresso Nacional, a Suprema Corte, o Palácio da Presidência,
00:56fizeram descarga orgânica em cima da mesa da Suprema Corte.
01:02Essas pessoas estavam tramando matar o presidente da República, o vice-presidente da República e o ministro do Supremo.
01:12Todos os democratas se uniram e graças a Deus que existiu o presidente Lula para defender a democracia.
01:18E eu sou ministra pela terceira vez.
01:21E pela terceira vez fizemos um excelente trabalho.
01:25A terra indígena Yanomami que estava invadida com 27 mil garimpeiros, matando crianças inocentes.
01:33De cada 10 crianças Yanomami, pelo menos 4 estavam contaminadas com o garimpo.
01:39É por isso que nós salvamos a democracia e, se Deus quiser, e o povo brasileiro,
01:45o presidente Lula haverá de se reeleger novamente para que a gente mantenha as políticas sociais,
01:51mantenha a democracia e a nossa soberania.
01:53Se em 2022 estava ameaçada a democracia, agora é a democracia e a soberania.
02:00E também nós precisamos dar continuidade às políticas públicas que vêm sendo feitas.
02:06Veja bem, a gente tinha um povo que estava comendo osso.
02:10Agora nós tiramos o Brasil do mapa da fome.
02:13A gente tinha uma situação em que as pessoas estavam desempregadas, agora têm pleno emprego.
02:19Tem muita coisa para fazer?
02:21Tem muita coisa para fazer.
02:22O que a gente não pode é retroceder.
02:25Mas, candidata, apesar do contexto, as suas críticas permanecem com relação ao impeachment, por exemplo.
02:31A senhora se arrepende?
02:32Em relação ao impeachment, tinha um contexto ali colocado.
02:35E ele foi colocado do mesmo jeito que em 2014, tinha um contexto em que nos colocou em polos diferentes.
02:45Eu não vejo as pessoas fazendo essas mesmas perguntas para a situação de 2014.
02:50Eu acho que ninguém faz política com o fígado.
02:54Eu faço política com o coração.
02:56Política, para mim, é serviço.
02:58E eu costumo dizer que, em política, a gente tem que olhar de baixo para cima para ver o que
03:03está acima de nós.
03:05Acima de nós está a democracia.
03:07Acima de nós está a soberania.
03:09Acima de nós está o combate à desigualdade, à educação de qualidade, à proteção do meio ambiente.
03:15Eu faço política como serviço.
03:18Eu sei que quando você é mulher, você é mais cobrada, você é mais fustigada.
03:23Os homens não são tão fustigados assim, mas as mulheres são.
03:28E nós estamos aqui para dizer que nós somos diferentes.
03:31A nossa lógica é a lógica do cuidado, é a lógica do afeto, é a lógica do respeito.
03:37Por isso que eu estou há 40 anos na vida pública, porque aprendi que política é serviço, não é para
03:44se servir.
03:45Tenho 40 anos de vida pública, não tenho uma denúncia de nada sobre a minha vida.
03:50E quando tentaram fazer isso, levianamente, eu mesma fui na Justiça, fui no Ministério Público, pedi que abrisse uma investigação.
04:01Um ano depois eu estava recebendo um atestado de idoneidade, porque os que me calunharam é que deveriam ser processados.
04:10Candidata, a senhora falou sobre uma ação que é muito importante, feminicídio.
04:15E os dados mostraram que os números cresceram em 2025 no estado de São Paulo.
04:21Eu queria entender o que a senhora acha que é necessário para esse cenário mudar e no que você apostará
04:26para esse tema casaleta.
04:28Olha, é o que nós já estamos trabalhando para que aconteça.
04:33Delegacias funcionando 24 horas.
04:36As delegacias não funcionam 24 horas aqui em São Paulo.
04:40Elas precisam ter pessoas bem treinadas, capacitadas para receber essas mulheres.
04:46Delegacias que sejam proativas, em que a mulher vem e faz uma denúncia,
04:51E muitas vezes, pelo medo, pela pressão, ela desiste da denúncia.
04:58Quando você recebe a denúncia, você tem a informação.
05:01Então você tem que fazer uma busca proativa para verificar a situação dessa mulher
05:05e colocá-la numa rede de proteção para que ela se sinta encorajada a continuar com a denúncia.
05:13Outra coisa que é fundamental fazer para as mulheres, para que elas tenham autonomia.
05:20Uma mulher precisa de creche, acesso a creche para poder trabalhar, para poder estudar.
05:25Mulheres muitas vezes precisam de crédito para poder investir, abrir seu próprio negócio.
05:30Mulheres precisam de tempo.
05:33Por isso a jornada, o fim da jornada, seis por um,
05:36para que as mulheres tenham mais tempo para se dedicar a si mesma, a sua família.
05:42Transporte, uma rua iluminada, uma casa, como é o caso do Minha Casa Minha Vida,
05:47faz a diferença na vida de uma mulher que muitas vezes se submete a um relacionamento
05:54afiltante e ameaçador só porque não tem onde morar com seus filhos.
05:59Então são todas essas políticas que vão ajudar.
06:01Aliás, a nossa política de segurança aqui para São Paulo, ela está estruturada em três níveis.
06:07O nível do combate à violência doméstica, o nível do combate à violência nas ruas,
06:1220% dos celulares que são roubados no Brasil inteiro, acontece aqui na capital de São Paulo.
06:19Segurança nas ruas, devolver as ruas para as pessoas e combater o crime organizado.
06:25Isso se faz com inteligência, com trabalho integrado entre polícia federal, polícia civil, polícia militar,
06:33juntando órgãos de comando e controle, Receita Federal, todos os órgãos de comando e controle,
06:39para você sufocar os que financiam e os que produzem inteligência de dado para o crime organizado.
06:47O crime organizado é o grande patrocinador das outras criminalidades.
06:52Uma outra coisa, valorização dos policiais.
06:55Os policiais não podem ganhar um salário aviutante.
07:00Não faz sentido o Estado mais rico da Federação pagar um salário menor do que outras regiões
07:05que nem têm tantos recursos assim.
07:08Formação continuada dos policiais, para que essas pessoas sejam treinadas,
07:12se sintam respeitadas e, ao mesmo tempo, você ter um trabalho de inteligência.
07:20inteligência para que se tenha mais elucidação de casos.
07:24São Paulo só consegue elucidar cerca de 40% dos casos de criminalidade.
07:30Tem alguns Estados com menos recursos, com menos condição, que chega até 70%.
07:36Candidato, você acabou já respondendo também a nossa pergunta sobre prioridade da segurança que vive em São Paulo,
07:41mas tem um outro assunto que tem aparecido muito nessa campanha eleitoral,
07:45que é o da redução da maioridade penal.
07:47A gente queria que você contasse para o eleitor qual o seu posicionamento com relação a isso.
07:51E se você acha que tem que ser uma pauta prioritária no Senado.
07:54O debate sobre segurança é uma pauta prioritária no Senado, eu, inclusive, em 2010.
08:00Da redução da maioridade penal.
08:02Isso.
08:03Esse debate é importante para o Senado.
08:07A questão da violência cometida por criança ou por adolescente é uma questão de segurança.
08:19Por isso que eu falei, a questão da segurança pública é uma pauta prioritária no Senado.
08:25Aliás, em 2010, eu já achava que essa era uma pauta prioridade.
08:30Eu que propus nacionalizar o tema da segurança pública.
08:34Em relação a menores, não é que o menor que comete um delito grave, uma infração grave,
08:42ele não tem nenhum mecanismo, nenhuma estrutura de recolhimento.
08:46Esse menor deve ser recolhido e interditado do convívio com a sociedade nos termos que ele tinha antes.
08:54O problema é que algumas pessoas se apropriam dessa agenda de forma populista,
09:01não preocupadas com segurança pública.
09:03Os mesmos que fazem o discurso de que uma mulher feia não merece ser estuprada
09:09e que está dizendo que uma mulher bonita então merece,
09:12são os mesmos que fazem o discurso da redução da menoridade penal como se isso fosse uma panaceia.
09:19O que você tem que fazer é uma discussão com especialistas,
09:23com pessoas competentes, com pedagogos, com psicólogos, com pessoas da área de segurança
09:27para ver qual é o melhor caminho dessa interdição.
09:31Quando você prende uma pessoa, você prende essa pessoa para ela pagar pelo clínico e cometeu
09:37e ela ser restaurada para a sociedade.
09:40Já que aqui nós não temos pena de morte.
09:44Graças a Deus não temos.
09:45Tem aqueles que advogam, mas graças a Deus não temos.
09:48Então, qual é a função de interditar alguém?
09:51Prender alguém.
09:52Essa pessoa vai pagar pelo clínico para ser restaurada.
09:56Alguém acha, não sei se você acha, quem está nos acompanhando acha,
10:00que um adolescente que cometeu uma infração grave
10:04e acontecem atrocidades, que ele vai no sistema prisional,
10:09que daí ele vai ser restaurado.
10:11Alguém acha isso?
10:13É por isso que tem que colocar os especialistas na equação,
10:17para ver qual é o melhor caminho.
10:19E, a partir daí, podemos tomar medidas.
10:22Eu sou contra a redução da menoridade penal
10:25para que se tenha medidas estruturantes como essas que eu estou falando.
10:30e não tratar isso apenas de forma populista.
10:33Aliás, os mesmos que fazem apologia da violência contra a mulher
10:38são os que mais usam dessa bandeira.
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