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O Petróleo tem levado à região do Oiapoque a sentimentos conflitantes. Parte da população acredita nas benesses que o futuro possa trazer, mas para muitos que precisam do rio, da terra, é grande o temor com os riscos da exploração...

Imagens: AFP

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Transcrição
00:01Com um olhar preocupado, o cacique Wagner Caripuna contempla o rio tranquilo que atravessa sua
00:08aldeia na Floresta Amazônica. Ele teme uma infelicidade imensa caso ocorra um vazamento
00:14de petróleo. Sua aldeia, Mangá, fica a cerca de 20 km do centro do Oiapoque, uma cidade na fronteira
00:21com a Guiana Francesa, que vive um momento de efervescência desde que há um ano, a Petrobras
00:27iniciou sua exploração offshore nesta área.
00:29Então é uma preocupação a mais, porque se vier causar um vazamento, vai morrer peixe,
00:36vai afastar nossas caças, nossos pássaros já estão indo embora, e aí como é que a gente
00:41vai ficar? É procurar outro meio. Então com isso, com isso vai ter muito indígena saindo
00:47do seu território para ir para a cidade.
00:50Em agosto, a gigante estatal anunciou ter identificado a presença de hidrocarbonitos em seu primeiro
00:56poço, a 175 km da costa. Não muito longe dali, Guiana e Suriname já exploram vastas reservas
01:04há vários anos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tentará a reeleição em
01:09outubro, foi logo em seguida ao local, classificando esse petróleo como passaporte para o futuro.
01:15O que pode chamar passaporte para o futuro desse país.
01:21Sabemos que esse rio é tudo para nós. Ele é nossa mãe, ele é o nosso pai, é daí
01:30que nós tiramos nosso sustento. Então é uma infelicidade imensa que eu sinto que o que
01:37pode ocorrer futuramente, destruindo essa beleza de gerações e gerações, de muitos
01:44exame.
01:45As preocupações são compartilhadas por Joelson Mendonça, vice-presidente da coluna de pescadores
01:51Z03 do Oiapoque, que conta com cerca de 400 pessoas da região. Sobre o risco de vazamento,
01:58a Petrobras declara que os resultados de suas pesquisas indicam que não há probabilidade
02:03de toque na costa.
02:06Tudo que vem assim, que não é do lugar, quando chega causa algum impacto. Eu creio
02:13que também lá ali no oceano vai sendo agora ou não, mas futuramente pode causar, trazer
02:20algum dano, algum impacto. A gente tem essa preocupação.
02:24Consultada pela FP, a Petrobras afirma ter mantido diálogo contínuo com a sociedade civil
02:30e as comunidades indígenas. Quanto ao tráfego aéreo, a companhia relatou ter realizado ajustes
02:36após conversar com as lideranças locais. Se para alguns o petróleo parece uma maldição,
02:41para muitos é um sinal de progresso.
02:45Eu imagino uma cidade perto de uma cidade de primeiro mundo. Prédios, boas residências,
02:54pessoas muito bem empregadas, é isso que eu imagino, ruas asfaltadas, saneamento básico
03:01principalmente em todo o Oiapoque que não existe, é isso que eu imagino.
03:08Segundo um estudo do Observatório Nacional da Indústria, mais de 50 mil empregos poderiam
03:13ser criados no Amapá. E os royalties que a Petrobras deverá pagar aos governos locais
03:18quando começar a produção representarão uma soma considerável. No bairro de Nova
03:23Conquista, Thaís Pereira de Souza, de 32 anos, vive em uma casa minúscula com telhado
03:29de zinco, sem água nem eletricidade, junto com o marido, dois filhos e a nora grávida.
03:34Vai surgir várias formas de emprego, tipo um a eu. Eu não tive muito estudo, mas pode
03:40surgir para mim um emprego, tipo como serviços gerais, entendeu?
03:46O meu filho que ainda está novo também, que pode terminar o estudo para ter um bom emprego
03:51lá, um cargo melhor, para a minha nora também.
03:55A prefeitura se declara muito otimista em relação ao futuro, embora admita que vai
04:00precisar começar quase tudo do zero em termos de infraestrutura e políticas sociais.
04:06A cidade registrou um fluxo de novos moradores nos últimos anos, que se intensificou desde
04:11que a Petrobras iniciou sua perfuração. De acordo com suas estimativas, entre 40 e 45 mil
04:18pessoas já vivem no Oiapoque.
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