00:00Eu fiquei o dia todo, né, no hospital, assim como a maioria dos dias, e aí vocês sabem, né,
00:09a energia de hospital é densa, o clima de hospital é denso, as horas passam diferente,
00:18e a verdade é que eu perdi o direito, sabe, de ficar doente, e inclusive de morrer,
00:28tava pensando nisso, esses dias, que eu tô fazendo meu filho, né, volta do trabalho e de tudo mais,
00:35e eu acho que eu tava ficando doente, sabe, emocionalmente doente, até que algumas coisas também físicas,
00:42tô falando com vocês enquanto eu tô arrumando a minha cama, algumas coisas físicas também,
00:49mas assim, emocionalmente doente, né, não tem como não ficar.
00:52Agora, eu não posso, de jeito nenhum.
00:57Então, tô ouvindo o que me falaram, eu vou tentar, pelo menos duas vezes por semana aí, trabalhar,
01:07me vestir, ó, acabei de me vestir, como se fosse um dia normal da minha vida,
01:12é, pelo menos por dois dias na semana eu vou fingir que tá tudo normal.
01:16Não é fácil, inclusive, é, os médicos lá no hospital, os psicólogos, me falaram da tal da síndrome do cuidador,
01:27que o cuidador normalmente fica doente, né, porque não dorme, não se alimenta, a carga emocional,
01:34e às vezes fica até, sofre mais.
01:37Graças a Deus, gente, o caso do lito, ele não tem dor, sabe, não tem, não tem dor.
01:44Então, é, isso, é um pouco melhor essa parte, mas não tá fácil, tá fácil não.
01:54Mas, a gente não tem opção, né, se pudesse ter opção, ah, não quero passar por esse problema,
02:00seria ótimo, tem opção.
02:03Ou é enfrentar, ou é enfrentar.
02:05Ou é afirmar, ou é afirmar, ou é afirmar.
02:05Obrigado.
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