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  • há 6 semanas
A série documental traz uma nova forma de ver o mar por meio da fotografia subaquática. Ao longo de três episódios, Doug Monteiro explora as profundezas da costa pernambucana e mostra os principais naufrágios que aconteceram em Fernando de Noronha, Recife, Ponta de Pedras e Porto de Galinhas. Diferentes mergulhos, embarcações abandonadas e uma fascinante vida marinha conferem a essa expedição um nível de detalhes surpreendente e único.

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00:11A 10 anos mergulho por naufrágio de todo mundo, mas agora é hora de embarcar numa expedição
00:17na minha terra, no meu mar, nos naufrágios de Pernambuco.
00:22Pernambuco é a meca do mergulho no Brasil.
00:24Aqui tem um universo submerso fantástico, naufrágios históricos, vapores de rodas, rebocadores
00:30e corvetas.
00:31São mais de 100 navios naufragados e uma vida marinha abundante.
00:39Essa jornada começa em Fernando de Noronha.
00:43Segue para Recife, para o primeiro parque de naufrágios artificiais da América Latina.
00:50E o último destino é o mar de Porto de Galinhas.
01:03Em cada um destes lugares, vou reencontrar amigos e fotógrafos.
01:07Um desejo de buscar um novo olhar.
01:10Uma nova forma de ver o mar através da fotografia subaquásica.
01:20Meu nome é Doug Monteiro e essa é a série Olhar Submesso, Naufrágios de Pernambuco.
01:30No segundo episódio da série, chegamos no Recife, na capital dos naufrágios do Brasil.
01:38Recife foi um ponto estratégico para a colonização do Brasil.
01:42Sua história é fascinante e está profundamente ligada à navegação.
01:47Ao longo dos séculos, na costa pernambucana, concentraram-se um grande número de naufrágios.
01:52O título de capital dos naufrágios do Brasil deve-se também ao projeto pioneiro de constituir
01:58o primeiro parque de naufrágios artificiais da América Latina.
02:08Fui até a Universidade Federal Rural de Pernambuco saber como surgiu o Parque de Naufrágios
02:13Artificiais e conversar com a Alessandra Fischer, uma das idealizadoras do projeto.
02:17A Alessandra é bióloga marinha e oceanógrafo.
02:21Junto com o Fábio Azim e demais pesquisadores da Universidade Rural e Federal de Pernambuco,
02:25implementaram os primeiros estudos para o parque de naufrágios.
02:30E aí, Leca, tudo bem?
02:31Tudo bem.
02:32Foi aqui que tudo começou, os teus estudos?
02:33Foi, nesse laboratório.
02:35Me conta como surgiu a ideia do projeto dos naufrágios artificiais de Pernambuco.
02:41Bem, Doug, foi assim, numa conversa, na verdade, né?
02:43A gente foi fazer um mergulho e, por acaso, estava o pessoal da Universidade que mergulhava,
02:47o pessoal da Wilson Sonhos e o pessoal da Associação de Empresas de Mergulho.
02:52E aí eles tiveram uma ideia assim, se a gente afundar mais rebocador,
02:56só que dessa vez a gente vai monitorar.
02:57E, assim, nessa conversa aí saíram as primeiras ideias para a gente fazer esses afundamentos.
03:02E aí foi desenvolvido um projeto, né?
03:04Um projeto acadêmico, né?
03:06Foi.
03:06Na verdade, a gente teve uma licença, uma exigência do Ibama para esse licenciamento
03:11e a gente criou esse projeto.
03:13E aí, das coletas desse projeto, gerou o licenciamento, né?
03:17Que foi um E.A. simplificado.
03:19Como não tinha nenhuma legislação, aí o Ibama sentou com a gente e a gente fez um termo de referência,
03:26na verdade.
03:26E, a partir daí, no outro ano, o Ibama fez uma instrução normativa, 125, baseada nesse estudo que a gente
03:32fez.
03:33Como é que era a metodologia de pesquisa?
03:36Pois é, a gente pensou em pegar o Taurus, que era menorzinho, e afundar numa profundidade menor, a 20 e
03:41poucos metros.
03:41Depois o Saveiro e Mercúrio, que tinham o mesmo comprimento, cerca de 30 metros, e afundar numa profundidade de 30
03:49metros também.
03:49Só que a gente deixou o Mercúrio sem mergulhar e só mergulhou no Saveiros.
03:53Para a gente também depois fazer a comparação se os mergulhadores influenciavam nessa colonização das espécies.
04:00E a gente chegou à conclusão que não influencia, não tem diferença estatística significativa.
04:06Você é muito feliz para a atividade do mergulho, né?
04:09Pois é, para a gente que é mergulhador também é bom, né?
04:12Aí eu vim aqui também para fazer um convite, né?
04:14Para amanhã a gente sair, fazer um mergulho no Taurus e no Mercúrios.
04:19Tem uma saída amanhã.
04:20Vou adorar, vou adorar.
04:22Vamos ver como é que eles estão depois de tanto tempo.
04:25Faz tempo que não mergulha lá neles?
04:27Faz, faz tempo.
04:28Ah, então vai ser legal, vai me ajudar muito também para identificar.
04:31Vai ser ótimo, vai ser ótimo.
04:33Tchau, tchau.
04:35Tchau, tchau.
04:43Tchau, tchau.
05:02Vento que leva a gente Vento que vem do mar
05:12Vento que sopra quente na areia Vento que me leva
05:22Vou olhar, vem ver Que chama, vem ver
05:33Vento desabar Tempestade faz
05:39O Mercúrios foi afundado a 5 milhas da costa, a 30 metros de profundidade.
05:49O Mercúrios tem 29 metros de comprimento e encontra-se apoiado corretamente no fundo,
05:55praticamente intacto.
05:58Era um rebocador da empresa Wilson Sons e foi doado junto com o Saveiros e o Taurus para
06:04o Parque de Naufrágeos Artificiais do Recife.
06:07Os três rebocadores foram afundados no dia 3 de maio de 2006, mas o Mercúrios foi mantido
06:14durante um ano longe das operações de mergulho turístico, para avaliação e controle do
06:18impacto ambiental.
06:20Em 2007, foi liberado para operações e, em comparação com outros naufrágeos, verificou-se
06:26que não houve impacto na ação de mergulhadores.
06:57A CIDADE NO BRASIL
07:18vinha
07:19Com a superfíciegada
07:19Ok, isso estava muito bom!
07:29O que mais me impressiona é a diversidade, né? São tantas espécies, tantos cadumes, cada um no seu lugarzinho ali,
07:36aí daqui a pouco...
07:37Junto, mas separado ao mesmo tempo, a gente consegue diferenciar, né? De espécies diferentes.
07:44E sair do mergulho desse assim é impressionante, né?
07:47É tão gratificante a gente ver que tudo deu certo e ainda tá bem, né? E talvez esteja melhor ainda.
07:54E tu tens esse sentimento de mãe lá, que assim, cai no...
07:58Acho que a gente tem um pouco, não só eu como a equipe toda, né?
08:02Porque a gente acompanhou desde a limpeza, o licenciamento, depois viu no dia que eles afundaram.
08:07Mergulhamos no primeiro dia que ele afundou, depois todos os meses, durante dois anos.
08:11É difícil a gente não se apegar um pouco, né? Se sentir um pouco mãe, eu me sinto.
08:18Após o mergulho no Mercúrios, navegamos até a localização dos naufrágios do Taurus e do Vigo.
08:28E aí, Leca, agora Taurus e Vigo, né?
08:31É, vamos lá, ver como é que tá, né?
08:33Estamos próximos um do outro, como é que tá?
08:35É, o Taurus mais antigo, o Vigo mais esse aqui vem.
08:38Aí afundaram o Vigo e ele veio navegando, navegando e encostou do lado do Taurus.
08:43Tô curiosa pra saber aí dessas espécies que tem um mais antigo e o outro mais novo, tanto de um
08:49junto e do outro.
08:50Tô curiosa pra saber.
08:51Eu acho que deve ter bastante coisa diferente ali, né? Tô doido pra cair.
08:55Tô doido também, vamos lá, velho.
08:57Vamos embora.
09:10O Taurus foi afundado em 2006, junto com Mercúrios e Saveiros.
09:15O Virgo fez parte dos últimos afundamentos artificiais em 2017, junto com os rebocadores Fênix, São José e Bellatrix.
09:23O Virgo foi planejado pra ficar a 100 metros de distância do Taurus, mas com o tempo a correnteza o
09:29empurrou para cerca de 20 metros.
09:55O Taurus encontra-se apoiado sobre a quilha adernada para bombordo a cerca de 25 graus.
10:01Ele está em ótimas condições e chama atenção a quantidade de vida marinha no seu entorno.
10:17O Virgo tem 26 metros. Sua chaminé foi removida antes do afundamento e ele está apoiado no fundo em posição
10:23de navegação.
10:24e ele está apoiado no fundo.
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12:26Mais uma vez.
12:28Mergulhar aqui em Recife.

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