Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 4 horas
No Vale do Ribeira, sudeste de São Paulo, uma cooperativa de agricultoras e agricultores quilombolas uniu esforços para minimizar o impacto da pandemia da Covid-19. Por geração de renda e segurança alimentar, eles elaboraram um plano emergencial para distribuir a comunidades vulneráveis alimentos orgânicos produzidos em suas roças tradicionais, que mantêm a Mata Atlântica em pé. Assim, quilombo e favela, que pareciam distantes, tornaram-se parceiros de lutas semelhantes.

Categoria

🎥
Curta
Transcrição
00:13Eu estou achando um dia muito importante para nós estar recebendo vocês aqui, o pessoal que a gente manda nossos
00:24produtos.
00:25Para mim está sendo um dia muito importante estar recebendo essas pessoas aqui hoje no nosso sítio, na nossa casa,
00:33para também conhecer o nosso produto, o qual a gente come aqui também.
00:38Esse aqui é batata doce frito, esse aqui é um cará, só que daí a gente fez ele sistema bolinho,
00:46esse aqui é a mandioca frita, esse aqui é o inhame.
01:03Simplicidade, simplicidade é tudo na vida.
01:09Gente, gratidão a todos vocês, tá?
01:11Vocês não sabem onde, com a simplicidade de vocês, vocês não sabem o quanto vocês estão alcançando diversas famílias que
01:21dentro de São Paulo, parece que não, mas passam fome.
01:24Passam fome e assim, o alimento que vocês produzem aqui alcançou diversas famílias que realmente naquele momento precisavam.
01:33Eu sou muito grato e assim, eu estou muito feliz porque eu estou me sentindo em casa e isso é
01:38muito importante para nós, não esquecermos as nossas raízes, né?
01:43Acho que é o importante, a gente não esquecer a nossa raiz.
02:27O PNAE, para a cooperativa, eu acho que é um dos projetos, não só o PNAE, como o PNAE,
02:32eu acho que é um dos dois projetos que são um dos projetos mais importantes para a cooperativa e para
02:40os cooperados,
02:40que é um projeto que a gente consegue ter uma renda boa, ter uma estabilidade, dar para a família, consegue
02:51manter a cooperativa,
02:52a gente consegue escoar toda a nossa produção, a gente consegue atender todas as comunidades.
02:57são os projetos essenciais para nós, para estar escoando toda essa produção que a gente cada vez está mais com
03:05vontade de querer plantar mais.
03:06Só que para a gente plantar e ter aquela segurança de venda, a gente tem que ter essas parcerias aí.
03:14Aí o plano emergencial também está acabando e a gente também já fica meio preocupado, né?
03:20O que a gente vai fazer com tanto produto e um monte de gente passando fome.
03:33A favela, na verdade, tem o conhecimento, você tem a possibilidade de você conhecer pessoas,
03:41agregar pessoas para estar te ajudando dentro dessa luta,
03:44mas não, a favela, na verdade, o que os governantes querem é que a favela, ela sim imploda.
03:52Esses alimentos, eles têm um impacto, assim, muito grande na alimentação das pessoas, muito grande mesmo.
03:59E tem pessoas que não têm condições de fazer uma feirinha durante a semana.
04:03E, infelizmente, nós não temos mais a mesma quantidade de doações.
04:20Uma mandioca fazer com a carne seca, é bom demais.
04:25Peguei banana, limão, essa coisa aqui, abóbora, a jaca.
04:33É uma delícia.
04:34Ah, isso aqui é muito gostoso.
04:38Vários produtos a gente realmente não tinha conhecimento.
04:41E aí, o que fazer?
04:43E o pessoal, vocês querem palmito?
04:45E o pessoal pensava que era aquele já embalado.
04:47Falei, não, gente, é natura.
04:48Nossa, mas eu nunca fiz isso.
04:49Falei, gente, eu também não sei fazer.
04:52Mas todo mundo, a maioria das pessoas, tem acesso à internet.
04:55Vai lá, pesquisa no YouTube, que eu vou fazer a mesma coisa também.
04:59Isso quando aconteceu a primeira vez.
05:00Fizemos uma cozinha experimental, juntaram-se todas as mulheres,
05:03umas descascando, outras picando, as outras cozinhando.
05:07E aí, das outras vezes que vem, a gente foi passando essas receitas para as pessoas.
05:11E algo que a gente ficou muito encantado, é que normalmente nós não temos, nós não temos acesso a produtos
05:19orgânicos, né?
05:20Porque todo mundo sabe que produto orgânico é muito caro, né?
05:24E, assim, as pessoas falavam, antes de eu provar, as pessoas falavam que o sabor era diferente.
05:30Mas, gente, o sabor não é diferente, o sabor é completamente diferente.
05:34A banana é mais docinha, a forma dela amadurecer é diferente.
05:40Uma coisa que me deixa bem encantada é a farinha de mandioca.
05:42Porque eu nunca provei uma farinha de mandioca daquela forma, né?
05:46Você vai fazer um pirãozinho com a farinha, é diferente.
05:49O sabor, conforme você prova, é completamente diferente.
05:54E a nossa política nacional, enquanto comunidades quilombolas, é dizer para o Brasil e para o mundo
06:00que comida de verdade se produz na terra, né?
06:03Comida sem agrotóxico, com direito à saúde, à vida.
06:07E hoje a gente está aí dizendo para todo mundo que nós somos pela vida e somos contra a fome.
06:12Esse é o nosso discurso quando a gente diz que a agricultura familiar é pop.
06:17Para nós não, porque ela é vida, na verdade, né?
06:20A gente não precisa que um marketing diga que a nossa produção tem um viés de capitalismo.
06:28O nosso viés de produção de alimento é sustentabilidade do território e da pessoa.
06:33E a garantia da dignidade humana, né?
06:35Que todos tenham comida, todos tenham o seu alimento de verdade no dia a dia.
06:43Porque aqui, na verdade, quando eu era do fazendeiro, ele sempre mantinha roçado, né?
06:47E aí, como nós retomamos, a gente deixou, na verdade, a gente reflorestou também.
06:52De vez em quando joga, planta uns pés dele.
06:54Aqui mesmo já plantei um pé de jataí, né?
06:59Jatobá, que fala.
07:01Já plantei outras plantas também, então a gente vem plantando.
07:04Tem uns pés de jataí, aí a gente vai reflorestando com cará de espinho.
07:09Vai aproveitando a mata para também plantar cará, né?
07:13Então a gente vai fazendo o reaproveitamento.
07:17Essa parte aqui tudo está com cará, entendeu?
07:21E a gente planta, daí quando dá dois anos a gente arranca.
07:25Que é o prazo que ele já está, já tem base 50, 60, 100 quilos.
07:30E ele é um cará que veio da Angola, né?
07:32Angolano, então...
07:34Ele tem inovado, ribeira, sempre teve nos quilombos.
07:37Esse aqui é o mandiocá, onde eu vim pegar as mandiocas, né?
07:53Olha como é que ela está.
07:56Quer dizer, fica uma baixa aqui.
08:23O forno é o último lugar que ela vem até ela virar de fato uma farinha pronta para a mesa,
08:33né?
08:34Porque aqui agora nós estamos no processo da torracha.
08:39Esse aqui é um trabalho cultural que nós já temos há mais de 500 anos.
08:44Então isso, a importância disso, acho que é o sabor da liberdade que a gente tem, né?
08:50E de poder também, dessa liberdade, alimentar quem realmente precisa.
08:59Acabou a política pública da merenda.
09:01Então agora nós estamos entregando no pleno emergencial, né?
09:04Isso tem nos mantido aqui até agora.
09:08Mas vamos ver como é que vai ficar.
09:09Na verdade a gente precisa de política urgente, né?
09:19Nós tivemos aí nos governos anteriores, né?
09:22Algumas políticas públicas que foram muito importantes para as comunidades.
09:26Que era o PA, né?
09:27Que era o Programa de Aquisição de Alimentos, o PNAE, o PEPAES.
09:32E alguns projetos de fortalecimento da agricultura familiar como acesso ao crédito, né?
09:37Que dava um suporte nas estruturas aí das famílias quilombolas, no sentido de produzir alimento e de garantir a comida
09:46de verdade para todos.
09:47Nós temos aí visto que o Brasil tem dito, né?
09:52Que nós temos produzido muito alimento, mas a produção que se produz não é voltada para a agricultura familiar, né?
10:00Os acessos às políticas públicas não têm sido para as comunidades em si se desenvolverem economicamente e socialmente.
10:07No começo da pandemia, para nós foi um horror.
10:11Porque tipo, a produção, tudo ali, a gente tinha se preparado para entregar banana tudo no ponto de corte, de
10:20colheita.
10:21A gente ficou a ver navio, né?
10:25A gente, de repente, eles simplesmente vão parar, que não tem aluno, não tem como fazer distribuição.
10:34Foi o comecinho ali do plano emergencial que entrou e a gente também fez a colheita meio grande, né?
10:42E deu uma escoada, isso que ajudou nós.
10:45A gente quer pôr alimento de verdade dentro das crianças a comer.
10:49A gente quer lutar por um negócio que é o nosso direito.
10:53E a gente vai indo, vai indo, a gente luta, luta, luta e cada vez mais fica difícil de trabalhar.
11:03A gente faz o projeto, vai na chamada, a gente dá a garantia para o produtor, ó, vamos plantar, vamos
11:11produzir.
11:11Chega na hora, cancela, não vai, não pega, não cumpre, né?
11:17Com o papel que eles têm que cumprir.
11:24A casa desce, a dona dessa casa não vai.
11:31Mola com o outro atrás, mola com o outro atrás.
11:34É quem filva na roça.
11:38Hoje não tem como fugir.
11:39Cove, milho, pimenta, milho, chuchu, mamão, cana, alface, pilar, daqui é beterraba, maná, cana, batata doce, batata doce também.
12:07É a forma que os nossos mais velhos trabalhavam, né?
12:11A gente não entendia, porque como a gente era novo, a gente não entendia o porquê que eles trabalhavam numa
12:16área.
12:17Ali eles plantavam o feijão, o minto, eles plantavam o arroz, aí eles plantavam o milho, eles plantavam às vezes
12:29pepino,
12:31alguns pés de abóbora, que faziam tudo ao mesmo tempo, que é assim, a impressão às vezes que dá,
12:38que dependendo do local, aí você vê, pô, mas tem uma verdura aqui, tem um legume ali,
12:43mas um acaba complementando o outro, né?
12:46Eles plantavam tudo na mesma área.
12:49Aí a gente, que é criança, a gente ficava imaginando assim,
12:52nossa, mas por que esses plantam tudo misturado, tudo junto, fazem uma salada no terreno, na terra, né?
12:59Mas não era, é a forma deles trabalharem, de aproveitarem o máximo possível do nutriente do solo.
13:05É que nem ali, que é bem legal, vocês fazem o roçado, aí tem o feijãozinho embaixo da mandioca, da
13:11rama, né?
13:12Como você falou, aí o milho, aí ali vocês começam.
13:16Primeiro vocês vão, aí colhem o feijão, aí depois de quanto tempo é que a mandioca pode ser...
13:21Não é a mandioca, é o milho, né?
13:23O milho, normalmente, é de quatro a cinco meses que vai colher o milho.
13:28Aí conforme é por etapa, ele vai tendo tempo, né?
13:32Aí quando for colher o milho, a rama vai estar mais maior.
13:38A gente não imaginava que vocês fossem tão organizados dessa forma.
13:42Imaginava assim, ah, não, o quilombo é uma família aqui,
13:44que planta ali uma comidinha só para a família mesmo se alimentar.
13:49Mas a gente não imaginava que vocês se organizassem para vocês conseguirem alimentar.
13:55Em torno de... Lá na favela São Remo são mais de...
13:58A gente consegue atender mais de 1.200 famílias, né?
14:01Para nós, tipo assim, para mim, eu fiquei muito emocionada.
14:05Quando eu cheguei na favela, o Lula foi contando um pouco da história dele,
14:09ele já foi se emocionando, lógico, né?
14:12Ele foi apresentando, foi mostrando a favela, foi mostrando o trabalho dele.
14:16Então, tipo assim, eu fui me vendo ali, né?
14:21Porque, tipo assim, nossa, eu estou num território muito abençoado.
14:25E, tipo assim, nossa, os meus irmãos estão ali numa situação tão, tipo assim, difícil.
14:32Até mesmo para ter um pedaço de terra para moradia, né?
14:37Então, tipo assim, é muito dolorido isso para a gente.
14:40E imaginar, tipo assim, nossa, eles estão conseguindo comer o alimento que eu produzo, né?
14:46Que os meus companheiros de lá da minha comunidade produzem.
14:50Então, tipo assim, para mim foi, nossa, foi muito emocionante a ida lá, conhecer vocês, conhecer o lado de vocês.
14:59Porque aí, tipo assim, quando for passar uma reportagem, eu já vou saber, já vou passar para os meus filhos.
15:05Eu disse, não, a favela não é isso que a mídia mostra.
15:08Dona Cissa, eles são da comunidade quilombolas do Vale do Ribeira, né?
15:15Então, eles são que fazem o processo, o cultivo da terra para trazer essas doações que a gente recebe aqui.
15:22Tem as representatividades de cada comunidade, o quilombo, né?
15:27Que eu não sei falar para a senhora quais são, mas aqui tem a representatividade de uns cinco ou seis
15:31aqui.
15:32Veio conhecer a nossa favela São Remo.
15:34Tá? Então, eu estou fazendo um pouquinho o tour com eles aqui.
15:36Eu tenho uma satisfação porque com 67 anos, nunca estou indo em uma favela, que era um desejo que eu
15:42tinha um dia de estar indo em uma favela.
15:43Eu fui fundadora de São Remo.
15:44E onde eu estou aqui?
15:45Aí, ó. Fundadora. Dona Cissa, é uma das fundadoras.
15:48É, a gente não tem uma vida diferente da de vocês, não.
15:52É igual vocês dois, batalhando, correndo daqui, batendo lá.
15:57É, é uma coisa, amiga.
16:00E uma voz indo com a senhora. A senhora é a fundadora da favela aqui.
16:04Eu sou uma espécie com essa mulher de Madreja, eu sei que é lutar o mundo.
16:12Criei 11 filhas nessa torreira.
16:15Todos estão caladas.
16:16Eu admiro o mundo.
16:17Agora fiquei viúva.
16:19Admiro o mundo.
16:19Agora sozinha.
16:21Eu admiro o mundo.
16:24Filma, filma.
16:25Aqui que é a macaxeira.
16:28Chamada mandioca.
16:29Bom dia.
16:30Onde está o quilo da sua mandioca?
16:32R$ 7,00 o quilo.
16:33R$ 7,00?
16:33É, para nós ver como é que o nosso Brasil está, né?
16:42E nesse momento de pandemia, nós tivemos pessoas que ficaram sem casas, sem moradia.
16:47Então, ocuparam um espaço que estava ocioso, só criando rato, mato, e começaram a fazer as suas moradias, porque aqui,
16:56esse espaço era vazio, só para lixo.
16:59E aqui, olha, a entrada do meu templo, né?
17:02Que aqui é o... que a gente faz todo o processo com as crianças aqui, o projeto.
17:07Aqui agora está o sub-13, o sub-15, a molecada.
17:17Então, aqui a gente é uma fábrica de atletas e, no contexto geral, várias representatividades de profissões.
17:26Nós temos professores, nós temos médicos, nós temos advogados.
17:30Para outras pessoas, a favela é o quê?
17:32Coisa negativa, coisa ruim.
17:34Mas, para quem está aqui dentro, para quem vive aqui dentro, sabe que nós somos uma potência.
17:38A gente pode marcar para os meninos virem conhecer, fazer o trabalho aqui.
17:42As meninas também de lá podem vir para a gente fazer um jogo com as meninas aqui.
17:46Então, a gente faz essa união, esse conjunto, esse elo, para que troque as informações, o diálogo.
17:59Eu vi aqui que as meninas aqui têm um trabalho, ó, digno.
18:04Porque lembra muito o projeto lá onde eu também faço parte, da escolinha de futebol da Sorreno.
18:09Que também começou assim, com meia dúzia de pratinho e três bolas que você jogava com uma,
18:15já tinha que estar logo se iniciando a outra que ia esvaziar a primeira.
18:18E vi que vocês também, vocês trouxeram muito o pessoal daqui da comunidade.
18:25Que nem eu vi que vocês, não tem tipo, ah, só joga o pessoal até 20 anos.
18:30Não, eu vi que tem senhorzinha de mais idade, menos idade.
18:34Vocês juntam todo mundo que gosta de futebol para treinar na semana, não é?
18:38É, sim.
18:40Tem todas as idades, tem, né, desde 13, 14 anos.
18:44Tem minha mãe mesmo, que já tem 45, ela tá no time, joga.
18:49Mas a gente abrange todas as mulheres que querem jogar, né?
18:52Nós estamos treinando aí diretão, né?
18:54Porque agora tá voltando tudo, então a gente espera poder evoluir, né, o futebol feminino e...
19:02E merece, merece crescer, viu?
19:05Futebol feminino é muita potência, velho.
19:07E nas comunidades quilombolas, as mulheres estão avançando muito, né?
19:10Querendo ser, não ser mandadas.
19:13E elas querem ter os seus próprios direitos.
19:16Um, dois, três, São Pedro!
19:19Andrei, dá a bola aí.
19:22Precisou uma pandemia vir para juntar duas pontas da história pela alimentação.
19:40É um enorme prazer que hoje a gente vai jogar contra o time das meninas que os quilombos
19:49alimentam aqui com a agricultura familiar, através da cooperativa, através do ISA e outros
19:54envolvidos por fora.
20:18Pelo que eu sei de banana, tá ótimo.
20:35Quando a gente conhece todos os nossos ancestrais e o que estão passando agora, e ver onde
20:42eles estão chegando, o que eles estão passando para a gente, que somos a nova geração,
20:46é incrível.
20:47Até porque está na pele da gente.
20:54Acho que a gente volta para o território com a missão da gente só produzir mais, para
21:02poder ajudar ainda mais, sabe?
21:04Essa vivência.
21:05E a gente entender que a favela é nós quilombos, sabe?
21:09A gente vivenciar.
21:11Só estamos em espaços diferentes, né?
21:13A palavra que eu acredito que encaixa nesse momento é principalmente de luta e resistência.
21:19Porque mulher jogando futebol é luta, mulher jogando futebol é resistência, mulher ocupando
21:23espaço é mais resistência ainda.
21:26Aplausos.
21:29Aplausos.
21:30Aplausos.
21:31Aplausos.
21:32Aplausos.
21:34Aplausos.
21:36Aplausos.
21:37Aplausos.
21:48Aplausos.
21:51Aplausos.
21:53Aplausos.
21:54Aplausos.
22:05Música
22:24Vocês querem dar roça colhidinho, fresquinho?
22:29Vem que tem!
22:37Vocês querem dar roça colhidinho?
Comentários

Recomendado