- há 7 horas
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O rapper Rashid conversa com o Portal UAI sobre o lançamento do álbum 'Cumulonimbus', sua maratona entre a BDA 10 Anos e a Virada Cultural em BH, e o reencontro histórico com Emicida e Projota.
Em entrevista aos repórteres João Victor Pena e Beatriz Marques, do Jornal Estado de Minas e Portal UAI, o MC paulistano compartilha detalhes sobre sua nova fase artística. Rashid analisa a importância de resgatar os valores vitais do rap nacional em seu novo disco, além de destacar a relevância da cultura de rua e da cena de freestyle no Brasil.
Durante o bate-papo, o artista comenta a apresentação marcante ao lado de Emicida e Projota no Vale do Anhangabaú, a colaboração com Neguinho do Kaxeta na faixa "Proteja seu Pescoço", e sua relação com Belo Horizonte. Rashid aborda ainda a independência na indústria musical, estratégias de divulgação direta nas ruas e os planos para a turnê do álbum 'Cúmulus'.
MINUTAGEM / CAPÍTULOS:
[00:00] - Introdução
[01:03] - Maratona entre BDA 10 Anos e Virada Cultural de BH
[02:27] - Conexão com Belo Horizonte e o público mineiro
[04:11] - Parcerias com nomes de Minas e influências musicais
[06:46] - Valorização do freestyle e desafios da cena de batalhas
[12:08] - Reencontro no palco com Emicida e Projota na BDA
[17:01] - Conceito do novo álbum 'Cúmulus' e resgate do rap
[20:17] - Parceria com Neguinho do Kaxeta: união entre rap e funk
[23:28] - Independência, selos próprios e gestão de carreira
[26:25] - Estratégias de divulgação na rua contra a lógica dos algoritmos
[35:10] - Turnê do disco 'Cúmulus' e considerações finais
Acesse o site: https://em.com.br / https://uai.com.br
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#Rashid #Cumulus #PortalUai
Em entrevista aos repórteres João Victor Pena e Beatriz Marques, do Jornal Estado de Minas e Portal UAI, o MC paulistano compartilha detalhes sobre sua nova fase artística. Rashid analisa a importância de resgatar os valores vitais do rap nacional em seu novo disco, além de destacar a relevância da cultura de rua e da cena de freestyle no Brasil.
Durante o bate-papo, o artista comenta a apresentação marcante ao lado de Emicida e Projota no Vale do Anhangabaú, a colaboração com Neguinho do Kaxeta na faixa "Proteja seu Pescoço", e sua relação com Belo Horizonte. Rashid aborda ainda a independência na indústria musical, estratégias de divulgação direta nas ruas e os planos para a turnê do álbum 'Cúmulus'.
MINUTAGEM / CAPÍTULOS:
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[01:03] - Maratona entre BDA 10 Anos e Virada Cultural de BH
[02:27] - Conexão com Belo Horizonte e o público mineiro
[04:11] - Parcerias com nomes de Minas e influências musicais
[06:46] - Valorização do freestyle e desafios da cena de batalhas
[12:08] - Reencontro no palco com Emicida e Projota na BDA
[17:01] - Conceito do novo álbum 'Cúmulus' e resgate do rap
[20:17] - Parceria com Neguinho do Kaxeta: união entre rap e funk
[23:28] - Independência, selos próprios e gestão de carreira
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Categoria
🎵
MúsicaTranscrição
00:00Divirta-se!
00:01Divirta-se!
00:02Cultura!
00:03Divirta-se!
00:04Olá a todos que estão acompanhando aqui o canal do Porta Uai, o Jornal Estado de Minas.
00:09Meu nome é João Vitor Pena, sou repórter e estou aqui na parceria da Beatriz Marques,
00:15minha grande amiga, para entrevistar um dos principais rappers das últimas duas décadas no Brasil, Rashid.
00:23Acho que se você gosta de rap, você conhece esse cara que pode falar um pouco mais do lançamento dele
00:30para a gente.
00:31Como é que você está, Rashid?
00:33Muito bem, gente. Obrigado, obrigado pelo carinho e pelo respeito de vocês.
00:37Da hora mesmo, quem está assistindo e quem está vendo a gente aí, satisfação total.
00:42E aí, Bia?
00:43Prazer imenso estar falando com você, Rashid. Seja muito bem-vindo ao nosso canal.
00:49E, bom, a gente tem muita coisa para poder falar, né?
00:53Você marcando presença na Virada, na BDA.
00:56Acho que o Pena tem total propriedade para poder falar desse assunto aí também,
01:01que ele entende bastante de batalha de rimo.
01:06Primeiro, no sábado, eu vi que você está com a agenda cheia,
01:09porque você vai estar na BDA e depois vai vir para BH na Virada Cultural.
01:13Como é que está essa logística?
01:16Essa logística está maluca.
01:21E ainda bem, a gente conseguiu atrasar um pouco o show, né?
01:24O show seria mais cedo na Virada e aí ia ficar inviável.
01:28Então, a gente conversou bastante com a equipe do Sesc.
01:31Eles colocaram um pouco mais tarde para a gente conseguir fazer as duas coisas
01:35por causa dos horários dos voos, né?
01:37Porque o problema não é nem tanto a distância, se a gente for de avião, obviamente.
01:44O problema é o horário dos voos e tal, e mais o tempo de confins até o local do show.
01:51Mas está dando tudo certo.
01:52Acho que vai dar tudo certo.
01:54A gente vai estar mais ou menos ali depois do almoço, na BDA há 10 anos, né?
01:59Vou ter esse prazer de participar ali desse evento,
02:03que é um dos dois maiores eventos de freestyle do país, né?
02:09Juntamente com o Nacional, que acontece aí em BH.
02:12E, cara, é muito legal estar participando ali junto com meus amigos, com o Projota e com a Emicida.
02:18E aí eu saio correndo depois, né?
02:20Acabou, saio correndo, aeroporto, para chegar em Belo Horizonte
02:24e poder fazer um showzão também para o meu pessoal.
02:27E falando da virada cultural, qual que é a expectativa de estar aqui em Belo Horizonte?
02:33Chama a atenção na cena daqui, né?
02:35E é um evento que reúne diferentes manifestações culturais aqui da região.
02:41E de todo o Brasil também.
02:44Total.
02:45Na verdade, é sempre muito bom estar em BH, porque eu sempre sou muito bem recebido.
02:50Gosto muito da cidade, gosto muito do povo, gosto muito das pessoas que fazem a cultura acontecer.
02:56Então, sou fã de muitas pessoas daí.
02:58Tenho música com algumas pessoas daí, né?
03:01O Coyote é um grande parceiro, por exemplo.
03:04Que depois, o Coyote ganha na Autoridade Nacional fazendo a parceria dele com o Jonga.
03:09Mas a gente faz música já tem um tempinho, já desde 2014.
03:13Então, sempre me dou muito bem com o Idas a Belo Horizonte.
03:19E eu acho que essa vai ser mais uma dessas vezes, sabe?
03:22E estar numa virada cultural é sempre especial também, porque uma forma de devolver a cultura para o povo, né?
03:28Quem está na rua, quem está ali trabalhando no dia a dia, quem faz a cultura acontecer mesmo.
03:33Você oferecer de graça para as pessoas esse acesso a, de repente, shows que elas não veriam, né?
03:40Não pagariam o ingresso, não iriam.
03:42Ou por falta de condições, ou por falta de tempo.
03:45E você tem um momento para isso, onde a cultura está acontecendo na rua.
03:50Meio que você elimina essas barreiras e a pessoa acaba indo ver, tendo contato com outras coisas,
03:56com outras formas, outros gêneros musicais, outras formas de arte.
04:00Então, isso é muito interessante.
04:01Participar de uma virada é sempre legal.
04:03E aí vai ser a minha primeira vez na virada de BH.
04:06Mas estar em BH também é sempre muito especial para mim.
04:12E dentro dessas parcerias que você falou e faz, tem algum artista que você não gravou ainda
04:19e que você tem vontade de gravar aqui, seja do rap ou de outro gênero mineiro,
04:25talvez Marina Sena, ou outro proeminente da atualidade?
04:29Tem diversos da MPB também, né?
04:31O MPB, sabe que tem até pouco disso no seu álbum.
04:36E Minas Gerais é um bom berço aí da música popular brasileira.
04:42Com certeza, com certeza.
04:45Assim, tem muitas pessoas que me inspiram, né?
04:47Obviamente tem a entidade Milton Nascimento, né?
04:50Que tem uma relação especial ali com a obra dele,
04:55com o fato dele ser da mesma cidade que a minha avó e tal.
04:59E aí, quando foi para Minas, né?
05:02Porque ele é nascido no Rio, mas depois ele é criado em Minas.
05:05E quando ele vai para Três Pontas.
05:07Mas aí tem, além da Marina Sena, é óbvio, né?
05:10Que é uma pessoa assim que é só falar a hora e a roupa que vai fazer música junto.
05:15Se uma hora surgir essa oportunidade, admiro demais o Corre Dela.
05:20Obviamente o Djonga.
05:21Tem algumas pessoas, alguns produtores também, né?
05:24Algumas pessoas de uma escola mais antiga do rap,
05:29tipo o Pedro Vux, que é um parceirão que sempre levou a gente de vários lugares.
05:33O pessoal do Duel de MCs, que nas últimas edições quase, quase aconteceu o show do Rashid,
05:42mas por conta de alguns empecilhos técnicos e logísticos a gente não conseguiu fazer.
05:47Mas sempre tem uma conversa acontecendo ali, né?
05:52Sempre tem um negócio assim.
05:56E pouco a pouco essas coisas vão saindo, vão indo para a rua, os eventos vão acontecendo e tal.
06:01Mas tem muita gente, tem muita...
06:03Ah, tem muitos amigos e amigas, né, gente?
06:08Tipo, pessoas que já receberam a gente em casa.
06:11E, sabe, agora eu...
06:13Antes de muitas coisas acontecerem, antes da cena ser o que é,
06:17antes, inclusive, de BH ter o destaque merecido que tem hoje na cena, né?
06:22Muitas pessoas que já faziam essa movimentação toda, já levavam a gente aí para fazer show
06:26e ver um pouco do país retribuindo esse amor que BH sempre demonstrou pela cultura hip hop,
06:36é uma coisa que muito me alegra, assim.
06:38Então, esse reconhecimento, ele é merecidíssimo e tardio também, né?
06:42De certa forma.
06:45Você falou até do duelo nacional.
06:48Recentemente teve bastante repercussão a todo o movimento que foi para o CPBMC fazer o estadual em São Paulo
06:58para poder ter o representante no nacional.
07:03O que você desse, como uma referência, né, de artista que começou nas batalhas,
07:09como é que você vê essa cena hoje em São Paulo, que é tão proeminente?
07:13E você falou do nacional.
07:15Você ainda acompanha?
07:17Como é que é no dia a dia?
07:20Primeiro, eu acompanho, acompanho.
07:22Eu gosto de acompanhar as batalhas.
07:25Porque o freestyle, para mim, é uma parte intrínseca, assim, daquilo que eu faço, tá ligado?
07:31É como um músico que gosta de improvisar, ainda pega o seu instrumento para ficar improvisando.
07:37Para mim, faz parte, de fato, assim, da minha arte, daquilo que eu crio.
07:42E, então, eu gosto muito de acompanhar porque a cena me inspira muito, né, a cena nova do freestyle me
07:49inspira demais.
07:50Acho que é a melhor geração de MCs de improviso do país, assim, né, porque a diversidade é enorme.
07:57Diversidade de estados e diversidade das pessoas e das culturas e dos sotaques e das referências, consequentemente.
08:04Então, assim, é um momento muito especial do freestyle no Brasil.
08:10E eu acho que as batalhas, elas fazem muito bem uma conexão que eu considero muito valiosa para a gente.
08:16Porque elas conseguem converger a ideia do público das redes sociais e da internet com o público da rua.
08:25Então, fazem muito barulho na rua, fazem uma movimentação absurda na rua e, ainda assim, tem um grande público na
08:31internet, sabe?
08:31E eu acho que isso é um desafio, inclusive, para muitos artistas conseguirem fazer isso tão bem feito como as
08:37batalhas fazem.
08:39E é louco porque São Paulo sempre teve essa grande quantidade de MCs e eu acho que hoje também, mais
08:48uma vez,
08:48é um momento em que tem muitos MCs e muitas MCs de muito talento na cidade e no estado.
08:55E, de repente, a gente se vê num momento, assim, sem o apoio devido para o CPB e MCs correndo
09:03risco ali de não ter um representante de São Paulo no nacional, né?
09:08Eu acho que isso demonstra a fragilidade, inclusive, do olhar do Estado e do Estado e até da iniciativa privada
09:17para com a cultura que a gente atua, tá ligado?
09:20Porque, realmente, é uma coisa muito grandiosa, junta muita gente, gera emprego, faz tanto barulho e tanto o Estado quanto
09:30a iniciativa privada não conseguem perceber esse valor de estar próximo desse lugar, sabe?
09:36É uma luta, de fato.
09:38É uma luta.
09:38Por mais que a gente tenha dado vários passos em direção ao progresso e por mais que a gente tenha
09:43se livrado de várias bagagens negativas durante o percurso,
09:49ainda tem gente que olha com os olhos da marginalização para a nossa cultura, sabe?
09:54E são essas coisas que a gente tem que quebrar para continuar buscando um crescimento, buscando uma popularização que ainda
10:02está conectada com a nossa raiz, entendeu?
10:05Então, eu acho que é um momento desafiador, mas parece que a situação está sendo revertida, vai acontecer e tal,
10:15mas, ao mesmo tempo, acho que é uma...
10:18Tem um debate que tem rolado aqui na cidade, que é o debate de fazer a estação do metrô da
10:26Santa Cruz passar a se chamar a estação Batalha de Santa Cruz.
10:30E o pessoal do metrô, o pessoal da própria estação até hoje não ter reconhecido a riqueza da batalha para
10:37aquela região já é uma fatia dessa fragilidade,
10:43dessa falta da percepção e de conexão com a população, as autoridades, que o poder público tem, sabe?
10:50Então, eu acho que isso demonstra muito dessa relação fragilizada, mano.
10:54Eu espero que seja possível contornar, sabe?
11:00E que esse olhar se volte para a cultura, que as pessoas percebam o poder disso.
11:06Como já aconteceu em BH também, um olhar que marginaliza o duelo e a situação, a localização que já foi
11:15perdida, recuperada, perdida, recuperada.
11:19E a riqueza do que acontece ali não é vista com o devido cuidado, entendeu?
11:25É uma coisa que a gente vai ter que ir burlando e contornando no dia a dia.
11:30E eu espero muito, porque sou otimista também, mas espero muito que isso seja revertido, tá ligado?
11:36E que o poder público, a iniciativa privada, as pessoas comecem a ver o poder disso.
11:41Porque é uma cultura que salva vidas, cara.
11:43Salva a vida das pessoas.
11:44Quantas pessoas se tornaram artistas hoje, tem uma carreira, tem uma vida, tem um salário.
11:49Empregam outras pessoas por causa disso e saíram de um lugar totalmente miserável.
11:56Um lugar onde as possibilidades de vida eram as piores possíveis.
12:04E para encerrar um pouco esse tópico de freestyle, só queria que você falasse um pouco desse show na BDA10.
12:11Vai ser um grande freestyle ali, você com o Projota e o Emicida.
12:15Como é que vai ser e tocar nesse Anhangabaú, que é a primeira vez que as batalhas de rima vão
12:20ter um palco tão, tão grande, igual vai ser agora, nesse sábado.
12:26É, cara, vai ser uma batalha especial.
12:29A Batalha da Aldeia é uma coisa especial, assim.
12:32Porque realmente ficou uma coisa muito grande, é muito grandiosa e dá muito trabalho ficar desse tamanho.
12:39Tem que ter muitos cuidados.
12:43Porque é isso, né, cara?
12:44A gente vem numa cena onde não tinha nada.
12:46Então, todo passo, ele exige sensibilidade para com a cultura e para com a rua.
12:53Então, crescer não é fácil.
12:54Então, já até parabenizo aqui a Batalha da Aldeia por isso.
12:59E, cara, olha que legal.
13:01Eles estão falando com a gente, eles queriam fazer algo com os três temores, né, com o Emicida, Projota e
13:07eu, há muito tempo.
13:09Mas a conversa nunca andou.
13:10E, de repente, andou justamente para os 10 anos, né.
13:13Então, acho que meio que os planetas se alinharam.
13:16E vai ser muito legal, cara.
13:17A gente vai fazer um freestyle, assim, tudo que a gente sempre mais amou fazer na vida.
13:23Rima, a rima pela rima, pelo amor a rima e pelo amor a cultura.
13:28Só que num palcão gigante, um octógono no meio do Vale do Anhangabaú, tá ligado?
13:33Num dia bonitão que tá prometendo fazer em São Paulo, com uma plateia absurdamente gigante, assim.
13:39Me lembra uma batalha, uma rinha dos MCs que já aconteceu no Vale do Anhangabaú.
13:46Que aconteceu porque tava tendo um evento de hip hop e tiveram alguns shows ali e depois teve a batalha.
13:54E aquele dia foi um dos maiores públicos, assim, pro qual a gente rimou, tá ligado?
13:59MC e eu batalhando ali, olhando, sei lá, 5 mil pessoas, 7 mil pessoas.
14:03E agora a BDA promete até mais do que isso, né.
14:07Então, é um indicativo do poder de mobilização da nossa cultura, que nunca deve ser desacreditado.
14:15E bom, agora continuando, só mais uma pergunta de batalha.
14:21Você iniciou contra, justamente contra o MC, né.
14:27Sua primeira batalha.
14:28E hoje você pode voltar pra um grande palco da Batalha de Rima, um palco muito importante pra esse cenário,
14:39junto com a pessoa que esteve com você lá no início.
14:42Qual que é o sentimento de, né, se consagrar e estar num evento desse tamanho,
14:51junto com a MC, que tem uma importância gigantesca pro cenário e pra sua trajetória também, com certeza.
14:58Ah, é um sentimento de ciclo completo, assim, né.
15:02Não de dever cumprido, porque não é um arcabou, né, é muito longe disso.
15:07Mas é um, tipo, olha só que legal.
15:10Olha a volta que a vida deu, que as carreiras deram e tal.
15:14E assim, a minha primeira batalha oficial foi contra o MC,
15:16mas eu comecei a fazer rimas de freestyle junto com o Projota, né.
15:21Porque ele é meu amigo de adolescência, conheço ele desde que eu tinha 13 anos, ele tinha 15.
15:26Então a gente começou a fazer junto e depois a minha primeira batalha foi contra o MC,
15:30e agora eu tô do lado desses dois caras, que são nacionalmente conhecidos e pelo mundo também,
15:37pra fazer isso.
15:39E a nossa mentalidade pra esse dia é uma fome de inspirar aquelas pessoas que vão rimar depois, sabe.
15:51Que é meio que a gente acabou fazendo com a nossa trajetória também,
15:55mas é uma fome de abrilhantar o espetáculo e de fato preparar o palco pras batalhas,
16:04porque isso é o protagonismo da noite pertence às batalhas,
16:11os MCs e as MCs que vão batalhar ali, né.
16:14Então, da noite não, da tarde, né, inclusive.
16:17A nossa mentalidade tá muito essa,
16:19então tá um espírito muito da hora, assim,
16:23sabe, um clima muito da hora de,
16:25mano, a gente vai chegar lá, vai fazer nosso máximo,
16:27quebrar tudo e abrir caminho pra nova geração,
16:30pra que venham e quebrem mais ainda, entendeu.
16:33Então tem uma coisa muito especial do ciclo, né.
16:36Não sei se é o ciclo completando,
16:37mas é o ciclo demonstrando a sua função, né,
16:40a história circulando, circulando de fato.
16:44É um movimento, né, a nossa cultura é isso, cara.
16:47É um movimento, não é uma coisa parada.
16:49É continuidade.
16:50Então eu tô bem feliz, assim, motivado pra fazer isso
16:54e espero conseguir motivar os MCs que vão batalhar depois.
16:59Então bacana demais.
17:01Bom, agora falando do seu novo álbum,
17:03que é um baita disco,
17:05foi uma ótima experiência
17:08todas as vezes que eu escutei.
17:11E, bom, você definiu como o Lone Blues
17:13como um álbum de descarrego.
17:15O que você queria colocar pra fora
17:18nesse momento da carreira?
17:19Você volta bastante com aquele rap,
17:22mais raiz,
17:23que você já destacou isso em outros momentos,
17:26o que você queria dizer?
17:29Acho que é um momento de olhar
17:31pra nossa cultura com muita atenção,
17:33muito carinho.
17:35Isso de uma forma geral, né?
17:37Muitos artistas sempre permaneceram fiéis a isso.
17:43Inclusive nós, a nossa mentalidade sempre foi essa,
17:46da riqueza da composição do rap brasileiro.
17:50Mas também buscamos expandir, né?
17:53Parcerias com grandes nomes,
17:55enfim, do Périx, ao Lenine, à Lineker,
18:00querendo expandir,
18:01querendo aproximar a relação do rap com a música brasileira.
18:06Mas eu sinto que agora é o momento de trocar essa ideia em família,
18:10trocar essa ideia em casa.
18:12Então, esse disco,
18:13o Cumulonimbus,
18:14ele vem pra esse lugar
18:15de falar da cultura para a cultura.
18:18E a ideia é provocar essa conversa,
18:20provocar esse debate,
18:21mesmo a partir dos temas propósitos ali,
18:24e da sensação
18:26de que talvez
18:27tenhamos nos distanciado
18:29de certas coisas que são essenciais
18:31pra cultura,
18:32certas coisas que são essenciais
18:35na nossa
18:37peitura enquanto
18:39seres sociais e seres culturais,
18:42tá ligado?
18:42Então, tudo aquilo que nos formou
18:45ficou pra trás pra algumas pessoas,
18:47virou uma coisa antiga,
18:48e não é uma coisa antiga.
18:51São valores vitais da cultura hip hop,
18:53são valores vitais da música rap.
18:55Então, o disco, ele é uma provocação,
18:57um convite a olhar pra esse lugar.
18:59Por isso, ele é denso,
19:00ele é cheio desse descarrego,
19:02ele tem as histórias que fazem
19:04grande parte do rap no Brasil.
19:06Muitas das nossas grandes músicas
19:08do rap brasileiro são histórias.
19:10Então, eu tentei provocar
19:13com o meu disco
19:14a sensação que essas músicas todas
19:17que eu cresci ouvindo
19:18me provocavam na época.
19:19E não é pra soar nostálgico,
19:21de certa forma,
19:23mas é pra tentar mostrar pras pessoas,
19:26olha, era isso que eu sentia.
19:27Não quero que minha música soe
19:29como a música dos anos 90 agora,
19:31nem como a música dos anos 2000,
19:32mas eu quero que as pessoas sintam
19:34um pouco daquela sensação,
19:36com aquela rima que surpreende,
19:38aquela história que você não imaginava o final,
19:41aquela informação que vai chegar
19:43e vai te causar aquela sensação
19:45da música que te ensinou alguma coisa.
19:49São todas coisas presentes no rap brasileiro
19:51e que, de certa forma,
19:52eu sentia que estavam sendo deixados pra trás
19:56por parte da cena, né?
19:57Parte da cena.
20:00Então, ao invés de reclamar
20:01que as coisas não estavam acontecendo,
20:03eu quis fazer um disco todo voltado pra isso,
20:06oferecendo essas coisas pras pessoas.
20:08Olha, isso aqui que me fazia me arrepiar,
20:10me fazia sentir determinado tipo de coisa
20:12ouvindo rap.
20:13Vê aí o que vocês acham.
20:17E, bom, tem ótimo...
20:20Pode continuar, né?
20:21Não, pode falar.
20:23O álbum tem ótimos nomes, né?
20:26Mas uma faixa com você,
20:29com o MC da Projota,
20:32também tem uma faixa muito interessante
20:34com o Neguinho do Cacheta.
20:37Eu queria que você falasse um pouco
20:38dessa faixa específica
20:41que me chamou bastante a atenção
20:43com o cara que vem do funk,
20:44mas que tem as ideias muito alinhadas
20:47ao rap também.
20:49E enxergo o posicionamento dele
20:53nas músicas,
20:53muito parecido com o seu,
20:55sempre buscando a evolução
20:57e sempre trazendo um olhar crítico também.
21:02Muito bom, Beatriz.
21:03Não, é isso mesmo.
21:04Você matou a charada.
21:05É um cara que me representa, assim, né?
21:08Quando você olha pra um cara
21:10como o Neguinho do Cacheta
21:11e pra uma carreira como a dele,
21:13tão longeva, no funk,
21:15que muita gente considera um gênero
21:19onde as carreiras são curtas
21:21e ele tem uma carreira longa já
21:24e que não dá indícios
21:25de que vai parar tão cedo.
21:27É um cara que tem uma construção,
21:29que tem uma trajetória já histórica
21:31e ele representa a cultura, né?
21:33É como se ele levasse junto com ele
21:36a bandeira de uma cultura.
21:37Então, eu vejo nele
21:39todos esses valores
21:40que eu tô falando da minha cultura.
21:42E no Brasil,
21:44os dois gêneros andam lado a lado, né?
21:46Pela origem,
21:48periférica,
21:49quebrada,
21:49favela,
21:50pela comunicação
21:51e a conexão com a rua,
21:53com o trabalhador,
21:54a pessoa que tá indo pra escola,
21:55a pessoa que tá indo pra faculdade,
21:57tá voltando do trampo,
21:58a pessoa que tá indo pro baile,
21:59tá voltando do baile.
22:01E pelo olhar sincero,
22:04cru,
22:05a descrição crua das coisas
22:06que acontecem na vida.
22:08Então, assim,
22:09são ritmos irmãos no nosso país
22:12e um cara como o Caxi,
22:15tem um cara que,
22:16pra mim,
22:17ele é o símbolo da cultura,
22:18entendeu?
22:19O símbolo de uma cultura.
22:20Então,
22:21tê-lo presente no meu disco
22:24é uma coisa que muito me ajuda
22:25a passar a mensagem
22:27que eu queria passar, né?
22:29É sobre cultura.
22:31É um disco de nós pra nós.
22:34Pra gente discutir
22:35o que tá acontecendo,
22:37qual é o atual estado
22:38da nossa cultura,
22:39com quem sabe
22:40do que tá falando.
22:41Então,
22:42todas as participações
22:43são sobre isso,
22:44sobre intimidade,
22:45parceria e verdade,
22:47propriedade
22:47no que se é dito.
22:49Então,
22:49a música com o Caxi
22:50tem uma música sobre
22:51a rua,
22:52São Paulo,
22:52meio que um manual
22:54de sobrevivência
22:55na selva de pedra,
22:56assim, né?
22:56Proteja seu pescoço,
22:57é o nome da faixa,
22:58que faz uma alusão
23:00à música Protect a Neck
23:01do Uten Klem.
23:03E o Caxi
23:03também com essa visão dele,
23:05né?
23:05Eu falo de uma visão
23:07muito fechada,
23:09talvez,
23:10das ruas de São Paulo,
23:11capital,
23:12e o que eu vivi em Minas
23:13também quando morei.
23:14E ele traz uma visão expandida,
23:16um cara que já vem
23:17da Baixada,
23:17um cara que já rodou
23:18o mundo também,
23:19falando sobre
23:21como foi o seu
23:22crescimento na rua.
23:24Eu percebo essa música
23:25como um manual
23:26de sobrevivência mesmo,
23:27assim.
23:28E foi louco
23:29ter o Caxi estar junto.
23:31Você falou um pouco
23:32de funk.
23:33Eu estou vendo
23:34um movimento agora
23:35no funk,
23:35que é dos artistas
23:36criando suas próprias
23:38gravadoras,
23:38selos,
23:39algo que o rap
23:39já faz há um certo tempo,
23:41né?
23:41A gente vê
23:42grandes artistas
23:43que comandam
23:44a própria carreira.
23:45O Emicida
23:45foi referência nisso.
23:47você também tem
23:48seu selo.
23:49O Matuê
23:50é um cara aí
23:50do trap
23:51que é uma outra vertente
23:52também dentro do rap
23:53também tem.
23:54Outros exemplos.
23:55O que você acha
23:55desse movimento
23:56do funk agora
23:57de estar
23:58abraçando essa ideia
23:59que o rap
23:59já tem trabalhado
24:01há um certo tempo?
24:02Você acha que isso é positivo
24:03para os artistas independentes?
24:06É sempre positivo, cara.
24:08Mesmo que
24:09em algum momento
24:10alguma experiência,
24:11uma ou outra experiência
24:12dê errado
24:13e é normal
24:14acontecer também,
24:16aconteceu com a gente,
24:17a gente já bateu
24:18muita cabeça,
24:18já falhou,
24:19já se levantou
24:20e aprendeu com isso.
24:22É importante
24:23justamente
24:23para o aprendizado,
24:25para que os artistas
24:26entendam
24:26passo a passo
24:27do seu negócio,
24:29desde o registro
24:30das músicas,
24:31a coisa mais básica,
24:32até o recolhimento
24:33dos direitos,
24:34o que eu faço
24:36se usarem
24:36a minha música
24:37ou se eu quiser
24:38usar a música
24:39de outra pessoa,
24:40entender um pouco
24:41da parte jurídica
24:43burocrática da coisa,
24:44entender sobre os seus direitos,
24:45precificar o seu próprio trabalho.
24:48Então,
24:49tem muita coisa
24:50para ser aprendida
24:51nesse meio tempo.
24:53Por mais que,
24:54às vezes,
24:54um cara possa criar
24:56o seu próprio escritório,
24:59dali a pouco,
25:00se der errado,
25:01ele tem que se aliar,
25:02tem que assinar
25:02com outro escritório,
25:03só que agora
25:04ele já assina
25:05com outro ponto de vista,
25:07porque agora
25:07ele já sabe
25:08como funciona.
25:09E o funk
25:10cria carreiras meteóricas,
25:12uma pessoa que estoura
25:13com uma,
25:13duas músicas
25:14e acaba ganhando
25:15um dinheiro
25:16que nunca tinha visto
25:17na vida.
25:18E aí a gente já vê
25:18histórias de pessoas
25:19que também já foram
25:20de repente enganadas
25:21por empresários e tal.
25:22Então,
25:23saber o que está fazendo,
25:26saber o que quer
25:27antes de assinar
25:28um contrato
25:29é primordial.
25:31Então,
25:31eu acho muito positivo
25:33esse aprendizado.
25:34Eu acho que
25:34nem tudo vai funcionar,
25:37nem tudo vai andar,
25:38mas mesmo aquilo
25:39que não andar
25:40vai proporcionar
25:41uma experiência
25:41positiva
25:42no final das contas
25:43para esses artistas.
25:44Porque se eles
25:45precisarem depois
25:46voltar para uma gravadora,
25:48assinar com uma outra
25:49agência grande e tal,
25:51eles vão ter
25:52uma bagagem agora
25:53que eles não tinham antes.
25:55E isso também
25:56é importante,
25:57saber até onde
25:58o seu braço vai.
26:00Olha,
26:00eu tenho a minha própria
26:01produtora,
26:02mas eu sei que aqui
26:03não é o nosso ramo
26:04de melhor atuação,
26:06então aqui a gente
26:07pode ter um parceiro.
26:07olha,
26:08aqui a gente pode
26:09chamar tal pessoa
26:10que vai saber
26:11fazer melhor do que a gente.
26:12E tudo isso,
26:14essa mentalidade toda
26:15só vem quando você
26:16sabe o que você
26:17está fazendo,
26:17o que você está
26:18participando,
26:19entendeu?
26:19Então,
26:20coisas boas
26:21vão sair daí,
26:22eu acho.
26:24Uma parada
26:24que eu acho interessante
26:25na sua carreira
26:26é que,
26:28igual,
26:28agora você lançou
26:29um disco,
26:31você já é um artista
26:31consolidado,
26:32então isso te dá
26:33uma certa liberdade
26:34para criar mais coisas.
26:36O disco,
26:36ele tem ideias
26:38que você busca
26:39resgatar valores,
26:40que você considera
26:41que são pilares
26:42do hip hop,
26:42do rap,
26:43ao mesmo tempo
26:44que você trabalha
26:44um disco
26:45que tem um nome
26:46que não é tão comercial,
26:47que atrai
26:48uma coisa
26:49da personalidade mesmo.
26:51Eu lembro que
26:51quando você lançou
26:52o Tom Real,
26:53você lançou em três
26:54make-ups,
26:55depois de um tour,
26:56então eu vejo
26:57você experimentando
26:58esses formatos
26:59de lançamento,
27:00ideias,
27:02você acha que
27:02essa questão
27:03da liberdade
27:04de criar também,
27:04como é que você vê
27:05isso aliado
27:06com a necessidade
27:07de fazer com que
27:08as coisas
27:09trabalhem
27:10de forma
27:11comercial também?
27:13Eu acho que isso
27:14vem de uma inquietação
27:16e de uma busca,
27:18porque o nosso
27:19bem mais valioso
27:21fora a própria arte
27:23em si
27:24é a conexão
27:25que a gente tem
27:26com as pessoas,
27:27a conexão com o público,
27:29tanto por meios práticos,
27:30porque é o público
27:31que paga o seu ingresso,
27:33que compra a sua camiseta,
27:34que vai no seu show,
27:35que ouve sua música,
27:38mas porque
27:40essa ponte,
27:41ela é uma ponte,
27:42é uma via de mão dupla,
27:44é dali que vem o feedback,
27:46você sabe se a sua música
27:47está se comunicando
27:48com as pessoas ou não,
27:49o que você está falando
27:50está sendo sentido,
27:52se as pessoas estão sendo
27:53impactadas ou não
27:54por aquilo que você está dizendo,
27:56então,
27:57tudo isso
27:58vem de uma inquietação,
27:59de uma vontade
28:00de se comunicar
28:01e de se conectar
28:02da melhor forma
28:03com o povo mesmo,
28:04sabe,
28:04agora,
28:05por exemplo,
28:06para o Cumulonimbus,
28:07a gente está focando
28:08uma campanha
28:09bem em ações de rua,
28:11assim,
28:12porque a gente sente
28:13que faz parte do momento,
28:14entendeu,
28:16o desafio do algoritmo,
28:17ele está aí,
28:18está lançado,
28:19né,
28:19muita gente sofre
28:20e acaba sendo apagada,
28:22sufocada por isso,
28:23porque é difícil
28:24você se destacar
28:25e meia tanta coisa
28:26sendo produzida,
28:27como que eu me comunico,
28:28que às vezes
28:29o que eu estou falando
28:30não chega nem
28:31para as pessoas
28:31que já estão
28:32pré-dispostas
28:33a me ouvir,
28:34né,
28:34a pessoa segue,
28:35a pessoa assina,
28:36a pessoa está lá
28:37olhando o dia inteiro
28:38para o seu perfil
28:39e às vezes passa
28:39batido por ela,
28:41porque tem tanta coisa
28:42sendo feita
28:42e às vezes tem também
28:44o algoritmo
28:45não colaborou,
28:46enfim,
28:46tem um monte de coisa,
28:47então,
28:48dessa vez a gente olha
28:49de volta para a rua,
28:51é,
28:52porque
28:53está cheio de gente lá
28:55que está pré-disposta
28:57a ouvir o que a gente
28:58tem para dizer,
28:59está cheio de gente lá
29:01que às vezes até me segue,
29:03já gosta do meu trabalho,
29:04mas as coisas
29:05não estão chegando
29:05para essas pessoas,
29:06então,
29:07como que eu vou levar?
29:07Eu vou levar na mão,
29:09eu vou levar na mão,
29:10vou entregar flyer,
29:11vou fazer panfleto,
29:12vou fazer zine,
29:13vou fazer lambi-lambi,
29:14vou fazer palestra,
29:16vou fazer,
29:16entendeu?
29:17E eu acho que isso
29:18vem dessa vontade,
29:20dessa busca,
29:21dessa inquietação mesmo
29:22de como que eu vou
29:23me comunicar melhor
29:24com as pessoas agora,
29:25lá indo da zona
29:26de conforto um pouco,
29:27também tem um pouco
29:28desse incômodo
29:29com a zona de conforto,
29:31de vamos repetir
29:34o que fizemos
29:34no disco passado,
29:35sabe?
29:36Se estamos buscando
29:37outras coisas,
29:38estamos buscando
29:39outros resultados,
29:39vamos agir de forma
29:40diferente,
29:41que sempre tem uma coisa
29:42para ser incrementada
29:43e sempre tem uma coisa
29:44para ser aprendida,
29:45algumas coisas dão errado,
29:47outras não,
29:48outras não dá certo,
29:49e assim a gente vai
29:50aprendendo o que deve
29:51levar adiante
29:52para o próximo trabalho,
29:53sabe?
29:54Agora, por exemplo,
29:55a gente conseguiu
29:55muitas coisas,
29:57receber imagens,
29:58por exemplo,
29:59de um telão
30:00numa estação de trem
30:01aqui de São Paulo
30:02com o meu disco,
30:03isso são coisas
30:04que estão duras
30:06para se conseguir,
30:06a gente foi conseguindo
30:07com apoio,
30:08com conversa,
30:09com insistência,
30:11com muito discurso,
30:12falando,
30:13olha,
30:13o disco é tal coisa,
30:14tem que se conectar
30:15com as pessoas,
30:16e aí de repente,
30:17pá,
30:18chega para mim
30:18um telão do Spotify
30:19lá na estação
30:21Vila Olímpia,
30:22onde passam
30:23muitos e muitas
30:25trabalhadores
30:25e trabalhadoras
30:26e estudantes
30:27também,
30:27sabe?
30:28Então,
30:29é essa conexão
30:30que a gente busca,
30:31as pessoas,
30:32é a maior coisa
30:34que a gente tem
30:35dentro de um cenário,
30:37dentro de um mercado,
30:38de uma indústria,
30:39é a conexão real,
30:40né?
30:41Real com as pessoas
30:41com muito respeito,
30:43com o fã
30:44e com a fã,
30:46a ponto deles sentirem
30:48que eles são de fato
30:49respeitados
30:49e bem quistos
30:50próximos da gente.
30:55E dentro dessas ideias
30:57que a gente falou,
30:58você falou de levar
30:59até o fã,
31:00eu vi até alguns artistas
31:01buscando alguns caminhos
31:03alternativos,
31:04tipo,
31:05não sei se chegou a ver
31:06o Rod do 3030
31:07vendendo o próprio disco,
31:09aí que a pessoa
31:10acessa o link
31:11e vai para uma
31:12plataforma própria,
31:14nessa coisa
31:15dos algoritmos,
31:16como que você enxerga
31:17essas movimentações,
31:18por exemplo?
31:19Será que você já pensou
31:20algum dia em fazer
31:21algo fora do,
31:23aí é bastante
31:24fora do convencional mesmo?
31:27É,
31:28eu,
31:29o Rod é meu amigo
31:30e eu acho muito louco
31:32essa ação dele,
31:33cara,
31:33de muita coragem,
31:35muita ousadia
31:35e
31:36muita bravura,
31:38assim,
31:39acho muito louco
31:40o que ele fez.
31:42e aí eu digo
31:43que o nosso pensamento
31:44vai na mesma direção
31:45nesse momento,
31:46porque a comunicação
31:47com a rua,
31:49eu só estou tentando
31:50equilibrar as coisas,
31:52como que eu faço
31:52aqui e aqui,
31:54nessa ponta
31:55e nessa outra,
31:56estou tentando equilibrar
31:57nesse momento,
31:58porque eu acho que
32:02talvez o maior,
32:04não sei se o erro,
32:07por falta de palavra
32:08melhor,
32:08eu vou colocar o erro,
32:09mas não sei se é
32:10essa palavra,
32:11mas o erro
32:12ou o engano
32:13ou a ingenuidade
32:15que a gente cometeu
32:17foi passar
32:18a considerar
32:19este como
32:20o único caminho
32:22e eu acho
32:23que não é
32:23o único caminho,
32:25até porque
32:26antes de tudo
32:26que a gente vive
32:27hoje,
32:28as pessoas já vendiam
32:29milhões,
32:30dezenas de milhões,
32:31centenas de milhões
32:32de cópias de discos,
32:34né,
32:34de algo físico,
32:36então assim,
32:37era outro momento,
32:39era outra época,
32:40óbvio,
32:41mas o que isso me mostra
32:42é que tem um meio
32:44de comunicação lá,
32:46eu observo muitas ações,
32:48recentemente,
32:49observando as ações
32:50do Jay-Z
32:51para esses shows
32:51que eles estão fazendo
32:52lá,
32:53lá fora,
32:54e observando como
32:56a estratégia deles
32:57não envolve
32:58exatamente
32:58rede social,
32:59porque o Jay-Z
33:00não posta nada,
33:02e aí,
33:02pô,
33:03é lógico que ao Jay-Z
33:04tudo que o cara faz
33:05reverbera,
33:05né,
33:06tem muito dinheiro
33:07envolvido,
33:08o cara é bilionário,
33:09tem muito dinheiro
33:09envolvido,
33:11mas eu vou na raiz
33:12disso, né,
33:13eu vou pensar,
33:14pô,
33:15tudo isso aí
33:16é a página 2,
33:17mas a página 1
33:18é a dinâmica
33:19de você imaginar
33:20uma estratégia
33:21que não envolva
33:22a rede social,
33:23uma estratégia
33:23que primeiro
33:24fala com a rua,
33:25cara,
33:26olha que louco isso,
33:27você pensar
33:27esse 2026,
33:29vamos bolar uma estratégia
33:30que não envolva
33:30a rede social,
33:31não é possível
33:32pra mim,
33:33pro Rashid,
33:33não é tangível,
33:35não é sensato também,
33:37mas,
33:38e se a gente
33:39se a gente bolar
33:40uma estratégia
33:41que envolva
33:42muita rua também,
33:43e não a rua
33:44de um jeito
33:45que ela sirva
33:45de palanque
33:46pra rede social,
33:47tipo,
33:48vou fazer uma coisa
33:48na rua
33:49pra poder filmar
33:49e levar pra rede social,
33:51não,
33:51a rua
33:52de um jeito
33:52que ela circule
33:53na rua,
33:54uma coisa
33:55está circulando aqui
33:56e outra coisa
33:56está circulando aqui,
33:57vez ou outra
33:58essas duas coisas
33:59vão convergir,
34:00vão se encontrar,
34:00às vezes
34:01não vão se encontrar,
34:02mas a gente
34:03está se comunicando
34:03dos dois lados,
34:05entendeu?
34:06Então,
34:06eu fiquei pensando
34:07muito nessa dinâmica
34:08de,
34:09pô,
34:09que coisa louca
34:10você pensar
34:11só na rua,
34:12pensar na rua
34:13como uma coisa
34:14isolada,
34:15não,
34:16olha,
34:16vou ali,
34:17vou fazer tal coisa
34:17só pra poder tirar
34:18uma foto
34:19e postar
34:19no meu Instagram
34:20depois,
34:20não,
34:20vou fazer na rua
34:21porque é pra quem
34:22está na rua,
34:23pessoa que desceu
34:24do ônibus,
34:25a pessoa que,
34:26sabe,
34:27está ali,
34:27parou pra almoçar,
34:29a pessoa que pegou
34:29um Uber,
34:30a pessoa que passou
34:30de bike,
34:31o entregador
34:32que passou de moto,
34:33é com essas pessoas
34:34que eu quero me comunicar lá
34:35e aqui,
34:37eu estou falando
34:37com outras pessoas,
34:39entendeu?
34:40Então,
34:40é uma,
34:41é um jeito de pensar,
34:43eu acho que
34:43o que eu estou tentando
34:45fazer é equilibrar
34:48e me inspirar,
34:50óbvio,
34:50em ações como essa,
34:51como essas que são extremas,
34:53né,
34:53a do Rod
34:54e a do Jay-Z,
34:56e,
34:57dois extremos,
34:58assim,
34:58de uma ideia,
35:00me inspirar nessas ações,
35:02tentando equilibrar
35:03e fazer essa comunicação
35:04geral,
35:05e,
35:06mas como eu falei,
35:07né,
35:07muito voltado pra rua
35:08nesse projeto mesmo,
35:09de fato.
35:11Bom,
35:12legal demais,
35:13e,
35:14queria saber se você planeja
35:16fazer uma turnê
35:17pro álbum,
35:19a gente sabe que teve um evento
35:20muito bacana
35:21de lançamento,
35:23mas,
35:24uma turnê,
35:25algo que você planeja,
35:26o álbum já passou
35:27de um milhão de streams,
35:30então,
35:31tem tido uma repercussão
35:32muito bacana,
35:33perguntar também se,
35:35pessoal,
35:35da virada,
35:36pode esperar
35:37no set list.
35:40Muito bom,
35:41não,
35:41a turnê,
35:42com certeza,
35:43inclusive,
35:44já tem conversas
35:45pra BH
35:45para a turnê,
35:47esse show de agora,
35:48de sábado,
35:49ainda não é da turnê,
35:51mas,
35:51eu quero fazer alguma coisa
35:52do disco novo,
35:53sim,
35:55mas,
35:55eu vou sentir o público,
35:56eu já preparei,
35:57o que eu quero fazer
35:58já tá preparado,
35:58eu vou sentir o público
36:00ali na hora,
36:00ver se eu tenho esse espaço
36:02pra fazer a música
36:02do disco novo.
36:04tá com dois e sete lixo,
36:06tira na hora,
36:07esse aqui.
36:10Exatamente,
36:10já foi ficar com a carta
36:11na manga,
36:13então,
36:14já tô com isso na manga,
36:16os DJs já estão ligados,
36:18mas aí,
36:19a gente já tá com conversa,
36:20sim,
36:21até pra BH,
36:21pra própria turnê do disco,
36:23que começa em setembro,
36:25aqui em São Paulo,
36:26logo mais,
36:26a gente vai divulgando
36:28as datas,
36:29né,
36:29mas começa
36:30no dia 12 de setembro
36:32em São Paulo,
36:33e eu espero conseguir
36:34passar por muitos locais aí,
36:37poder trocar ideia
36:37com as pessoas,
36:38cantar essas músicas
36:39que são muito especiais
36:40e fazer um espetáculo
36:42de rap,
36:43mesmo,
36:44onde quer que a gente passe.
36:48Certinho.
36:49Rashid,
36:50eu queria agradecer muito
36:52eu e a Bia,
36:53é uma grande oportunidade
36:54pra gente estar falando
36:55com você,
36:56meu caso,
36:56mais uma vez,
36:57eu tenho a história,
36:58eu falei curiosamente
36:59ali do Tão Real mais cedo,
37:00porque em 2019,
37:02quando eu tava bem no começo,
37:03eu tava com 18 anos,
37:05eu fiz uma entrevista
37:06com você na época
37:07do Tão Real,
37:08e você tava começando
37:10a lançar,
37:10né,
37:10dividido,
37:11e depois no Poetas no Topo
37:13eu fiz outra,
37:14então assim,
37:15pra mim,
37:16é um reencontro,
37:17assim, né,
37:17depois de alguns anos,
37:19muito bacana.
37:21Da hora demais,
37:22obrigado,
37:22gente,
37:22obrigado você,
37:23obrigado a Bia também,
37:25muito bom,
37:26obrigado pelo espaço,
37:27por poder trocar essa ideia,
37:28e vamos que vamos,
37:29eu vejo vocês no show também.
37:32Pra deixar pra gente,
37:33foi um prazer,
37:34muito interessante,
37:35obrigado pela disponibilidade,
37:37foi um prazer ter essa conversa,
37:39muito interessante,
37:40todo o seu trabalho,
37:41tenho certeza que você vai entregar
37:42bastante nessa virada,
37:45e também na BDA.
37:47Obrigado,
37:48gente,
37:48tamo junto,
37:48forte abraço.
37:50Divirta-se,
37:51divirta-se,
37:52divirta-se,
37:52divirta-se.
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