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  • há 1 dia
A República Democrática do Congo enfrenta seu 17º e maior surto de ebola, com mais de 4,7 mil casos confirmados. Em entrevista ao Correio, o epidemiologista Pierre Akilimali afirmou que a resposta atual mantém a doença sob controle, apesar da letalidade do vírus. Segundo ele, o medo e o estigma são os maiores desafios do combate à crise.

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📽️ Rodrigo Craveiro/CB/DA Press

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Transcrição
00:00A República Democrática do Congo enfrenta o 17º e maior surto de ebola de sua história,
00:07com seis províncias afetadas e milhares de casos confirmados.
00:12A análise é do epidemiologista congolês Pierre Aquilimali, vice-gerente de incidentes em resposta ao ebola
00:21e chefe da Vigilância e Monitoramento do Surto.
00:25Em entrevista ao Correio Brasiliense, Aquilimali explicou que o vírus ebola, em circulação no país africano,
00:32é chamado de Bundibugio, menos letal que o Zaire, que causou uma catástrofe na África Ocidental entre 2014 e 2016.
00:43Aquilimali me disse, abre aspas,
00:45A doença não está fora de controle. Mantemos uma cobertura de 82% em contatos rastreados.
00:54Nossos laboratórios confirmam as infecções rapidamente, mas não vou minimizar o custo humano.
01:01Nossa avaliação honesta hoje é que a resposta atual mantém o surto sob controle.
01:07As próximas semanas decidirão se conseguiremos manter esse controle.
01:12Fecha aspas.
01:13O epidemiologista congolês afirmou que até 13 de agosto tinham sido registrados 4.727 casas de ebola e 2.214
01:25mortes,
01:26uma taxa de letalidade de 46,8%.
01:30Cerca de mil infectados conseguiram se recuperar.
01:34Aquilimali lembrou que, por trás de cada caso, existe uma pessoa, há uma família e uma comunidade.
01:41Segundo ele, um caso anunciado é também o início de uma esperança.
01:47Isso porque, assim que uma infecção é conhecida, ela pode ser tratada e a cadeia de contágios interrompida.
01:55Para Aquilimali, dois fatores são os mais assustadores no ebola.
01:59Os sintomas e o estigma.
02:02Ele me disse, abre aspas,
02:03É uma doença grave e rápida, com vômitos, exaustão e, nos casos mais graves, sangramento e uma alta taxa de
02:13mortalidade.
02:14Mas o que me assusta mais, depois de anos de trabalho nessa área, não é a febre, é a sombra
02:21que a doença projeta.
02:23Ela faz com que as pessoas tenham medo de tocarem quem amam, de cuidar dos seus doentes,
02:28de sepultar os seus mortos com dignidade.
02:32Ela transforma uma cultura calorosa e comunitária em uma cultura de desconfiança
02:38e impõe vergonha aos sobreviventes que se recuperaram e não representam mais risco para ninguém.
02:46A coisa mais difícil de controlar em qualquer surto não é o vírus,
02:50é o medo e a desconfiança que se espalham à frente dele.
02:55Rodrigo Craveiro para o Correio Brasiliense.
02:58Rodrigo Craveiro para o Correio Brasiliense.
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