Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 7 horas
O Dia da Lei Maria da Penha é celebrado em 7 de agosto, data que marca a sanção da Lei nº 11.340 em 2006. O mês inteiro é dedicado à campanha Agosto Lilás, voltada para a conscientização e o combate à violência doméstica e familiar contra a mulher.

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Oi pessoal, eu sou Helene Silva, jornalista aqui na Rede Gazeta
00:04e gostaria de dar um recado hoje pra vocês.
00:06Estamos comemorando 20 anos de uma lei que mudou a história de nós mulheres,
00:10a Lei Maria da Penha.
00:11E nesses recados a gente queria valorizar você, mulher,
00:14que está hoje em sofrimento, que conhece alguma mulher que também está sofrendo.
00:19A primeira coisa, a violência física não começa na primeira agressão,
00:23ela começa muito antes, nos xingamentos, no controle.
00:26Não perdoe nem um tapa, nada, quebre o ciclo da violência.
00:31Procure ajuda, denuncie.
00:33Acredite que a Lei Maria da Penha e a medida protetiva podem salvar a sua vida.
00:39Aliás, hoje a Maria da Penha está aqui pra te dar um recado.
00:43Ela e outras mulheres vão contar como conseguiram sobreviver a feminicídio e a outras violências.
00:49Eu sou muito grata a Deus e mesmo que eu tenha perdido a fé no início da minha luta por
00:58tudo o que aconteceu,
00:59hoje eu sou muito grata a Deus por ter substituído o ponto final da minha vida por uma vírgula.
01:08E nós estamos aqui juntos, escutando a minha história e espero que se emporajando pra nenhuma mulher deixar de lutar
01:18para obter a sua liberdade e a sua felicidade.
01:22Porque quando a violência acaba, a vida recomeça.
01:26Qualquer mulher que tenha numa situação de violência, não acredite no xingamento do agressor
01:37de que você é assim porque você é burra, porque você é isso, porque você é aquilo.
01:41Não.
01:42Você não está satisfeita com esse relacionamento porque você é humilhada,
01:47você é machucada, você não tem direito à voz na sua casa.
01:54Você procura uma amiga.
01:57Se você não tem essa amiga, liga para o 180, se informa sobre os seus direitos.
02:05Vá em qualquer local que tiver um estruturo, um centro de referência,
02:11a defensoria pública, o ministério público e dizer
02:14eu quero sair dessa situação, como eu faço?
02:18Olha, gente, história de perdoar homem que não presta,
02:25o cemitério está cheio de mulheres assassinadas.
02:30Então, eu acho que o feminicídio consegue quando a mulher pensa que não é capaz de se sustentar sozinha.
02:38Ela é capaz.
02:39Ela é capaz de viver bem.
02:41Ela não precisa ganhar milhões para viver bem.
02:43Ela precisa ter paz.
02:45Então, a gente não precisa estar perdoando quem não merece ser perdoado.
02:53Nós precisamos ter a nossa vida feliz, pobre, sem muito dinheiro,
03:00com dificuldades que todo mundo tem,
03:03mas nós precisamos viver e nossos filhos precisam da gente.
03:08Depois que eu fui vítima de um relacionamento abusivo,
03:12eu acho que um dos motivos pelos quais eu fui vítima era a autoestima baixa.
03:18Por isso, eu acho muito importante a mulher estar com uma autoestima forte,
03:22a confiança nela mesma muito forte.
03:26Sobre o que eu faria diferente, ou não toleraria mais de um homem com o qual eu estivesse me relacionando,
03:33assim, são tantas coisas, tantas camadas, mas rapidamente eu consigo lembrar de não confundir ciúme com cuidado.
03:41Eu lembro que no começo ele nem era tão ciumento, assim, de não querer que eu fosse para a academia,
03:47essas coisas,
03:47mas no começo começou se implicando com roupa.
03:51Aí você não acha que essa roupa não está legal?
03:53Você não acha melhor botar uma roupa mais assim, assado?
03:56E aí ele falava que era para me proteger, que estava sendo, né, cuidando de mim, e não é.
04:02Era ciúme, era controle.
04:04Ele também falava, implicava com algumas amigas, né,
04:10falava que elas tinham inveja de mim, imagina.
04:13Ele é que queria me afastar das pessoas que eu gostava.
04:20Também perceber as pequenas, né, agressões.
04:25Por exemplo, numa briga ele me chamava de palavrões, palavrões horrorosos, né, que não vale a pena repetir,
04:33mas sabe, palavrões, assim, coisas que eu nunca vi, isso, não estava acostumada com aquilo.
04:39Aí eu ficava com raiva, brigava com ele, aí depois ele falava assim, pedia desculpa,
04:43e falava assim, ah, mas na hora da briga a gente fala mesmo, não tem essa de na hora da
04:47briga, fala mesmo, que é isso.
04:49Não pode faltar respeito nem na hora da briga.
04:52E também assim, ah, dava soco na parede, jogava alguma coisa no chão, não.
04:57Ah, não tem essa de, ah, mas não encostou em mim, então tá tudo bem.
05:01Não, não tá tudo bem, isso é um absurdo.
05:03Ficar nervosa a ponto de sair batendo nas coisas.
05:08E outra coisa, eu nunca mais me relacionei com ninguém que antes eu não pegasse o nome dessa pessoa e
05:14não fizesse uma pesquisa
05:15pra saber se tem passagem pela polícia, já foi preso por alguma coisa, eu nunca mais, eu sempre pesquisei antes.
05:23É um cuidado que a gente tem que ter se a pessoa não tem nenhum antecedente criminal, principalmente nessa área
05:31de violência doméstica, tá?
05:33Mas tudo, tudo influencia no caráter da pessoa, tá?
05:38E pra violência doméstica pode sempre ter uma primeira vez.
05:41Pode ser que alguma vítima não tenha denunciado antes, então não vale a pena.
05:45Hoje eu não aceitaria que ciúmes fosse chamado de amor.
05:50Não aceitaria controle disfarçado de cuidado.
05:55Humilhação tratada como brincadeira, nem medo fazendo parte de uma relação.
06:00Também não ficaria em silêncio diante da violência contra outra mulher.
06:06Com o tempo, a gente aprende que violência não começa necessariamente com uma agressão física.
06:12Ela pode começar quando alguém tenta controlar a sua roupa, o seu dinheiro, as suas amizades, as suas escolhas, a
06:20sua voz.
06:21Para as mulheres que conseguiram quebrar esse ciclo, eu quero deixar a minha admiração.
06:27E para quem ainda está tentando, reconhecer o que está acontecendo já é um passo importante.
06:33Nenhuma mulher precisa se diminuir para caber em uma relação.
06:38Amor não controla, não humilha e não causa medo.
06:42A lei Maria da Penha é um diferencial na vida de toda mulher brasileira.
06:46Toda mulher brasileira precisa dessa lei.
06:48É a terceira melhor lei do mundo em prevenção ao feminicídio.
06:53E eu queria dizer que a lei Maria da Penha fez um diferencial na minha vida.
06:56Ela me mostrou para mim quais eram as violências que eu vivia.
07:00Muitas das vezes nós mulheres não conseguimos reconhecer as violências que nós sofremos.
07:04Então eu vou dizer que você, o primeiro grito, o primeiro soco na parede, o primeiro esbarro, denuncie.
07:10Isso tudo são formas de violência psicológica, violências morais e outras mais.
07:15E um recado para todas as meninas, cuidado com quem você resolve for parceiro.
07:20Muitas das vezes o seu parceiro é um agressor, muitas das vezes o seu parceiro é um feminicida.
07:25Então assim, hoje em dia a gente tem que se atentar, porque nós somos o quinto país que mais mata
07:31mulheres no mundo.
07:32Então está na hora de a gente se precaver.
07:34A lei Maria da Penha estava aí para dar o suporte a todas nós.
07:37E que a gente possamos fazer um Brasil sem feminicídio, não para mim e para as pessoas da minha geração.
07:44Mas para as meninas que virão após nós.
Comentários

Recomendado