00:00Está sendo um grande turbilhão a estreia de Elis e Sombras de uma Mulher.
00:05Esse filme tem causado muito reboliço, assim como o caso,
00:09porque esse filme é um filme inspirado num caso verdadeiro de 2012
00:13sobre Elis e Matsunaga, que chocou o país.
00:16É um crime muito brutal.
00:18Eu acho que eu ainda não tenho a noção da dimensão desse filme,
00:22a dimensão desse caso.
00:33É um filme sobre um crime bárbaro.
00:36A gente não pode deixar de ver que a cena do crime foi um momento super desafiador para todos nós.
00:41A gente tinha ali a equipe fantástica da Marina Inês,
00:44uma arte absurda para construir todos aqueles cenários.
00:47A gente usou uma prótese para fazer o corpo do Marcos junto com o corpo do Henrique,
00:53a Vicky Garaventa e toda a equipe dela com a caracterização.
00:56O figurino da Márcia Nascimento é todo um cuidado muito grande,
01:01tudo com a luz fantástica da Alicia Astrodin.
01:04E tudo liderado pelo Velas nesse lugar, sabe?
01:07Então a gente tinha aí quase que uma orquestra que tinha que tocar toda junta
01:11numa cena tão densa, tão difícil, tão minuciosa.
01:15E a gente fez isso durante alguns dias.
01:18Todas as cenas do crime em si, o crime é muito longo no filme.
01:21Ele aparece em vários momentos do filme,
01:24mas ele foi feito em, tipo, vários dias.
01:27Agora, uma cena também que me atravessa muito nesse filme
01:30é a cena que a Elise finalmente conta que ela foi abusada pelo padrasto.
01:34E essa cena, assim, foi muito sensível para mim, assim, foi super difícil.
01:38Eu lembro que durante o processo, assim, eu tive algumas crises de choro, assim,
01:42eu tinha uns descarregos, assim, de emoção muito forte,
01:46porque é complexo, é difícil, né?
01:48Mas eu lembro também de chegar em casa exausta, muito cansada,
01:52tomar um banho e meio que liberar a energia para fora
01:55para eu poder viver a vida de Lorena também durante o processo.
01:58Você acha isso?
01:59Isso.
01:59Tá doida?
02:01Tá doida, tua filha é doida.
02:03Maluca.
02:04Teve cena na chuva, com muito frio, cena com cachorro,
02:08cena com cobra, cena com bebê, sempre muito delicada.
02:12Acho que foram vários momentos, assim, que são super, né, delicados, assim.
02:18E, ao mesmo tempo, que contam essa história tão bem, né?
02:22Então, assim, cada desafio que vem, eu acho que eu adoro um desafio como atriz e como pessoa.
02:28E eu me sinto uma pessoa muito corajosa, assim, eu gosto de enfrentar desafios.
02:33Mas, ao mesmo tempo, eu acho muito bom também esses desafios estarem no meu trabalho,
02:37estarem na tela de cinema, na tela da TV,
02:40para eu não precisar viver esses desafios na minha vida.
02:42Eu quero distância disso na minha vida.
02:46Olha, eu acho que esse filme, ele fala muito sobre círculos da violência, assim.
02:52Eu acho que em muitos sentidos, né?
02:54A gente tem uma personagem aí que sofreu uma violência muito bruta,
02:58desde pequena, assim, né?
03:00O abandono do pai, tem o abuso do padrasto.
03:03E essa mulher, que se torna prostituta ao longo do caminho,
03:05tem esse grande sonho de ter marido, de ter filho, de ter família.
03:09Ela que sente um abandono aí, de certa forma, da família,
03:12mas ainda tem o lastro e da tia, feita pela Denise Mayer, que é fantástica.
03:16Até que ela conhece Marcos, que é feito pelo ator Henrique Kimura,
03:21e eles se apaixonam em algum lugar e começam, o que seria uma história de amor.
03:25A dinâmica entre eles ali é muito tóxica.
03:30Então, eu acho que esse filme fala de temas como dinâmicas tóxicas de relacionamento.
03:35Eu acho que os temas e os porquês são vários fatores diferentes.
03:40Tem gênero, tem raça, tem classe social, resbala um pouco na prostituição,
03:45mas fala muito também dessa violência velada e não dita,
03:48que não necessariamente é a física, mas consegue te destruir por dentro.
03:52E eu acho que o filme também aborda temas importantíssimos sociais, assim,
03:55da gente falar, né? O machismo, o desarmamento.
03:59Eu acho que são temas que não necessariamente estão no filme ali muito frisados,
04:03mas a gente fala aí de um casal excêntrico que tinha um quartinho com 30 armas dentro de casa.
04:08Então, até que ponto será que esse crime não aconteceu porque haviam armas dentro dessa casa?
04:13Então, eu acho que são reflexões agora que são do público.
04:17Será que se a dinâmica entre esse casal fosse mais saudável,
04:23será que esse crime teria acontecido?
04:25Se houvesse diálogo, se houvesse ali um espaço de conversa, de olhar, de empatia,
04:31será que esse crime realmente iria acontecer?
04:34Se ela fosse um homem, será que esse crime ia ser retratado diferente?
04:38Se ele não fosse rico, será que esse crime seria tão grande quanto ele é?
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