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O Oratório Maria Estrela da Manhã, localizado no mesmo imóvel onde funciona o Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos (Muquifu), guarda um tesouro artístico singular: um afresco monumental que estende o olhar para a beleza das pessoas comuns, transformando os rostos da comunidade na própria expressão do sagrado. A capela abriga uma grande pintura mural denominada "Igreja das Santas Pretas", feita diretamente sobre as três paredes. Os cenários são os morros de BH e os personagens têm os traços, o tom de pele e o sorriso de 14 mulheres negras da própria comunidade.

Imagens: Ana Luiza Soares/EM

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Transcrição
00:00A motivação foi o desejo de que as nossas histórias enquanto pessoas negras
00:04podem estar também nos museus.
00:06Especificamente numa capela, nós também podemos representar os personagens bíblicos,
00:10pessoas sacras, religiosas, nesses espaços religiosos também.
00:14Um desafio é pensar que a maioria das igrejas representa pessoas brancas, europeias.
00:20É uma igreja, talvez a única em Belo Horizonte, que eu saiba,
00:23onde a iconografia toda representa pessoas negras.
00:26Sobre o trabalho que se chama Igreja das Santas Pretas,
00:30entender que essa perspectiva a partir do Padre Mauro,
00:35que vem de uma provocação, vem de uma transgressão,
00:39é exatamente aquilo que a gente precisa retomar no Brasil.
00:42Principalmente quando a gente fala a respeito das populações originárias, negras e indígenas.
00:47A gente precisa ouvir esses interlocutores, esses narradores,
00:51que são protagonistas das suas próprias histórias e não falar por eles.
00:56Então, é fazer uma reeducação na nossa cultura, na nossa vivência,
01:01na nossa perspectiva enquanto sociedade,
01:04para que ela se torne realmente uma sociedade igualitária
01:07e que contemple a todos e todas, sem distinção.
01:10Então, vamos lá.
01:10Obrigado.
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