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  • há 17 horas
O lago Poopó, na Bolívia, já foi o segundo maior lago do país. Hoje é um deserto de sal. O mar de Aral, na Ásia Central, perdeu mais de 90% do seu volume em cinquenta anos. O rio Colorado, nos Estados Unidos, mal chega ao oceano. Esses não são casos isolados — são sinais de uma transformação global em curso. Uma seca acontece quando uma região recebe muito menos chuva do que o esperado por um período prolongado. Isso reduz a umidade do solo, diminui o nível dos rios e esgota os aquíferos subterrâneos. O processo se retroalimenta: solo seco absorve menos água, o que reduz a evaporação local e enfraquece ainda mais a formação de nuvens de chuva. A história humana foi moldada por secas devastadoras. A Grande Seca dos anos 1930 transformou o centro dos Estados Unidos em um deserto de poeira, expulsando milhões de pessoas. No século IX, secas prolongadas contribuíram para o colapso de civilizações maias inteiras. No Sahel africano, nos anos 1970 e 1980, a seca matou centenas de milhares de pessoas por fome. As mudanças climáticas não criam as secas, mas as tornam mais intensas, mais longas e mais frequentes. O aumento da temperatura acelera a evaporação da água do solo e das reservas superficiais. Padrões de chuva se deslocam, deixando regiões inteiras sem a precipitação que tinham historicamente. A Europa registrou secas severas em 2003, 2018 e 2022, afetando safras em todo o continente. O Mediterrâneo, o oeste dos Estados Unidos, o nordeste brasileiro, o sul da África e partes da Austrália estão entre as regiões mais vulneráveis. Quando a seca persiste, a produção agrícola cai, os preços dos alimentos sobem e o abastecimento urbano entra em colapso. Cidades como Cidade do Cabo chegaram perto de ficar sem água encanada em 2018. Cientistas desenvolvem variedades de plantas mais resistentes à seca e sistemas de irrigação de alta eficiência. Países investem em dessalinização e reuso de água. Mas cada pessoa também contribui: consumir menos água, desperdiçar menos alimento e apoiar políticas climáticas sérias são ações concretas. A seca é um problema coletivo, e as respostas precisam ser à altura dessa escala.
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