Mais de três bilhões de pessoas carregam no bolso um aparelho que roda o mesmo sistema operacional. Isso significa que, neste exato momento, enquanto você assiste a este vídeo, a maioria dos smartphones ativos no planeta inteiro compartilha a mesma base de código. É difícil pensar em outra tecnologia com alcance parecido na história humana. Tudo começou em 2003, quando dois engenheiros chamados Andy Rubin e Rich Miner trabalhavam num projeto modesto, pensado originalmente para câmeras digitais. A ideia era criar um sistema inteligente que permitisse às câmeras se conectar à internet e sincronizar fotos automaticamente. O mercado de câmeras não se interessou, e o projeto quase morreu antes de ganhar qualquer forma. Em 2005, uma gigante do Vale do Silício enxergou potencial naquele código e comprou a empresa por cerca de cinquenta milhões de dólares. Na época, parecia uma aposta arriscada num mercado dominado por celulares com teclado físico. Dois anos depois, o primeiro aparelho com o sistema chegou às lojas e mudou completamente a lógica do setor. A disputa com o sistema da empresa da maçã dividiu o mercado ao longo dos anos 2010. Enquanto um lado apostava num ecossistema fechado e controlado, o outro se expandia por centenas de fabricantes diferentes. Hoje, o sistema aberto domina cerca de setenta e dois por cento do mercado global, enquanto o concorrente controla a maior parte dos vinte e oito por cento restantes. Por anos, as versões receberam nomes de sobremesas em ordem alfabética, de Cupcake a Pie. O mascote verde, chamado simplesmente de Bugdroid, foi criado pela designer Irina Blok e virou símbolo instantâneo. Versões antigas escondiam easter eggs curiosos: tocar repetidamente no número da versão revelava animações secretas e jogos escondidos no próprio sistema. Hoje, o sistema roda em mais de três bilhões de dispositivos ativos e domina mercados emergentes na África, Ásia e América Latina, onde aparelhos acessíveis democratizaram o acesso à internet. Com inteligência artificial cada vez mais integrada ao núcleo do sistema, a próxima fase promete transformar o smartphone num assistente verdadeiramente pessoal. A história desse sistema ainda está sendo escrita.
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