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  • há 2 dias
Imagine estar a 65 metros abaixo das ruas de São Paulo. Essa profundidade equivale a um prédio de 20 andares virado de cabeça para baixo. É exatamente aí que está sendo construída a Linha 6 do metrô paulistano, a mais profunda de toda a América Latina. Escavar sob uma metrópole já construída é um desafio enorme. O subsolo de São Paulo é cheio de fundações de edifícios, redes de água, esgoto e gás. Por isso, os túneis precisam passar por baixo de tudo isso, o que empurra a escavação para camadas cada vez mais profundas do solo. Para abrir esses túneis, são usadas tuneladoras, máquinas cilíndricas gigantescas que giram lentamente enquanto cortam a rocha e o solo. Ao mesmo tempo, elas instalam anéis de concreto que formam as paredes do túnel. É um processo contínuo, preciso e silencioso para quem está na superfície. O metrô de São Paulo tem história. A Linha 1, a Azul, foi inaugurada em 1974 e foi a primeira da América do Sul. Desde então, a rede cresceu até hoje contar com seis linhas em operação. A Linha 6 representa um novo salto nessa trajetória, tanto em profundidade quanto em complexidade técnica. Metrôs profundos existem em outras partes do mundo. Em Kiev, na Ucrânia, algumas estações chegam a 100 metros de profundidade. Em Moscou e Nápoles, a engenharia subterrânea também impressiona. A Linha 6 de São Paulo entra nesse seleto grupo de sistemas que desafiam os limites do que é possível construir sob o solo urbano. Quando estiver pronta, a Linha 6 vai conectar bairros como Brasilândia, Higienópolis e o centro expandido, beneficiando cerca de 630 mil passageiros por dia. A previsão é que as primeiras estações comecem a operar nos próximos anos. Uma cidade que cresce para baixo para liberar espaço lá em cima.
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