00:00Como é que o cérebro bilíngue processa idiomas diferentes?
00:03Essa é uma questão investigada há anos pela neurociência,
00:05que se divide basicamente em dois times.
00:07Um deles acredita que o cérebro gera um mecanismo neural distinto
00:11para lidar com cada língua.
00:12Já o outro sugere que ele cria um único mecanismo neural,
00:15que é reutilizado para processar qualquer idioma que a gente venha aprender.
00:19A maioria dos estudos focava em checar como o cérebro se comporta
00:22ao ler ou ouvir palavras em diferentes línguas.
00:25Até que pesquisadores da Universidade de Nova York decidiram dar um passo além.
00:28Testar como ele lida com operações gramaticais em tempo real.
00:31Para isso, eles recrutaram 23 adultos fluentes em inglês e espanhol
00:35e usaram aparelho de magnetoencefalografia
00:37para medir cada milissegundo da atividade cerebral deles durante o experimento.
00:41O desafio consistia em ouvir diferentes palavras
00:44e, de acordo com a ordem dos pesquisadores,
00:46passá-las do singular para o plural, do plural para o singular,
00:49ou simplesmente repeti-las.
00:50Por exemplo, se o voluntário ouvisse boats, seguido de one,
00:54deveria responder boat.
00:55Se houvesse barco seguido de dos, a resposta deveria ser barcos.
00:59Já se fosse táxi seguido de de ou sei, era só repetir táxi.
01:03Os cientistas até criaram palavras falsas
01:05para garantir que o cérebro estava de fato fazendo as operações gramaticais
01:08e não apenas se lembrando de palavras que já conhecia.
01:10E o resultado foi este artigo aqui,
01:12que concluiu que, independentemente do idioma,
01:14o cérebro ativa a mesma rede neural,
01:16localizada na região frontotemporal esquerda,
01:19como se ele tivesse um hardware gramatical universal
01:21para processar todos os idiomas,
01:23e não um aplicativo específico para cada um.
01:25Claro que isso tudo tem suas limitações.
01:27Afinal, o inglês e o espanhol usam o mesmo método para o plural,
01:30adição de um sufixo ao fim da palavra.
01:32Mas, segundo os pesquisadores, a escolha foi intencional,
01:35para que eles pudessem manter a forma fonológica constante
01:38e variar apenas os idiomas.
01:40Ou seja, o cérebro podia realizar a mesma tarefa física,
01:43adicionar um S,
01:44mas em contextos linguísticos diferentes.
01:46Resta saber se ele usaria o mesmo hardware
01:48para processar línguas que formam um plural de maneiras diferentes,
01:51como o alemão,
01:52que muitas vezes modifica a raiz
01:54e está no repertório de um dos autores,
01:55ou idiomas que possuem estruturas, sistemas
01:58e até mesmo alfabetos diferentes,
02:00como o mandarim,
02:01que faz parte do domínio da outra autora.
02:03Os dois integram um laboratório de neurociência
02:05do multilinguismo da Universidade de Nova York,
02:07que reúne pesquisadores de origens diversas
02:09para investigar como o cérebro processa a linguagem.
02:12E chegou até a criar uma calculadora
02:13para medir o seu nível de multilinguismo,
02:16cujo link eu vou deixar aqui na descrição do vídeo
02:18para você poder testar.
02:19Mas volta para contar os resultados aqui nos comentários, hein?
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