00:11Olá pessoal, tudo bem? Espero que todos estejam bem, dando continuidade à leitura da obra
00:17Fenômeno UFO. Hoje eu gostaria de apresentar para vocês o seguinte título,
00:25a ascendência extraterrestre. O movimento dos contatados teve impacto que se alastrou de forma
00:33surpreendente nos círculos de cultura popular nas décadas de 1950 e 1960. Em termos do fenômeno UFO,
00:42porém, seu efeito mais significativo foi o ímpeto que deu a crença de que os UFOs eram, por definição,
00:49espaçonaves de outro planeta, pilotados por seres cujo progresso estava muito mais avançado que o da
00:57humanidade terrestre. Os contatados, enfim, completavam o trabalho iniciado por Raymond Palmer e seus colegas
01:06editores de Pope. Em meados dos anos de 1950, a hipótese extraterrestre, que na onda original de 1947
01:14era aceita por uma minoria, tornou-se a explicação básica para os objetos desconhecidos avistados
01:22acima da superfície da Terra. Embora as organizações de contatados e os grupos de pesquisa ufológica mais
01:30respeitáveis, como a APRO, não concordassem quase nada a respeito do fenômeno, ambos presumiam como fato
01:39consumado que os UFOs deviam vir do espaço sideral. Ironicamente, mesmo as pessoas que rejeitavam tudo,
01:48dizendo que não passava de absurdo, e a maioria das pessoas nas décadas de 1950 e 1960 faziam isso,
01:57associar os UFOs a espaçonaves extraterrestres, com a mesma prontidão de Donald Keyhole e George
02:05Adansky. Simplesmente insistiam que naves extraterrestres não existiam, portanto os UFOs também não podiam existir.
02:16Pouquíssimas pessoas, entretanto, assumiam um papel ativo nessa discussão naqueles anos. A única exceção
02:23significativa foi o astrônomo de Harvard, Donald Menzel, cujo primeiro livro definendo a hipótese
02:30nula foi lançado em 1953 e reescrito com o auxílio do co-autor Lyle J. Bord, em prece em 1963.
02:42O ataque de Menzel à hipótese extraterrestre se baseava principalmente em argumentos nada convincentes,
02:48que envolviam óptica atmosférica, poucos dos quais encontravam apoio dentro da própria comunidade
02:55científica. Ele permitia que as pessoas que já não acreditavam na existência dos UFOs justificassem
03:03seu posicionamento, mas não atraiam os defensores do outro lado. A forte ironia era que a maioria dos
03:11livros extravagantes publicados para defender hipóteses extraterrestres, naquela época pregava
03:17para seus próprios partidários com a mesma veemência. Entretanto, uma nota dissonante
03:24veio do outro lado do Atlântico. Nos últimos anos de sua vida, o brilhante psicólogo suíço
03:30Carl Jung ficou fascinado com os relatos do fenômeno UFO que vinham da América e coletou informações
03:37de todas as fontes que encontrou. A possibilidade de visitas de outros mundos, porém, parecia
03:43muito menos importante para ele do que a dimensão psicológica do fenômeno.
03:50Em seu livro de 1958, Disco Os Voadores, o mito moderno de Coisas Vistas nos Céus, ele estabeleceu
03:58uma distinção crucial entre a realidade física dos UFOs, não importa o que fossem, e a mitologia rica e complexa
04:06e se formava em torno deles.
04:12Quanto à existência física dos UFOs, ressaltava Jung, quase nada se sabe com certeza. Se os UFOs refletiam
04:19as necessidades psicológicas, os medos e desejos humanos, porém, muito mais já se podia afirmar.
04:26E ele explica no livro que os discos voadores preencheam o vazio à psique moderna.
04:33As pessoas instruídas para acreditar na ciência mais do que na espiritualidade não eram capazes
04:38de abordar os símbolos velhos com a mente aberta.
04:43Portanto, os salvadores, anjos e demônios da fé tradicional vestiam agora trazes espaciais
04:49para atrair a atenção de um público contemporâneo.
04:53As profundezas da Guerra Fria, uma ameaça de confronto nuclear entre Rússia e Estados Unidos,
05:00presentes na mente de todos, as mesmas necessidades emocionais que culminavam na crença
05:06da iminente segunda vida de Cristo em períodos anteriores, alcançavam o estado febril.
05:12Entravam em cena os discos voadores.
05:16A visão e perspectiva de Jung sobre o fenômeno UFO, porém, não foi captada por nenhum dos lados
05:23do emergente debate ufológico.
05:26O boletim da APRO publicou, inclusive, um artigo alegando que Jung afirmava a realidade dos UFOs
05:31e que ele negou imediatamente em uma declaração imprensa.
05:35Mais uma década de avistamento de UFOs e um aumento na estranheza do fenômeno em si
05:41foram necessários para colocar as visões de Jung, ao menos por algum tempo, no palco central.
05:49Enquanto esses debates prosseguiam, outra série de eventos cruciais se desenrolavam,
05:55embora sua relevância para a controvérsia em torno dos UFOs só fosse percebida dali a vários anos.
06:01Em 1954, a unidade de produção de aeronaves secretas da Lockheed Aviation, os lendados Kunk Works,
06:12assinou um contrato para construir o primeiro grupo de novos e revolucionários aviões de reconhecimento para a CIA.
06:20O U-2, como foi chamado a aeronave, combinava asas de planador com um novo motor de alto desempenho
06:28que lhe permitia voar acima de 18.288 metros, distante do alcance de caças OX ou mísseis antiaéreos.
06:42Projetado e construído em segredo total, o U-2 precisava de um local isolado para seus testes e exercícios de
06:49treino com os pilotos.
06:51Em janeiro de 1955, alguns meses antes de os primeiros voos do U-2 serem definidos,
06:58o piloto-chefe de teste Tony Leavier e o chefe da tripulação Dorsey Cammeryer
07:07encontraram o lugar perfeito para a base secreta, o solo seco do lago Grum, em Nevada,
07:13um local cercado por montanhas pertencentes a terras federais no meio do deserto de Nevada.
07:21Décadas mais tarde ficaria conhecido como Área 51.
07:26Então, pessoal, essa foi a live de hoje.
07:28Eu agradeço, então, pela atenção de todos e até breve.
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