00:14E hoje eu sou aqui para conversar com vocês sobre um tema que muito me agrada, que é a síndrome
00:20cardiorrenal. Falando sobre a síndrome cardiorrenal, o que é a síndrome cardiorrenal? A síndrome
00:26cardiorrenal é quando o coração e o rim, um interferem no funcionamento do outro. Como
00:32que a gente pode entender o que é a síndrome cardiorrenal? Imaginem que o coração é uma
00:37bomba, imaginem na cidade o coração sendo a bomba de puxar a água e o rim sendo o centro
00:48de purificação da água, o centro de terapia da água. Então o que acontece? Quando a
00:56gente tem uma falha da bomba, vai chegar menos água lá no centro de tratamento de água.
01:03E isso faz com que os filtros do centro de tratamento de água diminuam sua função, reduzindo a
01:09função do tratamento de água. Do mesmo jeito, imagina o contrário, imagina que a bomba está
01:17funcionando bem, mas o filtro do centro de tratamento de água não está funcionando bem. Aumenta
01:25pressão em todo o sistema de água retornando até a bomba de água, fazendo com que essa bomba de água
01:31tenha que trabalhar num trabalho muito mais esforçado, fazendo com que seu ritmo de trabalho
01:37decaia muito. Isso é o que acontece na síndrome cardiorrenal. E a gente tem cinco tipos de síndrome
01:45cardiorrenal. A gente tem o tipo 1, onde a gente tem uma lesão no coração aguda que causa uma lesão
01:51aguda no rim. A gente tem o tipo 2, onde a gente tem uma lesão no coração crônica que causa
02:00uma lesão
02:01no rim aguda. A gente tem o tipo 3, onde a gente tem uma lesão renal aguda, aí é o
02:07rim que sofre agudamente
02:09e começa a fazer uma lesão cardíaca aguda. E a gente tem o tipo 4, que a gente tem uma
02:15lesão crônica
02:17no rim, uma doença renal crônica causando uma doença cardíaca crônica, tá? E o tipo 5, quando a gente tem
02:26uma manifestação sistêmica, uma doença sistêmica que causa lesão ao mesmo tempo no coração e no rim.
02:35Como, por exemplo, lúpus, amiloidose, sarcoidose. E quais são os sintomas que o paciente tem quando tem uma
02:42síndrome cardiorrenal? Esse paciente tem retenção de líquido, diminuição da diurese, congestão pulmonar, tá?
02:51Esse paciente tem ortopneia, dispneia, cansaço aos mínimos esforços. Tudo isso levanta pra gente a hipótese
03:00desses pacientes atendendo o distúrbio do coração e que pode estar acometendo o rim, tá?
03:06Quais são os exames que eu faço para poder diagnosticar a síndrome cardiorrenal?
03:13Principalmente o ecocardiograma, pra gente ver a função do coração e uma creatinina e uma ureia
03:19pra gente ver a função do rim, tá? E quem deve acompanhar esse paciente?
03:25Quem deve acompanhar é o nefrologista junto com o cardiologista, em uma equipe multidisciplinar,
03:32que é onde o paciente receberá seu maior benefício. E quem são os pacientes que estão em risco
03:37de desenvolvimento de uma síndrome cardiorrenal? Os pacientes que já têm doença cardíaca,
03:43aquele paciente que infartou, o paciente que tem insuficiência cardíaca, os pacientes que já têm
03:50doença no rim, então o paciente que tem doença renal crônica, o paciente que fez uma lesão
03:57renal aguda na UTI, né? E os pacientes hipertensos, obesos, tabagistas, diabéticos, esses são pacientes
04:07que têm um risco aumentado no desenvolvimento cardiorrenal, da síndrome cardiorrenal, tá?
04:13E qual é o tratamento? O tratamento é baseado na equipe multidisciplinar, com o nefrologista
04:19e com o cardiologista, otimização dos medicamentos para os disúrbios do coração e otimização
04:30das medicações e da proposta terapêutica para a melhora do rim.
04:34Hoje a gente tem um medicamento que mudou muito a evolução desses pacientes, que é o ISGLT2,
04:40ou seja, adapaglifosina, empaglifosina, foram medicamentos que vieram para melhorar muito
04:48a proteção cardiorrenal, tá? E esses pacientes evoluem com muito menos descompensação
04:55do que antes da exercência desses medicamentos.
05:04Saúde da gente, oferecimento, Hospital Beneficência Portuguesa, 166 anos de amor à vida.