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  • há 10 horas

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Transcrição
00:00Eu fui a oitava mulher negra, a oitava escritora negra a publicar um romance no Brasil.
00:07A primeira foi a Maria Firmina dos Reis, em 1853, com o romance Úrsula.
00:12E aí só seis, até 2006, só seis outras escritoras negras publicaram um romance no Brasil.
00:21E a partir desse momento, eu acho que essa primeira década do século XXI,
00:27o mercado entendeu essa necessidade de atender a um público que queria ler essa história,
00:36que queria conhecer a sua própria história, que queria conhecer a história dos seus antepassados.
00:41Então, alguma coisa mudou ali naquele momento.
00:44E eu sou muito feliz de o Defeito de Cor ter ajudado a construir esse momento
00:52que hoje leva a gente, por exemplo, ao ano passado,
00:56numa eleição feita, eu acho que pelo jornal Folha de São Paulo,
01:02entre os dez livros eleitos como os melhores livros do século,
01:09se eu não me engano, seis eram escritos por pessoas não brancas.
01:14Então, o mercado, eu acho que descobriu, de certa forma,
01:19uma literatura que já vinha sendo feita há muito tempo,
01:22só que não estava aí recebendo a atenção que já merecia.
01:30Interessante o paralelo com a política de cotas.
01:33E, de fato, aqui no Rio Grande do Sul, ela foi implantada dois anos depois do lançamento de um Defeito
01:38de Cor.
01:38Já tinha algumas experiências no Rio de Janeiro, em Brasília,
01:41mas ainda muito incipiente.
01:43E as ações afirmativas, elas vêm para mudar o curso das coisas,
01:47para que não se perpetue algumas situações.
01:50Mas eu queria fazer uma pergunta no sentido contrário.
01:52Como é que a literatura faz com que o país enxergue a sua própria história,
01:56seu passado de outra forma,
01:58incluindo ali a literatura de ficção também?
02:01Obrigado.
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