00:00Você tem hoje, cara, um repertório tradicional da música de concerto.
00:04Então, vou dar um exemplo.
00:05Quinta de Beethoven, qual é a chance de você errar com ela?
00:08Zero.
00:09Ninguém vai falar que a Quinta de Beethoven é ruim.
00:12Primeiro que não é.
00:13Segundo que é uma obra monumental que tem que ser ouvida.
00:18Quem não conhece, a gente escuta, porque não dá para passar a vida sem ouvir isso.
00:22É uma maravilha.
00:23Então, assim, quando você tem repertório tradicional da sala de concerto,
00:26o seu poder de erro é muito pequeno,
00:28porque são obras que são cânones, você tem que ouvir mesmo.
00:34Agora, quando você propõe coisas como a Orquestra do Preto propõe,
00:38você entra na questão da ousadia,
00:42ela traz exatamente a novidade que não necessariamente pode ser boa.
00:46Então, há um risco.
00:48Esse risco é grande onda do trabalho da Orquestra do Preto.
00:51Vai correr ou não vai correr esse risco?
00:53Então, quando a gente fez, por exemplo, Nevermind,
00:58Por que Nevermind?
00:59Cara, primeiro eu ganhei esse disco quando eu era novo.
01:01E para quem nunca ouviu Nevermind, cara, eu só posso falar uma coisa, cara, escute Nevermind.
01:06Então, quando eu ganhei esse disco, cara, eu ia estudar violino com meus irmãos, né?
01:09E eu ficava ouvindo esse disco, assim, muito,
01:11que me impressionava muito essa questão do movimento grunge e tal.
01:15E anos depois, um dia eu falei com o Luiz Abreu, que trabalha lá comigo,
01:19e falei, cara, esse ano é 30 anos de Nevermind.
01:23Vou fazer um concerto no dia de lançamento.
01:25Cara, e a gente fez o concerto e quando a gente lançou o perfil do Nirvana no Twitter,
01:32ele colocou o link do nosso concerto.
01:35Acredita, velho?
01:35Foi outra coisa incrível que aconteceu.
01:37Eu nem sei te explicar.
01:38Ele falou, gente, uma orquestra em Ouro Preto comemorando os 30 anos de Nevermind no dia do concerto.
01:43Puf, botou o link lá, cara.
01:45Eu botava um concerto de bar para um amigo me ouvir, cara.
01:46Cara, mas você é muito bom, cara.
01:48E o cara, nossa, cara, onde que está esse problema, sacou?
01:51Que alguma pessoa não pode ouvir bar, por exemplo, não achar que aquilo é de...
01:54Então, existe uma questão, na minha opinião, que passa um pouco também, modernamente,
02:00por comunicação, sabe, velho?
02:02Pela sala de concerto e por essa coisa mais antiga que as orquestras têm, né?
02:08E mudou muito, mudou muito mesmo.
02:10Dos últimos anos para cá, mudou demais, né?
02:12Hoje as orquestras, elas interagem muito mais, elas estão com o público, elas estão nas redes sociais,
02:16se preocupam com o que vão oferecer, pensam em projetos e programas que possam trazer aquela plateia.
02:24Porque o cara, quando vem, sabe, vê um Beatles, por exemplo, ele volta e vê um Vila-Lobos.
02:29E isso...
02:29E isso...
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