00:00Este é o Espírito Santo.
00:01São as cinco pontes que ligam o continente.
00:04O cheiro puro das flores e enxergar.
00:06Uma pessoa forte, de personalidade muito forte.
00:09Marcante, bonita.
00:12Ela tinha força e ao mesmo tempo era suave.
00:16Decisiva, mas também por outro lado tinha um lado muito brincalhão da Maura.
00:21A Maura fazia performance, cantava nos corredores.
00:25A Maura cantava.
00:27A Maura cantava.
00:28Ela tinha uma presença de vídeo muito boa.
00:31E o fato de ser a primeira negra apresentando e já com os cabelos marcados como é hoje,
00:38naquela época ela já tinha isso.
00:40Ah, Maura, naquela TV Gazeta, é a Glória Maria Capixaba, é a Glória Maria Capixaba.
00:44E ficou, pegou.
00:45Ela ressaltava o fato de ser negra.
00:53A fabricação dos velhos doces africanos.
00:56A importância do trabalho da mulher na comunidade.
01:03A Maura já era, pra mim, né, aquele ícone do jornalismo.
01:08Eu já sabia quem era, já tinha ouvido falar.
01:11E eu tinha muita vergonha de gravar off perto dela, porque ela tinha aquela voz irretocável,
01:17aquela narração limpa, uma impostação muito segura.
01:24A Maura sempre foi apresentadora, né, da TV.
01:27Ela sempre foi.
01:28Eu era repórter de rua.
01:30E a Maura trabalhava de manhã, e eu também trabalhava de manhã.
01:35Então a minha relação com a Maura, que aliás foi onde eu conheci a Maura, foi na redação da TV.
01:40Mas foi passando o tempo, a gente descobriu que tínhamos coisas em comum.
01:45Nós somos cachoeirenses, nós somos bairristas.
01:50E a Maura tem um irmão, que também é da comunicação, tinha, né?
01:54O Cliveraldo Miranda, que é radialista, um radialista muito conhecido em Cachoeiro.
02:00A gente foi vendo que a gente tinha mais do que não tinha.
02:03Na verdade é isso, a gente tinha.
02:06E quando a gente ama, o amor, sabe assim, ele vem.
02:10Queira você.
02:12Ah, Júlio, ele acontece.
02:24Uma coisa muito importante na nossa relação foi a Maura me ajudando a me portar como mulher no jornalismo.
02:32E eu me lembro de uma situação.
02:34Eu fui fazer uma entrevista com uma autoridade, um político de alto escalão, fora daqui da Assembleia.
02:42E esse político passou a mão no meu braço e me disse, olhando nos meus olhos, que com os olhos
02:49que eu tinha, se eu quisesse, eu iria muito longe no jornalismo.
02:54Ele falou, basta querer.
02:56E aquilo me deu um nó na garganta, né?
02:58Eu não consegui respondê-lo.
03:00E cheguei aqui e contei para a Maura.
03:02Ela disse para mim que eu deveria ter respondido, que eu ia chegar longe sim, no jornalismo, pela minha capacidade,
03:10pela minha força de vontade, não pelos meus olhos claros.
03:14Naquela época, em 1978, 1979, nós não tínhamos teleprompter.
03:20Então, você lia com papel à sua frente.
03:23Você tinha que fazer esse movimento o tempo todo.
03:25Isso não era fácil.
03:26A Maura conseguia fazer esse movimento com mais naturalidade, com uma memorização do texto.
03:40Então, ela conseguia dialogar olhando para o telespectador por mais tempo do que os demais apresentadores.
03:48Ela era muito competente.
03:49Quando eu me lembro da Maura, eu me lembro dela segurando o óculos assim.
03:56Segurava o óculos de leitura sempre para cima e para baixo na mão assim.
04:01E eu acho que o mais fantástico da Maura, o que eu acho, era o amor que ela tinha pela
04:05profissão.
04:06Ela se dedicava muito.
04:07E ela também teve essa capacidade de alegrar os ambientes.
04:12Esse momento tenso que era a redação, a televisão, a correria.
04:16A Maura alegrava, né?
04:17Ela estava sempre alegre, estava sempre rindo, estava sempre bem-humorada.
04:21Eu me emociono em falar da Maura porque...
04:26Ela foi muito importante para mim, né?
04:28Não tem como ela não me emocionar, não falando dela.
04:31Muito importante.
04:32Ela era a minha...
04:34A pessoa que me ouvia.
04:37Era a pessoa que me ouvia.
04:41E ela vinha com essa sabedoria de vida, assim, com aquela vozinha e conquistava a gente.
04:47Que era uma novidade, né?
04:48A Glória Maria, quando surgiu na Rede Globo Nacional, foi um sucesso absoluto no Brasil todo.
04:53E a Maura foi aqui.
04:55Teve um tempo também que passou, vamos dizer, a fase da Glória Maria Capixaba, né?
05:00A primeira negra do Espírito Santo a apresentar a televisão.
05:03Aí o pessoal às vezes chamava ela de Mirandinha.
05:06Ô, Mirandinha!
05:07Ô, Mirandinha!
05:07Como é que vai você, Mirandinha?
05:09Tudo bem, Mirandinha?
05:10E ela campava com alegria, com entusiasmo e tal.
05:14A Maura foi uma pessoa fantástica, né?
05:16A pessoa que enche uma tela, sabe que quando ela tá na tela, só tá ela.
05:22É isso.
05:23O apresentador, ele tá na casa, ele vai pra casa do telespectador, né?
05:31Ele chegou lá, ele se aproximou e disse o seguinte a ele, olha, eu sou igual a você.
05:37Dessa democracia, que antes eu achava que era um pouquinho de ditadura, é fantástica.
05:46E aí
05:47E aí
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