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A presidente do Instituto Modus Vivendi é a entrevistada do RR Entrevista deste domingo (08), Dia Internacional da Mulher
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00:00R.R. Entrevista Erika Kunkel. Ela é a presidente do Instituto Modos Vivente, que trabalha com a preservação e a
00:10revitalização do patrimônio histórico e cultural do Espírito Santo.
00:28Bem-vinda, Erika! Uma honra ter você aqui comigo, nesse Mês Internacional da Mulher.
00:34Uma mulher que fez tanto pelo Estado nos últimos anos, desde a criação do Instituto Modos Vivente, que você me
00:41falou que foi lá em 2008, é isso?
00:43Sim, isso mesmo.
00:44Então, e a gente, gente, como que vocês estão vendo aqui, ó, quem tá nos vendo de casa, nós estamos
00:49num cenário muito especial hoje.
00:51É o Teatro Carlos Gomes. Ele, no fim do ano passado, foi entregue aos capixabas, totalmente restaurado.
00:58E estamos aqui com a dona deste restauro, que é a Erika.
01:01Então, Erika, eu queria começar falando um pouquinho como é que foi esse trabalho dessa nova cara que o teatro
01:10ganhou.
01:11Fala pra gente.
01:11Eu queria agradecer primeiro a oportunidade de estar aqui com você, montando a história, contando a história do teatro.
01:20Essa obra que nós entregamos no ano passado foi uma grande entrega para o Estado.
01:25Eu falo que não é só no nível arquitetônico, histórico não, mas no afetivo.
01:32O Teatro Carlos Gomes, ele faz parte da memória afetímodo e capixabo.
01:37E todos os nossos restauro, sabe, Renata, a gente faz um trabalho não só arquitetônico, não só histórico, mas também
01:45antropológico.
01:46E esse tanque não foi diferente.
01:49Nós fizemos uma pesquisa, uma vasta pesquisa da memória afetiva do capixabo.
01:54O que ele lembrava, quais as referências, né?
01:57Que estavam no imaginário.
01:59No imaginário deles, né?
02:00Às vezes, um tinha subido no palco, outro tinha ficado na plateia e outro tinha ficado no entorno, só.
02:06Vendo as pessoas entrando, saindo, o movimento acontecendo.
02:08Só que todas essas pessoas tinham uma afetividade muito bonita com o Teatro de Psi.
02:14Então, a partir daí, nós iniciamos essa obra de restauro e revitalização dele.
02:20E ele foi também readequado para o nosso novo uso, né?
02:25Porque a gente restaula até onde é possível.
02:28Restaula a memória, restaula a arquitetura, mas o novo uso, o uso contemporâneo, né?
02:32As novas instalações precisam ser atuais, precisam ser modernas.
02:37A gente sabe que essa obra, né?
02:40Quando foi entregue, foi muito festejada porque ele ficou quase em sete anos, né?
02:45Sem abrir as cortinas, essa cortina que a gente está falando aqui.
02:49Então, eu queria que você me falasse um pouquinho dos desafios que você encontrou aqui.
02:54Devia ter coisa difícil de mudar e você enfrentou e encarou.
02:58Fala um pouquinho desse bastidor que ninguém sabe.
03:00O que aconteceu aqui?
03:02Sim, ele ficou oito anos fechado, mas antes de estar fechado,
03:06também ele estava em uma condição precária de uso.
03:08Ele foi fechado porque ele foi interditado pelo bombeiro, inclusive.
03:12E a sua ação chegou?
03:13Chegou o caos.
03:13Chegou o caos, o galete.
03:15E era uma obra difícil, desafiadora.
03:18Porque a gente tinha toda essa parte de restauro, de adornos, restauro do lustre,
03:24restauro do teto, da pintura do Macena, que é maravilhosa.
03:27Mas também tinha da introdução de um elevador, cortar essas paredes.
03:34A equipe que cortou, que trabalhou os engenheiros, arquitetos, foi um trabalho árduo e muncioso.
03:42Então, nós tivemos o elevador da orquestra, nós temos a acessibilidade, a iluminação.
03:49Os banheiros, eu vi também.
03:51Os banheiros, os banheiros acessíveis, todos os banheiros passaram por esse processo.
03:55Além disso, o trabalho de pesquisa o tempo todo.
03:58Você vai falar assim, a Erika, teve situações difíceis.
04:02Teve muitas situações difíceis.
04:03Mãe.
04:04Situação da gente descobrir e precisar de mudar tudo.
04:07Descobrir alguma coisa e precisar de mudar todo o processo.
04:11Situações de restaurar o lustre e a pintura do Macena.
04:16Ficou coberto de andame por causa de segurança.
04:18Então, a gente fez dois anos.
04:22A situação mais difícil de tudo é essa.
04:24Fazer isso tudo, climatização, sonorização, iluminação, toramentos, restaurante de pinturas,
04:32piso, restaurante de cadeiras, o café, a situação do elevador, dos elevadores.
04:40Que bom que ele voltou.
04:42Continuando nas suas entregas recentes, além do teatro, tem uma também que me impactou muito, né?
04:49Que é no campo da cultura com a religião.
04:52Que foi lá a igreja de Reis Magos em Nova Almeida.
04:56Queria também que você contasse pra gente um pouquinho desse processo.
05:00Você recebeu o convite?
05:02Como é que começou e como é que terminou?
05:04Porque tá belíssima a igreja restaurada.
05:06Aquele projeto foi um presente na minha vida, um presente de Deus na minha vida, sabe?
05:11Porque eu tive a oportunidade nele de mostrar realmente o meu trabalho.
05:16De poder fazer pesquisas, de poder coordenar essas pesquisas, de poder coordenar um trabalho de museografia, discografia.
05:27Foi o kit completo da ética.
05:29É isso daí.
05:30Então, essa foi uma grande oportunidade que eu tive e isso foi, assim, realmente um presente.
05:34Eu recebi esse convite a partir do IPHAN, na época, que é o proprietário do município.
05:41Paga restaurar e coloca um uso.
05:43Porque é muito importante o restaurante, sabe?
05:46Só que o mais importante que eu restaula é o uso.
05:49É isso.
05:49Porque se você não tem o uso do monumento, você restaula, daqui a um tempo você tem que restaurar, restaurar,
05:56restaurar.
05:56O uso...
05:57Ninguém usufrui disso.
05:58Sim, mas o uso proporciona também uma manutenção pernável.
06:03Então, você coloca o monumento como ele tá vivo.
06:06Ele é o cuidado.
06:07Isso.
06:08Todo o tempo.
06:08Isso é da vida, é o monumento.
06:10Em Reismados, a gente tinha um projeto, um desafio, que foi cumprido.
06:16Em Reismados, em 2025, recebeu 100 mil visitantes.
06:19Olha.
06:20Um desafio...
06:21Que não verão.
06:22Não é?
06:22Um desafio de colocar o público lá dentro, de realizar ações educativas, de trazer um conhecimento,
06:27do monumento para o Capixaba.
06:29Muito bom.
06:30Então, esse desafio foi incrível.
06:32E lá nós fizemos um trabalho, né?
06:35De museografia, espografia, de...
06:37Um trabalho de...
06:38Tem obras de arte de artes capixabas, sim.
06:43Então, a gente fez um trabalho com a própria igreja, com a própria comunidade, na sala
06:48de pertencimento.
06:49Então, pra mim, lá foi um caso de monumento.
06:51E que eu acho que é muito gratificante você se doar num trabalho, porque você tem que
06:58realmente ter um testado.
06:59E o resultado da Inúmeros hoje, a gente fez Magos.
07:02E é isso.
07:03Eu acho que o Ex Magos, ele promete ainda trazer muita felicidade para aquele povo.
07:10Porque ele tem...
07:12Ele é um ativo cultural da cidade da Serra.
07:14Você falou aí uma coisa que me chamou a atenção, que é quando você, naquele monumento,
07:20você pôde mostrar todo o trabalho da Érica.
07:23E eu tenho uma curiosidade de saber, imagino que os meus espectadores também têm.
07:29É como que a Érica virou essa referência nessa área de presentação do patrimônio histórico.
07:37Como é que foi a sua formação até chegar aqui?
07:41Ninguém nunca me fez a pergunta.
07:42Pois é, eu tô aqui pra isso.
07:44E eu vou contar a verdade.
07:46Prometo, a verdade.
07:48Eu venho de uma família, meu pai gostava muito de cultura.
07:53Meu pai é um alemão aqui, advogado, que gostava, falava palha de idiomas, idiomas.
07:59Era um homem com culto.
08:01Um homem com culto.
08:01E me introduziu na cultura.
08:04Então eu estudei piano, estudei música.
08:07E seria essa a minha profissão, ser musicista.
08:11Na minha ideia, estudei.
08:13Aí eu casei.
08:15Tive três filhos, né?
08:17Girou diferente.
08:19Mas eu sempre gostei de cultura.
08:21Sempre me...
08:22Fui dedicando a isso.
08:24Depois comecei a trabalhar, inclusive, com shows, com eventos, né?
08:29Aí vim cantando, eu empresariaba a Ailin.
08:33Produzindo.
08:33Produzindo, sempre produzindo.
08:36E evento dá muita experiência.
08:39Porque a gente é um grande alabocatório.
08:42Depois eu entrei pro instituto.
08:44E aí eu conformei história.
08:47Mas não é isso.
08:49E eu acho que Deus me capacitou.
08:51Eu acho que assim...
08:52Deus me capacitou na vida pra fazer o que eu faço.
08:57Mas o que eu ia falar, e que ninguém sabe,
09:00que disso tudo eu entrei no instituto.
09:01Por quê?
09:03Porque eu, até os meus 17 anos,
09:06eu morei dentro do cinema de Baixo Comandu.
09:08E a família que construiu o cinema de Baixo Comandu,
09:10e eu morava lá dentro.
09:11Fui criada aí, naquele ambiente, né?
09:14Cinema era casa.
09:15Era casa.
09:16Meu pai ia uma vez por mês em Belo Horizonte,
09:18fazer a programação dos filmes na Ibrafilme, na época.
09:22E eu vivia aquilo.
09:23Só que aí o cinema foi desapropriado,
09:26foi vendido pra prefeitura.
09:28E eu tinha o sonho de não usar.
09:29Eu não tinha o sonho de colocar um uso diferente no cinema.
09:32Eu tinha vontade de restaurar o cinema de toda a história.
09:34Melhorar aquele espaço.
09:36O destino me colocou.
09:38Que Deus te coloca na situação, roda o mundo.
09:41Me colocou fazendo vários monumentos.
09:44O cinema eu não conseguia me falar.
09:46Mas me deu satisfação todos os outros também, entende?
09:49Que bom.
09:50O cinema foi um embrião.
09:51Foi um embrião.
09:52Eu acho que é isso.
09:53Através da história do cinema,
09:55que eu entrei,
09:56Deus me capacitou para os outros.
09:58Que eu acho que era essa a minha missão.
10:00Gente, eu tenho uma pergunta pra Érica,
10:02que ela vai trazer aqui em primeira mão.
10:05A Érica também tá mergulhada no novo projeto,
10:08que ela gosta de projeto e ela gosta de desafio.
10:11Vem aí o primeiro circuito jesuítico do Espírito Santo,
10:16que provérbida de ser o maior do Brasil.
10:19Então, a Érica vai contar aqui pra gente,
10:21com o RR Entrevista,
10:23o que é o circuito.
10:25E quando a gente vai ver ele já aí,
10:28nessa pista do Espírito Santo.
10:31O Boteiro Jesuíto do Espírito Santo
10:33é o maior e melhor roteiro
10:36em pé do Brasil.
10:39Nós temos monumentos aqui
10:41que contam essa história do Brasil Colômbia.
10:43A gente tem uma história
10:45que eu acho que é uma história
10:46que vai atrás do início até fora do Brasil.
10:49A gente tem recebido lá em Reis Vários
10:51e isso é um laboratório pra gente,
10:53desse roteiro.
10:55Esse roteiro é um roteiro que vai
10:57do Santuário de Acheita,
11:00passando por Agassativa,
11:03que vai ser o grande centro de interpretação
11:06da fazenda, da grande fazenda de Agassativa.
11:08Agassativa e Viana.
11:09Viana passa pelo Parapácio de Acheita
11:11e termina em Reis Vários.
11:13Então a gente tem 187 quilômetros
11:15que vai entre a área rural,
11:18praias, a capital, né?
11:20Que a gente fala da capitania
11:21e vai contar toda essa história.
11:23Isso a gente está fazendo
11:24para seguir com o Sebrae,
11:25para seguir com as preceituras.
11:27A gente vai ter site aplicativo,
11:29vai ter produtos vendidos desse poteiro.
11:32O artesanato dessas...
11:33Artesanato.
11:34O sentido de artesanato.
11:35Eu até mudei o artesanato,
11:38eu tirei só artesanato.
11:39Mudei o nome para arte, sabe?
11:42Onde que a gente está trabalhando?
11:43O artesanato e a culinária local,
11:45da astronomia local,
11:46dentro com a comunidade.
11:48Criando toda essa economia criativa do Estouro.
11:51E a gente traz uma renda extra
11:53para essas pessoas, sabe?
11:55A gente incentiva a produção.
11:58A gente começa agora também
11:59com o roteiro jesuítico,
12:00incentivar o empreendedorismo local,
12:03onde eu já estou com os contatos
12:04com algumas empresas
12:05que vão produzir os produtos
12:06para vender no roteiro jesuítico,
12:09que são pequenos empreendedores locais.
12:11Os souvenirs.
12:12Os souvenirs.
12:13As camisetas.
12:15Isso tudo faz parte desse macro projeto.
12:18A gente tem plano diretor desse projeto,
12:21que a gente já vem estudando há mais de seis anos.
12:23E agora a gente precisava de mais um monumento,
12:26porque essa tiba ficando pronto,
12:28a gente já sai.
12:29E o intério.
12:29E aí vai ser legal,
12:30porque você vai chegar em Reis Magos,
12:33você vai entrar no aplicativo do roteiro,
12:35você vai ver qual o restaurante próximo,
12:37onde tem o transporte.
12:38Você vai conseguir se locomover ali com facilidade,
12:42fazer, comprar, fazer suas refeições.
12:44Ser bem acessível, né?
12:46Bem acessível.
12:47E essa parceria também que a gente está fazendo com o Sebrae,
12:51com o próprio desenvolvimento local,
12:53de colocar isso nas agências de turismo.
12:55É isso que eu ia falar.
12:56Isso é um pacote que a gente pode vender
13:00para outras cidades do Brasil e até do mundo, né, Erika?
13:03Porque eu acho que a história dos jesuítas
13:05é uma coisa que a gente sabe, né?
13:06Que tem grande interesse, né?
13:09Sim.
13:10E a gente tem conteúdos.
13:13Uma fartura boa.
13:14O conteúdo histórico de Reis Magos,
13:17de Arassati e de Anchieta,
13:18do Palácio Anchieta,
13:19são conteúdos por si mesmo,
13:21eles já lutam em cada monumento desse.
13:23Sim.
13:23Então a pessoa vai para Reis Magos,
13:25ela passa o dia ali estudando,
13:28né, tudo que está ali,
13:29depois ainda tem um café,
13:31Arassati vai ter a mesma condição.
13:33Belícia.
13:33É, eu falo sempre, gente,
13:35turismo, você tem que trazer o turista
13:37com condições do turismo.
13:40Isso.
13:40Não adianta você,
13:41se você não tiver um receptivo turístico,
13:43onde que ele tenha uma condição de transporte,
13:46de uma condição,
13:47banheiros acessíveis,
13:48acessibilidade,
13:49tenha um monitor capacitado,
13:51não adianta você chamar.
13:52É todo um trade que a gente precisa criar.
13:55E é isso que a gente tem.
13:56e receber bem esse turista
13:58para ele voltar
13:59e falar bem da gente.
14:00Isso, não é isso?
14:01E além disso, Renata,
14:02a gente tem nesse,
14:03toda essa história,
14:04uma coisa que é muito importante,
14:06que são ações educativas.
14:08Ah, sim.
14:08Né?
14:09É tudo isso.
14:09É produzir isso
14:10desde a infância,
14:12como se isso.
14:13Tudo isso,
14:14só vale a pena
14:15se você deixar o negado,
14:18você passar essa mensagem.
14:19Né?
14:20Hoje o Instituto está no Teatro Carlos Gomes,
14:22inaugura,
14:22mas os shows,
14:24as programações,
14:25é da Secult,
14:27mas nós estamos aqui
14:27com uma historiadora
14:29fazendo ações educativas.
14:31Então, isso é muito importante.
14:32Eu quero finalizar essa entrevista
14:34já que a gente está no mês da mulher
14:36e a Érica mostrou para a gente
14:38que ela é uma pioneira,
14:39ela é vanguarda,
14:40uma carreira tão bonita.
14:42Então, eu quero que ela deixe
14:43uma mensagem para nós,
14:44mulheres,
14:45nesse mês,
14:45que não é um mês de comemoração,
14:48mas é um mês, né,
14:49marcante na história, né,
14:51das mulheres
14:52que trabalham,
14:53que lutam,
14:54que brilham em suas carreiras.
14:56Então, está com a Érica.
14:57Então, você falou tudo.
14:59Tudo.
14:59Acho que a gente tem que incentivar as mulheres.
15:01É isso.
15:01A lutar,
15:02a trabalharem,
15:03a ter sua vida.
15:04E a minha mensagem
15:05para vocês, mulheres,
15:07é que vocês podem tudo.
15:08É isso aí.
15:09R.R.
15:10Entrevista volta
15:11em azul.
15:12Feliz dia da mulher.
15:15Feliz dia da mulher.