00:05Elas vinham, pegavam o livro e iam para o alojamento.
00:08O próprio espaço da biblioteca era um espaço escuro.
00:12Mas quando começou a roda de conversa, no caso, a gente começou a ler, a gente evoluiu bastante na leitura.
00:20A roda literária acontece todas as quartas-feiras na Unidade Feminina e Transgênero do Iazes, em Cariacica.
00:27Os livros de Djamila Ribeiro são lidos um capítulo por vez.
00:31Ao final de cada momento, é feita uma reflexão coletiva.
00:34O que me fez idealizar o projeto e pensar numa forma de criá-lo foi a necessidade que eu tinha
00:42de ver as meninas com leitura, leitura crítica.
00:45E aí a gente escolheu a Djamila Ribeiro por ser uma mulher negra e aí a gente iniciou pelo livro
00:51Quem Tem Medo do Feminismo Negro.
00:52A Maíra, que é psicóloga e atualmente também diretora, ela começou a me escrever no Instagram em vários posts meus,
00:59até que ela chamou a minha atenção.
01:01Não consigo ver mensagem no Instagram e manda por e-mail.
01:04E aí quando ela mandou por e-mail e eu fiquei sabendo do trabalho, eu fiquei profundamente emocionada e disse,
01:09estou aí, estou indo aí para conhecer o projeto.
01:23Ela me inspirou a tomar o meu lugar de fala, para mim não ter medo do que as pessoas vão
01:29pensar.
01:29Me ensinou a ter vontade de falar.
01:31É um momento em que elas conseguem olhar para uma mulher muito bem sucedida e que elas conseguem se ver
01:36e perceber que elas também são capazes, entre outras possibilidades, a de serem escritoras também.
01:42E mais do que escritoras, autoras da própria história delas.
01:46Nos livros, Djamila fala sobre feminismo, ativismo negro e coragem.
01:52Eu falo que quando você é mulher negra, você tem conhecimento e coragem, contando um pouco da minha história no
01:56Cartas para Minha Vó.
01:57Só com conhecimento e sem a coragem a gente não consegue.
01:59Então a coragem é muito necessária, mas ela vem a partir do fortalecimento coletivo.
02:03Muitas mulheres me inspiram e me inspiraram e me fortaleceram.
02:07Toni Morrison, que é uma das minhas escritoras favoritas.
02:10Carolina Maria de Jesus.
02:11Que bom que a gente tem essas mulheres que mostram para a gente que é possível, da gente se ver
02:17possível através delas.
02:18As histórias tocam, inspiram e representam vidas.
02:22As meninas se enxergam nessas histórias, histórias que tantas outras meninas também vivem.
02:28Cartas da Minha Vó é o meu segundo favorito.
02:30Quando ela fala que a casa da avó dela tem cheiro de doce de abóbora e janta seis.
02:36Porque me lembra muito, na casa da minha avó, que realmente é isso.
02:44São histórias que contam muitas outras de superação e aprendizado.
02:51A gente pensar a aprendizagem pela perspectiva do letramento racial, do letramento de gênero,
02:56ele é fundamental para a transformação da nossa sociedade.
03:00Agora eu sou uma pessoa completamente diferente.
03:02Eu tenho uma visão própria de outras coisas.
03:06Eu vejo um mundo completamente diferente, uma outra visão do que é realmente a vida.
03:10E isso para a gente traz uma representatividade muito importante.
03:14E uma mudança de cultura, uma mudança de pensamento dessas meninas que já sofrem vários preconceitos.
03:18Acho que a leitura joga essa luz para a gente compreender que essas desigualdades foram construídas historicamente.
03:25Elas não são naturais.
03:26E quando a gente entende isso, a gente vai tendo mais instrumentos e mecanismos para lutar contra essas desigualdades.
03:35Hoje, com a presença da autora do livro, as meninas puderam conhecer a Djamila pessoalmente, olhar nos olhos.
03:43E isso tem uma representatividade gigante.
03:45Eu saio daqui muito impactada de ver o quanto que as minhas obras chegam e tocam essas meninas que estão
03:53aqui.
03:54Porque quando a gente é escritora vindo do lugar social que a gente vem, eu acho que é isso que
03:58a gente espera.
03:58E é isso que eu esperava com as minhas obras, falar com as pessoas, não falar para.
04:02Obrigada.
04:03Obrigada.
04:05Obrigada.
04:15Obrigada.
04:16Tchau, tchau.
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