00:00Meu nome é Carolina, mais conhecida como Carola DJ, sou lésbica, mulher preta e tô há 5 anos na cena
00:05capixaba.
00:09Comecei tocando quando criança. Eu me arriscava com instrumentos, guitarra, violão, tocava na igreja.
00:13E realmente brincava de ser DJ ali na minha pré-adolescência.
00:16A partir dos 18 pra 19 anos comecei a frequentar boates.
00:19Então mesmo sem ser DJ ainda, eles me convidaram e eu mergulhei.
00:23E deu no que deu. Foi aqui até hoje.
00:28Me jogar no caminho da música foi importante pra mim.
00:30Foi justamente nesse mesmo momento em que eu tava me empoderando, começando a curtir, me jogar no meu estilo.
00:36Esse meu caminho artístico me ajudou muito nesse momento.
00:38Eu tenho realmente a persona, a Carola é diferente da Carolina.
00:41Elas se completam, mas quando eu entro nesse personagem, é uma outra energia.
00:47Nossa arte não é uma coisa vazia.
00:50Eu falo muito que nos meus sets eu costumo priorizar fazer remix de artistas capixabas.
00:54artistas LGBTQI e APN+.
00:56E eu priorizo muito tocar artistas pretos nos meus sets.
00:58Toquei no Rio duas vezes, toquei na Bahia, toquei em Minas, em São Paulo.
01:03E finalmente rolou essa viagem internacional que foi na Austrália.
01:07Tenho na minha carreira dois prêmios, né?
01:09Do prêmio da música capixaba.
01:10Ganhei o primeiro em 2023, como melhor DJ do ano.
01:14E no ano passado eu ganhei como destaque em linguagens urbanas.
01:17É engraçado que esse momento do prêmio vem sempre no momento em que eu tô um pouco balançada.
01:21De alguma forma que é normal o artista tá às vezes pensando em outras coisas, às vezes desanimar, enfim.
01:25E aí sempre vem como combustível.
01:28Eu entendo que eu, no lugar que eu tô, consigo ser representatividade e representar algo pra outras pessoas.
01:34As pessoas me paravam e falavam, caraca, é muito legal ver você com esse cabelo, tocando aí nesse palco,
01:38que é algo que eu não via antes.
01:39Me encoraja a começar a querer lançar a minha arte também.
01:42Se ainda assim é difícil com mulher preta, cis, LGBTQI e APN+,
01:46imagina pra pessoas trans e outras pessoas que estão numa camada mais vulnerável, né?
01:52Eu consigo enxergar conquistas, né?
01:54Eu consigo ver que os palcos estão mais cheios de pessoas LGBTQI e APN+.
01:58Eu acho que isso se deve através de oficinas, através de rodas de conversas.
02:02São ferramentas que contribuem pra que outras pessoas subam nos palcos
02:06e outras pessoas virem representatividade e assim sucessivamente.
02:10Mas ainda acho que tá longe ainda da gente atingir o que a gente julga ser perfeito.
02:15Parece ser só festa, parece ser só curtição, mas não é.
02:18Ali rola muito network, ali rola muito união, ali rola muito conforto.
02:23Principalmente falando de pessoas pretas ou LGBTQI e APN+,
02:26conheço a realidade de muitos amigos meus de perto que, sei lá, são espíritos de casas
02:30ou por ser quem é.
02:32Se você é artista da música, se você é artista, enfim, do audiovisual,
02:37se apega a quem você vê que tá na arte, que também tá lutando pelo mesmo objetivo que você.
02:42O quanto eu tô tocando, sempre me vem esses insights,
02:48eu brincando mesmo de tocar ou de produzir coisas da minha cabeça quando era criança.
02:52Eu fui muito feliz que a Carolzinha conseguiu realizar o sonho dela e tá realizando.
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