00:00Fui diagnosticado com um tumor no crânio.
00:04É um tumor, em princípio, benigno, mas que é complexo,
00:09porque eu vou perder várias funções durante um período da vida.
00:29No dia 15 de fevereiro deste ano, Geraldo Luzia de Oliveira Júnior, o Juninho,
00:34recebeu o diagnóstico de um tumor no crânio.
00:37Às vésperas de embarcar para São Paulo para fazer a cirurgia,
00:40ele recebe a gente para uma conversa franca e emocionante.
00:44Juninho, como que você recebeu esse diagnóstico?
00:47Eu recebi o diagnóstico de uma forma muito direta,
00:52pela médica doutora Natália Manhães, que me acompanha já há alguns anos.
00:59Quando eu voltei para fazer a limpeza do ouvido devido à cera,
01:06como eu faço praticamente todos os anos, porque eu produzia, produzo muita cera.
01:10E recebi esse impacto, porque ela tinha me pedido uma ressonância
01:13que eu não tinha levado para ela nos meses anteriores.
01:18E aí, quando eu entrego a ela e que falo, vamos fazer a limpeza?
01:22Ela, vamos fazer a limpeza, que ela abre.
01:24Ela me dá a notícia que eu estou com um tumor no crânio,
01:27que já tinha dois centímetros.
01:28O que passou pela sua cabeça quando ela falou que você estava com um tumor no crânio?
01:32Nem. Passou toda a história que eu vivi com uma bíblia.
01:45Então, assim, passou isso, passou...
01:56As minhas filhas e a minha família.
02:01Porque todo mundo depende de mim.
02:05É difícil a gente imaginar o que passa na cabeça da pessoa que recebe esse resultado.
02:12Você pode contar para a gente daquele dia, do dia 17 de fevereiro de 2026,
02:18quando a médica falou para você?
02:19É, um baque.
02:21A gente já tinha entendido que eu teria algo a partir do dia 2 de fevereiro.
02:25Mas eu tive que voltar a fazer os exames.
02:27E aí foi nesse período aí, do dia 15, do dia 17, é que veio a realidade.
02:37E aí você fica triste, você fica pensativo, você fica ansioso.
02:45E eu sou muito, muito para frente, assim, eu sou muito para cima, né, alto astral.
02:51E sabia que eu não podia parar por causa disso.
02:54Não me senti no direito de falar para ninguém, para ninguém.
02:58Eu me recolhi a mim mesmo.
03:01E comecei a pensar nas coisas que eu poderia fazer que ainda não fiz,
03:06se derem tempo de fazer.
03:08Daqui a alguns dias você embarca para São Paulo,
03:11onde vai passar por uma cirurgia de alta complexidade no cirílio libanês.
03:15Como é essa cirurgia?
03:17Vai ter um corte, pelo que o médico me disse.
03:21No mínimo, 4 horas e meia de cirurgia.
03:24Eu tenho que ficar, depois da cirurgia, 2 dias na UTI.
03:28E mais 4 no quarto.
03:33E nesse período, completando 15 dias, aí mais dias,
03:38eu tenho que ficar em São Paulo porque eles querem me acompanhar nisso.
03:41Os médicos já te contaram alguns efeitos que essa cirurgia pode te causar.
03:46Parece que eu vou ter um período que eu não vou conseguir falar,
03:50porque vai afetar essa musculatura.
03:53Engoli, deglutição.
03:55O médico já me disse que eu terei, isso será prejudicado.
03:59Então, o que é que eu vou comer? Não sei.
04:02Então, é outra coisa que a gente vai ter que analisar.
04:06E aí, a paralisia facial.
04:09Como é que eu vou conseguir, como é que vai ser as pessoas me entenderem?
04:15Devo sentir alguma questão de estabilidade, do equilíbrio.
04:18Mas que tudo isso, em até 2 anos, eu volto à normalidade.
04:25Vou mostrar aqui agora.
04:26Olha onde é que está na Bila, na tarefa.
04:29Até correu, olha lá.
04:30Olha lá, olha lá.
04:32Vou no lugar de bagunar.
04:35Faz um ano agora, completou, que você perdeu sua esposa.
04:39Vítima de um câncer de mama e você começa a enfrentar uma batalha.
04:43O que é que passa na sua cabeça?
04:44Na minha cabeça passa que quem disse que eu não posso ter mais tumores daqui a pouco.
04:51Se a gente não tem que fazer mais investigações, e se eu não vou passar pelo que ela passou.
04:58Então, isso passa na minha cabeça.
04:59Você disse também que ainda vive o luto durante esse tempo, né?
05:03Sim.
05:12Cara, e a igreja?
05:18Toda vez que eu fui, depois que ela faleceu, ela está do meu lado.
05:24Ela está do meu.
05:27Tem muita coisa, muita coisa, porque tudo a gente fazia junto.
05:31Como foram os últimos dias de vocês juntos?
05:34Foi no hospital?
05:38Em casa?
05:39Porque quando nós identificamos
05:45que ela não poderia mais recuperar.
05:49O médico
05:51foi muito maduro comigo.
05:53Ele me chamou para conversar.
05:56Falou, você está vendo o estado dela, né?
06:01Leitou.
06:03Ele
06:06São os últimos momentos.
06:09Coitada, ela não tinha mais força para ir ao banheiro.
06:12Ela preocupada.
06:16Alucinando por conta da medicação.
06:20E deu vontade
06:22de registrar a minha mão com a dela.
06:26Porque eu vivi os últimos 12 anos
06:29tudo com ela.
06:31Você está com medo dessa cirurgia?
06:32Não.
06:33A o que você se apega?
06:35A primeira coisa é fazer a minha conversa, eu e Deus.
06:39Eu acho que a gente tem que ter esse hábito.
06:40E até hoje eu só agradeci, Guilherme.
06:42Eu sempre procuro agradecer.
06:44Mas eu quero tranquilizar as pessoas.
06:45Primeiro que eu estou em paz comigo, em paz com Deus.
06:47Segunda coisa que...
06:50Você está cercado de médicos referência no tratamento.
06:53No tratamento.
06:55É, exatamente.
06:56Isso mesmo.
06:56É o momento mais complicado da sua vida?
06:59Eu acho que sim.
07:00Eu acho que sim.
07:01Porque está tirando a minha autonomia.
07:04Então eu dependo agora da medicina e da vontade de vir.
07:08Você tem medo de morrer?
07:09Não tenho medo de morrer.
07:10Tenho mesmo.
07:11Eu acho que enquanto a gente estiver na Terra, a gente tem que cumprir aquilo, as nossas missões.
07:16Se eu tiver que fazer fisioterapia, 24 horas eu vou fazer.
07:19Se eu tiver que subir escada, se eu tiver que descer escada, se eu tiver que correr, se eu tiver...
07:24Eu vou fazer para tentar voltar ao normal o máximo possível, porque tem muita gente que depende de mim.
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