00:00Quero entender um pouquinho como que surgiu a história do filme.
00:03Poderia falar pra gente?
00:05Oi, tudo bem? O filme partiu de uma inquietação minha de tentar pensar um corpo idoso
00:09que não ficasse preso nessa ideia de memória, de passado, de nostalgia do que passou.
00:15Eu queria falar um filme sobre presente, onde esse personagem, essa mulher idosa, Tereza,
00:20se lança em jornada, redescobrindo a vida.
00:23E o filme fala uma mensagem muito simples, que nunca é tarde para sonhar,
00:27nunca é tarde para desejar. Então, um filme sobre liberdade e autonomia
00:31dessa mulher idosa chamada Tereza, interpretada por essa maravilhosa atriz Denise Weimer
00:36e que tem a parceria também do Rodrigo Santoro, fazendo um lindo personagem.
00:41Rodrigo Santoro, como vocês nunca o viram no cinema.
00:43É verdade.
00:46Verdade. Assistiu também.
00:48Denise, pra você agora, né?
00:52O que mais te desafiou na construção desse personagem?
00:55O que mais te chamou atenção nessa história?
00:58Ah, eu acho que a Tereza é um personagem que tem uma obstinação, tem uma energia, sabe?
01:04Tem uma coisa muito interessante na Tereza, que é a idosa,
01:07que ela não é uma velhinha triste, depressiva, melancólica, com saudade do que foi.
01:14Não, muito pelo contrário, ela olha pra frente.
01:16Ela tá sempre olhando pra frente. Ela sempre quer mais.
01:18Ela quer mais. Ela não desiste.
01:21Ela é obstinada. Ela tá em busca do desejo dela, da pulsão dela.
01:26Não é porque a gente fica velha que a gente perde os nossos desejos.
01:28Os nossos desejos mudam, mudam.
01:31Mas eles continuam tão ricos e tão gostosos como os de antes.
01:35Eu já vi seis vezes o filme e cada vez que eu vejo, eu vejo uma coisa de...
01:38Putz, isso aqui é bacana. Isso aqui eu não tinha reparado.
01:41O filme é muito rico, sabe? Pra quem assiste.
01:44Tem muita coisa pra observar.
01:48Rodrigo, como que você vê a questão do cinema nacional, né?
01:52Com tantos filmes sendo premiados e ganhando destaque,
01:55como que você vê o cinema nacional atualmente?
01:59Fazendo uma análise aí desses últimos 20 anos, mais ou menos,
02:03eu acho que o cinema brasileiro resistiu, cresceu,
02:09foi aos poucos encontrando a sua identidade, né?
02:13Continua se construindo, mas encontrou um reconhecimento mundial.
02:17Isso não aconteceu só esse ano, já vem acontecendo,
02:20mas esse ano é um ano peculiar.
02:22Eu não me lembro da gente ter três filmes,
02:25um levando um prêmio em Berlim,
02:28outro dois prêmios em Cannes e um Oscar de filme estrangeiro,
02:31que é absolutamente inédito.
02:32Então, acho que nós vivemos um momento,
02:35provavelmente, mais potente do cinema brasileiro.
02:40É muito inspirador, é muito lindo ver o público empolgado,
02:46orgulhoso, é mais lindo ainda ver o Brasil ser reconhecido
02:50pela sua arte, pelo cinema, né?
02:52A gente é muito conhecido pelo futebol, pelo carnaval,
02:55pela Amazônia, né?
02:57Todo mundo opina sobre a Amazônia,
02:58o mundo inteiro fala da Amazônia,
03:00mas é maravilhoso a gente ser reconhecido pelo nosso cinema
03:05e eu acho que isso tem muito a ver com o nosso amadurecimento como país.
03:09É, é muito gostoso.
03:10Hoje a gente fez uma sessão extra de manhã,
03:15aqui em São Paulo,
03:16e foi muito quando acabou o filme,
03:19eu estava assistindo também, no fundo,
03:21e aí eu vi um casal e dizia assim,
03:23Puxa vida, o cinema brasileiro está bombando,
03:26que prazer!
03:26Ai, aquilo me deu um orgulho,
03:28eu saí tão emocionada,
03:30eu digo que bom ouvir isso, né?
03:32De um público normal,
03:33não era ninguém conhecido, assim,
03:35uma pessoa, um casal que estava assistindo,
03:37de idosos, não é?
03:41Aham!
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