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  • há 4 semanas
O então pontífice e hoje santo da Igreja Católica celebrou duas missas em Vitória, em outubro de 1991; veja curiosidades dos bastidores que envolveram a passagem do pontífice por terras capixabas

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Transcrição
00:12Música
00:14Em um momento único de ver o Papa João Paulo II, tão de perto, né?
00:23Eu estava no processo de sentimento vocacional, já participando dos encontros,
00:30vocacionais, mas eu morava em Alfredo Chaves, e aí nós viemos numa excursão de Alfredo Chaves
00:36para participar também lá na Praça do Papa, né?
00:41Junto com aquela multidão que estava lá, e uma sensação única, exclusiva e profunda
00:49de poder ver o Papa João Paulo II passar bem de perto naquela imensidão do povo de Deus
00:57que se encontrava naquele local aglomerado, e um dos momentos que me chamou muita atenção
01:05foi a chegada dele, enquanto a multidão cantava, né?
01:10A bênção, João de Deus, nosso povo te abraça, te acorde, né?
01:15Era a história do São Pedro que eu sentia ao ver as pessoas sofrerem pelas pinguelas,
01:20às vezes, às pessoas lutarem por moradia, ao ver o barulho do martelo, dia e noite, no meu ouvido,
01:28o que eu sentia ao ajudar a organizar o povo, que eu não organizei sozinha, né?
01:34Tive a ajuda do povo inteiro, ali foi um povo que lutou, povo que luta mesmo, né?
01:41Ali eu encontrei o povo querendo uma vida diferente, uma vida melhor.
01:46Eu fui entregar simbolicamente o livro a ele, porque ele me olhou, me abraçou e disse
01:51continua, Maria, continua.
01:53E você continuou?
01:55Ah, tô dentro.
01:57Não saio não, tá?
01:58É a luta.
01:59A luta continua, a graça tá na rua.
02:03Isso aí é quase que um jargão, né?
02:07Eu continuo simbolicamente.
02:10Deus vai me dar forças para não desistir, né?
02:13E continuar sempre do lado certo da história.
02:17Essa região, há 28 anos atrás, nós tivemos a bênção de receber a visita do então, hoje, né?
02:25Santo João Paulo II pisou nessas terras.
02:29Isso aqui tudo era mangue, barravo.
02:32E ele veio aqui, pisou na lama, abraçou, acariciou o povo que era muito sofrido na época.
02:40São Pedro, que antes aqui era chamado lugar de toda pobreza.
02:44Hoje nós podemos dizer que é lugar de toda riqueza, porque muita gente de bem vive aqui, graças a Deus.
02:52A partir daquele momento, muita coisa mudou aqui, sabe por quê?
02:55Porque as autoridades começaram a olhar para a nossa região, que antes, né, era lama.
03:04E hoje vocês podem ver, ó, tudo mudou.
03:09Esse lugar aqui onde nós estamos, hoje, é a escola Meus e Nunes.
03:12Mas quando o Papa veio, aqui tinha um morrinho onde o helicóptero pôs, ele pôs o helicóptero e teve presente
03:20aqui, numa grande tablada que nós montamos, para recebê-lo.
03:25Ele desceu nessa rampa aqui, veio até as crianças que cantavam para ele aqui próximo no coral, que foi para
03:32as comunidades da Paralta na época, onde todas as comunidades participaram com as suas crianças.
03:37Foi um momento lindo e maravilhoso com a nossa grande São Pedro, com a região aqui.
03:42Todo o povo ficou maravilhado com a presença dele.
03:46Na época, essa cruz, ela era de um... era uma outra cruz, não era essa aí, não.
03:53Depois eles fizeram essa aí.
03:55E hoje eles querem resgatar aquela cruz que foi feita no momento da chegada do Papa.
04:02E criar aqui um memorial onde as pessoas possam vir fazer turismo, sabe?
04:08A paróquia, que na época era Cedor São Pedro, resolveu fazer um coral para cantar, um coral de crianças.
04:19Nós juntamos 300 crianças das comunidades, ensaiamos esse coral, para que nesse dia eles cantassem.
04:27Cantaram a música do Padre Zezinho, casinha de periferia, né, Lourdes?
04:31Foi muito lindo, ele ficou maravilhado.
04:33Mas na véspera, nós tivemos, assim, a notícia de que talvez ele não viesse a São Pedro,
04:40porque estava chovendo muito.
04:43Chovia muito e talvez atrapalhasse a descida do helicóptero, né?
04:47Dia 18, nós fomos dormir rezando e apreensivos, né?
04:52Porque o jornal falava que se chovesse, ele não viria em São Pedro.
04:56Mas quando amanheceu, Deus foi tão bom que deu uma garoazinha, sabe?
05:00Assim, ali veio aquela chuva torrencial, e tinha só assim uma garoazinha.
05:06Nós juntamos as crianças e fomos para o local.
05:09Lá na hora que aquele helicóptero começou a sobrevoar aquela área,
05:15nossa, mas foi muito lindo, porque as crianças choravam de alegria.
05:19Eles olhavam para o céu assim, o helicóptero descendo, e eles choravam de alegria.
05:24Então foi muito maravilhoso, foi um momento, assim, de grande fé para nós, sabe?
05:32E a gente acreditou que realmente Deus, ele é o Deus dos pobres.
05:37Porque ele quis que o Papa João Paulo II pisasse a essa terra.
05:41E hoje nós somos mais felizes ainda, porque nós sabemos que um santo pisou nesse chão, né?
05:49Muitas pessoas choraram, se emocionaram, e com a esperança no coração, né?
05:55De que com essa visita, São Pedro se tornaria um lugar melhor de se viver.
05:59Onde se vivia, toda a mídia falava, divulgava o lugar de toda a pobreza,
06:05onde as pessoas, os lixos da cidade vinham toda aqui para a região da grande São Pedro.
06:09E pessoas catavam as coisas do lixo e comiam fruta, carne, várias coisas.
06:15Tem fotos, tem um vídeo, um vídeo que mostra isso.
06:19Então foi uma grande esperança para todos, né?
06:22Que se tornaria um lugar melhor de se viver, como se tornou.
06:26Sabe um abraço de almas, né?
06:29Não é de homem e mulher, não é de Papa e leiga, não é?
06:33Um abraço, ele olhou para mim, olhei para ele, ele falou, continua, Maria, continua.
06:39Entende?
06:40E eu, sabe, eu me senti como se eu estivesse, assim, num outro patamar de vida, tá?
06:49Não me mudou em nada, na minha personalidade anerma, meio estovada, meio falando sempre o que eu penso,
06:56mas, sabe, foi um momento só meu, aquele foi só meu.
07:01Como que foi fazer o jantar do Papa?
07:06O Papa, primeiro, nós sabemos que todos os ingredientes eram muito frescos, muito frescos.
07:14E, quase, a cor de espirra, olha, que um dia eu sei que um pouco antes, para mim, esse não
07:18morria.
07:19Mas, a pessoa da gente era isso, a pessoa, o Papa, se fosse um rei, tem a terra,
07:25ou é uma autoridade máxima da igreja, no caso, chegar aqui até que eu sigo e eu com a confiança
07:31de mal.
07:34Mas, sempre a mão de Deus ajudando um pouquinho, ajuda mais ainda.
07:38A gente ia dar uma moqueca com pirau, a gente ia ver com pirau.
07:43E, parece que ele gostou, porque ele comeu uma aposta e repetiu outra aposta de mim,
07:47porque eu lembro bem, e eu sou sempre interessado em saber o que era o tal do perdido do pirau.
07:54Então, eu sou um bolonês, fala pirão, mas não...
07:57Você conseguiu explicar?
08:00Consegui, inclusive, a preocupação do rei Malta, no que era feita aquela panela de barro, né?
08:08Porque ele não sabia o que era a panela de barro, ele sentiu que era alguma coisa.
08:12Eu expliquei que aquilo era terra gótica, terra gótica, como eu não ia.
08:14Aí, ele entendeu, falava português bastante, bastante razoável, tá bom.
08:22Mas, italiano também escapuliu um pouquinho e ele se sentiu, pulou nem não, viu?
08:27Então, isso aí é muito...
08:29Ele gostou e se interessou, não sabia, ah, isso é a palavra...
08:33Mas, não era aquele arde, que ele estava, assim, impediado, sem querer saber o que era, não.
08:38Era interessado em saber o que é das coisas,
08:40e procurando saber sobre as nossas famílias, né, do pessoal após o canto,
08:45tanto do pessoal da cozinha quanto do pessoal dos cômodos, do barro, né?
08:52Então, isso aí é extremamente agradável.
08:54Então, envolveu, assim, uma determinação do cadáver, não cadáver.
08:58Nós mesmos precisamos, nós mesmos pensamos,
09:00apresentando as nossas ofensas, ele foi aquela simplicidade,
09:04ele não quis saber se resolver, tá resolvido.
09:07Então, foi pra ele.
09:09E as nossas amigas, né, chamam as Beatinhas,
09:14a fazer doce, doce em copota, doce em calda, né?
09:18Agora, o que ele lembra, assim, que o viado nunca, até que o dia seguinte,
09:22foi o doce de jiripapo cristalizado.
09:25Ele nunca tinha ouvido falar de jiripapo na vida, né, evidentemente.
09:29E ele, curioso, ele era curioso,
09:32ele pensou e experimentou, mas não tinha garrafo pra pegar o doce de jiripapo,
09:37porque ele já viu o que é que o doce cristalizado de jiripapo,
09:40e como é que ele ia ver, não teve dúvida.
09:43O teu dedão pegou um doce de jiripapo, botou na boca, gostou.
09:48Aquele cristalizadinho, né, que foi?
09:51Não tinha nada lá, o pessoal tava esperando aquilo, né,
09:54deu a mão doce, né?
09:56E eu ia ver que interessante, ficou marcado
09:59que, como é que ele se interessou, até por isso,
10:01é uma coisa diferente, e ele achou ótimo,
10:04porque ele repetiu o doce de jiripapo.
10:06Eu não lembrei se ele não deu o dedo pra ver,
10:07mas eu já tinha arranhado o Guaraná França.
10:10Mas é uma simplicidade, a coisa fantástica.
10:12Mas é uma simplicidade, a coisa fantástica.
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