- há 4 semanas
Breno Coelho conversou com o jornalista que se debruçou nos detalhes da vida e da carreira do maior ídolo do brasileiro no automobilismo
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NotíciasTranscrição
00:00Olá pessoal, ligado aqui em A Gazeta, hoje eu tô aqui com um convidado muito especial, Ernesto Rodrigues, autor do
00:07livro Ayrton, O Herói Revelado, uma biografia do maior ídolo brasileiro do automobilismo.
00:14Ernesto, muito obrigado por estar conversando aqui com a gente.
00:17Queria já começar te perguntando, como é que começou essa sua relação com o automobilismo, desde quando você assiste, por
00:25que começou a assistir?
00:26Começa falando isso um pouquinho pra gente.
00:29Olha, obrigado pela oportunidade de falar com vocês.
00:32Bom, em relação ao meu interesse por Fórmula 1, ele antecede a minha carreira de jornalista, entendeu?
00:38Eu me formei em jornalismo, nunca fui de nenhuma editoria de esporte, nunca trabalhei como repórter ou editor de esporte,
00:47eu não sei, num pequeno, em alguns meses que eu fui editor de esporte de jornal do Brasil, nos anos
00:5190, exatamente na época que o Ayrton estava correndo,
00:55mas eu sempre fui um jornalista, trabalhei em revista, jornal e na TV Globo como editor, mas de assuntos gerais,
01:02de política, de Brasil, de internacional, entendeu?
01:06Agora, eu sempre gostei muito de Fórmula 1, desde sempre, entendeu?
01:11Desde o tempo do Ayrton, do Emerson, acompanhei toda a trajetória do Emerson, depois do Nelson,
01:20dos outros pilotos brasileiros e também do Ayrton Senna.
01:23Então, quer dizer, fui um privilegiado no sentido de ter sido de uma geração em que teve esse milagre quase,
01:34a chamada tempestade brasileira na Fórmula 1, que foram oito títulos em duas décadas,
01:44uma coisa absurda, que nem a Alemanha do Schumacher tinha na época, o Brasil já tinha esses títulos todos do
01:50Nelson, do Ayrton e do Emerson.
01:54Então, foi isso, eu sempre gostei muito e em todos os lugares que eu trabalhei,
01:58quando a Fórmula 1 chegava no Brasil, eu acabava ou me candidatando ou me apresentando para trabalhar ou convidado,
02:06isso aconteceu no Jornal do Brasil, no Globo, na TV Globo também,
02:09onde eu dirigi todas as edições do Globo Repórter feitas sobre o Senna.
02:17A de 88, do título dele, uma que a gente fez nos anos 90,
02:21o Globo Repórter da quinta-feira de maio, do enterro dele, na noite do dia do enterro dele,
02:30foi ao ar um Globo Repórter que eu editei, e depois nos anos seguintes,
02:35nos 10 anos eu fiz uma série para a Globo, e nos 20 anos também, em 2014,
02:41eu fiz uma outra série também para o Esporte Espetacular sobre o Ayrton.
02:45Então, o meu interesse caminhou sempre paralelo à minha carreira de jornalista.
02:51Legal.
02:52Quando começou essa admiração que você teve pelo Ayrton Senna, que você tem até hoje?
02:58O Brasil todo tem uma grande admiração pela figura do Ayrton,
03:01mas eu queria saber de você, o que chamou a atenção no Ayrton, além de, claro,
03:06de toda a competência que ele tinha, de vitórias, de títulos que ele conquistou?
03:11Olha, meu interesse foi, eu vou confessar, muito mais jornalístico no sentido profissional
03:17do que uma admiração que eu já tinha.
03:19Era impossível não admirar o Ayrton Senna, ainda mais conhecendo o Fórmula 1 como eu conhecia.
03:26Eu, inclusive, na verdade, eu era piquetista, no sentido, não piquetista da bacharia,
03:31piquetista de falar da vida pessoal e tal, mas eu era um fã ardoroso do Nelson Piquet,
03:36que até demorei um pouco para reconhecer o talento do Ayrton e a importância do Ayrton.
03:41Mas depois, quando ele se consolidou, obviamente que eu admirava, eu acompanhava o trabalho dele.
03:47Agora, o que me levou a me interessar pelo Ayrton como objeto de uma biografia
03:55foi o fato de que, em 1999, quando eu estava numa situação em que eu estava desempregado
04:02e estava buscando novos caminhos na minha vida,
04:05eu percebi que não existia uma biografia clássica sobre o Ayrton.
04:09O que eu chamo de uma biografia clássica?
04:11É aquele livro muito além da profissão do biografado.
04:14É um livro que entra na vida do biografado, que conta a história da vida dele,
04:20que mergulha o leitor na intimidade do biografado.
04:24Seja ele quem for um herói do esporte, um grande político, um estadista, um ditador,
04:29não importa.
04:30Se a pessoa causa algum tipo de interesse e ela merece uma biografia,
04:36era o seu objetivo, a sua meta, a minha meta como biógrafo,
04:43foi de mergulhar na vida do Ayrton, muito além do esportista.
04:48E como não existia uma biografia clássica dessa, como a que eu fiz,
04:55eu caí dentro desse projeto e me tomou, no bom sentido,
05:00quase três anos da minha vida e foi muito gratificante.
05:03E pegando esse gancho que você falou de três anos,
05:06você levou três anos para produzir essa biografia,
05:08como é que foi essa produção, os desafios que você enfrentou,
05:12as pessoas que você ouviu, as histórias que você conheceu,
05:15como é que foi produzir essa biografia?
05:18Olha, é interessante essa pergunta que você faz,
05:20porque eu preciso lembrar aqui que na época em que eu fiz,
05:23eu escrevi o livro, ou seja, ali na virada dos anos 2000,
05:272002, 2003, e lancei em 2004, não existia internet,
05:33não existia Google, não existia inteligência especial,
05:37essa pesquisa que hoje você faz instantaneamente,
05:40você tem respostas imediatas e tal,
05:42era um trabalho de carpintaria mesmo,
05:47eu consegui patrocínio, montei uma pequena equipe
05:50para fazer pesquisa comigo,
05:52mas o que me realmente impulsionou e fez a diferença no meu livro,
05:56que é uma coisa que soa quase como uma coisa meio que,
06:00sei lá, jurássica atualmente,
06:02é o fato de uma família, muito amiga da minha família,
06:06no sul de Minas, eu sou de Lambari, no sul de Minas,
06:08a dona Leda e o marido e o filho,
06:10que era um grande amigo meu, o André Gisvaldi,
06:13eles tinham uma paixão, por favor, acompanhavam,
06:16e a dona Leda era especialmente apaixonada pelo AEP.
06:19Resultado, ao longo de anos,
06:23o marido, o doutor Ismael era um médico,
06:27assinava o Globo, o Estadão e a Folha de São Paulo,
06:31eram apaixonados por Fórmula 1 e por política,
06:35por tudo que não tem assunto, ele gostava muito.
06:37Então, a dona Leda, ao longo de décadas,
06:40acumulou recortes e recortes organizados,
06:43tudo de uma maneira cronológica,
06:45foi como se fosse um aplicativo, entendeu?
06:47Ela fez isso durante muitos anos,
06:50e um dia eu cheguei na casa dela,
06:52o Aito já tinha morrido,
06:54e eu vi, ela me mostrou na garagem dela,
06:58no fundo da garagem, assim,
07:00uma montanha de pacotes de papelão,
07:04aqueles cachotes de papelão,
07:06cheios de recortes sobre Fórmula 1,
07:09especialmente sobre o Aito Ossena.
07:11Eu falei, nossa, é aqui.
07:14Aí eu, naquele momento ali,
07:15eu pensei, eu vou fazer um livro a partir dessa pesquisa,
07:18porque, do contrário, eu teria que passar semanas
07:21em cada redação desses jornais,
07:23pesquisando, pedindo cópia e tal,
07:25seria uma coisa absurdamente difícil de ser realizada.
07:29E eu estava com aquilo na minha frente,
07:31prontinho para ser catalogado,
07:33e aí eu fui jogando para dentro do computador a pesquisa,
07:36e esse foi um diferencial fantástico,
07:38porque, além de me dar muita consistência no conteúdo,
07:42um conteúdo que, 30 anos,
07:44aliás, 20 anos depois do lançamento do livro,
07:47eu não tive que corrigir nada na atualização que eu fiz, tá?
07:51O livro foi lançado inicialmente em 2004,
07:54e eu só enriqueci, uma desta parte,
07:56o livro com atualizações,
07:58mas, assim, eu não tive de desdizer nada.
08:01Então, isso muito por causa da qualidade
08:03dessa pesquisa a qual eu tive acesso,
08:06da Dona Leda,
08:07e que depois também foi a base
08:09de uma programação de mais de 200 entrevistas,
08:13que eu cumpri também com patrocínio,
08:15aí viajei pelo Brasil,
08:17viajei por sete países do mundo,
08:19fui, inclusive, ao Japão,
08:20e fiz todas as entrevistas que dão a esse livro
08:25uma, digamos, uma sustentação jornalística,
08:29modéstia à parte, muito boa.
08:31E o que representa para você,
08:33como jornalista e como amante do esporte,
08:35ter produzido uma biografia tão rica
08:38sobre o maior ídolo brasileiro no automobilismo?
08:41Olha, eu tenho, obviamente, muito orgulho disso, né?
08:45E também sou agradecido a essas surpresas que a vida dá, né?
08:49Quer dizer, eu tinha uma carreira de jornalista
08:51que eu nunca imaginava que eu...
08:55Eu nunca tive muita vontade de ser...
08:57Eu sempre adorei muito ser repórter
08:59e ser editor de revista e de jornal.
09:03Eu sempre gostei muito da profissão de jornalista.
09:05Agora, eu ainda não tinha muitos sonhos relativos
09:08a publicar livro e tal.
09:10E aí, houve uma demissão na minha vida,
09:13eu saí e tive que redesenhar a minha vida,
09:15e tive essa sorte imensa de embarcar nesse projeto
09:19e hoje se tornou uma obra modéstia à parte,
09:23o referencial sobre o Ayrton.
09:25E eu tenho, realmente, muito orgulho,
09:26como jornalista, como brasileiro
09:29e como fã de Fórmula 1, entendeu?
09:32Isso me dá muito orgulho.
09:34Foi, certamente, um dos melhores trabalhos
09:38da minha vida profissional.
09:40Perfeito.
09:42Você acredita que foi possível retratar
09:45o tamanho da figura do Ayrton Senna
09:47na sua biografia?
09:48Ele, uma figura que tem tantos momentos marcantes,
09:52é uma figura mítica quase, né?
09:54As pessoas falam dele quase com um tom celestial,
09:59alguma coisa mítica mesmo.
10:02Você acha que foi possível retratar
10:04tudo o que foi o Ayrton Senna na sua biografia?
10:07Olha, é muito interessante essa colocação sua
10:11porque é justamente o fato dele
10:14ter se transformado nessa figura mítica,
10:17como você disse,
10:19que eu acho que a explicação principal
10:22para essa figura mítica que se criou
10:25foram as circunstâncias terríveis da morte dele.
10:29Ou seja, ele foi, talvez,
10:31a primeira personalidade no mundo mundial
10:34que morreu ao vivo diante das câmeras
10:37para milhões de pessoas no mundo,
10:40para centenas de milhões de pessoas
10:42no mundo assistiram.
10:44Então, isso foi um impacto
10:45que transformou automaticamente o Ayrton
10:49num motivo de atenção ou de curiosidade,
10:55quase de um culto, como você está dizendo, entendeu?
10:58Eu acho que o livro ajuda muito
11:00a colocar o mito nas proporções humanas, entendeu?
11:05Eu não me embarco na mitificação dele.
11:08Aliás, até porque eu preferia muito mais
11:10que o Ayrton tivesse morrido
11:12ou morresse muito velhinho,
11:14com 70, 80 anos e tal,
11:17depois de ter saboreado a todo o sucesso
11:19que ele teve,
11:21depois de ter vivido todos os desafios,
11:23as coisas boas, as coisas ruins da vida,
11:25como qualquer ser humano.
11:26Eu preferia muito mais ele vivo e velhinho,
11:30morrendo velhinho,
11:31do que esse mito trágico
11:33que eu acho que no qual ele se transformou
11:35e que eu, como jornalista,
11:38a biografia, a minha biografia,
11:40é eminentemente um documento jornalístico,
11:42não é uma tese sobre o livro.
11:44Então, o meu livro ajuda
11:46a você investigar e mergulhar nesse mito
11:51e ver nesse mito as características humanas,
11:55da personalidade dele,
11:57como ele era afetivamente,
11:59que momentos foram difíceis,
12:01a questão da religião,
12:02até que ponto ele foi tão religioso
12:05como alguns querem crer
12:06ou como alguns dizem que não foi, entendeu?
12:10Isso tudo está no livro,
12:11ou seja,
12:12quem tem essa curiosidade muito grande
12:16pelo mito Ayrton,
12:17eu tenho certeza que vai ter muita coisa
12:20para ler, para absorver
12:22e para se posicionar a respeito do que leu, entendeu?
12:25Nesse sentido, eu acho que sim,
12:27modéstia à parte,
12:28eu consegui descrever esse mito
12:31levando em conta exatamente
12:32esse caráter místico que você,
12:34ou mítico,
12:35que você definiu muito bem,
12:38que está associado, assim,
12:40indeleralmente à personalidade dele.
12:44Dos fatos que você narrou
12:45na biografia da vida do Ayrton Senna,
12:48seja no âmbito pessoal
12:49ou no âmbito profissional,
12:50qual desses fatos você destaca,
12:53sendo o que mais chamou a atenção?
12:55Teve algum fato muito polêmico
12:57porque ele se envolveu?
12:58Algum fato muito marcante?
13:00Tem algum que você pode destacar aqui para a gente?
13:03Olha, assim,
13:04como ser humano,
13:05eu acho que ele, assim,
13:07não me surpreendeu
13:09o perfil psicológico,
13:11o perfil,
13:11o pensamento dele
13:12a respeito do Brasil,
13:14das coisas,
13:14das pessoas,
13:15a maneira como ele se relacionou
13:17com afetivamente,
13:19tudo não teve nada
13:20de muito, assim,
13:22diferente de um homem,
13:25de um jovem,
13:26da idade dele,
13:26na geração dele,
13:28nas circunstâncias do Brasil,
13:29da época em que ele cresceu,
13:31em que ele se tornou piloto e tal.
13:33Eu acho, assim,
13:34tem muitos aspectos
13:36que revelam exatamente
13:37esses aspectos,
13:38esses lados todos,
13:40essas facetas todas
13:41da vida dele.
13:42Agora,
13:43eu tenho que te dizer o seguinte,
13:44embora o livro
13:45seja um livro
13:46para quem
13:47não precisa gostar
13:50de Fórmula 1
13:50para ler o livro,
13:51modéstia à parte,
13:52eu acho que
13:53mesmo quem nunca mais
13:54viu Fórmula 1
13:55vai se emocionar
13:57e vai gostar muito
13:58de ler
13:58o que está no livro.
14:00Mas, agora, assim,
14:01o que realmente
14:01me impressionou
14:02foi o Ayrton Senna piloto.
14:05Esse,
14:06e olha que eu acompanho
14:08esse esporte
14:09desde 1972,
14:11então, quer dizer,
14:13e eu devo ter visto
14:15praticamente o mesmo
14:16número de corridas
14:16que o Reginaldo Leme,
14:18por exemplo,
14:18me assistiu,
14:19porque em quase todas
14:20que ele estava lá,
14:22eu também estava assistindo.
14:23E algumas eu presenciei,
14:25produzir,
14:26dirigir Globo Repórter
14:27sobre o Ayrton,
14:29frequentei muito
14:29a Fórmula 1
14:30ao longo dos anos 90.
14:32então, é o seguinte,
14:33é o Ayrton piloto
14:35que, para mim,
14:38salta muito,
14:39me impressionou sempre,
14:41pelas características
14:42que ele tinha
14:43em extremo,
14:45não é, assim,
14:46que ele tinha
14:47em altas doses,
14:49assim,
14:51a seguir,
14:52para dizer,
14:53primeiro,
14:53a bravura pessoal dele,
14:55a coragem pessoal,
14:56muitos episódios
14:58em que você sente
15:00que ele ali,
15:00ele estava disposto
15:02a enfrentar o risco
15:03até de morrer,
15:04para ultrapassar alguém
15:06ou para chegar,
15:09descontar algum tempo
15:10em relação ao Prost,
15:12por exemplo,
15:12e por aí vai.
15:13Então, assim,
15:14a coragem pessoal dele,
15:16a maneira como ele se envolveu
15:18em disputas
15:19de tirar o fôlego.
15:21Segundo,
15:21a capacidade cognitiva dele,
15:24absolutamente fora de série,
15:26a ponta dele,
15:27conseguia,
15:29como eu conto,
15:30como ele conta
15:30e várias pessoas ilustram,
15:33o dia em 88,
15:35em Mônaco,
15:36quando ele,
15:36depois de conquistar
15:37a pole position,
15:37ainda queria aumentar mais,
15:39ele foi ficando
15:40numa situação sensorial
15:41em que ele,
15:42de repente,
15:43não conseguia saber mais
15:44o que era carro,
15:45o que era ele,
15:46uma sensação
15:48e uma integração
15:49tão grande,
15:51tão forte com o carro,
15:52que ele se assustou
15:53e parou no box,
15:54desceu do carro,
15:55assustado,
15:56como tinha acontecido com ele.
15:57tal grau de concentração dele,
15:59tal grau de interação
16:04cognitiva
16:04que ele tinha
16:05com as máquinas.
16:06Podia ser uma Tolliman,
16:08uma equipe,
16:08um carro
16:09que era de segundo time,
16:11podia ser uma McLaren
16:12de primeiro time,
16:13podia ser uma McLaren
16:15bem preparada
16:15ou uma McLaren
16:19mal preparada,
16:20ele,
16:20em qualquer carro,
16:22ele fazia milagres.
16:23segundo essa questão
16:26sensorial,
16:27da capacidade
16:28até cognitiva dele,
16:30da inteligência cognitiva dele.
16:33Em terceiro,
16:33também vários episódios
16:35no livro
16:35mostram
16:36o quanto ele foi
16:39intensamente profissional,
16:40desde a hora
16:41que estava sentado
16:42no cockpit
16:42até a hora
16:43de negociar um contrato,
16:45na hora de se relacionar
16:46com a imprensa,
16:47ele era uma máquina
16:48no sentido de
16:48saber fazer tudo
16:50de uma maneira planejada,
16:51sabia que era importante
16:52ter um bom relacionamento
16:54com a imprensa,
16:55teve alguma dificuldade
16:56no início,
16:57brigou muito
16:57com alguns jornalistas,
16:58mas depois foi aprendendo
16:59com a ajuda,
17:00inclusive,
17:00da Betisa Simson,
17:02que foi uma assessora
17:02importante dele,
17:03que eu entrevistei
17:04para a segunda,
17:05para a edição
17:06atualizada do livro.
17:08Então,
17:09teve também
17:09esse lado profissional
17:10dele,
17:11de profissionalismo
17:13no contrato,
17:14na hora de discutir
17:14o contrato,
17:15e também
17:17o afinco
17:18e a aplicação
17:19dele
17:20no preparo físico
17:21e na preparação
17:23dele,
17:23em termos de mente,
17:25de saúde física
17:26para as corridas.
17:27Então,
17:28o livro está
17:29cheio de episódios
17:32impressionantes
17:33nessas quatro vertentes,
17:34que eu acho
17:35que são as vertentes
17:36que fizeram
17:38e fazem
17:39a Linda do Ayrton
17:40um gênio,
17:41um gênio
17:42no esporte
17:42que ele praticou.
17:44É,
17:44realmente era um gênio.
17:46E nessa pegada,
17:47eu queria saber de você
17:48como alguém
17:49que acompanha,
17:50acompanhou a carreira
17:51do Ayrton Senna
17:52em sua integridade,
17:55às vezes o distanciamento
17:56histórico
17:56faz algumas distorções
17:58na nossa avaliação
17:59sobre em qual
18:00degrau
18:01está o piloto
18:02no Olimpo
18:03do esporte.
18:04Existem muitas discussões
18:05hoje sobre
18:06quem seria melhor,
18:07seria ele,
18:07seria o Schumacher
18:09ou o próprio Hamilton
18:09que ainda está correndo.
18:11Eu queria saber
18:12de você que acompanhou
18:13a carreira dos três,
18:15realmente ele era
18:16isso tudo?
18:17Ele era o melhor
18:18ou não?
18:19Realmente existiam
18:20esses outros dois pilotos
18:22ou algum outro piloto,
18:23talvez o Fangio,
18:24que foi tão bom
18:25quanto ele?
18:26Realmente ele era
18:27esse cara
18:29imparável?
18:30Ninguém seria capaz
18:30de batê-lo
18:31em condições iguais?
18:33Olha,
18:34eu,
18:34primeiro é o seguinte,
18:38eu,
18:38primeiro eu quero dizer
18:39que eu sou um fã
18:40de carteirinha
18:41do Lewis Hemingham,
18:42tá?
18:42Eu acho ele
18:43um espetacular,
18:44um dos grandes pilotos
18:45da história da Fórmula 1.
18:47Agora,
18:48o Ayrton,
18:49ok,
18:49eu colocaria,
18:52eu já vi muito,
18:53até pela pesquisa do livro,
18:54vi muitas enquetes,
18:56muitas pesquisas feitas,
18:57principalmente na Europa,
18:59por italianos,
19:00franceses,
19:01ingleses e tal,
19:02e é impressionante
19:03como é que muitos anos
19:04depois da morte do Ayrton,
19:06ele continua lá
19:07nas estatísticas
19:08entre os melhores.
19:10E se você me perguntar,
19:12eu, por exemplo,
19:12eu nunca vi
19:13uma corrida
19:14do Fangio,
19:15e também nunca
19:16vi cenas de filmes,
19:19trechos de corridas
19:20do Jim Clark.
19:21Mas eu confio muito
19:23nos cronistas
19:24de todas as línguas
19:26que contaram
19:28a história
19:28da Fórmula 1
19:29da época do Fangio
19:31e da época do Jim Clark.
19:32E,
19:33de certa maneira,
19:34levando em conta
19:35esse respeito
19:36que eu tenho
19:37pelos meus colegas
19:38jornalistas lá do passado,
19:39ao retratarem
19:41essa história,
19:42eu diria,
19:42sem conhecer,
19:44sabendo algumas histórias,
19:45mas sem conhecer,
19:47sem ter visto
19:48pessoalmente
19:49as corridas,
19:49eu aceito
19:51a ideia
19:51de que o Fangio
19:52foi um dos maiores,
19:54que o Jim Clark
19:55foi o
19:57outro dos maiores.
19:59E eu,
19:59mais isso lá,
20:01eu devo ter visto
20:01umas 600 corridas
20:03até hoje,
20:03não sei a conta por aí.
20:05algumas,
20:05eu vi em loco,
20:07aqui no Brasil,
20:08Interlagos,
20:09em Jacarepaguá,
20:10Silveston,
20:11Bélgica,
20:12na Itália,
20:13eu vi muito algumas,
20:14sei lá,
20:16número razoável
20:18de corridas
20:19em loco.
20:20Eu diria para você
20:21que sim,
20:22eu acho que o Aetton
20:23de todos esses,
20:24dessa geração
20:25posterior
20:26ao Jim Clark,
20:28eu acho que ele
20:29foi o maior,
20:30por essas características
20:31que eu acabei
20:32de descrever
20:32para você,
20:33essas quatro vertentes
20:36dele como piloto.
20:38A bravura pessoal,
20:40a inteligência cognitiva,
20:43a intensidade profissional dele,
20:47a preparação física,
20:49isso tudo junto
20:50formou um pacote
20:52inalcançável para mim.
20:54Você tem o Schumacher,
20:56você tem o Lewis Hamilton,
20:57que eu acho também
20:58que é muito próximo,
20:59você tem agora o Verstappen,
21:01mas assim,
21:01com a característica
21:03do Ayrton
21:04e com tudo
21:05que ele fez também
21:06antes de pilotar
21:08carros competitivos,
21:09campeões,
21:10como foi
21:11a partida McLaren,
21:12o que ele fez
21:14na Tolleyman,
21:15na Lotus,
21:16o livro está cheio
21:17de episódios
21:18que mostram
21:19certos milagres
21:20que ele fez,
21:21coisas da Fórmula Ford
21:22também,
21:23como um dia
21:23que ele ganhou
21:24uma corrida
21:24em Truxton
21:25e aí terminou
21:27a corrida
21:27e ninguém entendeu
21:28porque quando ele
21:29passou pela bandeirada
21:30ele estava 300 metros,
21:31ele foi parar
21:32só 300 metros
21:33depois da bandeirada.
21:34Depois perguntaram
21:35o que aconteceu
21:35que em vez de se parar
21:36aqui na bandeirada
21:37para receber o troféu,
21:38ele falou assim,
21:39não,
21:39eu estava sem
21:40o freio da frente.
21:41Entendeu?
21:41Então,
21:42ao longo da corrida
21:44de Fórmula Ford,
21:45ele foi se adaptando
21:48a frear o carro
21:50só com a roda traseira
21:52e para a gente
21:53ter uma ideia,
21:54experimenta frear
21:55o seu carro
21:55só com o freio de mão.
21:57Você vê como é
21:58que é difícil
22:00você controlar
22:00o carro
22:01em alta velocidade,
22:02não faça isso,
22:03por favor,
22:03não estou dizendo
22:04para correr
22:04e puxar o freio de mão,
22:06mas assim,
22:07o que ele fez?
22:08Então,
22:08de repente,
22:09aí as pessoas duvidaram,
22:11aí o chefe da equipe dele,
22:13o Dennis Rushing,
22:14foi lá,
22:15colocou as mãos
22:15no freio,
22:16nos discos
22:17de freio dianteiro
22:18e eles estavam gelados,
22:19não estavam quentes.
22:21Não era a cascata do Ayrton.
22:22Em cada momento,
22:24em cada temporada,
22:26ele protagonizou
22:28esses milagres
22:28que não só eu,
22:30mas assim,
22:31os jornalistas
22:32que cobriram,
22:33que pegaram a época
22:34do Jim Clark,
22:35que pegaram a época
22:35do Fangio,
22:36também viram
22:37e são esses jornalistas
22:39que colocam
22:40o Ayrton
22:40no mínimo
22:41entre os cinco
22:42e a maioria deles
22:43colocam entre os três,
22:45entendeu?
22:45Maiores de todos os tempos.
22:47Isso porque também
22:48é o seguinte,
22:49a Fórmula 1
22:50hoje é diferente,
22:51ela tem uma demanda
22:52diferente de perfil.
22:53Hoje você não precisa
22:54de alguém tão corajoso
22:56como o Ayrton foi,
22:57entendeu?
22:58E nem fisicamente
22:59também tão preparado
23:00como ele foi
23:01para resistir
23:02às situações absurdas
23:03em que ele conseguiu
23:04continuar correndo,
23:05entendeu?
23:06Hoje é outro perfil,
23:07um perfil mais técnico,
23:09um perfil mais quase
23:10de videogame,
23:11a capacidade que o piloto
23:12tem de se concentrar
23:13naquele painel,
23:15naquele volante
23:15com mais de 25 botões
23:17e conversar com boxe
23:19e tal.
23:19É outro,
23:20eu adoro isso,
23:21eu repito,
23:22eu gosto dessa
23:22Fórmula 1 atual,
23:23mas é outro padrão.
23:25E outro padrão também
23:26é o seguinte,
23:27pelo grau de risco,
23:28hoje é diferente,
23:30entendeu?
23:31E o regulamento
23:33e a pontuação
23:34também é outro mundo
23:35em relação ao passado.
23:37A pontuação de hoje
23:41não é justa
23:42em relação aos do passado,
23:44quer dizer,
23:44antigamente,
23:45você ganhava uma corrida,
23:46ganhava nove pontos.
23:47A pontuação do primeiro
23:49ao sexto era
23:50nove,
23:51seis,
23:52quatro,
23:52três,
23:52dois,
23:52um.
23:53Não se imagina.
23:54E o número
23:55de grandes prêmios
23:55durante uma temporada
23:57chegou no começo
23:59foi de nove
24:00ou de dez,
24:01depois foram doze,
24:02um bom tempo
24:02ficou quatorze,
24:04depois passou de dezesseis
24:05e hoje são vinte e poucos.
24:07Então,
24:08não adianta você querer...
24:11Aliás,
24:11com a inteligência artificial
24:12é uma velha proposta minha
24:14que agora com a inteligência artificial
24:16era muito mais factível,
24:17que é você fazer
24:18essa ponderação
24:19para poder realmente
24:21comparar
24:22Verstappen com Senna,
24:24Piquet com Fangio
24:25e com quem você quiser,
24:26fazendo a ponderação.
24:28Agora,
24:28para terminar,
24:29eu acho que sim,
24:30a única coisa
24:30que também é muito diferente
24:32hoje,
24:32que o Ayrton
24:32acho que não estaria
24:33muito à vontade,
24:35é com a...
24:36o regulamento de hoje,
24:38as regras hoje,
24:39muito severas,
24:41parece até uma escolinha
24:42do Detran,
24:43às vezes,
24:44entendeu assim?
24:45E ninguém está ali
24:47disputando
24:47ou tentando conseguir
24:49uma carteira
24:50de motorista
24:50para dirigir no trânsito
24:51ou na estrada.
24:52Ali é uma prova,
24:54é um espetáculo,
24:55é um show de limites.
24:57Então,
24:57eu acho,
24:58eu tenho muitas restrições
24:59a essa maneira
25:00muito autoritária
25:03com que as regras
25:04hoje
25:05são aplicadas
25:06na Fórmula 1
25:07e perdendo
25:08muito da emoção.
25:10Tudo hoje é proibido,
25:11tudo é...
25:11Ele não pode dar
25:12uma encostadinha
25:13que já toma
25:14uma penalidade.
25:16Eu,
25:16não só eu,
25:17mas muitos jornalistas
25:18conheceram o Ayrton,
25:20tem certeza
25:21que ele ficaria
25:21para morrer
25:22de insatisfação
25:24com as regras
25:25atuais
25:26da Fórmula 1.
25:26Só para a gente encerrar,
25:27uma última pergunta
25:28que eu tenho para te fazer.
25:31O Ayrton Senna,
25:32ele deixou um legado
25:33na Fórmula 1.
25:34Isso é óbvio
25:34e todo mundo sabe.
25:36Mas eu queria saber
25:37de você,
25:38se você considera
25:39que esse legado,
25:40pelo menos para o Brasil,
25:41foi positivo.
25:42Por que eu pergunto isso?
25:44Desde então,
25:45o Brasil não teve
25:46mais nenhum campeão mundial
25:47na Fórmula 1.
25:48Quase tivemos
25:49com o Felipe Márcio
25:50em 2008,
25:51mas acabou perdendo
25:51o título na última curva.
25:53Você acha que o brasileiro
25:55ficou mal acostumado
25:57com o bom desempenho,
25:59excelente desempenho
26:00do Ayrton Senna,
26:01ao ponto de não conseguir
26:02mais enxergar
26:05qualidades
26:06nos outros pilotos
26:06que vieram depois?
26:08Talvez por isso
26:08a gente não tenha
26:09mais pilotos brasileiros
26:10na Fórmula 1
26:10até hoje?
26:12Com certeza.
26:13Eu acho que
26:14esse é o lado
26:14desastroso
26:15do nosso sucesso,
26:17dos nossos campeões.
26:18Eles transformaram
26:20o telespectador brasileiro
26:22ou o torcedor brasileiro
26:24numa figura
26:27quase impossível,
26:30para não dizer ridícula.
26:32A maneira como
26:35trataram o Rubinho
26:35e o Barrichello,
26:37por exemplo,
26:37por mais que o Rubinho
26:38também não tenha
26:40tido um pouco
26:41de responsabilidade
26:43no tipo de tratamento
26:44que ele recebeu depois,
26:45porque ele meio que
26:48aceitou a ideia
26:49de ser o sucessor
26:50do Ayrton,
26:52em vez de ter muito claro
26:53dizer, olha,
26:54eu sou outra coisa,
26:55sou outra história.
26:57Ele, no começo,
26:57de certa maneira,
26:59permitiu que o torcedor
27:00esperasse dele
27:01um novo Senna,
27:03o que seria
27:03uma coisa
27:05impensável
27:06de acontecer,
27:07entendeu?
27:08Mas, ainda assim,
27:09eu acho que
27:09o que fizeram com ele,
27:11o Rubinho foi transformado
27:12numa piada nacional
27:13que até hoje
27:14existe,
27:15entendeu?
27:15Outros pilotos
27:16que tiveram histórias
27:19difíceis,
27:20por exemplo,
27:20o Felipe Massa,
27:22o Felipe Massa
27:22foi um belo pilot
27:23além de ser queridíssimo,
27:25eu fiz uma série também,
27:26para quem está assistindo
27:27e gostar
27:28de Fórmula 1,
27:30eu fiz uma série
27:31chamada
27:31Brasil na Pista,
27:32de oito episódios,
27:34que está no Canais Globo,
27:35disponível,
27:36que são oito episódios
27:37de quarenta minutos
27:38e que está a história
27:38de todos os brasileiros
27:42que se aventuraram
27:44na Fórmula 1
27:44desde o Emmanuel
27:45Souto de Paulo,
27:45tirando apenas
27:46que não quis falar comigo,
27:48Pedro Paulo Diniz
27:49e o Maurício Gugelmin,
27:51que não quiseram
27:51dar entrevista.
27:52Todos os outros,
27:53inclusive os que
27:54sofreram muito
27:54em equipes ruins
27:55e contam histórias
27:57de deixar
27:58a turma da Netflix
28:00babando
28:01com a dramaticidade
28:02das histórias,
28:03das sacanagens
28:03que aconteceram
28:05com esses pilotos,
28:06entendeu?
28:07Então,
28:08esse foi o lado ruim
28:09da herança,
28:10foi essa ilusão
28:12de óleo,
28:12essa ilusão,
28:13essa falta
28:14de realismo
28:17do torcedor brasileiro
28:18de achar
28:19que ser campeão
28:21da Fórmula 1
28:22era uma questão
28:23de tempo.
28:23Não, não,
28:24dificilmente,
28:26os próprios pilotos
28:27falam,
28:28o Cristiano da Mata,
28:29por exemplo,
28:30que foi um dos pilotos
28:30que se aventurou
28:31e sofreu
28:32na Fórmula 1,
28:33ele disse o seguinte,
28:34uma combinação
28:35como a que permitiu
28:36esses títulos
28:37todos do Brasil,
28:38só daqui uns
28:39250 anos
28:40e olhe lá,
28:41olhe lá,
28:42se existir Fórmula 1
28:43e indo até lá.
28:44Então,
28:44esse é o lado ruim,
28:47é a visão falsa,
28:49é uma visão
28:50completamente desconectada
28:52da realidade
28:53e que nos torna,
28:55não a mim,
28:55porque eu sei
28:56para ver isso,
28:57nos torna,
28:57brasileiros,
28:59completamente injustos
29:02e, às vezes,
29:03vai pairando o ridículo
29:04na maneira
29:05com que a gente passou
29:06a observar
29:08e a encarar
29:10a ida
29:11de outros pilotos,
29:12a carreira
29:12de outros pilotos
29:13que entraram na Fórmula 1
29:15depois do Ayrton.
29:16Então,
29:17esse,
29:17infelizmente,
29:18é o lado ruim,
29:19mas eu acho
29:20que o mesmo público
29:22que gostou,
29:23que passou a gostar
29:23de Fórmula 1
29:24lá na época do Emerson
29:25e que foi se repetindo
29:28e aumentou um pouco
29:30na época do Nelson,
29:31depois explodiu
29:32na época do Ayrton,
29:34eu acho que hoje
29:35a própria
29:37transmissão pela Bandeirantes
29:38mostra,
29:38existe uma audiência fiel
29:42e eu acho
29:42que ela vai continuar,
29:43é como quem gosta
29:44de tênis,
29:45assim,
29:45não vai ser nunca
29:46um futebol,
29:47tá?
29:47É como quem gosta
29:48de vôlei,
29:49de tênis,
29:49vai ter sempre
29:50um público ali
29:51apaixonado e tal
29:52e, vez por outra,
29:53um grande momento
29:54do Brasil
29:55nesse esporte
29:56vai ganhar
29:56mais visibilidade,
29:59mas eu acho
29:59que vai continuar assim.
30:01Infelizmente,
30:03por conta
30:03dessa distorção
30:05completa,
30:06nós cometemos
30:07muitas injustiças
30:08e aí,
30:09isso piora ainda
30:10porque diminui
30:11mais a chance
30:12de um novo piloto
30:14brilhar
30:14e acontecer
30:15na Fórmula 1
30:16por causa
30:17desse grau
30:17terrível de exigência
30:19que nós,
30:20que a nossa mídia,
30:21meus colegas
30:21da imprensa
30:22fazem em cima
30:23dos pilotos brasileiros.
30:25Legal, Ernesto,
30:26muito obrigado,
30:27viu,
30:27por aceitar conversar
30:28com a gente,
30:29foi uma entrevista
30:29muito enriquecedora.
30:31Obrigado a você também
30:32que acompanhou a gente
30:33até aqui,
30:33esse bate-papo
30:34com o Ernesto Rodrigues,
30:35autor do livro
30:35Ayrton,
30:36o Herói Revelado,
30:37uma biografia
30:38do maior ídolo
30:39do automobilismo brasileiro.
30:41Obrigado por ter acompanhado
30:42até aqui
30:42e até a próxima.
30:43Ayrton Rodrigues,
30:44o Herói Revelado,
30:45o Herói Revelado,
30:45o Herói Revelado,
30:45Ayrton Rodrigues,
30:46o Herói Revelado,
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